25 Jan 2019 | Sem categoria
A XXXIV Jornada Mundial da Juventude está acontecendo no Panamá. Entrevista com a jornalista panamenha Flor Ortega, da comunidade dos Focolares. No logo da XXXIV Jornada Mundial da Juventude, com o tema “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), o formato de ponte representa o pequeno istmo do Panamá, e simboliza o seu espírito de acolhida. Um estreito braço de terra, de apenas 75 mil quilômetros quadrados, banhado por dois oceanos, Atlântico e Pacífico, que coloca em contato não somente as duas Américas, mas todos os continentes, por meio do canal que pode ser trafegado pelos navios em trânsito. Um país hospitaleiro, de portas abertas, sobretudo para os numerosos migrantes que sempre o atravessaram, do norte ou do sul. Como vocês trabalharam na preparação do evento? “Quando, no dia 31 de julho de 2016, no Campus Misericordiae, de Cracóvia, na Polônia, o Papa Francisco anunciou que a XXXIV Jornada Mundial da Juventude teria sido realizada no Panamá, imediatamente o Movimento dos Focolares da região da América Central, da qual o Panamá faz parte, aderiu com entusiasmo”. Flor Ortega, jornalista panamenha, logo começou a acompanhar o aspecto da comunicação. “No início não tínhamos muitas notícias e formamos comissões para informar, tempestivamente, a todos, sobre os vários particulares da preparação. Agora, a presença nos meios de comunicação e nas redes sociais é muito forte”. No dia 17 de maio, na Cidade do Panamá, durante uma celebração eucarística com milhares de participantes, o arcebispo, D. José Domingo Ulloa, propôs o dia 22 de cada mês como dia de oração, até o mês de dezembro, em preparação à JMJ. Alguns dias depois, no seu gabinete, o arcebispo pediu aos jovens do Movimento dos Focolares que se ocupassem do primeiro, em 22 de junho. Como os jovens aderiram a esta proposta? “Com entusiasmo e dedicação. Carmen Cecilia, de Panamá, disse-nos, depois, que esse compromisso a fez valorizar novamente a oração, a participação à Eucaristia, a recitação do Terço, ‘como ocasiões para estar face a face com Jesus’”. Muitos jovens dos Focolares, do Panamá e de outros países, estão há meses trabalhando no projeto de um evento de dois dias, ao término da JMJ, de 29 a 31 de janeiro, para cerca de 400 participantes. “Os adultos os apoiaram providenciando o preparo das refeições e dos alojamentos, com várias atividades para arrecadar fundos. Os jovens, por sua parte, criaram um programa para a gravação online e abriram um serviço de informações e de call center, para captar as contribuições de outros países. O focolare feminino de Panamá tornou-se o ponto de referência, inclusive logístico. Keilyn, da Costa Rica definiu esta como ‘uma ocasião para conhecer a comunidade do Panamá, muito unida e laboriosa, um verdadeiro modelo’” Chegaram da Itália, o copresidente dos Focolares, Jesús Morán, e a banda internacional Gen Verde, que participou de dois eventos introdutivos, o primeiro em Chitré, capital da província de Herrera, no Golfo do Panamá, e o segundo em Colón, na costa atlântica. A banda estará presente também na noite do dia 26 de janeiro, durante a vigília em preparação à Missa conclusiva, com o Papa Francisco. “Pro mundi beneficio”, “em benefício do mundo”, está escrito no brasão oficial do Panamá. O que significa? “O lema é ligado às finalidades de serviço desempenhadas pelo canal. Mas estamos certos de que agora podemos estendê-lo, idealmente, à mensagem que partirá dessa JMJ”.
Chiara Favotti
24 Jan 2019 | Sem categoria
A iniciativa foi promovida pela «Cátedra Ecumênica Internacional Patriarca Atenágoras – Chiara Lubich», instituída em seguida ao doutorado honoris causa conferido ao mesmo Patriarca Bartolomeu em 2015. “Continuai o percurso que empreendestes pelo caminho do diálogo, porque ele é reconciliação, é encontro, é capacidade de compreender, é filantropia divina, é acolhida do diferente, é transfiguração do mundo, é acolher Deus na história humana. Levai esta mensagem a todos aqueles que a qualquer título participam da obra do Vosso Instituto, abraçando fraternamente a Presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce e todos os irmãos e irmãs do Movimento. O Patriarcado Ecumênico é também a Vossa casa, esta cidade de Constantino é também a vossa cidade, porque não sois estrangeiros, mas sois amigos para nós”. São os votos finais que o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, dirigiu a 30 entre docentes e estudantes do Instituto Universitário Sophia (Loppiano) de diferentes países que, juntamente com o reitor, Mons. Piero Coda, foram à sua sede no Fanar (Istambul – Turquia).
A visita da delegação de Sophia ao Patriarcado ecumênico se realizou de 8 a 12 de janeiro e foi promovida pela “Cátedra ecumênica internacional Patriarca Atenágoras – Chiara Lubich”, instituída em seguida ao doutorado h.c. conferido ao Patriarca Bartolomeu no dia 26 de outubro de 2015 para “fazer memória e relançar o espírito profético que animou a extraordinária sintonia de coração e de mente entre o Patriarca Atenágoras I e Chiara Lubich, logo após o Concílio Vaticano II e o histórico encontro do Patriarca com o Papa Paulo VI”. A missão acadêmica previa, entre outras coisas, junto com a audiência com o Patriarca, o encontro com o Metropolita Gennadios Zervos, presente nestes dias em Istambul para o Santo Sínodo, e com o Metropolita Elpidophoros de Bursa no Mosteiro da Santa Trindade na ilha de Halki (Turquia), que aconteceu no dia 10 de janeiro. Deste encontro nasceram fecundas perspectivas de cooperação entre o Seminário e o Instituto Universitário Sophia, entre as quais uma Summer School, a se realizar provavelmente no final da primavera europeia de 2020. A visita assumiu particular relevo no delicado momento de tensão que atravessa hoje o mundo ortodoxo, porque pretende repropor o compromisso a percorrer com tenacidade o caminho do conhecimento mútuo e do intercâmbio recíproco de dons para promover a fraternidade e a comunhão.
22 Jan 2019 | Sem categoria
Concluiu-se o encontro “Co-Governança, corresponsabilidade nas cidades hoje”, com um documentos que propõe, aos cidadãos e à administração pública, a prática da participação e da construção de redes de cidadãos, atores sociais e cidades. “A política é o amor dos amores que reúne na unidade de um desígnio comum a riqueza das pessoas e dos grupos, permitindo a cada um realizar livremente a própria vocação”(1). Conclui-se com as palavras desafiadoras de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, o congresso intitulado “Co-Governance, responsabilidade conjunta nas cidades hoje”. O evento dedicou-se ao governo participado das cidades e foi promovido pelo Movimento Humanidade Nova, Movimento Político pela Unidade e a Associação “Città per la Fraternità” (Cidades pela Fraternidade), expressões do compromisso social e político dos Focolares.
Foi a primeira edição do evento que será realizado no Brasil em 2021. Participaram do encontro mais de 400 administradores públicos, políticos, empresários, professores e estudantes universitários e cidadãos de 33 países. Os trabalhos contaram com a participação, apresentada nas suas numerosas aplicações, como demonstraram as histórias e as praxes partilhadas por mais de 60 especialistas nos campos do urbanismo, da comunicação, dos serviços, da economia, da política e do ambiente.

“Estamos convencidos de que a participação seja uma escolha estratégica, o modo mais consoante para viver bem na cidade – explica Lucia Fronza Crepaz, ja parlamentar, formadora na “Escola de preparação social” em Trento (Itália) e membro do comitê científico do evento. “Uma participação não concebida como substituição dos procedimentos da representação, mas uma escolha, como uma modalidade eficaz para enfrentar a complexidade dos problemas e devolver consistência ao mandato democrático”.
Resultado dos trabalhos foi a aprovação e a assinatura do “Pacto por uma nova Governança” com o qual os participantes se comprometeram em “contaminar” as próprias comunidades e administrações públicas. Os 400 firmatários do acordo comprometeram-se em compor
trê
s redes para agregar as diversidades e responder à complexa realidade. São
redes de cidadãos: “todos aqueles que moram no território urbano, que mantêm a diversidade de funções e tarefas, mas inspirados pela mesma responsabilidade”; as
redes de agentes coletivos: isto é, os grupos profissionais e econômicos, os sujeitos do voluntariado e do âmbito religioso, da cultura e da universidade, da informação e da comunicação…”; as
redes entre as cidades: “…propõem-se fazer colaborar em primeiro lugar a cidadania, com a criação de plataformas acessíveis a todos e fáceis de usar; cooperam superando os interesses particulares e os preconceitos que minam a confiança, fundamento indispensável para a construção de uma rede; miram a compartilhar programas e informações, recursos humanos e materiais, mas também fracassos e experiências problemáticas, para se ajudarem reciprocamente e abrirem visões e colaborações operativas; pedem para serem reconhecidas como agentes essenciais dentro das organizações e das instituições inter e transnacionais, de modo a integrar com a voz dos povos a representatividade dos governos”.
Stefania Tanesini
Informações e textos da conferência: www.co-governance.org
21 Jan 2019 | Sem categoria
Hoje, 22 de janeiro, o Movimento dos Focolares recorda o nascimento de Chiara Lubich em 1920. Uma data que coincide com a Semana de oração pela unidade dos cristãos, celebrada na Europa. Uma ocasião para recordar a Fundadora dos Focolares e a sua paixão pela unidade, por meio dessa “oração ecumênica” pronunciada por ela em 1998, em Augsburg (Alemanha). Se nós, cristãos, observarmos a nossa história de 2 mil anos e principalmente a do segundo milênio, não podemos evitar a consternação por constatar que muitas vezes ela foi um alternar-se de incompreensões, de brigas, de lutas. A culpa, certamente, é das circunstâncias históricas, culturais, políticas, geográficas, sociais, mas também do desaparecimento entre os cristãos de um elemento unificante, típico deles: o amor. (…) Mas, se Deus nos ama, nós não podemos ficar inertes diante de tamanha bondade divina. Como verdadeiros filhos, devemos retribuir o seu amor também como Igreja. Cada Igreja com o passar dos séculos petrificou-se em si mesma pela onda de indiferença, de incompreensão, para não falar de ódio recíproco. Por isso mesmo cada uma deve ter um suplemento de amor. Amor pelas outras Igrejas e amor recíproco entre as Igrejas, que leva cada uma a ser um dom para as outras. Assim podemos prever, na Igreja do futuro, que uma e uma única será a verdade, mas expressa de várias maneiras, observada de vários ângulos, embelezada por muitas interpretações. O amor recíproco, porém, é realmente evangélico e plenamente válido se for praticado segundo a medida pedida por Jesus: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos próprios amigos» (Jo 15, 13). (…) Sei por experiência que, se todos nós vivermos assim, os frutos serão extraordinários, produzindo sobretudo um efeito especial: vivendo juntos os diversos aspectos do nosso cristianismo, nos daremos conta de que formamos um único povo cristão, que será um fermento para a plena comunhão entre as Igrejas. Será quase a atuação de outro diálogo, articulado ao da caridade, ao teológico e ao da oração, chamado: diálogo da vida, diálogo do povo de Deus. Esse diálogo é mais do que nunca urgente e oportuno, se é verdade (como a história ensina) que pouca coisa é garantida no campo ecumênico sem a participação do povo. Esse diálogo revelará com maior evidência e valorizará o imenso patrimônio comum entre os cristãos, constituído pelo batismo, pela Bíblia, pelos primeiros Concílios, pelos Padres da Igreja. Esperamos ver realizar-se este povo, que já vai despontando aqui e ali no mundo cristão e temos confiança de que despontará também aqui. (Chiara Lubich, Augsburg-Alemanha, 29 de novembro de 1998) Fonte: Centro Chiara Lubich
18 Jan 2019 | Sem categoria
Em La Colmena, no Paraguai, Alejo, da comunidade do Movimento dos Focolares, transmite a paixão pelo ideal da fraternidade por meio da música. “Japay, em guarani, significa ‘acorde!’”, nos explica Alejo Rolon. La Colmena, onde ele mora e trabalha como professor de música em um colégio renomado, é uma cidade do departamento Paraguarí, a 130 km de Assunção, capital do Paraguai, bem no coração da América Latina. Há alguns anos, fez nascer uma experiência interessantíssima com mais de uma centena de jovens envolvidos em uma série de concertos pop. A partir do palco, a mensagem que voa nas notas é um convite a construir uma sociedade mais fraterna e solidária. O guarani é uma língua de origem muito antiga, falada principalmente no Paraguai, e reconhecida em 2011 como língua oficial, juntamente com o espanhol, no fim de um processo legislativo muito complexo que durou dez anos. “Japay, ‘acorde!’ é, para mim, uma palavra-símbolo, que indica a postura que deveríamos ter diante da vida. Meu objetivo é tornar todos mais conscientes, mas os jovens em primeiro lugar, de que temos de acordar e tomar a iniciativa, porque a mudança que queremos ver nas nossas cidades e na sociedade começa por nós. Cada iniciativa, mesmo pequena, nessa direção pode ser a base de um novo modo de viver. É esse o desafio de Japay.” Em um momento extremamente delicado para o país sul-americano, diante da necessidade de uma reviravolta para combater a corrupção que se espalha, a criminalidade, a pobreza endêmica, a desigualdade social, a crise econômica, o que Alejo propõe concretamente com suas músicas? Ele mesmo nos explica: “Nossa filosofia é esta: devemos mudar a mentalidade. Por exemplo, nas letras que cantamos, propomos viver honestamente, em vez de roubar ou ser corrupto, uma dor infelizmente muito difundida; praticar uma cidadania ativa, em vez da arte de se virar por conta própria; abandonar a mentalidade conformada do “sempre foi assim” e voltar às origens da nossa cultura salvando as melhores partes: a independência, a criatividade, a generosidade com quem vive ao nosso lado, a coragem de enfrentar os limites, a capacidade de conviver harmonicamente entre pessoas diferentes. Como diz a Constituição do Paraguai, realmente somos ‘um país multicultural e bilíngue’, rico em tradições e valores. Mas há problemas e feridas profundas, mesmo recentes. Trabalhamos com o potencial das pessoas, incentivando seus sentimentos mais variados”. Alejo transmite com a música o que recebeu por sua vez do carisma da unidade: “Japay para mim”, explica, “tem também outro significado: JA (Jesus Abandonado) e PAY (Paraguai). Nos problemas do meu povo e da sociedade, reconheço o vulto sofrido de Jesus na cruz: é por ele que comecei esta experiência. E quem sabe aonde nos levará”.
Chiara Favotti
Veja também http://japayparaguay.org/ e https://www.youtube.com/watch?v=wqByefcq1Yc
16 Jan 2019 | Sem categoria
Em diálogo com Liliane Mugombozi, jornalista congolense, do Focolare de Nairóbi. Ela trabalha no Serviço Jesuíta de Refugiados da capital do Quênia. “Os migrantes africanos? A maioria deles não vai para a Europa, mas se desloca no continente africano”. “Para os meios de comunicação internacionais, a África é o continente do êxodo em massa, mas esta não é a realidade. Os migrantes movem-se principalmente dentro do continente. Entre 2015 e 2017 quase 19 milhões de pessoas se deslocaram na África”. Liliane Mugombozi fala com conhecimento de causa sobre um fenômeno do qual pouco se comenta, mas que ela conhece a fundo, não apenas pela profissão de jornalista que exerce há muitos anos, mas sobretudo pela experiência direta. Há dois anos e meio começou a trabalhar no JRS (Jesuit Refugee Service), o Serviço para os refugiados dirigido pelos padres jesuítas em Nairóbi (Quênia).
“Desde setembro de 2017, mais de meio milhão de refugiados vive no Quênia. Provêm principalmente da Região dos Grandes Lagos, do Chifre da África e da África Central, mas também de Mianmar, do Afeganistão, etc. A maior parte mora nos campos de Dadaab e Kakuma; cerca de 64.000 refugiados vivem em Nairóbi”. Ela conta que em dezembro passado organizaram um workshop para 48 jovens refugiados, provenientes de muitos países africanos: do Sudão do Sul à Somália. O objetivo era analisar juntos a sua situação de refugiados e oferecer instrumentos para enfrentar os desafios de todo dia, que chegam dos direitos humanos às dificuldades culturais. ‘Quando olho para vocês – eu disse a eles – não vejo refugiados, vejo o futuro deste continente, vejo o futuro do mundo. Todos vocês experimentaram o sofrimento, quem, melhor do que vocês, poderá construir instituições fortes e justas?’”. “Desde o meu primeiro momento na JRS de Nairóbi, onde me ocupo dos estudantes das escolas secundárias e dos universitários que podem estudar graças a bolsas de estudo, eu havia intuído que o meu serviço exigia uma grande flexibilidade, indo além das funções técnicas. Senti-me chamada a compartilhar o sofrimento que existe atrás de cada história, para realmente encontrar a pessoa. Entendi que a chave era construir relacionamentos verdadeiros, de reciprocidade, com todos.
Em contato com muita esperança e muito sofrimento, Liliane compreendeu que era preciso atenção para não ceder à tentação de confundir a pessoa com a sua necessidade: “uma tentação perigosa, que teria fechado o meu coração a um encontro verdadeiro com os jovens, as suas famílias, os professores, qualquer pessoa”. Inclusive a comunidade dos Focolares no Quênia, especialmente em Nairóbi, colabora com os padres jesuítas. Eles organizaram coletas de roupas, víveres e gêneros de primeira necessidade, livros e brinquedos, com amigos, familiares, nas paróquias. “Entendemos que antes de tudo devíamos superar os preconceitos, conhecer as histórias dos refugiados, para criar uma cultura do encontro e da acolhida. Estamos conscientes de que existem problemas que não podemos resolver, mas podemos tornar-nos irmãos e irmãs de todos eles. É verdade, estamos ainda no início, mas acreditamos que, com Jesus entre nós, encontraremos a resposta a este grito de Jesus sobre a cruz hoje, nesta nossa terra”.
Stefania Tanesini