14 Jul 2017 | Sem categoria
No dia 12 de julho passado, os bispos venezuelanos dirigiram uma “mensagem urgente aos católicos e às pessoas de boa vontade”. Eles pedem ao Governo “que retire a proposta de uma Assembleia Constituinte, que torne possível a realização das eleições estabelecidas na Constituição” e que “reconheça a autonomia dos Poderes públicos, abandonando a repressão desumana daqueles que manifestam um dissenso, que desmantele os grupos armados” e que liberte “as pessoas que foram desprovidas da liberdade por razões políticas”. E ainda, que se comprometa “a resolver os gravíssimos problemas do povo e que permita a abertura de um canal humanitário para que possam chegar medicamentos e alimentos aos mais necessitados”. Às Forças Armadas Nacional, pedem que “cumpra o próprio dever de serviço ao povo no respeito e garantia da ordem constitucional”. Aos dirigentes políticos, os bispos exigem que se comprometam “somente pelo povo e nunca pelos próprios interesses”, respeitando “a vontade democrática do povo venezuelano”. Às instituições educativas e culturais, pedem que colaborem para “fazer com que desmoronem os muros que dividem o país”, encorajando “todo esforço em favor da paz e da convivência, baseados na lei do amor fraterno”. A mensagem se conclui com um convite dirigido “aos nossos irmãos na fé e a outros que creem, a um Dia de Oração e Jejum, no próximo dia 21 de julho, para pedir a Deus que abençoe os esforços feitos pelos venezuelanos em favor da liberdade, da justiça e da paz”.
11 Jul 2017 | Sem categoria
Depois do interesse suscitado pelo “Dia dos Cinco Bilhões”, celebrado em 11 de julho de 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu levar adiante a iniciativa, a fim de aumentar a consciência sobre questões ligadas a este assunto, incluindo as conexões com o ambiente e o desenvolvimento. O Dia Mundial da População foi celebrado pela primeira vez em 11 de julho de 1990, em mais de 90 países.
8 Jul 2017 | Sem categoria
Eu te encontrei em tantos lugares, Senhor! Senti teu palpitar no silêncio altíssimo de uma igrejinha alpina, na penumbra do sacrário de uma catedral vazia, no respiro unânime de uma multidão, que te ama, e enche as arcadas de tua igreja de cantos e de amor. Eu te encontrei na alegria. Falei contigo além do firmamento estrelado, enquanto, à noite, em silêncio, voltava do trabalho para casa. Procuro-te e tantas vezes te encontro. Mas, onde sempre te encontro é na dor. A dor, uma dor qualquer, é como o toque da campainha que chama esposa de Deus à oração. Quando surge a sombra da cruz, a alma se recolhe no sacrário do seu íntimo e, olvidando o tilintar da campainha, te “vê” e contigo fala. És Tu que me vens visitar. Sou eu que te respondo: “Eis-me aqui, Senhor, eu te quero, eu te quis”. E, neste encontro, minha alma não sente a própria dor, mas fica como inebriada pelo teu amor, repleta de ti, impregnada de ti; eu em ti, Tu em mim, para que sejamos um. Depois, reabro os olhos para a vida, para a vida mais verdadeira, divinamente aguerrida, para conduzir a tua batalha. De Chiara Lubich, Ideal e Luz, Brasiliense–Cidade Nova, São Paulo 2003, pp 134-135
6 Jul 2017 | Sem categoria
«No dia 25 de março comemoraram-se os 60 anos dos Tratados de Roma, que fizeram nascer concretamente aquela “comunidade de povos” de que Robert Schuman já tinha total visão. No dia 7 de maio de 1950, de fato, ele propôs a Adenauer “uma solidariedade na produção” do carvão e do aço, que inviabilizasse qualquer forma de guerra entre a França, a Alemanha e os outros Países que aderissem a essa ideia. Um ato extraordinário para reconciliar povos prostrados pelo mais terrível conflito até hoje experimentado. A Europa estava devastada com mais de 35 milhões de mortos, não só ruínas, mas também destruição social, política, moral. Sem leis, sem ordem pública, sem serviços… Naqueles dias tremendos já teria sido muito proteger as fronteiras e vigiar os acordos de paz. Como seria possível imaginar curar tão profundamente essas feridas a ponto de fazer de muitos povos contrapostos um só povo europeu? Quem inspirava Schuman, Adenauer, De Gasperi e outros ainda? Queremos pensar que quem suscitou as ideias e deu a força para a Europa foi Deus. Deus que testemunhou o seu amor pelos homens até morrer por eles de um modo atroz e infamante, que o identificou com todas as dores da humanidade, inclusive as derivantes da violência e das guerras. Deus que também hoje pode solicitar os povos a se reconciliarem, tornando-se uma única família universal. Os fundadores da Europa fizeram a experiência. Não se deixaram esmagar pelo absurdo do mal, da desumanidade das ditaduras, do conflito, do holocausto… Dizia Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares, a respeito da cultura que nasce de uma profunda reconciliação: “…cada pessoa pode contribuir a seu modo em todos os campos: na ciência, na arte, na política, nas comunicações e assim por diante. E maior será a sua eficácia, se trabalhar junto com outras pessoas em nome de Cristo. É a Encarnação que continua, encarnação completa que se refere a todos os membros do Corpo místico de Cristo. Nasceu assim e se difundiu no mundo, aquilo que poderíamos chamar ‘cultura da Ressurreição’: cultura do Ressuscitado, do Homem novo e, nele, da humanidade nova”. E se esta foi de certo modo a aventura dos fundadores da Europa, podemos – e gostaria de dizer: devemos – aspirar continuar a obra deles. Todos somos chamados a isso. A unidade dos povos da Europa é um percurso ao mesmo tempo educativo, cultural, espiritual, e também político, econômico, social, comunicativo. Eis, então, ulteriores passos: em primeiro lugar nós, cristãos, não só devemos nos reconciliar mas também caminhar juntos, dando testemunho. Esse caminho conduziu a recentes encontros históricos: em Lund, na Suécia, em Lesbos, na Grécia; em Cuba. Cabe a todos nós a missão de contribuir para a realização da plena e visível comunhão, sabendo quanto isso será determinante para a unidade da Europa e para servir melhor a humanidade.
Queremos alargar o olhar para toda a Europa – do Atlântico aos Urais – e isso significa reconhecimento recíproco dos valores e espaços de colaboração entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. As guerras, os regimes totalitários, as injustiças, deixaram feridas abertas. Para sermos realmente construtores da unidade europeia, devemos reconhecer que o que somos é fruto de um evento comum e de um destino europeu que devemos aferrar inteiramente com as nossas mãos. Se uma consequência fosse renovar as relações entre a União europeia e os Países europeus que a ela ainda não aderem, esse seria um importante passo para a paz, de modo especial no Oriente Médio. Na Europa existe também uma forte necessidade de que os cidadãos participem da vida das cidades e de todo o continente. Em outras palavras é preciso regenerar a democracia, que nasceu na Europa, mas que hoje demanda uma nova dimensão, mais efetiva, mais densa, mais adequada a este século. E ainda: num contexto europeu multicultural e multirreligioso a capacidade de diálogo é muito necessária. Diálogo que pode se basear na “Regra de ouro”, que afirma: “Faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você” (Cf Lc 6,31); regra comum a todas as principais religiões da Terra e acolhida de bom grado também por quem não tem um referencial religioso. Seria preciso rever e aplicar, também em nível institucional, o lema escolhido pela União Europeia “unidade e diversidade”. Seria um dom também para os povos que em outros continentes procuram caminhos para se unirem. Na visão dos fundadores a Europa nunca foi imaginada fechada em si mesma, mas aberta para a unidade da família humana. E é significativo reafirmá-lo aqui em Malta, o Estado europeu mais ao sul, imerso, devido à alimentação e língua e sobretudo por vocação, no Mediterrâneo, que de sepultura azul deve voltar a ser “Mare nostrum”: de uma Europa, de uma África e de um Oriente Médio unidos. As numerosas crises internacionais em curso nos dão a nítida percepção de quanto é longa a estrada para chegarmos ali realmente. Chiara Lubich também disse: “É preciso um estudo paciente, sabedoria, sobretudo não se esquecer de que existe Alguém que acompanha a nossa história e deseja – se colaborarmos com a nossa boa vontade – atuar os Seus desígnios de amor no nosso continente e em todo o planeta”. Podemos concluir que, por um objetivo tão sublime, certamente vale a pena despender toda a nossa existência. Que também este Fórum contribua para construir aquela “Europa, família de povos” que, segundo o papa Francisco, é “capaz de gerar um novo humanismo, com três capacidades fundamentais: a capacidade de integrar, a capacidade de dialogar e a capacidade de gerar”». Maria Voce Malta, St John’s Cathedral, 7 de maio de 2017
1 Jul 2017 | Sem categoria
«Contemplando a imensidão do universo, a extraordinária beleza da natureza, a sua potência, pensei espontaneamente no Criador de tudo e compreendi numa forma nova a imensidão de Deus. Esta impressão foi tão forte, tão nova que num ímpeto me ajoelharia para adorar, para louvar, para glorificar a Deus. Senti a necessidade de fazê-lo, como se essa fosse a minha vocação atual. E, como que se meus olhos se abrissem agora, compreendi como nunca quem é Aquele a quem escolhemos por Ideal, ou melhor, Aquele que nos escolheu. Eu o descobri tão grande, tão imenso, a ponto de me parecer impossível que Ele tivesse pensado em nós. Esta impressão da sua grandeza permaneceu em meu coração por alguns dias. Dizer agora «santificado seja o vosso nome…» ou «Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo» é muito diferente para mim: é uma necessidade do coração». (Rocca di Papa, 22.1.87) «[…] contemplar, quem sabe, uma extensão de mar sem fim, uma cadeia de montanhas altíssimas, uma geleira imponente ou uma abóbada do céu pontilhado de estrelas… Que imponência! Que imensidão! E, através do esplendor ofuscante da natureza, nos voltássemos para aquele que é o seu autor: Deus, o Rei do universo, o Senhor das galáxias, o Infinito. […] Deus está presente em toda parte: nos reflexos de um riacho, no desabrochar de uma flor, num alvorecer luminoso, num rubro ocaso, num pico de montanha coberto de neve… Nas nossas metrópoles de concreto, construídas pela mão do homem, em meio ao barulho do mundo onde raramente a natureza pôde se salvar. No entanto, se quisermos, basta um pedacinho de céu azul percebido entre os arranha-céus, para nos recordar Deus, basta um raio de sol, que não deixa de penetrar nem mesmo entre as grades de uma prisão. Basta uma flor, um prado, o semblante de uma criança… […] Isto nos ajudará a voltar revigorados para o convívio humano, onde é o nosso lugar, revigorados, assim como, certamente, era Jesus quando, após ter rezado ao Pai a noite inteira sobre o monte, sob o céu estrelado, retornava em meio aos homens para realizar o bem». (Mollens, 22.9.88) De Chiara Lubich – “Buscar as coisas do alto” – Cidade Nova, São Paulo,1993 pág. 11 e 115