10 Mar 2019 | Sem categoria
A misericórdia é um amor que enche o coração e depois transborda aos outros, tanto aos vizinhos de casa como aos desconhecidos, à toda a sociedade ao redor. O companheiro de viagem Por 19 meses estive preso, condenado por ter adulterado o vinho que comercializavo. Na prisão, com a ajuda de um sacerdote e de algumas pessoas que vinham fazer voluntariado, pude refletir e descobrir Deus de um modo diferente daquele que me tinham ensinado. Enfrentei essa provação com espírito renovado, começando a experimentar a verdadeira liberdade, que é aquela interior e que nasce de uma atitude de amor ao próximo. O relacionamento com a minha mulher mudou e reconciliei-me também com os meus sogros. Não só: senti que devia perdoar o meu sócio, responsável pela fraude junto comigo. Agora que já paguei a minha pena, mesmo se o futuro se apresenta cheio de incertezas, sei que Deus Pai é o meu companheiro de viagem. (Javier – Argentina) Palavras iluminadas Entre eu e minha mulher alternavam-se momentos de explosão e de silêncio intermináveis, com grande sofrimento para ambos e para as nossas crianças. Apesar da ajuda de alguns amigos, cada uma de nós continuava firme na sua posição, parecia o fim do casamento. Estava cego pela raiva, tinha chegado ao ponto de pensar que era melhor sair de casa ou acabar com tudo. Por sorte, naquele inferno, lembrei de outras palavras que no passado tinham iluminado a minha vida: palavras de perdão e de amor. Dei-me conta que como cristão estava verdadeiramente fora da estrada! No meio de uma noite sem dormir na luta para mandar embora o meu orgulho, acordei a minha mulher para pedir-lhe que me ajudasse a recordar com humildade os momentos felizes que tínhamos vivido juntos. Abraçamo-nos e pedimo-nos desculpas reciprocamente. (um esposo africano) Chuva Uma noite sentia-me muito cansada e queria dizer às crianças que fossem para o quarto delas, que fizessem as orações sozinhas porque eu queria ir dormir mais cedo. Mas John, o nosso filho mais velho, convidou-me para rezarmos o terço juntos para pedirmos a chuva: não chovia há muito tempo e a nossa plantação de milho e batatas-doce estava em risco. Assim, rezamos juntos. Para a minha surpresa, naquela mesma noite começou a chover e continuou até a tarde do dia seguinte. (B.M. – Uganda) No hospital Uma mulher muito pobre, mãe de família, hospitalizada há muitos meses, precisava de ajuda para comer, mas o pessoal não podia fazer este serviço. Falamos com todos os amigos da paróquia, e um após o outro fomos ajudá-la. Apesar da situação não ter mais saída, a mulher melhorou um pouco, começou a responder ao tratamento e a sorrir. Quando a sua vizinha de quarto faleceu, no seu testamento, deixou uma pequena soma para ajudar a família daquela mulher. O amor é contagiante… (C.C. – Espanha)
8 Mar 2019 | Sem categoria
A paz pode ser construída de mil maneiras. Às vezes também servem lugares onde poder se encontrar, lugares de espiritualidade, estudo, diálogo e formação. Um projeto dos Focolares para Jerusalém. https://vimeo.com/320465565
7 Mar 2019 | Sem categoria
Ficará na fronteira entre a parte judaica e a árabe de Jerusalém. Será um lugar de espiritualidade, estudo, diálogo e formação para a Cidade Santa e o mundo inteiro. Um historiador francês escreveu que Jerusalém não é de Jerusalém, mas é uma cidade-mundo, uma cidade onde o mundo inteiro se encontra periodicamente para afrontar-se, confrontar-se, medir-se. É um laboratório de convivência ou de guerra, de pertencimento comum ou de ódio pelo outro. De fato, é fácil ceder à tentação de ver só o que os noticiários nos mostram quase cotidianamente sobre a cidade santa: violência entre judeus e palestinos, a difícil resistência dos cristãos nos lugares santos, mas existe só essa Jerusalém? Ainda há espaço para a esperança e a profecia que essa cidade representa para todo o mundo? Chiara Lubich sempre teve certeza disso. Foi à Terra Santa pela primeira vez em 1956 e entre os lugares santos visitados, um em particular a impressionou: a escada, ou seja, aquela antiga escada romana de pedra branca, logo fora dos muros da Cidade Antiga, ao lado da igreja de São Pedro em Gallicantu. Uma tradição diz que Jesus passou por ali na noite depois da última ceia, indo para o horto de Getsêmani e que justamente naquelas pedras rezou a oração pela unidade: “Pai, que todos sejam uma coisa só”. Chiara descreveu assim a forte impressão que sentiu naquele lugar em uma página do diário: “Aqui o Mestre, já próximo da morte, com o coração cheio de ternura para com os discípulos, escolhidos pelo céu, mas ainda frágeis e incapazes de compreender, elevou ao Pai a Sua oração, em Seu nome e em nome de todos aqueles pelos quais tinha vindo e estava pronto a morrer: “Pai santo, conserva-os no teu nome, aqueles que me deste, para que sejam um como nós somos Um ( Jo 17, 11)” . Ali, Jesus pedirá ao Pai para tornar-nos filhos, ainda que distantes por culpa nossa, e para tornar-nos irmãos entre nós, na mais compacta, porque divina, unidade.” (1) Já naquela época, Chiara desejou que, justamente naquele pedacinho de terra, nascesse um centro pelo diálogo e pela unidade. Um acontecimento importante ocorreu a partir dos anos 80: foi adquirido um terreno adjacente à escada romana e se desenvolveu o projeto, que foi aprovado em 2016. Ultimamente foram feitas as escavações preparatórias para o trabalho. O futuro “Centro pela Unidade e pela Paz” recebeu de Chiara uma ordem precisa: deverá ser um lugar de espiritualidade, estudo, diálogo e formação. Um lugar aberto a pessoas de diversas idades, culturas, crenças e proveniências, orientado a estimular o encontro, o conhecimento do outro, a favorecer relacionamentos autênticos. Outra etapa decisiva foi a de fevereiro passado, quando Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, realizou um gesto importante, colocando no terreno uma pequena medalhinha de Nossa Senhora, como sinal inicial para a construção desse centro. O projeto apresenta uma estrutura multifuncional, adaptada para receber eventos e iniciativas de várias naturezas a nível internacional e local. É possível contribuir de vários modos para apoiar a construção do centro; aqui estão disponíveis todas as informações necessárias.
Stefania Tanesini
1) (de Chiara Lubich, Escritos Espirituais/1: A atração dos tempos modernos, Cidade Nova, São Paulo 1983, pág. 162-169).
5 Mar 2019 | Sem categoria
A morte de Pierre-André Blanc foi definida como “um mistério” e “um choque”. O focolarino suíço foi levado por uma forte depressão. Quem o conhecia tem a convicção de que ele encontrou a paz naquele Deus-Amor que testemunhou convincentemente para muitos. “Pierre-André, a sua partida foi muito brusca para nós. Mas a sua Palavra de Vida, do livro de Isaias (43,1) ‘eu o chamei pelo nome; você é meu’ nos faz intuir o olhar de amor com o qual achamos que Deus o acolheu no Paraíso.” Essa é a última frase do discurso que Denise Roth e Markus Näf, responsáveis da cidadela do Movimento dos Focolares em Montet (Suíca), fizeram durante o funeral de Pierre-André Blanc. Assim resumem os sentimentos contrastantes de muitos dos presentes: por um lado, uma inefável perplexidade por essa morte; por outro, a confiança, ou melhor, a certeza de que ele encontrou a verdadeira vida. O quinto de seis filhos, Pierre-André nasceu em 2 de abril de 1962 em Sião (Suíça) e cresceu em Ayent, uma cidadezinha do Valais em um belo clima de amor familiar. Seguiu uma formação com educadores especializados e, mais tarde, se formou em teologia. Em 1980, em Roma, no Genfest, manifestação internacional dos jovens do Movimento dos Focolares, entra em contato com a espiritualidade do Movimento. Fica tocado “pela qualidade do relacionamento entre as pessoas e pela alegria que se via em seus rostos” como escreveu mais tarde. Ao voltar para casa, se empenha em viver aquele estilo de vida evangélica. Habituado a “encontrar” Deus nos esquis em retiros nas montanhas, descobre agora no amor concreto para com quem está ao seu lado um novo modo de relacionar-se com Ele. Durante um workshop sobre problemas sociais, se encontra improvisada e inesperadamente diante de uma pessoa que fala da própria doação total a Deus. Em Pierre-André surge uma pergunta: e se Deus me chamasse a viver como esta pessoa? “Meus medos de seguir a Deus de modo totalitário”, escreveu sobre aquele período, “não resistiram às suas intervenções. Simplesmente procurei viver o Evangelho de modo coerente e Deus fez o resto. Entendi o quanto queria a minha felicidade e, sobretudo, que eu tinha um valor enorme aos seus olhos. Pareceu-me óbvio dizer sim a Jesus, segui-Lo ali, onde sentia meu chamado: no focolare”. Em 1989, começa sua formação e preparação para a vida de doação a Deus em um focolare. Quem o conheceu nesse período o descreve como sensível a tudo o que “fala” de Deus, alguém que sabia colher o essencial nas circunstâncias e no próximo. Concluída a escola de formação para focolarinos, Pierre-André se muda para o focolare de Genebra (Suíça) e, desde 2006, estava na cidadela de Montet. Por muitos anos, deu uma contribuição preciosa e vigilante à vida da comunidade do Movimento dos Focolares na cidadela, colocando-se à disposição dos outros com generosidade, discrição e de forma concreta. No campo profissional, trabalhando como educador, primeiro com adolescentes com deficiência e depois com jovens com dificuldade de aprendizado, deu provas de profunda capacidade de aproximação com o sofrimento alheio. Brincalhão e dotado de um fino senso de humor, Pierre-André se doava sem medidas. No fim de maio de 2018, manifestam-se nele os primeiros sintomas de uma depressão. Imediatamente começou a ser acompanhado por um médico. Depois de um mês, é necessário que vá se recuperar em uma clínica. A um certo ponto, pôde voltar durante os fins de semana a Montet e, em outubro de 2018, pôde deixar a clínica e voltar ao focolare, sempre seguido por um médico especialista. Nesse período, foi acompanhado com grande atenção e dedicação por outros focolarinos que o viam continuamente se doando aos outros. Parecia que suas condições começavam a melhorar, mas, no fim, a doença foi mais forte e no dia 28 de novembro o levou de um modo realmente brusco. O funeral de Pierre-André foi, mesmo na tristeza, um momento de enorme gratidão de todos pela sua vida e pelo amor delicado que demonstrou até o fim.
Joachim Schwind
4 Mar 2019 | Sem categoria
A cidadezinha suíça hospeda duas escolas para jovens: os focolarinos em formação e aqueles que querem aprofundar a espiritualidade da unidade. Para eles o diálogo, o intercâmbio e o enriquecimento recíproco entre as gerações e as culturas, é o traço distintivo de Montet. “Uma comunidade que trabalha concretamente alma e corpo para mostrar à humanidade que a diversidade não é um fracasso, mas uma graça de Deus sobre o homem para unir o mundo”. Assim Michael, um rapaz do Mali, descreve a cidadezinha dos Focolares em Montet, na Suíça. Aqui, junto com outros 30 jovens de 13 países diferentes, transcorreu um ano de formação humana, espiritual e profissional. Um período de estudo, trabalho e vida comunitária, vivido à luz dos ensinamentos do Evangelho e do Carisma da Unidade de Chiara Lubich, para experimentar que é possível construir relacionamentos de fraternidade inclusive entre pessoas diferentes por idade, cultura, sensibilidades e tradições.
Com efeito, circundada pelos três lagos de Bienne, Morat e Neuchâtel, entre colinas verdes e panoramas que inspiram paz e silêncio, a Cidadezinha internacional dos Focolares, desde 1981, se caracteriza pela presença de cerca de cem habitantes de 35 nações diferentes: metade são jovens que moram aqui por um ano, a outra metade são adultos que garantem a sua continuidade. Aqui se cruzam as estradas de pessoas provenientes dos 5 continentes, de culturas e religiões diferentes, cristãos de várias denominações e de todas as gerações. Foi nestes lugares, nos anos 1960, que Chiara Lubich teve a primeira intuição daquelas que seriam as cidadezinhas dos Focolares – hoje, 25 no mundo – pensadas como lugares-testemunho da fraternidade universal: “Foi em Einsiedeln que entendi, vendo do alto de uma colina a basílica e os seus arredores, que devia surgir no Movimento uma cidade, a qual não seria formada por uma abadia ou por hospedarias, mas por casas, locais de trabalho, escolas, como uma cidade comum”. Na cidadezinha estão hospedadas duas escolas de formação para jovens. Uma para os que se preparam para a vida consagrada, os focolarinos. E outra para aqueles que desejam viver um ano de vida comunitária e estão em busca da sua vocação. “Ter participado da escola em Montet – conta Alejandro de Cuba – junto com pessoas de muitas nações, foi uma confirmação de que o mundo unido é possível até mesmo quando existem diversidades, mas existe também a vontade de o construir. É aprender diariamente uns dos outros. É procurar construir a unidade na diversidade através do amor. É uma aventura maravilhosa”.
“Na cidadezinha – explica André do Brasil – os jovens têm a oportunidade de estudar a ética, a sociologia, a teologia e o diálogo intercultural e de aprofundar a espiritualidade da unidade. Podem pôr em pratica estes aspectos nos trabalhos desenvolvidos, lançando as bases de um futuro profissional mais responsável e coerente em cada âmbito social”. “Além disso – acrescenta – vivendo o respeito entre as gerações, você entende que ninguém é maior do que o outro, mas, ao invés, que cada um é responsável pelo outro, por isso os idosos se tornam mais jovens no seu modo de viver a vida e os jovens adquirem responsabilidade”. Para Glória, da Argentina, a interculturalidade, ou seja, o diálogo, o intercâmbio e o enriquecimento recíproco entre as culturas, é o traço distintivo da cidadezinha. “Tivemos que aprender a fazer algo grande com a nossa diversidade. Foi difícil porque parecia que não nos entendíamos, mas com amor resolvemos as coisas práticas e nos compreendemos nas coisas transcendentes. Ao viver juntos descobri as coisas mais bonitas dos outros, mas também as da minha cultura. Entendi o valor que tem o próximo na minha vida e acho que não devemos ter medo de nos abrirmos para conhecer o “mundo dos outros”. Em Montet “existem respostas para as perguntas que nos fazemos todos os dias” comenta Ivona da Sérvia. A cidadezinha “é um dom de Deus – é o sentimento que Larissa leva consigo para o Brasil – uma família, multicultural e de diferentes gerações”.
Claudia Di Lorenzi
3 Mar 2019 | Sem categoria
Em um curso de verão, a contribuição do mundo acadêmico com pesquisadores e docentes de nove países das Américas e da Europa. A igualdade é reconhecida como fundamento das sociedades democráticas. Contudo, as discriminações persistem em muitos países do mundo. Conversamos com Paula Luengo Kanacri, psicóloga e docente na Universidade Católica do Chile, estudiosa do Centro de Pesquisa sobre Conflito e Coesão Social. Há anos a senhora se dedica à exclusão social. O que a conduziu até esta temática?
Eu diria, a história do meu povo e a minha história pessoal. O Chile é um país de contrastes fortes: um grande crescimento econômico e uma notável desigualdade. Além disso, minha mãe era de uma família rica e meu pai de uma pobre. Experimentei a dor da falta de equidade. Estudei psicologia e, em contato com os jovens dos Focolares, abracei a ideia de um outro mundo possível. Depois de formada começou o meu interesse pelos comportamentos pro-sociais (orientados em favor do outro) e a empatia, que podem favorecer a inclusão social. Uma experiência marcante para mim foi a que fiz em Roma, entre moradores de rua. Vi de perto o sofrimento de muitos que ficam às margens, não apenas invisíveis, mas “invisibilizados”. Para compreender os mecanismos que podem favorecer ou negar a inclusão é preciso pensar nela segundo diferentes perspectivas, disciplinas e saberes. É o que procuramos propor por meio do Curso de Verão “Desenvolvimento humano para todos e todas: ciências sociais em diálogo por uma sociedade inclusiva”, realizado recentemente no Chile. Como surgiu a ideia do Curso de Verão? Os movimentos estudantis chilenos, ativos desde 2011, obtiveram uma reforma histórica, que hoje oferece educação universitária gratuita aos mais necessitados. Mas é necessária uma força criativa inclusive por parte do mundo acadêmico. A minha participação em redes internacionais de pesquisadores e estudiosos no campo da psicologia e da sociologia, inspiradas por Chiara Lubich – “Psicologia & Comunhão” e “Social-One” – foi o que suscitou o Curso de Férias. Tivemos o apoio do Centro de Pesquisa sobre Conflito e Coesão Social (COES) e da Universidade Católica do Chile. Quem participou e como ele se desenvolveu?
O Curso reuniu 67 jovens e 21 professores, de oito diferentes disciplinas sociais, provenientes de nove países das Américas e da Europa. Participaram também quatro organizações da sociedade civil chilena. Foram quatro as linhas de pesquisa: inclusão e igualdade de gênero; inclusão e migrações; inclusão e desigualdade; inclusão e violação dos direitos. Propusemos oito workshops sobre técnicas de investigação para o estudo da inclusão em uma perspectiva unitária. Foi importante ainda o espaço dedicado ao diálogo com a sociedade civil. Mais da metade dos jovens apresentou projetos de pesquisa. O próprio Curso de Verão foi compreendido como uma experiência de inclusão social, capaz de aviar um diálogo de qualidade científica e ir além das polarizações. Participaram pessoas com ideias e orientações, inclusive políticas, diferentes. Procuramos fazer com que os vários assuntos não fossem tratados de maneira polêmica ou polarizada, mas no caminho comum em direção à inclusão social e, portanto, na ótica do contraste às discriminações e segregações de gênero, raça, etnia e classe. Para uma sociedade inclusiva são necessárias respostas que integram o nível individual com o nível micro, médio e macrossocial. No próximo Curso de Férias desejamos considerar a questão ambiental na reflexão sobre a inclusão.
Claudia Di Lorenzi