Movimento dos Focolares
World Meeting on Human Fraternity: a fraternidade como ação compartilhada

World Meeting on Human Fraternity: a fraternidade como ação compartilhada

No dia 10 de junho de 2023 aconteceu, no Vaticano, o World Meeting on Human Fraternity, encontro internacional sobre a fraternidade humana, do qual o Movimento dos Focolares participou juntamente com outros movimentos eclesiais, organizações internacionais e associações. A presidente do Movimento, Margaret Karram, foi representada por alguns focolarinos, entre os quais Christian Abrahao da Silva, que nos fala das suas impressões. Promover um processo participativo para ajudar a redescobrir o significado da fraternidade e construí-la por meio do diálogo, do conhecimento, momentos de encontro, palavras e gestos compartilhados. Foi com este objetivo que se realizou, dia 10 de junho passado, o World Meeting on Human Fraternity, encontro internacional sobre a fraternidade humana, promovido pela Fundação Fratelli Tutti e pela Basílica Papal de São Pedro, sob o patrocínio do cardeal Mauro Gambetti, Arcipreste da Basílica Papal de São Pedro, no Vaticano, Vigário Geral do Santo Padre para a Cidade do Vaticano. O evento teve a sua inspiração na Encíclica Fratelli Tutti e contou com a presença de vários Prêmios Nobel da Paz, personalidades da ciência, da cultura, do direito, associações e organizações internacionais, que tiveram o papel de elaborar um “Chamado ao compromisso pela Fraternidade Humana”. O documento, lido por dois Prêmios Nobel, Nadia Murad e Muhammad Yunus, durante o festival realizado na Praça de São Pedro, foi assinado pelo Secretário de Estado, cardeal Parolin, em nome do Papa Francisco, e pelo grupo que o elaborou. Christian Abrahao da Silva, focolarino que participou do encontro, conta-nos como foi aquele momento. Christian, o que significou para você participar deste momento mundial dedicado à fraternidade? Antes de tudo foi uma grande honra. Corres Kwak, focolarina, e eu, fomos chamados a representar a presidente do Movimento dos Focolares, Margaret Karram, e todo o Movimento, durante este evento que tinha um objetivo nobre, o de promover a fraternidade e a amizade social entre as pessoas e entre os povos, como antídoto às muitas formas de violência e de guerras que existem no mundo. O encontro se desenrolou em dois momentos: na parte da manhã, na antiga sala do sínodo, com a presença de representantes de vários movimentos eclesiais e associações. À tarde aconteceu um grande festival, na Praça de São Pedro, ao qual se conectaram várias outras praças, pelo mundo. Como foram abertos os trabalhos? Durante a manhã participamos de duas mesas de trabalho, quando, essencialmente, nos foi pedido para responder a duas perguntas: “o que fazemos concretamente para alcançar a fraternidade social e a fraternidade ambiental?” e “existe um nós?”. Foram momentos muito bonitos e participados. Falou-se muito sobre o conceito do jardim, referindo-se ao Jardim do Éden, citado pelo Papa Francisco na Fratelli tutti. As palavras mais pronunciadas foram: compaixão, responsabilidade (política e econômica), partilha, promoção integral, reconhecimento de cada pessoa humana, cuidado, acolhida. Uma verdadeira experiência eclesial, com a esperança que possa ser capilarmente testemunhada a necessidade de redescobrir e fortalecer a fraternidade humana. O que tocou vocês, de modo especial? Além do grupo dos Prêmios Nobel da Paz, e o dos movimentos eclesiais e associações, havia um grupo de 30 jovens estudantes, provenientes de várias escolas italianas, acompanhados por seus professores de religião, que tinham participado de um concurso com várias expressões artísticas, que exprimiam com criatividade a temática deste Encontro. A presença deles deu um toque importante, mostrou o compromisso das novas gerações na educação à fraternidade. Além disso, as experiências narradas no palco do festival, durante a tarde, e alguns artistas que, gratuitamente e com alegria, mostraram os seus talentos, foram uma grande contribuição. O que o Movimento dos Focolares leva consigo, depois deste evento? O Papa Francisco volta a lançar a fraternidade como um novo paradigma antropológico sobre o qual reconstruir ações e leis, porque “a fraternidade tem algo positivo para oferecer à liberdade e à igualdade” (Fratelli tutti, n. 103). Esta ideia nos fez relembrar um discurso de Chiara Lubich intitulado “Liberdade, igualdade… o que foi feito da fraternidade?”. Sim, este foi um daqueles eventos que nos chamam a lançar-nos, cada vez mais, no ponto central do nosso carisma da unidade. Além disso, explicando a ideia do evento, o cardeal Gambetti realmente tocou a essência, definindo-o como “processo e experiência, como primeira etapa para ajudar a redescobrir o significado da fraternidade e construí-la culturalmente, porque ela não acontece biologicamente, a fraternidade necessita de encontro e de diálogo, de conhecimento, de palavras e gestos compartilhados, de linguagens comuns e de experiência de beleza”.

Maria Grazia Berretta

Em oração pela saúde de Papa Francisco

Como é de conhecimento público, ontem, 7 de junho, o Papa Francisco foi submetido a uma cirurgia no Policlínico Gemelli, em Roma. O Pontífice encontra-se “em boas condições gerais” e está sereno. Ele agradece as mensagens de proximidade que lhe chegam de todo o mundo e pede que continuem rezando por ele. Margaret Karram também lhe assegurou suas orações, o seu afeto e de todo o Movimento dos Focolares.  

Rocca di Papa, 08 de junho de 2023

Santidade, querido Papa Francisco,

estamos acompanhando com apreensão os boletins médicos sobre a cirurgia a que se submeteu ontem e nos alegramos com as recentes e reconfortantes notícias sobre o seu estado de saúde. Unidos a toda a Igreja, o acompanhamos com nossas orações e com as ofertas também das comunidades do Movimento no mundo. Asseguramos-lhe que continuaremos a apoiá-lo, pedindo ao Pai a sua plena recuperação, para que possa continuar o seu valioso ministério.

Receba as minhas mais afetuosas saudações e as do Movimento dos Focolares!

Filialmente,

Margaret Karram

 

Guatemala: uma capela ecumênica no Centro Educacional Fiore

Guatemala: uma capela ecumênica no Centro Educacional Fiore

Recentemente foi inaugurada uma Capela Ecumênica no Centro Educacional Fiore (CEF), localizado em Mixco (Guatemala). Os diretores Maresa Ramírez e Luis Martinez nos contam como nasceu a ideia de coincidir com o Pentecostes, quando se celebra no hemisfério sul a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. “Não focamos apenas em uma denominação cristã, mas buscamos o que nos une dentro do cristianismo. Por isso nossa capela é ecumênica, queremos que ninguém se sinta fora da família do nosso Centro Educacional, queremos incluir uns aos outros”. Com estas palavras, Maresa Ramírez explica o objetivo da nova capela ecumênica construída no Centro Educacional Fiore (CEF), localizado em Mixco (Guatemala), do qual é diretora geral junto com Luis Martinez, que é o diretor administrativo. Há 10 anos o Centro acolhe crianças de várias denominações cristãs e, após a pandemia, o número foi aumentando gradativamente. A capela faz parte do percurso educativo da escola que se baseia no processo acadêmico, físico-emocional e espiritual. A capela possui diferentes elementos que procuram criar uma relação com Deus tendo em conta a idade das crianças que frequentam a escola. Assim nos conta Luis Martinez: “O desenho da capela inclui processos lúdicos, usando jogos para aproximar as crianças de Deus e ter um relacionamento com Ele. Por exemplo, colocamos tubos que se movem desde a entrada da capela até o crucifixo, para que a criança, se sentir necessidade, possa enviar uma mensagem secreta a Jesus. Então, as nuvens servem para criar a atmosfera do céu, porque colocamos Deus em relação com o céu. As crianças são o centro das atenções e quando eles entram neste lugar cria-se imediatamente um relacionamento engraçado e ao mesmo tempo sério”. A escola oferece às crianças esse espaço, onde elas podem ter acesso quando sentem a necessidade de passar um momento com Deus. Na disciplina de Educação na fé e nos valores, as crianças praticam a confecção de origamis e assim podem escrever suas boas ações, e colocá-los lá, oferecendo-as para Jesus, “com base no que Chiara Lubich ensinava às crianças: depois de fazer uma ação com amor, faça como um pacotinho e mande-o para o céu”. A colaboração foi fundamental para o momento da inauguração, pois o diálogo entre o Movimento dos Focolares da Guatemala e o Conselho Ecumênico Cristão da Guatemala é amplo. “Construímos uma relação com cada um dos integrantes, em particular com o bispo católico, D. Valenzuela. Conversando com ele percebemos o quanto é importante a presença desta capela, pois o diálogo é algo necessário na realidade ecumênica guatemalteca”, diz Luis Martinez. A estes contatos baseados na fraternidade juntaram-se pessoas de 7 Igrejas cristãs e cerca de 25 pessoas assistiram à inauguração da capela. O programa inaugural foi organizado pelo Centro Educacional juntamente com D. Valenzuela e incluiu salmos, leitura da Palabra de Deus e várias orações de bênção e louvor. Os alunos participaram recitando uma oração pela paz. “Foi um momento muito bonito”, conclui a diretora Ramírez. “Muitos dos presentes salientaram ter percebido que as crianças, em nosso percurso educacional, são colocadas no centro e que somos a primeira escola do país a ter uma capela ecumênica”.

Diego Santizo

Indonésia, o diálogo como um estilo de vida

Indonésia, o diálogo como um estilo de vida

A viagem na Ásia e na Oceania de Margaret Karram e Jesús Morán, Presidente e Co-presidente do Movimento dos Focolares chegou ao fim. Aqui algumas notícias sobre o que viveram na última etapa: Indonésia Panongan (Indonésia), 17 de maio de 2023 – São 8 horas na paróquia católica de Santa Odélia, cerca de duas horas de Jacarta. O arcebispo Ignatius Suharyo, cardeal da capital indonésia, convidou representantes do governo e das forças de segurança pública, da prefeitura, dos povoados e dos líderes religiosos muçulmanos, budistas e hindus para apresentar à Presidente e ao Copresidente do Movimento dos Focolares um projeto social pioneiro, realizado em ampla sinergia com todas as forças da sociedade civil mencionadas, para a cidade de Tangerang/Banten. Com mais de dois milhões de habitantes, essa é a terceira área mais populosa a oeste de Jacarta, a capital da Indonésia, que com todas as suas cidades-satélites atinge quase 30 milhões de habitantes. É uma área onde há grande desenvolvimento, mas também desigualdade econômica, e a população dos povoados é pobre, ocupa-se do cultivo de arroz, vive dos produtos da terra e das pequenas: avicultura, caprinocultura e bovinocultura. A paróquia está localizada em uma região de maioria muçulmana. Padre Felix Supranto – “Romo Felix” para todos (“romo” significa “pai” em bahasa, o idioma oficial do país) é o dinâmico pároco de Santa Odelia e tem o dom de saber unir as pessoas. Ele dá as boas-vindas, com os muitos paroquianos que ao longo dos anos ele envolveu em vários projetos sociais. “O diálogo que cultivamos aqui, com irmãos de diferentes religiões é concreto”, explica o cardeal, “ele está voltado às necessidades do povo. Há necessidade de casas, de criar oportunidades de trabalho, de fornecer água para os povoados. Estamos trabalhando para isso “juntos”, e é importante que a Presidente e o Copresidente do Movimento dos Focolares tenham vindo até aqui para ver o que poderia ser um modelo de diálogo também fora da Indonésia. O lema do nosso país é ‘unidade na diversidade’ e isso expressa muito bem quem somos e como enfrentamos os desafios”. “Estamos honrados pela presença de vocês entre nós”, disse o Padre Felix a Margaret Karram e Jesús Morán, “para compartilhar o caminho que estamos percorrendo. Até o momento, construímos 12 casas para ajudar os pobres e é esse trabalho conjunto que nos torna irmãos, apesar das nossas diferenças. O dia continua com uma visita a uma escola com crianças de 6 a 15 anos. Em vários vilarejos onde, graças aos fundos arrecadados, foi possível levar água, iniciar um pequeno rebanho de vacas, cabras e um viveiro de bagres, onde o valor agregado é justamente o envolvimento total de todos: instituições e habitantes locais. A visita à Madrassa – uma escola islâmica – é o último compromisso desse primeiro dia “no campo” que nos mostra o caráter comunitário e solidário, a verdadeira força desse país. Bhinneka Tunggal Ika – somos diferentes, mas somos um só Bhinneka Tunggal Ika, “Somos diferentes, mas somos um”, é de fato o lema da Indonésia, inscrito no brasão nacional que representa uma antiga divindade, a águia javanesa. O país dos registros Com suas 17.000 ilhas e mais de 300 grupos étnicos, cada um com sua própria e vibrante tradição cultural, a Indonésia é um país de muitas diversidades. E hoje, a população tem orgulho de se apresentar ao mundo como um exemplo de tolerância e coexistência entre diferentes culturas e religiões. Um exemplo claro: a Mesquita Istiqlal (da Independência) em Jacarta é a maior do sudeste asiático. Ela está localizada em frente à catedral católica e, durante as principais festas cristãs, como o Natal, a mesquita oferece apoio, disponibilizando vagas no estacionamento para os fiéis cristãos e vice-versa para as festas islâmicas. A Indonésia tem a maior biodiversidade do planeta, mas o desmatamento e a exploração de recursos ameaçam a preservação desses ambientes naturais com sérias consequências. A riqueza econômica não é distribuída com equidade e se estima que 27.000 famílias milionárias (0,1% da população) possuam mais da metade da riqueza do país. Embora não seja fácil obter estatísticas exatas, a população atual é estimada em 273 milhões de habitantes, tornando a Indonésia o quarto país mais populoso do mundo. É o país com a maior população muçulmana do mundo (86,1%); os cristãos de várias igrejas representam 10,53%, e a religião é registrada na carteira de identidade. Os focolarinos do Sudeste Asiático e do Paquistão Jacarta, 19 de maio de 2023 – Olhando para os focolarinos da região do Sudeste Asiático e do Paquistão, que chegaram a Jacarta para se encontrar com Margaret Karram e Jesús Morán, vem à tona todo o potencial do continente asiático, ou seja, o possível encontro entre povos e culturas muito diferentes: da Tailândia a Myanmar, do Vietnã à Indonésia, Cingapura e Malásia. Muitos se conectaram pela internet, como os focolarinos do Paquistão, mas a distância não impediu uma comunhão profunda, na qual emergiram tanto os desafios da inculturação em cada país, quanto a força da unidade, capaz de alcançar as mais diversas áreas. Havia uma grande atenção por parte de todos durante a sessão de perguntas e respostas com Margaret Karram, Jesús Morán, Rita Moussallem e Antonio Salimbeni (responsáveis pelo diálogo inter-religioso do Movimento dos Focolares). As focolarinas de Ho Chi Minh (Vietnã) perguntaram como difundir a espiritualidade da unidade nesta época em que é difícil despertar o interesse das pessoas, especialmente dos jovens. “Nessa viagem à Ásia e à Oceania”, explica Margaret, “percebi que o modo que adotamos até agora para apresentar a espiritualidade da unidade precisa mudar, porque a sociedade mudou. Todos nós vivemos tão “conectados” uns aos outros que precisamos encontrar uma maneira de apresentar as várias vocações, não cada uma por si, mas uma ao lado da outra. Talvez assim, quando nos encontrarmos como uma comunidade do Movimento dos Focolares no âmbito local, será Deus a falar ao coração de cada um, a chamar para percorrer os diferentes caminhos. Vejo que o que toca o coração das pessoas é a atenção pessoal, a construção de relacionamentos verdadeiros, feitos de amor desinteressado. Elas devem encontrar em cada um de nós um irmão, uma irmã, um amigo. Somente quando tivermos construído um relacionamento é que poderemos convidá-las a conhecer a espiritualidade do Movimento dos Focolares”. “Às vezes temos a impressão de que não dispomos dos métodos adequados para despertar o interesse das pessoas pela espiritualidade da unidade”, continua Jesús nesta mesma linha, “mas cuidado para não ceder à tentação de se adaptar à corrente do mundo com o objetivo de ser aceito a qualquer custo. Temos que estar no mundo, porque ele é bonito, Deus o criou. Mas devemos sentir o contraste com o mundo; é algo cristão experimentá-lo, porque pertencemos a uma verdade, a verdade de Cristo, que vai para além do mundo”. O diálogo como um estilo de vida Jacarta, 20 de maio – Yogyakarta, 21 de maio de 2023 – “Desde fevereiro de 2021, nossa vida em Mianmar mudou completamente. Minha região é aquela em que o conflito é mais grave. Ninguém deveria ouvir as explosões de artilharia e bombardeios aéreos, isso não é humano. Enraizados em Deus e concentrados em viver no presente – porque não sabemos se existiremos amanhã – continuamos a levar amor e nova esperança ao nosso povo. A cada dia, compreendo mais e mais o convite de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13)”. Foi o que nos disse Gennie, birmanesa, que trabalha para uma agência humanitária que cuida de pessoas desabrigadas, mais de um milhão desde o golpe de Estado. O seu testemunho, entre tantos, nos falou sobre a vida e os desafios das comunidades do Movimento dos Focolares no sudeste asiático, no fórum “O diálogo como estilo de vida”, realizado em parceria com a Universidade Católica de Jacarta “Atma Jaya”. Participaram 290 pessoas de várias partes da Indonésia e de diferentes países do sudeste asiático. Outras 300 pessoas vieram do Paquistão e de outros países. No centro dos testemunhos está a cultura do diálogo que é vivida diariamente nessas terras, tornando-se um estilo de vida, até mesmo econômico, como conta Lawrence Chong, de Cingapura. Desde 2004, ele dirige uma empresa de consultoria de gestão com dois outros sócios, um metodista e um muçulmano, de acordo com os princípios da Economia de Comunhão. “Hoje estamos presentes em 23 países e nosso trabalho é provocar mudanças, interferir no sistema econômico e melhorá-lo, com base nos princípios da interdependência e do amor mútuo.” Após a confraternização em que os vários povos abriram suas portas para a grande riqueza cultural e a variedade de tradições, Margaret Karram e Jesús Morán responderam a algumas perguntas e compartilharam suas primeiras impressões sobre essa viagem. “A Ásia é o continente onde o sol nasce, enquanto nós viemos da Europa, onde o sol se põe”, disse Jesús. “Na Ásia e na Oceania, encontramos uma Igreja muito viva, bem como a presença de diferentes religiões, e fomos inundados por essa luz que encontramos na profunda humanidade das pessoas. Encontramos muita esperança para a Igreja, para a Obra de Maria. E essa esperança não diminuirá se essas pessoas permanecerem fiéis a si mesmas. É claro que também vimos os problemas: pobreza, conflitos, guerras. Portanto, é verdade que o sol está nascendo nessas terras, mas também temos diante de nós um grande desafio: que o Evangelho também seja portador de uma mensagem de libertação para esses povos”. O Núncio Apostólico, Dom Piero Pioppo, que veio celebrar a Santa Missa, nos fez os votos que a palavra da unidade e da comunhão possa florescer e se espalhar neste mundo que, dela, tem extrema necessidade. As raízes do movimento na Indonésia Em Yogyakarta, Margaret e Jesús também foram recebidos pela comunidade dos Focolares com a tradicional dança de boas-vindas. O encontro foi como que um passeio na riquíssima cultura e tradições javanesas e uma oportunidade para conhecer as raízes e o desenvolvimento do Movimento na Indonésia, onde, depois de várias viagens das Filipinas desde o final dos anos 1980, o focolare chegou em 2004, em Medan. Contudo, ninguém jamais esquecerá do ano 2006, do terrível terremoto que provocou milhares de mortes, com epicentro na ilha de Java, na região de Yogyakarta, onde hoje se encontra o focolare. Bapak Totok, um dos animadores da comunidade local, conta como o Movimento dos Focolares, com a população local, arregaçaram as mangas para ajudar a construir 22 “Pendopo” (centros comunitários, em 22 povoados) e um projeto social. Eles foram um sinal de paz e unidade, mesmo entre pessoas de diferentes credos religiosos. Universidade Islâmica Sunan Kalijaga: em diálogo para promover a fraternidade Yogyakarta, 22 de maio de 2023 – Com 20.000 alunos, a Universidade Sunan Kalijaga é um importante centro acadêmico nacional de estudos islâmicos e, desde 2005, conta também com um Centro Cultural para o Diálogo Inter-religioso. Diante de 160 estudantes, docentes e membros da comunidade local do Movimento dos Focolares, Margaret Karram, com Rita Moussallem e Antonio Salimbeni, participaram do seminário “Em diálogo para promover a fraternidade”. Um tema que repercute aqui de modo muito especial, pois o diálogo “ultrapassa” as salas de aula das universidades ou os fóruns de estudo, pois ao mesmo tempo é o desafio e o fundamento da sociedade indonésia. A presença dos líderes do Movimento dos Focolares é importante”, explica a professora Inayah Rohmaniyah, “porque nos permite dar um passo a mais: não apenas olhar para a Indonésia, mas nos tornarmos juntos construtores de um mundo renovado pelos valores da fraternidade que estamos vivendo, aqui, hoje”. As perguntas dos alunos se concentraram na estratégia do diálogo para integrar as diversidades culturais e religiosas, inclusive em situações de conflito social. “Às vezes falamos muito sobre as dificuldades e pouco sobre as riquezas que essas diversidades trazem em si”, responde Antonio Salimbeni. “Antes de tudo, somos seres humanos, irmãos e irmãs, por isso é importante estar abertos, entender a religião do outro a partir de sua perspectiva; tentar pensar como pensa um muçulmano, como pensa um hindu, ver o mundo como o outro o vê. A viagem termina, mas se abre um mundo 45 dias de viagem, 5 países visitados, vários milhares de pessoas encontradas – 1.500 só na última etapa na Indonésia. Depois de ter conhecido povos e culturas muito diferentes, de ter visto os desafios, mas também a vitalidade da Igreja em países onde o cristianismo é minoritário, de ter visto o diálogo entre pessoas de religiões diferentes que acontece diariamente e que é capaz de dar respostas concretas aos problemas sociais e econômicos dos povos; de ter compartilhado a vida das comunidades dos Focolares nessa parte do mundo, chega ao fim a primeira viagem oficial de Margaret Karram e Jesús Morán à Ásia e Oceania. Não é fácil fazer um balanço imediato, mas a pergunta é oportuna. Margaret compartilhou algumas impressões das últimas reuniões públicas: “Sinto fortemente que Deus está pedindo ao Movimento, na Ásia em particular, mas também em todo o mundo, para dar um passo importante. O diálogo deve se tornar o nosso estilo de vida, o nosso modo de agir em todos os momentos. Não podemos continuar a agir como antes, olhando apenas para o nosso Movimento e realizando nossas atividades. Chegou a hora de sairmos, de trabalharmos com outras organizações, com pessoas de diferentes religiões, como já fazemos aqui. Então, corramos, não há tempo a perder! Essa viagem me confirmou, mais uma vez, que a unidade e a paz no mundo são possíveis. Às vezes, olhando para o mundo atual, com as guerras e injustiças, eu duvidei. Mas em todos os países que visitamos, encontrei muitas pessoas comprometidas com na construção de uma sociedade diferente, na construção de pontes, mesmo com grande sacrifício. Foram elas que me deram a certeza de que juntos podemos fazer a diferença e dar nossa contribuição”.

Stefania Tanesini

Emergência devido às enchentes: notícias da Emilia-Romagna

Emergência devido às enchentes: notícias da Emilia-Romagna

A onda de tempo ruim que chegou à Itália nas últimas semanas atingiu especificamente as regiões da Emilia-Romagna e Le Marche. Muitas pessoas continuam trabalhando na lama em apoio a comunidades inteiras que foram evacuadas e, devido às inundações, perderam tudo, como nos contam as notícias vindas da Emilia-Romagna. Começou também uma arrecadação de fundos organizada pela Coordenação de Emergências do Movimento dos Focolares. Uma emergência climática atingiu nas últimas semanas a Emilia-Romagna e Marche, duas regiões do Centro-Norte da Itália. Uma catástrofe que, até agora, soma 15 vítimas, cerca de 23.000 pessoas evacuadas e diversas cidades submersas devido ao transbordamento de vários rios. Os danos às casas, móveis e carros foram imensos, assim como aos trabalhos, pecuária e agricultura. Na Emilia-Romagna, o local mais atingido até agora foi Faenza que, em uma noite, ficou quase completamente sob a água devido ao rompimento das barreiras de diversos rios. “Muitas famílias foram evacuadas”, contam as comunidades do Movimento dos Focolares da região, “em particular uma família com três crianças, que foi salva quando a água já tinha chegado no primeiro andar da casa deles. No dia seguinte, essa mesma família, apesar de ter perdido tudo, pôde colocar à disposição o restaurante deles, atividade familiar, aonde conseguiram chegar com os meios da proteção civil, e preparar um almoço quente para centenas de pessoas que foram evacuadas”. Uma assistente social de Faenza, membro do Movimento dos Focolares, conta: “há alguns dias, à noite, estive no município, na sede do Centro Operacional para a emergência. Foi uma experiência muito difícil emocionalmente falando. Quando penso nisso, me dá vontade de chorar (…). Peço a Jesus a força para conseguir fazer o que é melhor para cada pessoa”. Em outro local, Cesena, o rio Savio transbordou e as casas próximas a ele foram inundadas. Graças a uma trégua da chuva, os primeiros voluntários começaram a trabalhar onde era possível. Na cidade de Cesenatico, a situação ficou problemática. O mar invadiu as praias, os estabelecimentos balneários e as ruas. Já nos arredores de Bolonha, há muitas cidadezinhas alagadas, as pessoas foram todas evacuadas. Uma ponte caiu e desviou completamente para dentro o leito do rio e quem está lá afirma que “precisarão de tempo e com certeza de ajuda”. “A água não está sendo absorvida pela terra”, contam as pessoas dessas áreas, “a chuva continua e se move como uma onda, chegando, de acordo com os níveis dos terrenos, de modo imprevisível”. Também no sul da Romagna, entre Ravenna e Rimini, a situação é ruim, assim como em Russi e Lugo. Outros membros do Movimento dos Focolares nos contam: “nós, em Bagnara di Romagna, tivemos 20 cm de água no andar térreo, a garagem e o porão estão alagados. Mas estamos bem”. Uma catástrofe que, apesar das enormes dificuldades a serem enfrentadas, não freou o desejo de muitas pessoas de agir concretamente para reconstruir. “O mais bonito”, dizem, “é que uma das coisas a se administrar são as inúmeras disponibilizações de ajuda que recebemos. Muitos oferecem casas e hospedagens e estamos ativando uma equipe que cuidará das demandas e numerosas ofertas. A Comunidade Islâmica local, em contato com o Movimento dos Focolares, se disponibilizou a acolher ou levar para frente ações conjuntas”. Também continua a arrecadação de fundos iniciada pela Coordenação de Emergências do Movimento dos Focolares em apoio à população da Emilia-Romagna e Marche, por meio das organizações Ação por um Mundo Unido (AMU) e Ação por Famílias Novas (AFN). As contribuições serão gerenciadas conjuntamente pela AMU e AFN para começar ações de reconstrução. É possível doar online nos sites: AMU:Errore. Riferimento a collegamento ipertestuale non valido. AFN: www.afnonlus.org/dona/ Ou por meio de depósito bancário nas seguinte contas-correntes: Azione per un Mondo Unito ONLUS (AMU) IBAN: IT 58 S 05018 03200 000011204344 no Banco Popolare Etica Código SWIFT/BIC: ETICIT22XXX Azione per Famiglie Nuove ONLUS (AFN) IBAN: IT 92 J 05018 03200 000016978561 no Banco Popolare Etica Código SWIFT/BIC: ETICIT22XXX Finalidade: Emergenza Emilia-Romagna e Marche Para tais doações estão previstos benefícios fiscais em muitos países da União Europeia e em outros países do mundo, segundo as diversas normas locais. Os contribuintes italianos poderão obter deduções dos rendimentos, segundo as normas previstas para as Organizações sem fins lucrativ

Benedetti dubbi: um podcast para explorar as nossas perguntas

Benedetti dubbi: um podcast para explorar as nossas perguntas

No dia 23 de maio de 2023 será lançado o primeiro episódio de “Benedetti dubbi” (“Benditas dúvidas”, em tradução livre), o novo podcast dos jovens do Movimento dos Focolares. Descobrimos com os idealizadores do projeto, Tommaso Bertolasi e Laura Salerno, como as dúvidas podem ser uma “bênção” para conhecer melhor a nós mesmos e aos outros. A que somos chamados? Qual é o melhor caminho a seguir diante de uma das tantas bifurcações que a vida nos coloca? Conhecemos a nós mesmos e, sobretudo, onde esconderam o antídoto contra os nossos medos? Essas perguntas que surgem no nosso cotidiano são as protagonistas de “Benedetti dubbi”, o novo podcast pensado para os jovens e pelos jovens, que será lançado no dia 23 de maio em italiano. Para saber mais, pensamos em entrevistar os idealizadores desse projeto e amigos de longa data Tommaso Bertolasi, pesquisador de filosofia no Instituto Universitário Sophia (Loppiano, Florença), e Laura Salerno, jovem do Movimento dos Focolares, estudante de letras e escritora. Laura, como se iniciou este percurso? Tudo começou em 2018. Tanto eu como Tommaso estávamos na Argentina e nos encontramos em um congresso para jovens do Movimento dos Focolares. Ele, como filósofo, havia sido chamado para falar sobre liberdade. Eu o escutei e gostei muito. No decorrer dos anos, Tommaso continuou a dialogar com e para os jovens, tanto que decidiu reunir alguns conteúdos em um livro intitulado “L’ultima ora della notte” (“A última hora da noite”, em tradução livre), que será lançado pela editora Città Nuova em agosto de 2023. E dali surgiu a ideia: “Mas se vai sair um livro, por que não fazer também um podcast que trate dos mesmos assuntos?”. E assim, há alguns meses, ele me telefonou e veio com a proposta de ajudá-lo a dar vida a este projeto. Tommaso, por que um podcast? Às vezes, as ideias são como um coquetel: surgem da mistura de várias coisas. E foi assim com “Benedetti dubbi”. A um certo ponto, me vi com um material variado nas mãos, a maior parte preparado com os jovens, para encontros, laboratórios e diálogos. Então, surgiu a ideia de não limitar a um espaço temas tão importantes como liberdade, escolhas, fragilidade, vocação, mas poder oferecê-los a todos. E me parecia que poderíamos explorar também outras linguagens e outros meios e assim surgiu o podcast. Eu tinha o desejo de criar um formato mais adaptado aos jovens que têm mais dificuldade em ler hoje em dia; ou leem depois que são convencidos de que vale a pena. Um elemento a mais neste trabalho foi dado pela JMJ, que ditou um pouco o prazo desta operação. Achei que seria legal que pudesse surgir uma proposta do Movimento dos Focolares para quem está se preparando para ir a Lisboa. Será lançado um episódio por semana, por seis semanas, nas principais plataformas de podcast (Spotify, Apple Podcast, Google Podcast). Laura, o posdcast é voltado para qual faixa etária? Pensamos em um público-alvo de 18 a 30 anos e, por isso, os temas principais são as perguntas, fragilidades, liberdade, relacionamentos, a busca pelo próprio lugar no mundo. Tudo isso buscando ver a dúvida como uma coisa positiva, como um trampolim para viver mais profundamente e com mais consciência o que acontece na nossa vida. Tommaso, como vocês estabeleceram os temas a serem abordados em cada episódio? A minha ideia inicial era replicar o conteúdo do livro, fazendo uma paráfrase. Porém, trabalhando com a Laura, percebi que as perguntas dela levavam a uma conversa sobre outros territórios, que os jovens em quem ela pensava eram seus colegas universitários que não necessariamente têm uma determinada crença religiosa. Entendi que a Laura tinha perguntas profundas que, em parte, eram suas, em parte, espelhavam seu círculo: era dessas perguntas que precisávamos partir para construir um discurso a ser feito a jovens adultos. Para você, Laura, qual foi o episódio mais complicado? Acho que o episódio mais complicado foi o primeiro. Nós dois estávamos um pouco emocionados, e tínhamos que introduzir o podcast, fazer as pessoas entenderem por que achamos que é tão importante se questionar, porém sem viver na ansiedade e na paranoia. Uma curiosidade é que, quando gravamos os primeiros episódios, eu estava muito resfriada e tinha tido febre poucos dias antes. Tudo sempre acontece justamente nesses momentos! Mas conseguimos, também graças ao supertime que nos apoiou durante as gravações. Tommaso, qual foi a sua experiência pessoal ao realizar esse percurso? Aprendi muito com todas as pessoas de competências diversas que trabalharam neste projeto. Realmente fazer o “Benedetti dubbi” foi uma operação coletiva. Para ficar por dentro também de outros projetos que já programamos, fiquem de olhos nos canais do Movimento dos Focolares. E esperamos o feedback de vocês depois de escutar o podcast no box do Spotify, nas nossas redes sociais (@Y4UW e Movimento_dei_focolari) ou por email (ufficio.comunicazione@focolare.org).

Maria Grazia Berretta