17 Set 2016 | Sem categoria
Encontramos esta anotação no diário pessoal de Giordani: “17 de setembro de 1948. Hoje de manhã, no Montecitório fui chamado por anjos: um capuchinho, um frade menor, um conventual, um terciário e uma terciária franciscana, Silvia Lubig (sic!), a qual está iniciando uma comunidade em Trento. Ela falou como uma santa inspirada pelo Espírito Santo”. Ele mesmo conta o que aconteceu. «Um dia fui solicitado a escutar uma apóstola – como diziam – da unidade. Foi em setembro de 1948. Exibi a cortesia do deputado a possíveis eleitores quando vieram ao Montecitório alguns religiosos, representantes das várias famílias franciscanas e uma jovem e um jovem leigo. Ver unidos e concordes um conventual, um frade menor, um capuchinho e um terciário e uma terciária de são Francisco já me pareceu um milagre da unidade: e disse isso. A jovem falou. Eu tinha certeza de que ouviria uma propagandista sentimental de alguma utopia assistencial. E, ao invés, já nas primeiras palavras percebi algo novo. Quando, após meia hora, ela terminou de falar, eu estava preso numa atmosfera encantada: desejaria que aquela voz continuasse. Era a voz que, sem que eu percebesse, eu esperava. Ela colocava a santidade ao alcance de todos; removia os portões que separam o mundo laical da vida mística. Tornava público os tesouros de um castelo no qual somente poucos eram admitidos. Aproximava Deus: fazia com que o sentíssemos Pai, irmão, amigo, presente na humanidade. Quis aprofundar a coisa: e pondo-me ao corrente da vida do Focolare da unidade – como se chamava – reconheci naquela experiência a atuação do desejo angustiante de são João Crisóstomo: que os leigos vivessem como os monges, com exceção do celibato. Eu tinha cultivado muito esse desejo dentro de mim. Aconteceu que a ideia de Deus cedeu lugar ao amor de Deus, a imagem ideal ao Deus vivo. Em Chiara encontrei não alguém que falava de Deus, mas alguém que falava com Deus: filha que, no amor, conversava com o Pai. Examinando o fato criticamente, via que não tinha descoberto nada de novo. No sistema de vida que estava se abrindo na minha alma eu reencontrava os nomes, as figuras, as doutrinas que tinha amado. Todos os meus estudos, os meus ideais, as próprias vicissitudes da minha vida me pareciam dirigidos para esta meta. Nada de novo e, no entanto, tudo novo: os elementos da minha formação cultural e espiritual vinham se posicionar segundo o desígnio de Deus. Colocavam-se no seu justo lugar. Tudo velho e tudo novo. Tinha sido encontrada a chave do mistério, ou seja, tinha-se dado passo ao amor, demasiadas vezes entrincheirado: e ele irrompia e, como fogo, dilatando-se, crescia até se tornar incêndio. Renascia uma santidade coletivizada, socializada (para usar dois vocábulos que mais tarde serão popularizados pelo Concílio Vaticano II); arrancada do individualismo que habituava cada um a se santificar por si, cultivando meticulosamente, com análises sem fim, a própria alma, antes que perdê-la. Uma piedade, uma vida interior, que saía dos redutos das casas religiosas, de um certo exclusivismo de classes privilegiadas, se dilatava nas praças, nas oficinas e nos escritórios, nas casas e nos campos, assim como nos conventos, pois por toda a parte, encontrando homens, se encontravam candidatos à perfeição. E para viver esta nova vida, para nascer em Deus, eu não devia renunciar às minhas doutrinas: devia apenas colocá-las na chama da caridade, para que se vivificassem. Através do irmão, comecei a viver Deus. A existência se tornou toda uma aventura, conscientemente vivida em união com o Criador, que é a vida. Maria resplandeceu com uma beleza nova; os santos entraram a fazer parte dos familiares; o paraíso se tornou casa comum. Esta a descoberta, esta a experiência. Ela me fez um homem novo».
16 Set 2016 | Sem categoria
Em 2011, Maria Clara, recém-aposentada, transfere-se para as proximidades da penitenciária feminina de Pozzuoli (Nápoles), uma grande estrutura de detenção entre as mais superlotadas da Itália. Impressionada com os gritos de sofrimento que chega das janelas gradeadas, fala com os amigos da comunidade local dos Focolares e 25 deles (jovens, adolescentes, famílias…) decidem responder ao apelo. De acordo com a Caritas diocesana e com outros Movimentos, o grupo emerge-se naquela humanidade sofredora que está atrás das grades. Esta experiência não é fácil, mas leva a afinar, como sinal da misericórdia, cada gesto e palavra, para ser a presença amorosa que aquele mundo espera. Cada um torna-se cada vez mais consciente de que não vai ali para “absolver”, julgar, ou simplesmente para fazer assistencialismo, mas apenas para amar, mirando à reconstrução da pessoa. Talvez tenha sido por este comportamento que rapidamente veem emergir em cada uma das detentas o lado positivo. “Quando sair daqui quero ser uma pessoa nova”, confessa uma delas. Uma outra: “Agora que sei o que quer dizer ser cristã, quero viver segundo o Evangelho respeitando as minhas colegas de cela, mesmo aquelas que tornam a minha vida impossível”. Uma outra ainda: “Entendi que a verdadeira ajuda vem de Jesus Eucaristia e não dos ‘potentes’ da terra”. Este afluir de luz e de graça não se conquista com uma baqueta mágica. É o fruto de uma contínua atenção às necessidades das detentas, ajudando-as a reencontrarem a própria dignidade numa discreta e perseverante formação à vida do Evangelho. Ir com elas à missa dominical, animando-a com cantos, e pôr-se à disposição para reconstruir a capela. Pedir e obter permissão da direção do cárcere de organizar, na Casa família “Mulher Nova” que hospeda mulheres em regime alternativo de detenção, uma série de laboratórios de educação sanitária, cursos de cozinha, yoga, costura, etc. Uma das necessidades das presas – não dita, mas logo revelada – é o cuidado com a imagem pessoal. Foi assim que nasceu a ideia da “Boutique rosa”, um lugar gratuito dentro do cárcere, com as paredes pintadas de cor-de-rosa, com cortinas e prateleiras coloridas em contraste com o cinza das celas. É um ponto onde as presas, muitas vezes abandonadas ou distantes das próprias famílias, semanalmente podem receber produtos para a higiene e o cuidado pessoal, vestiário, roupas íntimas, etc, enfim, tudo o que serve para melhorar o “look” e aumentar a própria autoestima. Ao mesmo tempo, é um ambiente para partilharem as próprias dificuldades com as outras detentas ou com os agentes penitenciários. Sentem-se confortadas no sofrimento por não poderem se ocupar dos filhos em casa, constroem relacionamentos cada vez mais estreitos. Também é uma ocasião para partilharem pequenas e grandes alegrias, como por exemplo a diminuição de uma pena, uma visita inesperada ou as decisões tomadas para recomeçar a vida. Muitas delas são de etnias e culturas diferentes e pertencem a várias igrejas cristãs ou religiões díspares. “Lembro-me de uma senhora ortodoxa – conta Maria Clara – que na semana de oração pela unidade dos cristãos quis participar com um canto-oração. Chorando, disse-me que oferecia o seu imenso sofrimento por causa da detenção pela unidade das igrejas. Depois fomos a Nápoles para conhecer o seu marido e os seus cinco filhos e para levar ajuda a eles. Partilhamos esta experiência com algumas pessoas de outras igrejas cristãs de várias denominações com as quais a diocese abriu um diálogo ecumênico, propondo-lhes para virem ao cárcere para ajudar na “Boutique rosa”. Não esperavam outra coisa! Agora também colaboram conosco quatro irmãs evangélicas. Graças a elas, o relacionamento com as presas de várias igrejas tornou-se mais profundo e, muitas vezes, continua também quando elas saem da prisão”.
15 Set 2016 | Sem categoria
https://youtu.be/8Asjy1-9mxI Após Noi veniamo a te (1972), Dove tu sei (1982), Se siamo uniti (1987) e, junto com o Gen Verde, Come fuoco vivo (1998) e Messa della Concordia (2004), no ano da misericórdia chega um novo trabalho do Gen Rosso: Voz do meu canto, uma coletânea de canções nascidas de uma busca interior tanto musical quanto espiritual. Entramos no álbum através de uma entrevista com Lito Amuchastegui, argentino, durante 20 anos no Gen Rosso. É o compositor da maior parte das canções das quais partiu a ideia para chegar a compor uma Missa completa, que viu em seguida a colaboração de Beni Enderle para algumas músicas e Valério Lode Ciprì para algumas letras, enquanto que na mixagem final trabalhou Emanuel Chirco. Apaixonado por música –começou a cantar em público aos 5 anos de idade – Lito trabalhou no Gen Rosso como técnico de som. Voz do meu canto é a herança que deixa para o grupo, antes de partir para Córdoba (Argentina), sua terra natal. «Escrever uma Missa não é uma brincadeira», declara. «É preciso consciência: você está falando de quem é Deus para você. Diante de cada canção tive que me pôr diante d’Ele e, como num colóquio, lhe perguntar: és Tu realmente a Voz do meu canto? És Tu o meu único bem? Quando existem as cruzes, és Tu o meu Cireneu? Em O Céu está conosco, uma faixa de que eu gosto muito, parti de uma meditação de Chiara Lubich, na qual diz que o Céu se derramou sobre nós, o Céu infinito: “e tu nasceste entre nós e trouxeste o perfume do céu, tu morreste por nós, és puro amor, és amor divino”. Portanto, se trata de um questionamento sobre Deus, não em nível teológico ou histórico, mas sobre quem é Deus para mim. Por isso digo que foi uma busca espiritual». Portanto, Voz do meu canto é sobretudo uma experiência: oração, alegria de se sentir amados por Deus. Mas como nasceu a ideia de uma Missa cantada? «O ponto de partida foi a vontade de fazer música; levei comigo o violão nas férias e escrevi de uma só vez Aqueles que te amam. Depois, a musiquei e compartilhei com quem estava comigo e agradou. A partir daí fui em frente surgiram 11 canções, além de duas que já tínhamos. Por que uma Missa? Vê-se que Deus me falava assim: “quero lhe ajudar para que você me dê mais gloória”. Partiu disso». Que histórias existem por detrás de cada canção? Lito Amuchastegui revela ter colocado dentro das canções um pouco das suas raízes: «Numa canção se fala de Pão da Mãe Terra. A Mãe Terra para nós sul-americanos é muito sentida, vem das tradições indígenas. Além disso, estive no Uruguai, onde conheci o “candombe” que tem traços afro americanos e quis deixar a marca da experiência feita com os músicos uruguaios no Santo: um povo que canta e louva a Deus, um povo da rua, com tambores, como o Rei Davi que cantava e dançava na frente da Arca da Aliança. Ou então, Niña de Nazaré, uma canção que escrevi ainda antes de chegar ao Gen Rosso e nunca tinha conseguido colocar em música. Trabalhando com Beni Henderle, em duas horas ela veio à luz. Para outras, ao invés, foi mais trabalhoso: do Kirie Eleison, por exemplo, fiz 7 versões. Queria comunicar a experiência de que Deus nos ama; também a misericórdia nasce do seu ser Amor. O resto é relativo, mas isto para mim é como uma ideia fixa». O que você aconselharia a quem quiser tocar estas canções? «Aconselharia que não são canções para serem cantadas, mas canções para serem vividas. Faria votos, às pessoas que querem cantá-las num grupo, numa paróquia, num coro, de que possam fazer esta experiência com Deus. De que “entrem” nas canções. Penetrem com a alma, para que possa emergir a interpretação justa». Lista das canções:
- Verso di te
- Kyrie Eleison (Tu sempre accoglierai)
- Gloria
- Loda il Signore anima mia
- Alleluia
- Quelli che amano te
- Santo (Ritmo de Candombe)
- Agnello di Dio
- Il cielo è con noi
- Voce del mio canto
- Come un fiume
- Ave Maria
- Niña di Nazareth (Bonus Track).
Letras e partituras musicais completas estão incluídas no CD Onde adquirir o CD Voce del mio canto
13 Set 2016 | Sem categoria
19-20 de setembro: chegada em Roma. 21 de setembro: audiência com Papa Francisco, no Vaticano. Depois da audiência, visita ao túmulo de São Pedro e dos papas. Visita a alguns lugares sagrados. 22 de setembro: visita turística em Roma. Partida para Loppiano (primeira Mariápolis permanente dos Focolares). 23 de setembro: visita a Loppiano e reunião com os habitantes. 24 de setembro: partida para Trento, cidade natal de Chiara Lubich. 25 de setembro: visita a Trento, reunião com alguns dos seus habitantes e representantes de instituições, com o prefeito e o arcebispo de Trento. 26 de setembro: partida de Trento para Roma. Visita turística a Veneza. Chegada a Castel Gandolfo, à noite. 27 de setembro: visita ao túmulo de Chiara Lubich, intitulada Mafua Ndem (Rainha enviada por Deus) pelos bangwas, no Centro Internacional dos Focolares (Rocca di Papa). Reunião com os membros do Conselho Geral dos Focolares. 28 de setembro: conclusão da peregrinação e partida.

13 Set 2016 | Sem categoria
Os frutos da Palavra “Há anos, com dois amigos, havíamos dito ao novo pároco que queríamos aprofundar a vivência da Palavra de Deus. E assim iniciou um encontro que precedia a liturgia dominical. E, quanto mais nos esforçávamos para viver a Palavra, mais aumentava o número de pessoas que participavam ao encontro. Em poucos meses, éramos um grupo numeroso e, entre os mais assíduos, existia um relacionamento de verdadeira família. E, na paróquia, começou a surgir uma nova atmosfera. Com o passar do tempo, não nos bastava mais somente rezar juntos e o esforço individual para sermos cristãos autênticos: havíamos começado uma caminhada na qual cada um se esforçava para alcançar a meta da santidade junto aos outros. Sentíamos forte a presença de Jesus entre nós e esta presença produzia frutos: além da grande descoberta de um novo aspecto da Igreja, nascia também a exigência de partilhar os bens materiais com os mais necessitados, de sustentar as famílias em dificuldade, os jovens em busca de uma vida interior, as pessoas necessitadas de descobrir o amor de Deus. E isto, não somente no âmbito paroquial”. (Lucio – Itália) O 13º salário “Eu estava no mercado e lembrei-me que os meus pais passavam por dificuldades econômicas e fiz as compras também para eles. No caminho de volta encontrei uma menina que chorava: ela estava com fome e os seus pais – assim ela me disse – não tinham nada para comer. Conversei com o meu marido, Antônio, e decidimos levar a metade das nossas compras mensais àquela família. Depois, um dia, a filha da nossa vizinha nos confidenciou que o pai dela deixara a cidade, em busca de emprego, e não retornou mais. Também eles, uma família com muitos filhos, não tinham comida em casa. Pensei comigo mesma: “Agora basta! Já fizemos a nossa parte!” Mas, quando Antônio me disse que não tínhamos doado ainda o suficiente, mais uma vez, dividimos o que restara da nossa compra mensal. Naquelas alturas, não tínhamos mais dinheiro para as compras, mas, todos os dias, chegou ajuda de alguém. No fim do mês, recebi o dobro do valor do meu salário. Não era um erro: era o 13º, do qual eu havia já esquecido!” (B. P. – Brasil) Tradição com coração novo “No meu país, especialmente nas cidades pequenas, segundo a tradição os homens não ajudam nos trabalhos domésticos. As mulheres, mesmo quando estão doentes, devem continuar essas atividades: elas não se sentem vítimas e nem os homens sentem-se cruéis. Assim acontece também na minha casa. Se a minha mulher estava ocupada e eu estava lendo um livro ou assistindo TV, eu nem pensava em levantar-me e ocupar do nosso filho quando era necessário: era uma tarefa dela. Com a ajuda de amigos cristãos, quando para mim se tornou claro que os outros têm direito ao meu amor, à minha ajuda, compreendi que deveria começar, primeiramente, na minha casa. Um dia minha mulher estava preparando o café da manhã e, deixou este trabalho para cuidar do nosso filho; então, eu preparei a mesa. Ao ver aquilo ela ficou surpresa, mas, não disse nada. Mas, no dia em que, sem a ajuda dela, eu passei o terno antes de ir ao trabalho, foi demais para ela… Então eu falei sobre a beleza de dar o primeiro passo, amar primeiro e fazer aos outros aquilo que se gostaria fosse feito a si. E assim, na nossa família agora existe mais harmonia”. (W. U. H. – Paquistão)
11 Set 2016 | Sem categoria

Ave Cerquetti, ‘Bella Accoglienza’ – Roma, 1961
«Maria é a criatura que foi preparada para gerar na carne o Verbo, a segunda pessoa da Trindade. Devemos entender este atributo de Maria em toda a sua extraordinária densidade, que a faz única entre todas as criaturas. Maria, sendo Mãe de Jesus, é Mãe da única Pessoa humano-divina do Verbo, a quem ela doa a natureza humana, e que a Ele se une por meio de uma união profundíssima e perfeita – “sem divisão” e “sem confusão”, afirma o Concílio de Calcedônia (cf:DS 302) – com aquela divina. Maria é portanto, em sentido próprio e real, Genetriz de Deus (cf. DS 251-252). Com o seu livre consenso ao plano divino, preparado desde toda a eternidade, Deus pôde realizar nela grandes coisas: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Ao mesmo tempo, Maria, porque pensada por Deus como aquela que resume em si toda a criação, abriu à própria criação a possibilidade de gerar Deus. É assim que, com ela e nela, a liberdade do homem atinge a sua verdade e a sua plenitude. Portanto, de Maria, a Mulher, nasceu Jesus, o Homem-Deus. A partir de então, é preciso reinterpretar trinitariamente o dado bíblico relativo ao relacionamento ontológico homem-mulher, que é o fundamento da verdadeira, profunda igualdade e distinção dos dois». Pasquale Foresi, Luce che si incarna, Città Nuova 2014, pp. 178-179