30 Ago 2016 | Sem categoria
O sumário das notícias estará disponível no site do Collegamento CH nos dias que antecedem a transmissão. No mesmo site podem ser acessadas também as edições integrais, e as notícias separadamente, das edições anteriores do Collegamento CH. Video spot
29 Ago 2016 | Sem categoria
«Aquele relógio da torre cívica de Amatrice, que marca 3 horas e 36 minutos, é uma imagem forte para dizer o que aconteceu esta noite. Aquele minuto foi o último para muitas vítimas, será um minuto relembrado para sempre porque marcado na carne e no coração de seus familiares, e será recordado pelo nosso país, cuja história recente é também uma série de relógios parados para sempre, pela violência dos homens ou pela violência da terra. Eu também o recordarei para sempre, porque este grito da terra chegou até a casa dos meus pais, em Roccafluvione, a cerca de vinte quilômetros de Arquata do Toronto, aonde eu os estava visitando. Uma longa noite de medo, sofrimento, pensamentos em Amatrice, Arquata, Acumuli, vilarejos da minha infância, próximas aos povoados dos meus avós, lugares aonde, no verão, eu acompanhava meu pai, que trabalhava como vendedor ambulante de galinhas. E muitos e muitos outros pensamentos, que nunca nos vem, porque surgem somente nas noites tremendas. Pensava que aquele tempo medido até as 3h36 do relógio da torre, que estava lá, parado, morto, era apenas uma dimensão do tempo, aquela que os gregos chamavam kronos, mas que era só a superfície, o chão do tempo. No mundo existe o nosso tempo administrado, domesticado, construído, usado para viver.Mas abaixo existe um outro tempo: é o tempo da terra. Este tempo não-humano, às vezes desumano, comanda o tempo dos homens, das mães, das crianças.
E pensava que não somos nós os patrões desse tempo, mais profundo, abissal, primitivo, que não segue o nosso passo, às vezes é contra os passos de quem caminha sobre ele. E quando, nestas noites terríveis, percebemos aquele tempo diferente sobre o qual nós caminhamos e construímos a nossa casa, nasce uma certeza totalmente nova de ser “erva do campo”, irrigada e nutrida pelo céu, mas também engolida pela terra. A terra, a verdadeira, não a romântica e ingênua das ideologias, é ao mesmo tempo mãe e madrinha. O húmus gera o homo, mas faz também com que volte a ser pó, às vezes bem e no momento propício, outras vezes mal, cedo demais, com demasiado sofrimento. O humanismo bíblico sabe muito bem disso, e por isso lutou muito contra os cultos pagãos dos povos vizinhos, que queriam fazer da terra e da natureza uma divindade: a força da terra sempre fascinou os homens que buscaram compra-la com magia e sacrifícios. E assim, enquanto procurava, inutilmente, conciliar o sono, eu pensava nos tremendos livros de Jó e do Eclesiastes, que talvez possam ser entendidos nessas noites. Aqueles livros nos dizem que nenhum Deus, nem mesmo o verdadeiro, pode controlar a terra, porque até Ele, uma vez que entra na história humana, é vítima da misteriosa liberdade da sua criação. Nem mesmo Deus pode explicar-nos porque as crianças morrem esmagadas por antigas pedras dos nossos vilarejos, e não pode nos explicar porque não sabe, porque se o soubesse seria um ídolo monstruoso. Deus, que hoje olha para a terra dos três As (Arquata, Accumuli, Amatrice), pode apenas colocar-se as nossas mesmas perguntas: pode gritar, calar, chorar conosco. E talvez recordar-nos, com as palavras da Bíblia, que tudo é vaidade das vaidades: tudo é vapor, sopro, vento, nevoa, desprezo, nada, efêmero. Vaidade, em hebraico, escreve-se hebel, a mesma palavra de Abel, o irmão morto por Caim. Tudo é vaidade, tudo é um infinito Abel: o mundo está cheio de vítimas. Isto nós podemos saber. O sabemos, e vezes demais o esquecemos. Estas noites e dias terríveis nos fazem recordar». Luigino Bruni Fonte: Città Nuova
28 Ago 2016 | Palavra de Vida, Sem categoria
Estamos na comunidade dos cristãos de Corinto, muito viva, cheia de iniciativas, animada internamente por grupos ligados a diversos líderes carismáticos. Daí também a existência de tensões entre pessoas e grupos, divisões, culto de personalidade, vontade de aparecer. Paulo intervém com decisão, lembrando a todos que, em meio à riqueza e variedade de dons e lideranças da comunidade, algo de muito mais profundo liga seus membros em unidade: o fato de pertencerem a Deus. Ressoa, mais uma vez, o grande anúncio cristão: Deus está conosco. Não estamos desnorteados, órfãos, abandonados a nós mesmos. Mas, sendo filhos Dele, pertencemos a Ele. Como verdadeiro pai, Ele cuida de cada um, sem deixar-nos faltar nada daquilo que precisamos para o nosso bem. Mais ainda, Ele é superabundante no amor e nas dádivas: “Tudo vos pertence – como afirma Paulo: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso!”. Ele nos deu até mesmo o seu Filho, Jesus. Como é imensa a confiança da parte de Deus ao colocar tudo em nossas mãos! Por outro lado, quantas vezes abusamos dos seus dons: arrogamo-nos a donos da criação até o ponto de saqueá-la e degradá-la; donos dos nossos irmãos e irmãs até o ponto de escravizá-los e massacrá- los; donos das nossas vidas até o ponto de arruiná-las no narcisismo e na degeneração. O imenso dom de Deus – “Tudo é vosso” – exige gratidão. Muitas vezes nos lamentamos por aquilo que nos falta, ou nos dirigimos a Deus somente para pedir. Por que não olhamos ao nosso redor e descobrimos as coisas boas e bonitas que nos rodeiam? Por que não mostramos a Deus a nossa gratidão por tudo o que Ele nos doa, dia após dia? “Tudo é vosso” é também uma responsabilidade. Ela exige de nós solicitude, ternura, zelo por aquilo que nos foi confiado: o mundo inteiro e cada ser humano; o mesmo zelo que Jesus tem por nós (“vós sois de Cristo”), o mesmo zelo que o Pai tem por Jesus (“Cristo é de Deus”). Deveríamos saber alegrar-nos com quem está na alegria e chorar com quem chora, prontos a recolher cada gemido, divisão, dor, violência, como algo que nos pertence. E compartilhar tudo até que seja transformado em amor. Tudo nos é dado para que possamos levá- lo a Cristo, ou seja, até a plenitude de vida, e a Deus, ou seja, até a sua meta final, restabelecendo assim em cada coisa e em cada pessoa sua dignidade e seu significado mais profundo. Um dia, em 1949, Chiara Lubich experimentou uma profunda unidade com Cristo, chegando a sentir-se unida a Ele como a esposa ao Esposo. Imaginou, então, qual seria o dote que apresentaria a Ele e entendeu que deveria ser toda a criação! Ele, por sua vez, daria a ela em herança todo o Paraíso. Lembrou-se então das palavras do Salmo: “Pede-me e te darei como herança as nações e como tua posse os confins da terra…” (cf. Sl 2,8). “Nós acreditamos e lhe pedimos; e deu-nos tudo para levarmos tudo a Ele, e Ele nos dará o Céu: nós, a criação; Ele, o Incriado”. Perto do final de sua vida, falando do Movimento que ela tinha feito nascer e no qual ela se via refletida, Chiara Lubich assim escreveu: “Qual o meu último desejo agora e por enquanto? Quisera que a Obra de Maria [o Movimento dos Focolares], no final dos tempos, quando estiver à espera de comparecer perante Jesus abandonado-ressuscitado, em bloco, pudesse repetir-lhe – fazendo eco às palavras do teólogo belga Jacques Leclercq, que sempre me comovem: ‘… No teu dia, meu Deus, caminharei em tua direção… Caminharei em tua direção, meu Deus […] e com o meu sonho mais desvairado: levar para ti o mundo em meus braços’.1” Fabio Ciardi 1 O Grito, São Paulo : Cidade Nova, 2000, pp. 127-128.
28 Ago 2016 | Sem categoria
«Num momento de repouso (…) contemplando a imensidão do universo, a extraordinária beleza da natureza, a sua potência, pensei espontaneamente no Criador de tudo e compreendi numa forma nova a imensidão de Deus. (…) Eu o descobri tão grande, tão imenso, a ponto de me parecer impossível que Ele tivesse pensado em nós. Esta impressão da sua grandeza permaneceu em meu coração por alguns dias. Dizer agora «santificado seja o vosso nome…» ou «Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo» é muito diferente para mim: é uma necessidade do coração. (…) Nós estamos a caminho. E, quando alguém viaja, já pensa no ambiente que o receberá na chegada, na paisagem, na cidade… já se prepara. Assim devemos fazer. No céu, louvaremos a Deus? Louvemo-lo desde este momento. Deixemos que o nosso coração proclame todo o nosso amor a Ele (…). Exprimamos o nosso louvor com a boca e com o coração. Aproveitemos para reavivar nossas orações diárias que tem esta finalidade. E rendamos glória com todo o nosso ser. Sabemos que quanto mais anulamos a nós mesmos (como Jesus abandonado, que reduziu-se a nada) mais anunciamos, com a nossa vida que Deus é tudo, e assim Ele é louvado, glorificado, adorado (…). Procuremos muitos momentos, durante o dia, para adorar a Deus, para louvá-lo. Façamos isso durante a meditação, ou numa visita a uma igreja, ou na Santa Missa. Louvemo-lo para além da natureza ou na profundidade do nosso coração. E, principalmente, vivamos mortos a nós mesmos e vivos à vontade de Deus, ao amor para com os irmãos. Sejamos nós também, como dizia Isabel da Trindade, um “louvor da sua glória”. Anteciparemos assim um pouco de paraíso, e Deus será compensado pela indiferença de muitos corações que vivem hoje no mundo». Chiara Lubich (Chiara Lubich, Cercando le cose di lassù, Roma 1992, p. 15-17)
26 Ago 2016 | Sem categoria
Apartamento para estudantes «Moro com outros seis estudantes num apartamento alugado. Dividimos entre nós as funções e os turnos para a limpeza. Franz, porém, não colaborava, e isso gerava uma tensão entre todos. Nós procurávamos lembrá-lo, mas era inútil. Um dia, justamente os parentes dele viriam nos visitar, eu tomei a iniciativa – como um ato de amor para eles – e comecei a limpar os banheiros e o quarto que Franz usa. Os pais e a irmã gostaram tanto da ordem que encontraram que, antes de partir, foram fazer compras que quase encheram a nossa geladeira. Desde então é Franz que cuida das necessidades dos outros». (F. F. – Áustria) Pobres que se ajudam «Extremamente pobres e acanhados. Faltava tudo para aquele casal, e a preocupação deles chegava ao cume com a chegada do primeiro filho. O amor de pessoas amigas os “aqueceu”. Tocados pela história de uma família pobre como eles, mas que acreditava em Deus como um Pai que não abandona os filhos, pensaram em compartilhar um pouco da comida deles com outra família necessitada. No dia seguinte, inesperadamente, receberam vários gêneros alimentícios. E não só! Havia também tudo o que precisavam para o bebê: berço, roupas, banheira…». (J. E. – Brasil)
Chuva «Naquela noite eu estava muito cansada. Queria dizer às crianças que fossem para o quarto e rezassem sozinhos, para eu ir logo para a cama. Mas John, o nosso filho mais velho, perguntou se podíamos rezar o terço e pedir a chuva: fazia tempo que não chovia, e o milho e a batata que tínhamos plantado precisavam urgentemente. Assim, para agradá-lo, nós rezamos o terço. Para a minha surpresa, naquela mesma noite começou a chover, e continuou até a tarde do dia seguinte». (B. M. – Uganda) As poltronas «Na nossa terra, muitas vezes os pais contraem tantas dívidas com os casamentos das filhas que depois devem trabalhar a vida inteira para pagá-las. Para o meu casamento eu fiz com que meus pais gastassem o menos possível, confiando na Providência. Um dia, fui com minha mãe numa loja de móveis. “Normalmente – disse o proprietário, no final – as outras moças nunca ficam satisfeitas com o que encontram… você é diferente. Quero pedir que reze pelo meu filho que está muito doente”. Eu garanti que o faria. E ele, como presente de casamento, deu-me duas poltronas. Justamente aquelas que eu precisava». (C. J. – Paquistão)
15 Ago 2016 | Sem categoria
Após a morte de Jesus, depois da efusão do Espírito Santo, Maria desaparece no anonimato, distante. Cumpriu sua missão e volta ao seu ambiente: o do silêncio, o do serviço. Refugiando-se em Deus resolve o problema da velhice, como nova infância do espírito e ensina a morrer. Esta operação, que provoca angústia e medo, torna-se, em Maria, Mãe, uma volta às origens, mediante um incessante perder-se em Deus, vida que não acaba. E a morte de Maria foi um perder-se no Eterno. Ocorreu no dia em que os Apóstolos foram capazes de agir por si mesmos. Mas não foi uma morte no sentido em que nós a entendemos e sofremos, pelo contrário, foi algo doce e rápido, que os teólogos definem com várias expressões: pausa, passagem, trânsito, sono, morte vivificante. Aquele corpo virgem não podia receber a contaminação do processo de decomposição, uma vez que, tendo padecido com Cristo não poderia deixar de elevar-se imediatamente à glória, com Cristo. Assim, o que para Cristo fora a ressurreição, foi para Maria a Assunção: dupla vitória – do corpo e do espírito – sobre a morte. No nosso tempo apresentou-se a milhões de seres humanos e, talvez, à humanidade inteira, o espectro terrificante de uma desintegração física, sob a ameaça da bomba atômica ou pela poluição ecológica. Não existe nenhuma possibilidade de refugiar-se a tal destino, senão salvar-se mediante uma vitória semelhante à de Jesus e Maria: tornando-nos, também nós, espiritualmente, Jesus e Maria, agentes de vida, e faz-se isto inserindo a nulidade da vida humana na onipotência divina. Se, colocados juntos, vivendo do Evangelho, somos Cristo místico, se, como Maria, damos Jesus à sociedade, a guerra não tem sentido e a bomba atômica torna-se objeto de museu. Existe a paz: um único coração e alma da comunidade reunida em torno a Maria; e o seu fruto é a unidade. A unidade dos viventes. Elevando-nos deste pântano sanguinolento, que é a terra, ao céu de Maria, a toda bela, a Estrela do Mar, compreende-se melhor o sentido de sua assunção que foi o selo supremo ao seu privilégio único de Virgem Mãe de Deus. Um fato, este, que deveria comover até os materialistas, porquanto representa a exaltação do corpo físico, por obra do Espírito Supremo. Nela celebra-se a matéria redimida e exalta-se o universo material, transfigurado em templo do Altíssimo. Basta meditar um momento, com intelecto de amor, sobre a posição de Maria que se eleva da terra ao céu passando pelo cosmo, para compreender o seu ser e a sua função. Ela é a obra-prima da criação. Nela Deus quis mostrar toda a sua onipotência, a sua infinita originalidade. Admiráveis são as estrelas e átomos, nas suas próprias estruturas, e repletos de beleza, que jamais terminará, são céus e mares, homens e anjos… Mas, ela é mais bela: reúne e funde todas as maravilhas deles, e a inteira natureza apresenta-se como um pedestal aos seus pés. Maria, humilde, porque nenhuma altura exterior poderia elevá-la; silenciosa, porque nenhuma voz humana poderia defini-la; pobre, porque nenhum adorno da terra poderia embelezá-la. Ela se expressa somente com a palavra de Deus, ela é rica somente da sabedoria de Deus, ela é grande somente da grandeza de Deus. Desta forma, identificada com o Senhor, Maria é a expressão humana da grandeza, da mente e do amor da Trindade. A rainha – serva e senhora – da morada de Deus, que abre as portas e acolhe os filhos, agindo para reuni-los no palácio real do Pai, para a glória do Filho, na presença do Espírito Santo. Para dar aos mortais uma ideia de Deus infinito, que é superior e submerge a inteligência do homem, quase que para mediar a potência, a sabedoria e o amor da Trindade inefável, à qual nunca a humanidade se teria aproximado, o Criador criou Maria, em cujo seio o Verbo se fez carne, em cuja pessoa Deus se faz acessível e o divino amor torna-se de casa. Maria, entre nós, traz Deus em meio a nós. É porta do céu, foi assunta à morada de Deus, para acolher os filhos na casa do Pai. Assim, eles, os filhos, a invocam, até mesmo centenas de vezes ao dia, para que rogue por eles, agora, e na hora da morte. (Fonte: Igino Giordani, Maria modello perfetto, Città Nuova, Roma 2012 (1967), pp. 157 – 163).