5 Set 2018 | Sem categoria
«Eu me lembrei da frase pronunciada por um amigo: “A ideia de Deus deve crescer junto conosco”. Fazia muito tempo que eu não procurava mais entender algo de Deus. Precisava saber de outros que sabiam dele mais do que eu». André, jovem universitário, três anos atrás deixou o seu lugarejo de origem, onde tinha um grupo de referência na paróquia, e se mudou para uma grande cidade. Mas aqui não encontrou de imediato pontos de referência precisos para a sua escolha de fé. No Congresso conheceu muitos deles. «Ainda estou a caminho e estou descobrindo aspectos novos desta aventura, porém tenho certezas, pontos de força. Um destes é, seguramente, a consciência de que a estrada que se abriu diante de mim é uma estrada comunitária, a ser vivida com os outros e para os outros. Às vezes acontece que eu me esqueço disso e, portanto, necessito de uma endireitada, mas dentro de mim sei que é assim», confirma Nicholas. “Empenhados no Nós” foi uma iniciativa que se realizou em Castel Gandolfo (31 de agosto a 2 de setembro), promovida pelos Movimentos Diocesano e Paroquial, ramificações do Movimento dos Focolares, e dirigida aos jovens empenhados na Igreja local. Estes movimentos se propõem a irradiar o carisma da unidade nas paróquias e nas dioceses em que prestam o seu serviço e a cooperar, junto com as outras realidades eclesiais, para a realização de uma “Igreja comunhão”, como desejado na Novo Millennio Ineunte, a Carta apostólica endereçada por João Paulo II aos sacerdotes e a todos os leigos, no final do grande jubileu do ano 2000. Para este objetivo, promove e alimenta uma unidade cada vez mais profunda dos fiéis ao redor dos párocos e dos bispos, colaborando nas diversas dioceses e propondo uma nova evangelização nas paróquias, segundo um estilo comunitário.
«Escolhemos este título – especificam os organizadores – para contribuir na realização daquilo que o Papa Francisco frequentemente nos convida a fazer: passar do “eu” ao “nós”, através de um discernimento comunitário que nos ajude a crescer e a tomar decisões compartilhadas. Durante os dias transcorridos juntos, os participantes se confrontaram sobre a própria fé, mas sobretudo sobre a missão a que se sentem chamados, a de levar a “boa nova” do Evangelho. A experiência de vida baseada na espiritualidade de Chiara Lubich serviu de pano de fundo, porque cada carisma de Deus é para toda a Igreja e para a humanidade. A metodologia foi a cultura do encontro: tirar algum tempo para se conhecer e para estar juntos. Para se sentir comunidade, “povo de Deus”, no qual se pode crescer, ajudados por aqueles com quem se caminha juntos». A experiência do congresso se insere plenamente no caminho rumo ao Sínodo dos bispos sobre os jovens, que se realizará no próximo mês de outubro. «Ressoaram de maneira muito forte as palavras dirigidas pelo Papa Francisco aos jovens italianos, reunidos no dia 11 de agosto passado, em Roma: “Não se contentem com o passo prudente de quem se acomoda no final da fila. É preciso a coragem de arriscar um salto para frente, um salto audaz e arrojado para sonhar e realizar, como Jesus, o Reino de Deus, e se empenhar por uma humanidade mais fraterna. Precisamos de fraternidade: arrisquem, vão em frente!”».
4 Set 2018 | Sem categoria
Emigrantes Vivemos num país relutante em acolher os emigrantes. Um dia, em família, conversávamos sobre este assunto e, querendo viver a Palavra de Jesus, nos dissemos que são emigrantes também os marginalizados. Não muito tempo depois, soubemos de um rapaz que vinha do mundo da droga e não tinha ninguém que cuidasse dele. Nós o acolhemos na nossa casa até quando se estabilizou, vencendo a sua dependência e encontrando um emprego. Em seguida, também mantivemos o relacionamento com ele. Hoje é um papai feliz, com uma família serena. R. H. – Hungria O celeiro Idosa e sem filhos, Marie frequentemente passava as tardes conosco. Um dia, se referindo ao celeiro atrás da nossa casa, nos confidenciou que seria feliz se morasse lá. Falamos sobre isto com os filhos e decidimos contentá-la. Depois de ter obtido as licenças necessárias, transformamos o celeiro numa casinha ligada à nossa por uma porta interna. Não só para Marie, mas para toda a nossa família se abriu uma porta, uma modalidade nova de entender a solidão de muitas pessoas. Nós nos sentimos realmente enriquecidos. C. J. B. – Bélgica Resplandecente Há muitos anos estou semiparalisada na cama. Na quinta-feira passada vieram me visitar duas focolarinas e, para mim, foi uma grande alegria. Em seguida, comunicaram a uma amiga minha que tinham me achado “resplandecente” e este comentário delas me deixou muito surpresa. Agradeci a Deus, lhe pedindo que me ajudasse a ser sempre assim. No dia seguinte, acordei com fortes dores na coluna. Era a ocasião para ficar “resplandecente” inclusive no sofrimento. A mesma coisa aconteceu também alguns dias depois. É esta a atitude que procuro manter neste período, e mesmo se nem sempre consigo, pelo menos tento. N. P. – Venezuela O leite Na difícil situação econômica que atravessava o país, tudo era racionado e os mercados estavam vazios. Por causa de uma grave descalcificação dos ossos, Rosa precisava beber muito leite, mas era difícil encontrar. Um dia uma vizinha foi à sua casa para lhe pedir um pouco de leite para o seu filhinho, que há dias não tomava. Rosa lhe ofereceu logo aquele que ainda tinha, apesar do protesto dos filhos. Antes que anoitecesse, chegaram para ela oito litros de leite. Com as lágrimas nos olhos, Rosa exclamou: “Deus nunca se deixa vencer em generosidade!”. M. C. – México A sogra Rosita e eu tínhamos levado a minha sogra, que vive numa casa para idosos e tem dificuldades motoras, para dar um passeio. A minha cunhada também estava conosco. Agradecidos a Deus pelo belo dia de sol, durante o passeio paramos para tomar o café da manhã num restaurante na praça de um lugarejo que ficava perto. Entre nós havia harmonia e alegria. Quando pedimos a conta, nos foi dito que já tinha sido paga por outro cliente, admirado pelos cuidados para com uma pessoa idosa. Feliz, a minha sogra confirmou. R. – Suíça
31 Ago 2018 | Sem categoria
«Em 1984, com um grupo de bispos de diferentes confissões, estive na Basílica de Santa Sofia, em Istambul. Ficamos tocados por este edifício imponente, porque nele podíamos perceber de maneira tangível uma enorme presença da história da Igreja e da humanidade. Encontrávamo-nos em um edifício da antiga tradição cristã, da época na qual a cristandade estava unida, na qual a Ásia Menor era o centro do mundo cristão; mas estávamos também no lugar aonde se consumou a ruptura entre Oriente e Ocidente e rompeu-se a unidade. Nos grandes pináculos da cúpula víamos, enormes, as escritas do Alcorão, a supremacia de uma outra religião sobre a cristandade dilacerada. Precisamente diante de nós estavam alguns cartazes que diziam “Proibido rezar”. Um museu, aonde as pessoas passeavam com máquinas fotográficas e binóculos, girando daqui para lá, olhando as belezas artísticas que ali eram conservadas. Esta ausência de religião naquele que, em outro tempo, fora um lugar sagrado, era terrível. Fomos esmagados por esta cascata de eventos: unidade originária, unidade dilacerada, diferentes religiões, nenhuma religião. Os nossos olhares vagavam desorientados em busca de auxílio quando, improvisamente… lá! Acima da cúpula cintilava, docemente e sem chamar atenção, um antigo mosaico: Maria que oferece o seu Filho. Então entendi claramente: sim, esta é a Igreja: estar, simplesmente, e a partir de si mesmos gerar Deus, aquele Deus que parece ausente. A palavra Theotokos – mãe de Deus, aquela que gera Deus – de repente adquiriu para mim um som completamente novo. Entendi que não podemos organizar a fé no mundo; se ninguém mais quer ouvir falar de Deus, não podemos nos bater com a força e dizer “Ai de vós!”. Nós também podemos simplesmente estar, e conduzir à luz, partindo de nós mesmos, aquele Deus que parece ausente. Não podemos fabricar esse Deus, mas somente dá-lo à luz; não podemos afirmá-lo com argumentações, mas podemos ser o cálice que o contem, ser o céu, no qual, embora na despojada ostentação, Ele refulge. Compreendi assim não apenas o nosso papel nestes dias, enquanto Igreja, mas também como a Igreja subsista na figura de Maria e como Maria subsista na figura da Igreja, como ambas as figuras e as realidades sejam uma coisa só». Klaus Hemmerle, Partire dall’unità. La Trinità e Maria, pp. 124, 125.
31 Ago 2018 | Sem categoria
“Santo Padre, conte realmente com a nossa plena unidade e sinceras orações mesmo diante dos ataques feitos para dar descrédito à Sua pessoa e à Sua ação de renovação.” Maria Voce se dirige ao papa Francisco com essas palavras em uma carta enviada em 30 de agosto, na qual lhe assegura o apoio e orações após ataques pesados que o atingiram nas últimas semanas. A presidente do Movimento dos Focolares exprime ao Santo Padre sua própria gratidão por um recente encontro mundial de Famílias na Irlanda que evidenciou, entre outras coisas, o relacionamento extraordinário criado entre o Papa e os participantes. Maria Voce manifesta o reconhecimento, em seu nome e em nome de todo o Movimento, do acurado e contínuo pedido de perdão que Francisco fez às famílias das vítimas e adesão total à sua mensagem de amor. Continua a presidente do Movimento dos Focolares: “Em cada chaga da Igreja e da humanidade”, escreve Maria Voce, “reconhecemos Jesus crucificado e abandonado e, junto a Ele, olhamos para Maria para viver com coragem seguindo Seu exemplo como discípulos autênticos”. Maria Voce agradece, enfim, pela sua recente “Carta ao Povo de Deus” que, além de manifestar a disposição e o amor do Santo Padre pela humanidade, indica “como compartilhar o ‘grito’ que sobe aos Céus de quem sofreu e sofre e como empenhar-se para que tais males não se perpetuem. Façamos nossas suas preocupações e suas palavras”.
30 Ago 2018 | Sem categoria
Celebra-se todos os anos, no dia 1º de setembro, o Dia Mundial para a Custódia da Criação, este ano na sua 13ª edição. Trata-se de uma iniciativa da Igreja Ortodoxa à qual aderiram outras igrejas cristãs, comprometidas em descobrir num horizonte ecumênico o empenho pelo respeito e o cuidado com a criação. Desde 2015, também a Igreja Católica se uniu ao apelo, dirigido a todos os homens, de responsabilidade para com a criação e a salvaguarda da vida de todos os povos da terra. Em 2017, para firmar este empenho comum, o Papa Francisco e o Patriarca ecumênico Bartolomeu I, de Constantinopla, assinaram juntos um documento no qual se lê, entre outras coisas: «O ambiente humano e o ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral. […] Estamos convencidos de que não poderá haver uma solução genuína e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao serviço».
29 Ago 2018 | Sem categoria
«Quando eu tinha seis anos, a minha mãe fez com que me inserissem no programa de assistência diurna de Bukas Palad, o projeto social realizado pelos Focolares através das suas organizações AMU e AFN, depois de ter conhecido uma professora que trabalhava lá. Lembro que me disse: “Aqui você vai aprender a ter um sorriso luminoso”. Também a minha mãe participava das reuniões de formação e começou a se empenhar como voluntária. Inicialmente eu pensava que fizesse isso porque não tinha mais nada para fazer, além dos trabalhos de casa, mas depois mudei de opinião, vendo que ia lá também no sábado. O meu pai e os meus irmãos notavam que estava mais feliz. E eu também era, atraída pelo espírito de amor recíproco e de unidade que havia entre os funcionários. Graças ao projeto, pude completar todos os estudos até me diplomar. Posso testemunhar que Bukas Palad teve um papel fundamental na maior parte das minhas experiências e nas minhas escolhas de vida. Eu me lembro muito bem de todas as atividades que realizávamos na escola e durante os fins de semana, com todos os alunos, e a formação que recebemos e que fez com que nos tornássemos pessoas sensíveis às necessidades dos outros e que consideram a pobreza não como um obstáculo que impede que você faça o que quer, mas como um dom.
Através do projeto, conheci Chiara Lubich e os jovens do Movimento dos focolares. Crescendo neste contexto, aprendi que os sonhos podem se realizar se acreditamos que para cada um de nós existe um plano de amor de Deus. Eu me formei em Educação na Universidade de Cebu, depois superei o exame de habilitação para professores. Logo depois da formatura, comecei a trabalhar, acompanhada pela minha grande “família”, que sempre esteve ao meu lado, inclusive quando eu tinha que enfrentar o mundo do trabalho e a vida em geral. Tanto nos momentos de satisfação quanto nos difíceis, trazia comigo uma frase de Chiara Lubich, “Sejam família”. Quando penso em Bukas Palad, entendo bem o que é uma família. Inicialmente lecionei em escolas particulares, durante cinco anos. Depois, em 2014, fiz uma solicitação de ensino em escolas públicas. Fui designada para uma escola de Mandaue, uma cidade que faz parte da área metropolitana de Cebu. Aqui as coisas eram completamente diferentes, não havia a mesma organização e sistematicidade que eu conhecia. Quando eu lecionava na escola particular, pensava que para ser professor eram necessários um grande coração e um ânimo corajoso. Mas agora que trabalho na pública creio que se deve ter um coração ainda maior, um ânimo se possível ainda mais corajoso, uma força ainda maior. Cada vez, quando me vem a tentação de abandonar este trabalho, algo me detém. São sobretudo eles, os adolescentes. Neles vejo a mim mesma e os meus colegas, muitos anos atrás, quando sonhávamos nos tornar aquilo que somos agora. Talvez não devo estar em condições de dar a mesma ajuda e o mesmo apoio que eu e a minha família recebemos, mas procuro dar o melhor de mim para transmitir o mesmo amor».