Movimento dos Focolares

Japão: Projeto CommuniHeart

No Japão, um grupo de mulheres de diferentes religiões iniciou o “projeto CommuniHeart”, um projeto de prevenção do suicídio que se concentra na autoconsciência, comunicação e apoio comunitário. O projeto CommuniHeart é promovido pela Religiões pela Paz do Japão (Conferência Mundial das Religiões pela Paz). https://youtu.be/UgGOm-6JsD4

Em direção a um juramento ético para o mundo digital

Em direção a um juramento ético para o mundo digital

O nível ao qual a inteligência artificial chegou nos coloca diante de novas questões éticas: como promover um desenvolvimento tecnológico na medida humana? Call to action (chamado à ação) para desenvolvedores e inovadores do mundo digital. Um horizonte que inclui todos. Junho de 2023, Instituto Universitário Sophia: na tela da aula magna, uma anfitriã digital abre com elegância o seminário “Em direção a um juramento digital | Towards a Digital Oath”. Estamos atravessando uma porta: a preparação começou faz tempo, mas a aceleração dos últimos meses significa algo novo. Promovido por uma plataforma de temas – o centro de pesquisa Sophia Global Studies, o Movimento Politico per l’Unità, NetOne, New Humanity e Digital Oath –, o encontro quer abordar os assuntos mais urgentes do mundo digital por várias perspectivas: filosóficas, tecnológicas, éticas, sociais, políticas, até discutir a proposta de um “juramento” que possa representar para os responsáveis pelos trabalhos no mundo digital algo análogo ao Juramento de Hipócrates para os médicos. De onde vem essa exigência? Quais são os objetivos? O mundo tecnológico tende a mudar rapidamente e, cada vez mais frequente, a uma velocidade superior à nossa capacidade de adaptação. A complexidade das máquinas e dos sistemas que estruturam a realidade influencia não só o nosso modo de viver, mas também o modo de ver o mundo e de pensar no futuro. O nível atingido pelas “inteligências artificiais” – IA, vê emergir, ao lado do entusiasmo por suas capacidades operacionais, uma preocupação geral sobre novas possibilidades abertas por esses sistemas e os efeitos que podem derivar da sua má utilização. A recente difusão do ChatGPT (novembro de 2022) e de todos os seus derivados aproximou massivamente as IAs do nosso cotidiano, fazendo nascer novas questões ligadas à compreensão do que é humano e do que não é. No panorama mundial, a evolução desses aparatos produziram uma certa desorientação, não só porque a sua utilização está ao alcance de todos, mas sobretudo porque demonstram fazer algo que antes era prerrogativa dos seres humanos, com capacidade quantitativamente superior. O fato de nos encontrarmos diante de sistemas que não são “inteligentes” no sentido humano do termo e que gerenciam sua base de conhecimento por meio de cálculos estatísticos não muda o resultado final: a sensação de não sermos mais autores de escolhas fundamentais, desafiados por máquinas que são menos “instrumentos” e mais “companheiras de trabalho”. A essas questões, o seminário “Em direção a um juramento digital | Towards a Digital Oath” acrescentou um tema central: perguntar-se sobre a ética das tecnologias significa se questionar sobre o humano. Inclusive, muitos parecem considerar o desenvolvimento tecnológico como a atividade humana que mais nos caracteriza. Efetivamente, as tecnologias digitais e em particular as IAs são aquelas que refletem mais que as outras, como um espelho, o nosso modo de ser e de entender a existência. As crises do último século (de valores, ambientais, sociais e políticas) estão estritamente relacionadas a esse modo e nos dizem que ao desenvolvimento tecnológico deve ser adicionado um empenho educativo já determinado, de modo que cada forma de progresso possa ser guiada por uma profunda conscientização ética. O sentido de um “juramento” para o mundo digital vai justamente nessa direção. O programa dos primeiros dias de junho contou com especialistas qualificados (link do programa). Depois de um primeiro panorama geral sobre tecnologias digitais de hoje, o debate explorou riscos e regulamentações legais da utilização na Itália e na EU, nos EUA, no Brasil e na China, entrelaçando soluções tecnológicas e questões políticas, reflexões filosóficas e fenômenos sociais. “É necessário tornar visível e aceitável um empenho concreto e universalmente compartilhado”, explica Fadi Chehadé, ex-CEO da ICANN (Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números) e promotor do “juramento” para ética no mundo digital, professor visitante no Instituto Sophia, “com o qual desenvolvedores, técnicos e usuários das tecnologias digitais possam ancorar de maneira saudável o seu trabalho com uma abordagem humanocêntrica”. Fadi Chehadé acompanhou as primeiras etapas do percurso desde novembro de 2019, quando um primeiro grupo se encontrou em Trento (Itália) para dar forma ao projeto. Depois, o grupo promotor envolveu estudiosos em vários países e participou da consulta pública promovida pela ONU para o Global Digital Compact (Pacto Digital Global) 2024. Hoje o objetivo do Digital Oath (Juramento Digital) é necessário: sugerir linhas-guias e motivar eticamente os desenvolvedores e inovadores do mundo digital a colocar no centro a dignidade e a qualidade de vida das pessoas e das comunidades, o sentido humano da existência, o respeito aos direitos fundamentais e ao meio-ambiente. “A proposta de traduzir, por assim dizer, o Juramento de Hipócrates para o mundo digital”, lembram os promotores do encontro, “já surgiu em vários estudos internacionais, que evidenciam a urgência do tema e a responsabilidade de quem cria e administra serviços digitais, administra dados. O pensamento não vale somente para as novas redes neurais, mas também para as redes sociais ou para as criptomoedas… O nosso trabalho se junta ao de outras redes: agora é preciso unir os esforços para uma coalisão entre universidades, setor privado e organizações empenhadas na escrita de um código ético, um protocolo de autorregulamentação que possa beneficiar pessoas, sociedade e meio-ambiente”. No novo site de Digital Oath, há uma primeira formulação do juramento à disposição de todos e as inscrições estão chegando: o texto está aberto a sugestões e modificações com elaboração progressiva. O site reportará em breve também as inscrições e os documentos do Seminário. Apesar de a estrada ser certamente uma subida, somos muitos caminhando: é um horizonte que envolve a todos.

Andrea Galluzzi

Ecumenismo: sinodalidade e primazia no segundo milênio e hoje

Ecumenismo: sinodalidade e primazia no segundo milênio e hoje

A Comissão Internacional Conjunta para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa realizou sua décima quinta sessão plenária, de 1 a 7 de junho de 2023, em Alexandria, Egito, hospedada pelo Patriarcado Ortodoxo Grego de Alexandria e toda a África, chegando a um acordo sobre um novo documento intitulado “Sinodalidade e primazia no segundo milênio e hoje”. Nossa entrevista com o teólogo Piero Coda, presente no encontro. Padre Coda, pode nos dizer que evento foi esse, quem participou e qual era o objetivo principal? A 15ª sessão plenária da “Comissão Conjunta Internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa” foi realizada em Alexandria do Egito sob a presidência do Metropolita Job da Pisídia (Patriarcado Ecumênico de Constantinopla) e do Cardeal Kurt Koch (Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos), com a cordial hospitalidade do Patriarca de Alexandria Teodoro II. Tratava-se de completar a etapa do diálogo inaugurado pelo documento de Ravenna (2007), que previa, após o desenvolvimento do quadro teológico compartilhado por ortodoxos e católicos sobre a interdependência da sinodalidade e primazia na vida da Igreja, o exame histórico da situação vivida no primeiro milênio, proposta pelo documento Chieti (2016), para chegar à descrição da situação vivida no segundo milênio, objeto do documento aprovado em Alexandria. Devido às conhecidas vicissitudes que afligem o mundo ortodoxo, o Patriarcado da Rússia abandonou o trabalho da Comissão. Também ausentes em Alexandria estiveram os representantes dos Patriarcados de Antioquia, Bulgária e Sérvia, enquanto estavam presentes as restantes 10 delegações dos outros Patriarcados (Constantinopla, Alexandria, Jerusalém, Roménia, Geórgia) e Igrejas autocéfalas (Chipre, Grécia, Polónia, Albânia, República Checa e Eslováquia). Em que termos é possível falar de sinodalidade no âmbito ecumênico e que considerações surgiram olhando também para o passado? O tema foi ilustrado na Introdução: “Este documento considera a conturbada história do segundo milênio (…) vários pontos, a fim de promover a compreensão e a confiança recíprocas, requisitos essenciais para a reconciliação no início do terceiro milênio”. O resultado é uma compreensão mais clara e compartilhada das razões que levaram – não raro por razões de natureza histórico-política, mais do que teológica – a promover um distanciamento que não só impediu que as tentativas de reconciliação feitas ao longo dos séculos alcançassem êxito, mas exacerbou a interpretação polêmica em relação à outra parte e o endurecimento apologético de sua posição. Note-se a intensificação da abertura a uma situação nova marcada pela aproximação ocorrida no século XX: o que favorece uma avaliação mais pertinente do significado atual e do peso teológico daquilo que ainda impede a unidade plena e visível. Quais são as perspectivas futuras? O documento sublinha que são decisivos o “retorno às fontes” da fé e a estratégia do diálogo da caridade entre as “Igrejas irmãs” promovidas, na esteira do Concílio Vaticano II, por Paulo VI e pelo Patriarca Atenágoras. Também o compromisso da Igreja Católica hoje, tenazmente desejado pelo Papa Francisco, para redescobrir e reativar o princípio da sinodalidade estimula a esperança. Para onde apontar o olhar? O documento especifica que “a Igreja não é corretamente compreendida como uma pirâmide, com um primado que a governa de cima, mas também não é corretamente compreendida como uma federação de Igrejas autossuficientes. Nosso estudo histórico da sinodalidade e primazia no segundo milênio mostrou a inadequação de ambos os pontos de vista. Da mesma forma, é claro que para os católicos a sinodalidade não é meramente consultiva e para os ortodoxos a primazia não é meramente honorífica”. A interdependência entre sinodalidade e primazia, portanto – este é o ponto firme adquirido -, é “um princípio fundamental na vida da Igreja. Está intrinsecamente relacionado com o serviço da Igreja em nível local, regional e universal. No entanto, o princípio deve ser aplicado em contextos históricos específicos (…) o que é exigido nas novas circunstâncias é uma nova e correta aplicação do mesmo princípio”. Essa perspectiva abre caminho para a continuação da jornada e a abertura de uma nova fase.

Carlos Mana e Maria Grazia Berretta (fotos: ©Dicastero per la promozione dell’Unità dei cristiani)

Viver a oração

Penetrar na oração significa reencontrar o centro do encontro entre o eu e a presença de Deus na nossa vida. Chiara Lubich, padre Pasquale Foresi e Igino Giordani, com palavras cada vez mais atuais, traçam as linhas de uma espiritualidade civil, de todos, vivida nas ruas das cidades do mundo.  […] Eu percebi que os tempos modernos pedem uma oração particular. […] Antigamente se pensava que o mundo e o cosmo estivessem parados, estáticos. Devíamos encontrar Deus admirando as estrelas, as flores… na contemplação, na paz, a união com Deus, nos momentos de recolhimento, de oração na igreja diante do Santíssimo. No entanto, agora, com os estudos da ciência moderna, […] viram que o mundo está em contínua evolução, em mutação. Tudo se transforma, caminha para atingir a perfeição. E o homem não pode mais estar parado em contemplação, deve participar com Deus desse movimento, dessa evolução, da criação. Por isso, tudo o que vocês fazem na escola, no escritório, na fábrica ajuda a construir, com Deus criador, o mundo e fazê-lo progredir. Devemos agir assim, pensando que colaboramos com Deus criador. Portanto, o nosso trabalho é sagrado; somos um braço de Deus criador que continua a construir o mundo. […]

Chiara Lubich (Castel Gandolfo, 25 de fevereiro de 1989 em “O Respiro de Deus” organizado por Fabio Ciardi, Città Nuova, 2022, p.122-123)

  Outra forma de oração, muito importante, pode ser praticada no trabalho. Penso principalmente nos operários das fábricas, em todas as pessoas que durante o dia têm uma grande sobrecarga de cansaço que quase anula a própria capacidade de pensar e, portanto, em certo sentido, também de rezar. Se, pela manhã, com uma simples intenção oferecermos a Deus a nossa existência diária, viveremos profundamente a relação com Deus durante o dia. Creio que se esses trabalhadores, à noite, mesmo que por poucos momentos – por estarem cansados – se unirem a Deus, encontrarão a unidade com Ele; e a encontram porque viveram todo o trabalho na relação com Ele. Isso é o mais importante: viver o verdadeiro relacionamento com Ele. No fundo, a humanidade está aberta para ouvir isso hoje: que todo o universo e tudo o que acontece nele seja entendido e transformado, religiosamente, em uma grande oração que se eleva do mundo até Deus.

Padre Pasquale Foresi (em “Deus nos chama. Conversações sobre a vida cristã” Città Nuova, 2003, p.116)

  Esta manhã tive a impressão de ter me aproximado de Deus. Creio que nunca o tinha sentido tão perto. Minha alegria foi e é muito grande. Sinto que encontrei livre acesso para ir até Ele; e meu propósito é não me afastar mais Dele. Com a graça de Deus, venci os impedimentos que me mantinham agarrado à terra. Agora estou na terra e vivo no céu (a minha ambição é enorme, mas a misericórdia Dele é maior. Eu o amo muito). Os impulsos da vaidade, das preferências nas amizades já não me atrapalham. Vou diretamente a Deus, descartando esses empecilhos. Os homens podem me trair, caluniar, matar: mas eu tenho Deus; eu os amo, sem depender deles. Sou de Deus, não preciso de mais nada.

Igino Giordani (em “Diário de Fogo”, Città Nuova, 1992, p.196)

Activar legendas em português https://youtu.be/T9In5BW88kw

SPARKS (o podcast): histórias de agentes de mudança que caminham entre nós

SPARKS (o podcast): histórias de agentes de mudança que caminham entre nós

O primeiro episódio do novo podcast produzido por United World Project foi publicado hoje. Conta histórias de agentes de mudança que decidiram começar um novo negócio, inspirados por uma centelha que os levou a tomar medidas para melhorar a própria sociedade.

Uma centelha pode inspirar mudanças

Hoje, 16 de junho de 2023, United World Project tem o prazer de apresentar um novo podcast em inglês: Sparks (centelhas).  Em cada episódio vamos contar histórias de agentes de mudança de várias partes do mundo que deram vida a um projeto, a uma empresa ou a uma atividade, depois de se inspirarem em uma “centelha”: uma pequena luz que contagiou muitas outras pessoas. Cada um deles nos levará ao seu país, para nos imergir em sua cultura e nos contar como seu projeto começou. Você não precisa ser Greta Thumberg ou Ghandi para iniciar a mudança. Acreditamos que cada um de nós pode fazer a diferença. Talvez apenas uma centelha seja suficiente.

O primeiro episódio: Devolver à sociedade um pote de cada vez 

Devolver à sociedade, um pote de cada vez. Todos nós temos grandes sonhos. Mabih sonhava em trabalhar nas Nações Unidas e durante anos fez de tudo para que isso acontecesse. Mas não correu como ela esperava. Em 2019, percebeu que o sonho que perseguia para ajudar o próximo talvez fosse um desejo pessoal de se afirmar na sociedade. Assim, ao deixar esse sonho ser transformado, sua vida mudou de um modo que ela nunca teria imaginado antes. Hoje Nji Mabih é uma pequena empreendedora, tem 38 anos e mora em Camarões. Para continuar a ler, clique aqui. Para ouvir o episódio imediatamente no Spotify, clique aqui!  Se preferir ouvir podcasts noutras plataformas, também pode encontrar “Sparks” em Apple Podcast, Google Podcast, Amazon Music e Audible. Aproveite!

Laura Salerno

Evangelho vivido: “Vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2 Cor 13,11) 

Deixar que Deus habite em nós: este é o ponto de partida para proteger e testemunhar com alegria o valor inestimável da unidade e da paz, na caridade e na verdade, para enriquecer-nos e ser sementes de bem e de fraternidade para o mundo. Sem medir o ódio Moro em uma pequena cidade da Ucrânia, na fronteira com a Eslováquia. Aqui não chegam bombas, mas as suas terríveis consequências: desabrigados com as suas necessidades, é preciso encontrar tochas e velas, remédios, cobertores… uma grande escuridão desceu sobre a nossa terra. As notícias de quem trai, de quem se enriquece nestas situações trágicas, de quem desfruta os outros, dos chacais… são coisas de todo dia. Quando o mal triunfa ele não tem regras, não tem limites. Mas, apesar de tudo, acontece algo diferente: as pessoas daqui sentem-se parte do sofrimento dos outros e buscam soluções. Nas famílias, retornou a necessidade do calor, da proteção e da solidariedade. Assisto ao paradoxo de uma guerra do mal e do triunfo do bem. Contamos, entre nós, a história de Chiara Lubich e das suas primeiras seguidoras: elas também começaram durante uma guerra e não mediram o ódio, mas acenderam o bem que depois de espalhou por toda parte. Verdadeiramente, as forças do mal não irão prevalecer. A nossa gratidão é uma verdadeira oração que se levanta até o céu, como um canto de louvor a Deus que é Amor. (S. P. – Ucrânia) Uma corrente de amor Na sala de espera do meu salão é costume que as clientes troquem notícias entre si, e como há algum tempo eu não via uma senhora idosa, Adele, que periodicamente vinha até nós, pedi suas notícias a uma das clientes. Assim vim a saber que Adele estava gravemente enferma e, levada pelo desejo de revê-la, um dia decidi fazer-lhe uma visita. Encontrei dona Adele, sozinha e sem parentes, em um estado de completo abandono, e logo comecei a circular um pedido de ajuda.  Procurando alguém que pudesse lhe fazer companhia, logo três clientes responderam positivamente. Começou uma verdadeira competição de cuidados, até que o filho de uma delas conseguiu a internação em uma casa que lhe garantia assistência e tratamentos. Eu também me ofereci para prestar o meu serviço como cabelereira, não só para Adele, mas para todas as senhoras que desejassem. A história de Adele me demonstrou que basta começar, com atos concretos de caridade, depois a corrente de amor se desenrola veloz e eficazmente. (F.d.R. – Itália) Uma escola de solidariedade No deserto, fora da cidade do Egito onde me encontro, vivem 1000 pessoas doentes de lepra. Até poucos anos atrás ninguém sabia desta colônia. Fomos verificar a situação e descobrimos que para eles faltava tudo. Nem os médicos iam visitá-los. Entramos de acordo com a Cáritas, abrimos o nosso grupo a outros jovens, cristãos e muçulmanos, e com eles vamos para lá, nos dias livres do trabalho. Dois de nós, estudantes de medicina, ocupam-se da assistência médica, e para isso procuraram se interessar pelos métodos de cura da lepra. Outros colocaram à disposição o próprio tempo para pintar as casas e torná-las mais habitáveis. Um jovem jornalista publicou alguns artigos em vários jornais e revistas, para informar e sensibilizar o máximo de pessoas possível sobre o problema. Mais do que tudo, percebemos que os doentes daquela colônia precisam de alguém que os escute, e isso, para eles, é quase mais importante do que os remédios. Esta experiência se tornou uma verdadeira escola para nós, ela nos faz entender que cada um pode dar sua própria contribuição para os outros. (H.F.S.- Egito)

Aos cuidados de Maria Grazia Berretta

(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, anno IX – n.1° maio-junho 2023)