Movimento dos Focolares

Palavra de Vida – Setembro de 2018

A Palavra de Vida deste mês provém de um texto atribuído a Tiago, personalidade relevante na Igreja de Jerusalém. Ele recomenda ao cristão a coerência entre crer e agir. O trecho inicial da carta chama a atenção para uma condição essencial: libertar-se de toda maldade para acolher a Palavra de Deus e deixar-se orientar por ela no caminho rumo à plena realização da vocação cristã. A Palavra de Deus tem uma força bem característica: ela é fecunda, faz germinar o bem na pessoa individualmente e na comunidade; com ela, cada um de nós encontra uma relação pessoal de amor com Deus; e ela constrói um relacionamento de amor entre as pessoas. Ela já foi, como diz Tiago, “implantada” em nós. “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” Foi implantada? De que modo? Isso ocorreu com certeza porque Deus, desde a criação, pronunciou  uma  Palavra  definitiva:  o  homem  é  “imagem”  Dele.  Realmente,  cada  criatura humana é o “tu” de Deus, chamado à existência para compartilhar a Sua vida de amor e de comunhão. Por outro lado, para os cristãos, o sacramento do batismo é que nos insere em Cristo. Cristo, que é a Palavra de Deus que entrou na história humana. Ou seja: Ele depositou em cada pessoa a semente da sua Palavra, chamando todos ao bem, à justiça, ao dom de si e à comunhão. Quando essa semente é acolhida e cultivada com amor no próprio “chão”, ela é capaz de produzir vida e frutos. “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” Um lugar onde Deus nos fala com clareza é a Bíblia, que para os cristãos tem o seu ponto mais alto nos Evangelhos. É preciso acolher a Sua Palavra na leitura amorosa da Escritura de modo que, vivendo-a, possamos ver os seus frutos. Também podemos escutar Deus no profundo do nosso coração, onde nos sentimos muitas vezes infestados por tantas “vozes”, tantas “palavras”: slogans e sugestões de escolhas a serem feitas, modelos de vida, além de preocupações e medos… Mas como podemos reconhecer a Palavra de Deus e dar-lhe espaço para que viva em nós? É preciso desarmar o coração e “render-nos” ao convite de Deus, para colocar-nos em uma livre e corajosa escuta da Sua voz, que muitas vezes é justamente a mais delicada e discreta. Ela  nos  pede  a  coragem  de  sairmos  de  nós  mesmos  e  de  nos  aventurarmos  pelos caminhos do diálogo e do encontro com Ele e com os outros, e nos convida a colaborar para tornar mais bonita a humanidade: que nela possamos todos nos reconhecer cada vez mais como irmãos. “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” Realmente, a Palavra de Deus tem a possibilidade de transformar o nosso dia a dia em uma história de libertação das trevas do mal pessoal e social, mas espera a nossa adesão pessoal e consciente, mesmo que imperfeita, frágil e sempre peregrina. Os nossos sentimentos e os nossos pensamentos se tornarão cada vez mais semelhantes aos do próprio Jesus; a fé e a esperança no Amor de Deus serão reforçados; ao mesmo tempo os nossos olhos e os nossos braços se abrirão às necessidades dos irmãos. Em 1992, Chiara Lubich dava esta sugestão: Em Jesus via-se uma profunda unidade entre o amor que Ele tinha pelo Pai celeste, e o amor para com os homens, seus irmãos. Havia uma profunda coerência entre as suas palavras e a sua vida. Isso fascinava e atraía a todos. É assim que também nós devemos ser. Devemos acolher as palavras de Jesus com a simplicidade das crianças e colocá-las em prática com toda a sua pureza e luminosidade, com a sua força e o seu radicalismo, para sermos discípulos tais como Ele deseja, isto é, discípulos iguais ao mestre: “outros Jesus” espalhados no meio do mundo. Existirá para nós uma aventura maior e mais atraente?1 Letizia Magri   1 Cf. Chiara Lubich, Coerência de vida, revista “Cidade Nova”, março de 1992.

Maria e a Igreja

Maria e a Igreja

«A Virgem Maria […] é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida de um modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem à todas as demais criaturas do céu e da terra». (Lumen Gentium, 53) «É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus». (Lumen Gentium, 55) «A bem-aventurada Virgem avançou pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus, padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício…» (Lumen Gentium, 58) «O amor e a veneração da Mãe de Deus é a alma da piedade ortodoxa, o seu coração que aquece e vivifica todo o corpo. O cristianismo ortodoxo é a vida em Cristo e em comunhão com a sua Mãe puríssima […] o amor a Cristo que não se pode separar do amor da Mãe de Deus […] Quem não venera Maria tampouco conhece Cristo, e uma fé em Cristo que não inclui a veneração da Mãe de Deus, é uma outra fé, um outro cristianismo que não o da igreja». (S. Bulgakov: L’Ortodossia, p. 356) «Em Maria está presente o sim da humanidade inteira, e este sim incondicional é um cálice que se oferece, que acolhe e que transmite. E assim ela, que viveu a hora de Deus, que pronunciou várias vezes o sim da aceitação, que carregou em si o verbo, é agora Mãe da misericórdia, Saúde dos enfermos e Refúgio dos pecadores, rainha dos apóstolos e da paz, Mãe de todos nós e imagem viva da Igreja». (Klaus Hemmerle, Scelto per gli uomini, p. 156)

Evangelho vivido: coração de mãe

Drogas na escola Eu devia me ocupar de um aluno que tinha usado entorpecentes. Neste caso se é punido com uma semana de suspensão das aulas. Para evitar o risco de que isto consentisse a ele ainda mais tempo para ficar com más companhias, fiz de modo que durante aquele período pudesse frequentar uma comunidade e, na escola, onde lhe era permitido vir, fiquei com ele todo o tempo, na biblioteca. Eu o ajudei a seguir o programa realizado na sala de aula, para que não ficasse em atraso. Foi um trabalho muito exigente que me ajudou a compreender a concretude do amor para com o próximo. M.M. – Espanha Novo estilo em casa Conduzimos, junto com outro casal, encontros para noivos. Um dia, antes de ir a um destes compromissos, explodiu uma discussão com o nosso filho. A minha mulher e eu, da mesma forma, nos pusemos a caminho, mas não estávamos tranquilos. Depois de alguns quilômetros ficou claro para nós que não tínhamos nada a oferecer aos noivos. Paramos o carro e telefonei ao nosso filho lhe pedindo perdão pelo modo com que nos tínhamos comportado. Mas, uma vez retomado o caminho, a minha mulher me fez notar o tom apressado com o qual eu tinha falado com ele. Então começou uma discussão entre nós. Após outros quilômetros já estávamos conscientes de não estar em condições de testemunhar o amor recíproco. Deste modo, telefonamos para o outro casal para avisar que estávamos voltando atrás. Assim que entramos em casa, explicamos ao nosso filho, admirado, o porquê de termos voltado. A lição nos serviu para que estabelecêssemos em família um estilo de vida diferente. K.E. – República Tcheca Excursão escolar Enquanto eu estava numa excursão, durante o lanche do almoço, percebi que muitos dos meus colegas jogava fora a comida ainda intacta. Para mim foi um choque. No dia seguinte, durante o almoço, fiz uma jogada antecipada: passando entre os colegas, recuperei a comida que não tinha sido nem sequer tocada e com isso enchi uma sacola e a levei para um sem-teto, que estava um pouco longe. N. – Itália Transferência Após 35 anos de serviço, o bispo me pediu para que eu me transferisse para outra paróquia. Seguiu-se um momento de escuridão interior, vivido em oração. Depois, entendi que não devia olhar as coisas só do meu ponto de vista. Deste modo, lhe apresentei a minha disponibilidade. Assim, de repente, o medo da novidade e as preocupações pela minha saúde desapareceram. Pareceu-me claro, não era um favor que tinha feito a alguém, mas uma graça que eu estava recebendo. Com este estado de ânimo, a vida na nova paróquia começou sobre fundamentos bem mais sólidos, diferentes de quando comecei o ministério, muitos anos antes, como jovem padre. E.B. – Eslovênia Um pequeno gesto de amor Fiquei sabendo que um colega tinha sido hospitalizado. Por alguns meses, cada fim de semana, ao voltar de um curso que estava fazendo numa outra cidade, ia visitá-lo. Os seus pais tinham vindo de outra região para ficar perto dele. Pensei que seria um alívio para eles jantar uma noite numa pizzaria. Naquela noite, fiz minha toda a ansiedade deles e na volta os acompanhei ao alojamento onde ficavam. Eles me contaram que desde o dia da internação do filho nunca tinham passado uma noite tão bonita. A. – Itália

A viagem de Mohamed

A viagem de Mohamed

«Eu pensava que me pedias ajuda e acabei envolvido neste abraço. Os teus braços largos e regelados esperavam o meu calor, a lembrança de um gesto gentil. Como terra que espera chuva, como templo que respira oração, como um sorriso que aspira nos lábios, como bagagem que aguarda numa viagem. Não é possível que tudo acabe assim, não pode ser. Se fizeste esta viagem e atracaste no meu porto, quero ainda viver tua vida, sempre. Se o meu caminho chegou a ti, quero que ainda me acompanhes por um pedaço. Quero ver-te envelhecer, ouvir-te falar a minha língua cada vez melhor. Quero escutar tuas confidências com minha esposa come se fosse tua mãe e os teus risos com meus filhos como se fossem teus irmãos. Quero assistir ao abraço com tua mãe, aquela que te deu à luz, com tuas irmãs, com teu irmão. Peço-te. Escuta-me. Abre os olhos. Sorri. Irei te ensinar um outro truque de mágica. Coloca em minhas mãos as tuas células enlouquecidas: eu as farei desaparecerem como moedas, como cartas. E no lugar delas eu colocarei em ti outras novas, sadias. E o teu corpo recomeçará a funcionar como um mecanismo precário e inacreditável. Não tenho frases importantes a dizer-te, pensamentos a recordar, gestos memoráveis. Tenho palavras descartadas, conceitos esquecidos ainda antes de terem nascido, sinais insignificantes. Nunca estamos prontos para a separação, nunca é o momento certo, não conseguimos conceber a ausência. Ainda que me tenhas contado que o teu Deus te espera radioso, que a morte é uma meta natural a ser atravessada para chegar à fase sucessiva da existência, que, como não fizeste mal a ninguém, no além serás premiado. Ainda que eu creia firmemente que morrer é um retorno às origens, como Maria ensinou: um maravilhoso, inesgotável perder-se em Deus. Apesar de tudo isso, eu não quero que tu vás. Preciso falar-te ainda, escutar-te, resolver contigo os problemas. Contigo: ousar, desafiar o vento contrário, pretender, dialogar, aspirar ao paraíso vivendo o inferno, prometer e manter. É inútil olhar ao redor: não estou pronto para ver-te morrer, para acompanhar-te com o olhar enquanto dobras a esquina escura das coisas que se veem e entras no túnel de luz daquilo que não conhecemos. Não estou pronto, e consigo apenas tomar tua mão e conduzir a tua boca e a minha na oração ao único Pai. Porque o que é natural ao divino é obscuro aos homens. Nós nos conhecemos por acaso, por aquelas circunstâncias mínimas que mudam a direção da nossa vida, por uma respiração mais longa, por uma porta giratória que se abriu num instante e não em outro. Mas agora sinto-te irmão e, enquanto espero com todas as minhas forças de rever-te acordado, começo, contigo, a dizer: Pai Nosso…».


Veja o vídeo https://vimeo.com/204144151

Bocelli com as famílias na Irlanda

O famoso tenor italiano, empenhado em várias ações pelo bem, será protagonista no Croke Park Stadium (Dublin) do “Festival das famílias”. O evento musical acontece na conclusão do Encontro Mundial das Famílias com o Papa Francisco, de 21 a 26 de agosto, com o tema “O Evangelho da família: alegria para o mundo”. Andrea Bocelli, definiu “um privilégio” cantar diante do Papa: “É uma alegria poder oferecer a minha modesta contribuição por ocasião deste grande encontro e momento de reflexão sobre a família. A família continua a ser a principal componente da sociedade, uma célula de afetos e um espaço privilegiado no qual se pode, em cada ação, ensinar e aprender como escolher uma vida que leva ao bem maior”, disse.

História dos encontros mundiais das famílias

Simultaneamente ao Ano Internacional da Família, declarado pelas Nações Unidas em 1994, João Paulo II anunciou o “I Encontro Mundial das Famílias”, que se realizou em Roma nos dias 8 e 9 de outubro daquele ano. Desde então, a cada três anos, se repete o evento internacional dedicado à família: no Rio de Janeiro (Brasil) em 1997, no Jubileu do ano 2000 de novo em Roma, em Manila (Filipinas) em 2003, na Espanha (Valência) em 2006, na Cidade do México em 2009, em 2012 em Milão (Itália) e, o último, em 2015 em Philadelphia (EUA). A poucos dias da IX edição, que se realizará de 25 a 26 de agosto e que traz como título “O Evangelho da família: alegria para o mundo”, milhares de famílias de 196 países se preparam para se encontrar com o Papa Francisco em Dublin (Irlanda). Previstas 500.000 pessoas na Missa conclusiva. Promovido pelo novo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, o evento será precedido por um congresso pastoral de três dias, do qual participarão 37.000 famílias.