Movimento dos Focolares

Telecomunicações e sociedade da informação

Desde 2005, todos os anos, no dia 17 de maio celebra-se o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, instituído pela União Internacional para as Telecomunicações (Uit), agência das Nações Unidas. O objetivo é valorizar a contribuição que instrumentos como a internet e as tecnologias da informação podem dar à sociedade, à economia e ao progresso da humanidade. Precisamente por se tratar de instrumentos, enriquecer a sociedade global depende do uso que se faz de seu potencial.

A vivência do Evangelho: experimentar para crer

A vivência do Evangelho: experimentar para crer

 Carmen_Catarino_b“Há questões muito difíceis, como a morte, o porquê das guerras, a violência, as separações, a discrepância entre ricos e pobres …  Muitas vezes eu falo com os amigos da faculdade –  estudo línguas e literatura na Universidade do Porto, no norte de Portugal -, mas ninguém consegue tirar de mim essas inquietações. Um dia alguém me fala sobre o Evangelho e me propõe de vivê-lo.  Eu não posso acreditar e me oponho, eu conheço muitas pessoas que se dizem cristãs, assim como eu, mas depois de dois mil anos as coisas são sempre as mesmas. Mas finalmente encontro alguém que se dispõe a me ouvir, e por um bom tempo posso desabafar as minhas dúvidas e preconceitos. Quando chega a hora de nos despedirmos, a essa pessoa fica o espaço para uma única palavra: “tente”. Na minha cidade, em Porto, eu moro em um apartamento com outras meninas. Naquele dia eu era a única que ficava em casa porque tinha que estudar para uma prova.  Uma senhora pobre bate na porta. O primeiro impulso é atendê-la rapidamente, mas aquela palavrinha “tente” não sai da minha cabeça, me desafiando a experimentá-la. Em casa não tinha muita coisa, mas finalmente encontro algo que poderia ser útil àquela senhora. Depois de algum tempo minha mãe me telefona: está na cidade para um check-up médico e quer garantir que eu esteja em casa,  porque trouxe uma cesta de frutas e carnes para nós. Meu coração está cheio de alegria, não tanto pelas coisas boas que ela nos trouxe e que nos alimentaria durante toda a semana, mas porque é a confirmação de que o Evangelho é verdadeiro. O pouco que eu tinha acabado de dar àquela senhora retorna a mim centuplicado, segundo a promessa “Dai e vos será dado”. Desta maneira, tem início um novo relacionamento com Jesus, que se consolida cada vez que eu tento reconhecer o seu semblante em cada pessoa que me passa ao lado. No meu aniversário, recebi um par de luvas de pele. Estava esperando já há algum tempo esse presente, porque o inverno aqui é muito frio. No ônibus eu vejo uma senhora tremendo de frio. E se eu der as minhas luvas? Foi pensar e agir. Desta vez eu quero ser mais rápida nesse jogo de amor, porque com aquele presente de aniversário Jesus já tinha me dado o cêntuplo, e eu ofereço as minhas luvas para ela que necessita mais do que eu. Estou indo para a aula quando uma senhora, com um bebê chorando em seus braços, me pede ajuda. Não quero me atrasar, tentando dar desculpas a mim mesma. Mas recordo aquela frase: “como eu posso dizer que amo a Deus que não vejo, se não amo o irmão que vejo?” (Jo 1:20). Eu olho para o relógio e tenho que lutar contra o pensamento de fugir, mas depois eu me interesso pela sua situação. Ela me conta que tinha deixado um filho no hospital, que está muito doente e que vive com o marido e oito filhos em dois cômodos muito pequenos. Naquele momento, não é que podia fazer muita coisa, mas prometi que eu ia visitá-la. No mesmo dia eu falei com outros jovens e famílias da comunidade do Movimento dos Focolares que comecei a conhecer, e cada um se oferece para ajudar no que pode. Juntos, arrecadamos as primeiras necessidades básicas (alimentos, roupas, coisas para a casa) e nos colocamos a disposição para fazer os turnos com as crianças para ajudá-las com a lição de casa e levá-las para brincar, enquanto a mãe pode dedicar-se ao outro filho no hospital. Ao mesmo tempo, nos organizamos para apresentar essa situação à Prefeitura, pedindo uma ajuda para encontrar uma moradia digna. Algumas semanas se passam, mas finalmente chega o tão esperado caminhão do Município para fazer a mudança para um bairro popular. Fui escolhida para levar o menor dos filhos para a nova casa. Jamais esquecerei aquele trajeto de ônibus, com aquele bebê nos meus braços que dorme sereno, sem saber da mudança que sinto dentro de mim desde quando comecei a viver o Evangelho. Os grandes interrogativos, mesmo que ainda existam, não permanecem mais sem uma resposta: sei que dando o primeiro passo, não só é possível envolver outras pessoas a amar, mas se pode realmente influenciar a sociedade “.      

Marco Tecilla: o primeiro focolarino

Marco Tecilla: o primeiro focolarino

MarcoTecillaÉ o final de 1945, em Trento (norte da Itália), logo após o final da guerra. Marco tem 19 anos e atravessa uma profunda crise espiritual. Um religioso, seu amigo, o convida a um encontro. Uma jovem, pouco mais velha do que ele, «falava de Deus com um fervor e uma convicção que não deixavam dúvidas», dirá mais tarde. Aquela jovem é Chiara Lubich, cercada por um grupo de moças que, como ela, escolheram Deus como ideal de suas vidas. Em breve tempo Marco se torna o primeiro rapaz a segui-la: o primeiro focolarino. A família Tecilla é simples: o pai é padeiro, a mãe, enfermeira, uma irmã e três irmãos. Com a crise de 1929 o pai perde o trabalho. «Lembro que nos meses do frio ele se cobria com uma capa – conta Marco – e eu o acompanhava de uma padaria a outra, aonde batia para pedir trabalho ou um pedaço de pão para matar a nossa fome. Só mais tarde descobri que, enquanto com uma mão segurava a minha, com a outra passava as contas do terço». Não obstante as carências materiais, a sua infância é serena e alegre. Aos 14 anos, terminada a escola profissional, começa a trabalhar como aprendiz em uma firma comercial. Em janeiro de 1943 seu pai morre. Explode a guerra e começam os bombardeios em Trento. A família Tecilla refugia-se nas montanhas. Marco evita o chamado às armas fazendo um serviço civil. Neste período começa a trabalhar como operário, na ferrovia Trento-Malè. Sua irmã, Maria, começa a frequentar assiduamente retiros espirituais e procura roupas para os pobres. A família, e também Marco, julga este comportamento “exagerado”, até que chega para ele o convite do amigo religioso e o seu encontro com Deus Amor. MarcoMarco_primi-tempi_3Do momento em que conhece Chiara e o primeiro grupo de moças, ele vai muitas vezes à “casinha” da Praça dos Capuchinhos, onde moram, para fazer pequenos consertos. É atraído pela atmosfera sobrenatural que lá se respira. «Uma tarde – recorda – precisei fazer um trabalho mais demorado do que o habitual. Chiara estava costurando, sentada ao lado da mesa. De repente ela se dirigiu a mim e disse: “Se Jesus viesse hoje seria Jesus as 24 horas do dia, Jesus que trabalha, reza, come, repousa… hoje seria um Jesus eletrotécnico, como você…”». Marco fica muito tocado por «esta nova visão cristã. Via abrir-se diante de mim um horizonte novo, cheio de luz. Quando saí da “casinha” o céu estava constelado de estrelas. Para mim começava uma vida nova, devia virar a página e abandonar-me nos braços daquele Deus que se havia manifestado a mim como AMOR». Marco sente que Jesus o interpela: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, depois vem e segue-me. Seguir Jesus, eis o meu caminho». Na noite do dia 27 de novembro de 1948 nasce o primeiro focolare masculino, com Lívio, que, entretanto havia entrado no grupo. Naquele momento Marco não sabia que, nos anos seguintes, mudaria de casa 30 vezes! Com efeito, o Movimento nascente estende-se rapidamente no mundo todo, e Marco se transfere a muitas cidades da Itália… em 1953 a Innsbruck, na Alemanha; em 1958 ao Uruguai, Argentina, Brasil e Chile; em 1960 a Trieste (Itália) e depois para além da “Cortina de ferro”, em Zagreb, na atual Croácia. Em 22 de novembro de 1964 é ordenado sacerdote e parte novamente para o Brasil até 1967, depois retorna ainda, até 1971. Vai para o sul da Itália e depois para Milão, Pádua e, finalmente, para a sua Trento, retornando depois de 31 anos. Lá encontra o terreno para o nascente Centro Mariápolis de Cadine e participa do projeto que Chiara Lubich lança em 2001: Trento Ardente. No final daquele ano Chiara o chama para o Centro do Movimento, em Rocca di Papa (Roma), onde ficará os últimos anos de sua vida. Marco20-VGGCH-20010601-Marco_016«Era irrefreável a sua alegria quando ia a Loppiano dar aulas de espiritualidade aos membros de todas as escolas – recorda Redi Maghenzani, que viveu 20 anos com ele -, com uma atenção especial às novas gerações de focolarinos e focolarinas. Deixa-nos um rastro de luz que não se apaga». «Marco semeou amor em muitas partes do mundo – lembra Armando Droghetti, focolarino que o acompanhou nos últimos anos -, aquele amor que fez nascer a unidade entre pessoas de todas as condições sociais e culturais, como testemunhavam as inúmeras pessoas que iam visitá-lo nestes meses, especialmente desde quando, um ano atrás, pequenos derrames provocaram sequelas de vários tipos. Mas, enquanto em Marco tudo declina (as cordas vocais são cada vez mais fracas e as pernas parecem bloqueadas), esta situação leva todos nós, com Marco na frente, a um suplemento de amor mútuo. Com esta base, de uma vida espiritual e de unidade sempre mais intensa no focolare, também a inesperada crise do dia 8 de maio não encontrou Marco, e também nós, despreparados. Num breve momento em que estava melhor disse, com segurança: “Eu devo apenas ser purificado”. Recebe o médico com o seu olhar luminoso, que o envolve de amor. E essa é também a impressão de muitas pessoas que foram dar-lhe uma última saudação. Diziam que, além do sentimento de orfandade, que experimentavam com a sua partida, era mais forte a realidade para a qual Marco os havia preparado, dizendo sempre que ele era nada e que Deus é tudo, e que só Nele nós vivemos». Maria Voce, presidente dos Focolares, entre outras coisas salientou que «Marco deixa em todos nós a marca do radicalismo dos primeiros tempos do Movimento, com a sua fortaleza e fé no carisma da unidade, e com a pureza de sua vida evangélica». Numa entrevista concedida no dia 31 de março de 2008, poucos dias após a morte de Chiara Lubich, Marco afirmou com força: «Até que eu tenha um pouco de fôlego, um pouco de ar, o meu desejo é doar tudo de mim mesmo pelas novas gerações. Tenho certeza de que quem virá depois de nós fará coisas maiores que as nossas, justamente pela riqueza que é transmitida pelo carisma da unidade, que jamais morrerá».

Giordani: Maria, a Mãe

Giordani: Maria, a Mãe

MariaModelloPerfetto_b«Como mãe, Maria foi exemplar. Por esta razão tornou-se e permanece modelo da maternidade. Isso significa que não somente foi digna da divindade do Filho, para quem fez de seu coração um templo, mas foi digna também de toda a humanidade. Tão digna que, se Ele foi não apenas um homem, mas o Homem, na plenitude da perfeição, ela foi não somente mulher, mas a Mulher que viveu em si, unitariamente, a dupla vida, isto é, a vida total, a humana e a divina: toda para Deus e toda para o Filho, e através Dele, toda para a humanidade. Dessa forma, Maria ensinou, e continua ensinando, como se deve viver harmoniosamente a vida do espírito e a da carne, em santidade e castidade, fazendo desta um cofre daquela. A dupla vida inclui acima de tudo as alegrias da divindade – o amor do Esposo, o Espírito Santo – e os sofrimentos da humanidade: privações, maledicências, perseguições e finalmente o assassínio de Jesus na cruz. De Maria, as mães, em particular, e as mulheres em geral, ou melhor, todos os seres racionais, devem aprender esta integralidade, pela qual a existência é plena. Porque, se si transcura o elemento espiritual ou se transcura o elemento material, cai-se em defeito, ou para com a humanidade ou para com a divindade. Maria tomou e harmonizou, na justa gradação hierárquica, assim como o homem-Deus, a dupla realidade: foi virgem e foi mãe; e transformou sempre a dor em amor. Foi a mulher forte, porque Deus estava com ela. Divinamente forte. Segundo seu modelo, formaram-se milhões de criaturas, sobretudo mães, que, com Maria, se fortaleceram em Deus, fazendo-se servas da Sua vontade, não se descontrolando ao simples rumorejar das folhas, como mulheres vazias: vazias do Espírito Santo. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. O lema agradava muito a Madre Cabrini, que seguiu de perto o exemplo da Maria Virgem-mãe, como também o seguiram milhares de mártires e milhões de desconhecidas vítimas da miséria, da perseguição da guerra, da desgraça; homens e mulheres humildes que encerram e fecham seus pesares vigorosamente em seus corações, espelhando-se em Maria, que deste modo foi e permanece sendo fonte de energia, e mãe de um amor mais forte do que a morte. Mãe de Jesus e mãe de todos: mestra São Bernardo ensina-nos que Deus quis que tivéssemos todas as coisas através das mãos de Maria: Maria, mãe das graças e da misericórdia. Dir-se-á: mas é Jesus o mediador das graças. Verdade, porém Jesus é nosso irmão, carne nossa, feito tal por Maria, e recorrer a Ele por Maria é interpor a mãe entre ele, o ofendido, e nós, os ofensores. Inicia-se assim uma corrente pela qual Maria ouve o pecador, Jesus ouve Maria, o Pai ouve Jesus e circula na relação o Espírito Santo, o Amor. Jesus vem a nós por meio de Maria: nós vamos a Jesus pelo mesmo caminho; quase um campo pelo qual a vida passa de Deus aos homens e retorna dos homens a Deus. O cristão faz valer, pelos lábios de Maria, esta sua fraternidade com Cristo, a sua parentela com Deus. – Mater Dei et mater mei – invocava ingenuamente a piedade medieval, dizendo: Mãe de Deus e minha mãe! Pensamento que também Silvio Pellico1 traduziu em versos: Virgem consoladora Esperança dos atribulados, És nossa mãe e, ao mesmo tempo, És mãe do Salvador! Com Maria, portanto, a convivência se faz circuito familiar, onde circula a vida de Deus». De Igino Giordani, Maria, modelo perfeito de vida interior, Ed. Cidade Nova, São Paulo (1988), pp. 57-58, 73 (1) Escritor, poeta e patriota italiano, nascido em 1789 e morto em 1854, conhecido sobretudo como autor de “Le mie prigioni”.