Movimento dos Focolares

Terra Santa: Histórias de diálogo

Anna Maria, Jessica e Talat: um testemunho de amizade entre fiéis das três religiões monoteístas. Quando desmoronam os muros da desconfiança e dos preconceitos, se experimenta a possibilidade de olhar para o futuro com coragem e esperança. https://vimeo.com/320465656

D. Vincenzo Zani: Novas alianças para novos desafios educativos

D. Vincenzo Zani: Novas alianças para novos desafios educativos

Entrevista com o secretário da Congregação para a Educação Católica presente no simpósio Edu x Edu: “É preciso reconstruir o pacto entre educando e educador”. Existem questões que não encontram soluções definitivas num mundo em contínua evolução. É necessário sempre manter o passo, corrigir, reinterpretar e sobretudo encontrar o modo de sair das muitas solidões que oprimem quem se ocupa hoje de educação. Desde sempre, mas em especial nestes últimos anos, a Igreja chamou com fortes ênfases a atenção sobre a emergência educativa vista como um dos desafios antropológicos mais corajosos a ser superado no nosso tempo. E, sobre este desafio, o Papa Francisco continua a insistir porque está precisamente aqui o vulnus, o ponto mais frágil, a causa das crescentes desigualdades sociais, é um desafio que é, com muita frequência, subestimado pela política e, portanto, descartado e isolado na total indiferença. D. Vincenzo Zani, Secretário da Congregação para a Educação Católica, falou disso na mesa redonda intitulada “A vitalidade dos sonhos: dar uma alma à educação”, no simpósio internacional que há pouco se concluiu em Castel Gandolfo, “Edu x Edu”, “Educar-se para educar – crescer juntos na relação educativa”. O projeto nasceu em 2016 e viu a participação de cerca de 400 educadores, jovens, professores dos focolares provenientes de diversos países. Uma coalizão de promotores, além do Movimento dos Focolares, apoiou neste ano a iniciativa, como a Universidade LUMSA, o Instituto Universitário Sophia, AMU (Ação Mundo Unido onlus), EdU (Educação e Unidade) e AFN (Ação Famílias Novas onlus). 53695255 2094043104010432 1517733862065569792 nO discurso de D. Zani mirou em analisar sobretudo a fratura entre as gerações, uma fratura entre culturas, valores, ideais, provocada inclusive pela revolução digital, um potencial extraordinário, mas que frequentemente desorienta. O advento da era da infosfera, os desenvolvimentos no campo das tecnologias da informação e da comunicação estão modificando as respostas a perguntas fundamentais. Diante de tal cenário, qual é a proposta do Papa Francisco? Se voltarmos por um momento ao passado, descobrimos que a educação era uma tarefa comunitária, um compartilhamento relacional. Fazer rede, abrir um diálogo de 360 graus entre todas as agências educativas é a chave que pode vencer este desafio. Com efeito, educar não é permanecer fixos nas próprias seguranças e nem menos se abandonar só aos desafios, mas, juntos, manter os valores, as próprias visões e se pôr em confronto com as outras realidades e uma destas dimensões é a da transcendência, do relacionamento com Deus, salientou D. Zani. O convite é o de se colocar em relação e em serviço com os outros, propor um saber não de tipo seletivo, mas relacional, que tende a incluir, restabelecer, para todos os efeitos, os fundamentos para um “pacto educativo” que deixe espaço à responsabilidade educativa social para reconstruir harmonicamente a relação entre família, escola, instituições educativas e civis e cultura. Portanto, é preciso refundar esta aliança para estar à altura dos desafios que o Papa nos lançou. 53164950 2094043034010439 1956683256338317312 nE é justamente para relançar o compromisso de reconstruir o pacto educativo que o Papa Francisco encarregou a Congregação para a Educação Católica a promover um evento mundial que se realizará no próximo dia 4 de outubro em Roma. “De fato, é preciso –afirmou D. Zani – acompanhar os homens e as mulheres do terceiro milênio, mas sobretudo os jovens, a descobrir o princípio de fraternidade que está subjacente à inteira realidade: princípio que se tornou cada vez mais evidente pela interdependência planetária e pelo destino comum de todas as criaturas. O Papa proporá uma “Magna charta” de princípios e objetivos que será assinada por ele mesmo e por uma representação de pessoas categorizadas, expressão dos vários mundos vitais e institucionais do mundo, a fim de que se torne um compromisso a ser assumido em todos os níveis através de projetos concretos em âmbito educativo. Reconstruir o pacto educativo em nível global, educando à fraternidade universal, significa recompor a trama das relações sociais sofredoras, danificadas pelos egoísmos individuais e pelas avidezes coletivas, almejando, ao invés, o respeito e o amor para com o outro para transformar e melhorar a vida pessoal e social. Se queremos mudar o mundo – repete o Papa Francisco – é preciso mudar a educação”.

Patrizia Mazzola

Pathways: doar para compartilhar

Na família ou nos locais de trabalho, a partilha do que temos e do que somos pode contribuir para criar novos relacionamentos. Uma troca de presentes Nosso aniversário de casamento estava chegando e, sem sabermos, nossos filhos estavam preparando uma surpresa. Estou casada há 46 anos e tenho 5 filhos. Dois dias antes do nosso aniversário, recebemos passagens para uma viagem: férias em uma pousada pagas por eles. Ficamos radiantes. Porém, poucos minutos depois, tocou o telefone da nossa casa: era uma senhora conhecida minha que, muito dolorosamente, nos informava que uma pessoa gravemente doente precisava de uma operação urgente, mas não tinha condições financeiras para pagar. O valor necessário para a cirurgia era justamente aquele das passagens da viagem. Não pensamos duas vezes: renunciamos a nossas férias para ajudar essa pessoa. A cirurgia foi bem no dia das nossas bodas. A operação foi um sucesso e agora a pessoa está melhor. (A. – Angola) Salvando a empresa Trabalho na administração de uma unidade de saúde em que, nos últimos anos, o balanço foi negativo. Até pouco tempo atrás, havia grandes dificuldades de diálogo entre os sócios e, apesar de eu alerta-los, ninguém levava em consideração a possibilidade de rever a gestão das contas da empresa. Um dia, senti que não poderia mais ficar calada diante da gestão ruim e da conta exorbitante dos muitos profissionais que trabalham para nós. Conversei com uma das sócias com a qual tenho um ótimo relacionamento de confiança e pedimos que um profissional sério analisasse os custos e lucros. Essa ação levou a pequenos passos de melhora e, em vez de uma decisão simples de fechar a empresa, meu chefe concedeu mais um ano de tentativa. Desde a primeira prestação de contas, constatou-se um excesso de pessoal, portanto foi decidido dispensar uma pessoa e pedir a outra que trabalhasse meio período. Propus uma redução de expediente para todos, em vez de demitir um funcionário. A proposta foi aceita. Ainda há muitos problemas, mas procuro estar disponível também em casa para escutar todos, acolher as incertezas e medos dos colegas e, sobretudo, o medo de perder o emprego. (R. G. – Itália) Comecei no meu prédio “Um sábado à tarde, desci ao hall do meu prédio e arrumei com cuidado em uma pequena mesa tudo o que havia juntado no meu quarto”, conta G., de 7 anos. Nos dias anteriores, de fato, G. tinha separado cuidadosamente HQs, revistinhas e sua coleção de conchinhas para montar um pequeno mercado para seus vizinhos. “Também escrevi um anúncio”, continua, “convidando as famílias que moram no meu prédio a visitar minha banquinha e comprar, disponibilizando alguns minutos de seu precioso tempo. Por cerca de duas horas, acolhi as pessoas explicando que o dinheiro da venda ajudaria alguns meninos mais pobres da minha idade”. Muitos compraram vários objetos e, no fim, foi arrecadada uma boa quantia, que foi destinada a contribuir com um projeto de solidariedade. (G.- Itália)

Moçambique: preparar-se para a reconstrução

Atingidas também comunidades dos Focolares pela enchente no Sudeste da África Nos últimos dias, uma enchente violenta atingiu o Sudeste da África, em particular a parte central de Moçambique. Estamos em contato com membros do Movimento dos Focolares nas regiões de Beira e de Chimoio. Alguns deles coordenam uma missão de cerca de 500 pessoas que hospeda um centro de recuperação (Fazenda da Esperança), uma escola, dois colégios e um hospital. Neste momento toda a missão está submersa pela água e isolada, sem água potável, luz e alimentos. Felizmente não houve mortos, mas nos arredores houve várias vítimas. A Cáritas e as autoridades estão trabalhando para chegar nas regiões isoladas para levar alimentos e gêneros de primeira necessidade. O maior desafio chegará quando a água descer e quando – como afirma D. Dalla Zuanna, bispo de Beira, “teremos que começar a reconstrução e as luzes da emergência já serão apagadas.” Por isso a Coordenação Emergências do Movimento dos Focolares foi ativada para recolher contribuições e destiná-las para a assistência da população do local. Quem desejar colaborar pode contribuir com as seguintes modalidades: Ação por um Mundo Unido ONLUS (AMU) IBAN: IT58 S050 1803 2000 0001 1204 344 Banca Popolare Etica BIC: CCRTIT2T Emergenza Mozambico Ou: Ação para Famílias Novas ONLUS (AFN) IBAN: IT55 K033 5901 6001 0000 0001 060 Banca Prossima Codice SWIFT/BIC: BCITITMX Emergenza Mozambico

Crescer com os próprios filhos

Crescer com os próprios filhos

Descobrir que o próprio filho possui um distúrbio mental pode ser um choque capaz de paralisar a mente e o agir dos pais. Ou então pode prevalecer o desejo de escutar, acompanhar, perseverar, doar-se. Viver a deficiência crescendo juntos. É o caminho que os eslovenos Natalija e Damijan Obadic escolheram, casados há 14 anos, pais de quatro filhos. O mais novo, Lovro, hoje tem seis anos e, três anos atrás, foi diagnosticado com um déficit de atenção. Parecia que não havia alternativas aos remédios e tratamentos standard. Mas o casal experimentou que a relação é também terapia. E potencializa o tratamento. Às vezes, por si só, descobre soluções originais. Mas nenhum resultado é obtido definitivamente, aliás, o percurso de cada dia é um desafio. A união da família e a união com Deus sustentam o caminho. Natalija, como vocês reagiram com a notícia de que o filho de vocês sofre de um déficit de atenção? Parecia ver diante de mim as crianças que possuem esse transtorno e que encontrei no meu trabalho como educadora, e os seus enormes problemas. Naquele dia, eu e Damijan entendemos que o maior ato de amor que podíamos fazer para Lovro, e para todos nós, era que um de nós dois deixasse o trabalho. Tínhamos um empréstimo e salários modestos, mas sabíamos que para ajudá-lo da forma certa era preciso dar a ele muito amor, tempo e energias. Foi muito doloroso e tínhamos grandes incertezas, mas estávamos seguros de que o amor de Deus por nós teria sido nosso apoio. 738de167 4239 49ae 8658 dc83e81017ecO que a experiência com Lovro lhes ensina? Aprendemos a escutá-lo até o fim. Quando você dá a ele alguma instrução deve controlar se a entendeu, acompanhá-lo em cada atividade e fazer continuamente que retorne àquilo que deve fazer, de outra forma começa a brincar. Para ele, chegar até o fim numa ação é como escalar uma montanha intransponível, e por isso se rebela para não o fazer. Às vezes tem crises com um choro descontrolado, joga longe tudo o que vê, dá chutes e socos. Então, com calma e gentileza, você deve encontrar um modo para direcioná-lo àquilo que deve fazer. Aprendemos que com o nosso amor mútuo é possível ajudá-lo e que o amor por Lovro nos guia em entender o que fazer por ele. Como enfrentar as dificuldades diárias? Todo dia rezamos com ele, para que consiga enfrentar as suas dificuldades. Ele é consciente de possuir um distúrbio e isso o ajuda a encarar. Com o nosso amor recíproco, conseguimos sozinhos seguir as indicações dos especialistas. Entendemos que Lovro deve sentir o nosso amor incondicional sempre. Falando com ele procuramos encontrar o modo para melhorar dia a dia. Os outros filhos também são envolvidos nesse “tratamento especial” para Lovro? Que relacionamento existe entre eles? Conversamos com os outros sobre o que fazer para ele, o que pretender e como perseverar para poder ajudá-lo. Como tudo é muito extenuante decidimos dividir-nos os dias da semana. Explicamos aos filhos que não devem ter pena quando pedem ao Lovro para completar uma tarefa, porque assim o ajudam a aprender que tem deveres e que os deve levar até o fim. Eles nos ajudaram muito e depois de três meses vimos os primeiros resultados. Uma noite dissemos a Lovro para colocar o pijama e sentar-se à mesa. Pela primeira vez ele fez isso sozinho, sem se distrair. E nós festejamos!

Aos cuidados de Claudia Di Lorenzi

Evangelho vivido: “Sede misericordiosos como o vosso Pai”

Somos filhos de Deus e podemos assemelhar-nos a Ele em suas características próprias: o amor, a acolhida, o saber esperar pelo tempo dos outros. No banco Trabalho em um banco e sempre procurei ser um elemento de união entre os colegas, por isso fiquei muito mal quando, um dia, descobri que um deles me usava para falar mal do seu responsável. Naquela noite, na igreja, prometi a mim mesmo afastar todo pensamento negativo sobre aquele colega, e acolhê-lo como sempre. Em seguida, tendo conseguido um outro trabalho ele pediu demissão e, ao se despedir, agradeceu-me por ter sido sempre um amigo para ele. Não esperava por isso, mas fiquei feliz por saber que o meu esforço não tinha sido em vão. (F. S. – Suíça) Uma fé madura Cada dia que passa o meu marido perde mais memória e habilidades, e eu mesma não consigo mais me dobrar para pegar alguma coisa… mas, será essa a vida? Quando escutei o Papa Francisco falar aos jovens sobre os idosos, voltou a esperança e uma força nova para enfrentar as dificuldades da velhice e as doenças. Eu sempre rejeitei a fé como panaceia de todos os males, foi preciso uma vida inteira para chegar a uma fé mais madura. (F. Z. – Polônia) Duas horas preciosas Hoje era o meu dia de voluntariado no hospital, mas chovia e eu estava cansada: no fundo, eu tenho 62 anos e sofro de artrose. Mas, pensando naqueles doentes fui, mesmo assim. Quando cheguei ao hospital encontrei um paciente deprimido, nu, paralisado, sem ninguém que o acudisse. Passei duas horas com ele, procurando dar-lhe tudo aquilo que eu era capaz. E pensar que ontem à noite, fazendo um balanço do dia, eu me sentia inútil! (M. – Itália) Sozinha Quando meu marido morreu, apenas dois anos depois do nosso casamento, eu me perguntei como poderia criar sozinha as minhas filhas. Encontrei a resposta na Palavra de Deus, que é Pai de todos. Bastava que eu conseguisse colocá-la em prática. Eu provei isso muitas vezes, principalmente quando, com o crescimento delas, os problemas ficaram mais complexos: a escolha do tipo de escola, as amizades, os divertimentos… Às vezes sinto a mesma desolação de muitas pessoas, sozinhas como eu, que levam para frente uma família; é então que, continuando a acreditar no amor de Deus, encontro o equilíbrio, a possibilidade de entabular um diálogo com minhas filhas, inclusive sobre as questões mais delicadas. (I. C. – Itália)