Movimento dos Focolares
O Gen Rosso no Uruguai

O Gen Rosso no Uruguai

gen-rosso-Montevideo«A experiência mais importante vivida nestes dois dias com o Gen Rosso foi ver se realizar o meu sonho: sentir-me forte, carregada, sem necessidade de usar a violência», é a expressão de Verônica, uma entre os 200 adolescentes que participaram dos três dias de workshops organizados pela banda internacional, na sua passagem por Montevidéu (Uruguai), numa tournée que inclui também a Argentina, Bolívia e Paraguai. Promotor da iniciativa, a Fazenda da Esperança. «Fortes sem violênciaexplicam os artistas do Gen Rosso – é um projeto endereçado a adolescentes e jovens para uma formação à cultura da paz, da legalidade; prevenção ao expansivo fenômeno da violência nas escolas nas suas várias formas, da vingança, do bulismo, do suicídio juvenil, do incômodo juvenil e da dispersão escolar». Já experimentado com êxito positivo em várias nações, este projeto também em Montevidéu envolveu cerca de 200 adolescentes e jovens de áreas de risco da capital uruguaia. Uma destas associações é o Centro Nueva Vida : «Lembro de quando chegamos nesta área de periferia, em março de 2001 – conta Luis Mayobre, diretor desde o início  –; fomos recebidos com pedradas dos adolescentes. Ver os nossos jovens hoje no palco, em plena ação, junto com muitos outros coetâneos e lançando uma mensagem de não violência, me comoveu». De fato, a grande novidade do projeto artístico “Fortes sem violência” está justamente no envolvimento de adolescentes e jovens que, após os workshops de dança, música, cenografia e preparação junto com os artistas, sobem juntos em cena e se tornam todos protagonistas. gen-rosso-Montevideo_b«Impressionante! Foi maravilhoso – confidencia Laura, ainda tomada pela emoção –. Foram realizados dois concertos, nos dias 21 e 22 de maio, com a sala do Teatro Clara Jackson (1.200 lugares) superlotada, uma coisa pouco comum por estas nossas partes; e não se distinguiam os nossos adolescentes dos artistas do Gen Rosso: estavam plenamente integrados». Laura viu crescer estes jovens e conhece bem o grande trabalho que o Centro Nueva Vida dos Focolares desenvolve junto com outras instituições da região, para dar aos jovens perspectivas de um futuro positivo, longe das drogas e outros perigos. O espetáculo, Streetlight”, ambientado na Chicago dos anos 1960, conta a história verdadeira de Charles Moats, jovem afro-americano dos Focolares, morto por uma gangue rival, por causa do seu empenho pela construção de um mundo mais unido. Charles com a sua escolha da não-violência marcará o seu destino. Porém a sua coerência até o extremo fará com que seus amigos descubram horizontes novos e impensados para a vida deles. «Frases do tipo “se você quer, pode”, “o amor vence tudo”, “o amor pode tudo”, “se você quer conquistar uma cidade para o amor, reúna os amigos que pensam como você…” – continua Laura –, parecia que caíssem como pequenas gotas que irrigavam os corações dos presentes. Tudo expresso com uma tamanha força que abalava a todos. Havia uma grande empatia entre o palco e o público. Eu convidei uma amiga que, depois de pouco tempo, chorava comovida. Creio que Deus tenha batido forte às nossas portas». A imprensa uruguaia, de forte característica laica, se fez eco do insólito evento. “200 jovens uruguaios se preparam em intensos workshops para uma apresentação musical, junto com o grupo internacional Gen Rosso”, o título não desprovido de orgulho de um dos muitos jornais da capital. «Feliz por ver o meu filho no palco! – escreve a mãe de um dos adolescentes que se tornaram artistas –. Agradeço o Centro Nueva Vida que sempre visou lhe dar as oportunidades para fazê-lo crescer como pessoa». E Patty: «Aquele “se você quer, pode” ficará marcado com fogo em cada um destes adolescentes e de todos os presentes. Obrigada! Vocês carregaram as nossas baterias e transmitiram uma energia contagiosa». https://www.youtube.com/watch?v=s5eR25VL53M&feature=youtu.be

A lição que aprendi dos presos

A lição que aprendi dos presos

20160531-02«Trabalhava como inspetor merceológico, ou seja, no controle de qualidade, quantidade e peso da carne, mas por motivos empresariais, fui despedido. Perdi tudo: o trabalho, a família e a dignidade. Depois de alguns meses, a minha mulher mandou-me a carta de separação, levando consigo também a nossa única filha de cinco anos. Como se não bastasse e por ter escutado anos antes o conselho do meu sogro, fui preso por fraude, falsas alegações e associação criminosa. Porém, na verdade, eu não tinha feito nada! Senti uma vergonha infinita, também pela minha família, e uma raiva sem tamanho! Perguntava-me: onde é que está aquele Deus que todos dizem que é bom e que, pelo contrário, permite injustiças como esta? Fiquei na prisão 15 dias, dos quais cinco dias no isolamento, fechado numa cela de 2 metros quadrados, privado de tudo: da liberdade, de abrir uma janela, de ver ou de falar com qualquer pessoa. Depois, quando saí do isolamento, tive que me confrontar com traficantes, drogados, assaltantes, estupradores e sequestradores. Eram todos homens. Na prisão fui respeitado por todos, porque – mesmo sem me conhecer – tinham a certeza de que eu era completamente inocente e que aquele não era o meu lugar. Este era o modo deles de tentarem devolver-me a dignidade que me tinha sido tirada. Aprendi muito com os presos. Estava na liberdade provisória quando os meus familiares convenceram-me de participar de uma Mariápolis, dizendo-me que iríamos descansar quatro dias. Encontrei uma avó com os cabelos muito brancos que me falou de Deus, que é Amor. Precisamente a mim que tinha duvidado tanto daquele Deus bondoso. Foi como se o mundo se iluminasse outra vez, como se descobrisse Deus outra vez, mas eu nunca o tinha experimentado antes. Entendi que, para caminhar pela estrada do amor, não se pode prescindir daquilo que então eu chamava de sofrimento e que agora identifico com os sofrimentos de Jesus na cruz. Quando se vive no sofrimento mais profundo somos mais predispostos para ouvir a voz de Deus, que nos doa uma vida mais plena. Hoje não sinto rancor pela minha ex-mulher, pelo meu sogro e pela minha filha, que durante estes anos não quis mais me ver. Fui absolvido plenamente, porque três anos depois ficou comprovado que eu não tinha nada a ver com os fatos que me tinham sido impugnados. Não podia ter só para mim aquilo que a vida me tinha ensinado, sentia fortemente o dever de doar-me aos outros, principalmente aos jovens. Comecei com cinco garotos de 11 e 12 anos, que não sabiam nada da fé, assim como os seus pais. Comecei jogando futebol com eles, depois acompanhava-os a casa, em troca pedia-lhes apenas que fizessem um simples gesto de amor para a sua família. Hoje estes jovens cresceram e alguns já entraram no mundo do trabalho, mas, sobretudo, eles também quiseram doar aos outros aquilo que receberam, levando a certeza do amor de Deus a muitas pessoas. Nunca deixarei de agradecer a Deus por ter-me concedido amar sem preconceitos, conhecendo que Ele é Amor, que ama cada um de nós pessoalmente e que todos somos iguais, todos seus filhos».

Giorgio Marchetti nos deixou

Giorgio Marchetti nos deixou

DSC_0133«Aqui na África a notícia (do falecimento de Giorgio Marchetti) chegou uma hora desta madrugada, dia 29 de maio, festa de Corpus Christi. Muitas vezes ele havia manifestado o seu desejo de ir encontrar Chiara Lubich no céu. Alegremo-nos com ele, e rezemos». Assim escreveu Maria Voce aos membros do Movimento dos Focolares do mundo inteiro, do Quênia onde se encontra em visita de 14 de maio até 1º de junho. Giorgio Marchetti (conhecido como Fede, que, em italiano, significa fé) nasceu em Pádua (Itália) no dia 16 de outubro de 1929, e lá esteve entre os primeiros que se comprometeram na aventura da unidade, como Chiara definia o nascimento do Movimento, mas também o itinerário que, ainda hoje, os Focolares espalhados no mundo inteiro procuram levar adiante. «Muitos lembram dele – escreve Michele Zanzucchi, diretor de Città Nuova – pelo seu corajoso seguimento de Chiara Lubich, nos passos traçados pelo carisma da unidade, nos primeiros meses da pequena cidade de Loppiano, na Toscana, em meio à lama, mas no mais autêntico entusiasmo.  Ou então no Brasil, onde deparou-se com a dura realidade das favelas e quis olhá-la de frente. Ou ainda sustentando o Movimento, sempre na linha de frente, com o olhar adiante». E Ángel Bartol, que o assistiu nos últimos momentos: «Fede doou-se inteiramente, em corpo e alma, até o fim». Médico, psicólogo e teólogo, acompanhou e formou centenas de jovens no caminho do Focolare. Inteligência e generosidade são suas características. Haverá muito o que escrever sobre ele, e o faremos nos próximos dias. Hoje dizemos apenas: Obrigado, Fede, pela sua vida inteiramente projetada na unidade da família humana! O funeral será no Centro Mariápolis de Castelgandofo (Roma), quarta-feira, 1º de junho, 11 horas (hora italiana).

Palavra de Vida – Junho de 2016

Como soa bem, no meio dos conflitos que ferem a humanidade em tantas partes do mundo, o convite de Jesus à paz. É algo que mantém viva a esperança, pois sabemos que Ele mesmo é a paz e prometeu que nos daria a sua paz. O Evangelho de Marcos traz essa frase de Jesus no final de uma série de máximas dirigidas aos discípulos, reunidos na casa em Cafarnaum, com as quais Ele explica como deveria viver a sua comunidade. A conclusão é clara: tudo deve conduzir à paz, na qual se encerra todo bem. Uma paz que somos chamados a experimentar na vida de cada dia: na família, no trabalho, com aqueles que pensam de modo diferente na política. Uma paz que não tem medo de confrontar-se com opiniões discordantes, sobre as quais precisamos falar abertamente, se quisermos uma unidade cada vez mais verdadeira e profunda. Uma paz que, ao mesmo tempo, exige a nossa atenção para que o relacionamento de amor nunca desapareça, porque a pessoa do outro vale mais do que as diversidades que possam existir entre nós. “Onde quer que chegue a unidade e o amor mútuo”, afirmava Chiara Lubich, “chega a paz, ou melhor, a paz verdadeira. Porque onde existe o amor mútuo, existe uma certa presença de Jesus no nosso meio, e Ele é justamente a paz, a paz por excelência”1. O seu ideal de unidade tinha surgido durante a Segunda Guerra Mundial e imediatamente revelou-se como antídoto a ódios e dilacerações. Desde então, diante de cada novo conflito, Chiara sempre propôs com persistência a lógica evangélica do amor. Por exemplo, quando explodiu a guerra no Iraque em 1990, ela manifestou a amarga surpresa de ouvir “palavras que pareciam estar sepultadas, como: ‘o inimigo’, ‘os inimigos’, ‘começam as hostilidades’, e depois os boletins de guerra, os prisioneiros, as derrotas (…). Percebemos, com perplexidade, que fora ferido gravemente o princípio fundamental do cristianismo, o ‘mandamento’ por excelência de Jesus, o mandamento ‘novo’. (…) Ao invés de se amarem, ao invés de estarem prontos a morrer um pelo outro”, aí está a humanidade novamente “no abismo do ódio”: desprezo, torturas, assassinatos2. Como sair disso?, perguntava-se ela. “Deveríamos tecer, onde for possível, relacionamentos novos, ou aprofundar os que já existem entre nós cristãos e os fiéis das religiões monoteístas: os muçulmanos e os judeus”3, ou seja, entre aqueles que naquela ocasião estavam em conflito. A mesma coisa vale diante de todo tipo de conflito: tecer entre pessoas e povos relacionamentos de escuta, de ajuda mútua, de amor, diria Chiara ainda, até “estar prontos a morrer um pelo outro”. É preciso conter as próprias razões para entender as do outro, mesmo sabendo que nem sempre chegaremos a compreendê-lo até o fundo. Também o outro provavelmente faz o mesmo em relação a mim e às vezes, quem sabe, também ele não entende a mim e os meus motivos. No entanto, queremos ficar abertos ao outro, mesmo na diversidade e na incompreensão, salvando acima de tudo o relacionamento com ele. O Evangelho coloca isso de modo imperativo: “Vivei em paz”. Sinal de que nos pede um empenho sério e exigente. É uma das mais essenciais expressões do amor e da misericórdia que somos chamados a ter uns para com os outros. Fabio Ciardi ________________________________ 1-Na TV da Baviera, 16 de setembro de 1988. 2-28 de fevereiro de 1991, cf. Santos juntos, São Paulo : Cidade Nova 1995, pp. 63-64. 3-Ibid., p. 67.

Primeira Conferência Mundial de jovens pela paz

Quinhentos jovens de todas as partes do mundo marcam um encontro na rede para uma Conferência Mundial de Jovens pela Paz. A ideia nasceu da sinergia entre Living Peace (que realiza projetos de educação à paz para crianças, adolescentes e jovens, em 113 países) e Peace Pals International (expressão da WWPS, World Peace Prayer Society, um organismo associado à ONU), realizada com o suporte da Fuji Declaration, do Japão, e de algumas organizações internacionais. https://www.youtube.com/watch?v=omANVR3qIDI Inspirando-se na Declaração de Fuji, 14 jovens relatores – cristãos e muçulmanos, de 14 países diferentes – alternaram-se na rede, dia 30 de abril passado, para exprimir a própria visão em favor da paz, convalidada por experiências concretas de acolhida e reconciliação, dando assim credibilidade, a nível planetário, de sua convicção de que um mundo de paz é possível. Em seguida, intervenções de jovens de vários países: Chile, Rússia, Guatemala, Nepal, Japão, Turquia, Austrália, Congo, Malta, etc., alguns com testemunhos, outros com numerosos questionamentos, para compreender como tornar-se artesãos de paz lá onde cada um vive. Muito significativo o depoimento de Edward, um jovem filipino dos Focolares que se conectou do Equador, contando a sua experiência em contato com as populações atingidas pelo terremoto. E depois o testemunho de Sherook, uma jovem síria a quem muitos haviam pedido notícias sobre o que está vivendo em seu país. Sherook, depois de ter falado da situação na Síria, ainda tão precária e dramática, não pode conter as lágrimas, o que provocou uma grande impressão e participação de todos. E suscitou também expressões tocantes de dois jovens muçulmanos, que também estavam na rede: Omar do Egito e Abir de Marrocos. A Conferência foi uma ocasião para apresentar o Projeto Mundo Unido, e a iniciativa, ligada a ele, SignUp4Peace. Jules Lamore, coordenadora do Peace Pals International e membro do comitê que prepara as celebrações da Jornada Internacional da Paz, nas Nações Unidas, telefonou de Nova Iorque para congratular-se pela conferência on line. Dois jovens receberam bolsas de estudo na Miami University, de Luxemburgo. Carlos Palma, Coordenador Geral de Living Peace, foi convidado a apresentar a Conferência na sede do Parlamento Europeu, em Luxemburgo, por ocasião do World Peace Forum, de 24 – 25 de maio. Em 2015, o Prêmio da Paz de Luxemburgo foi conferido a New Humanity, ONG que representa o Movimento dos Focolares. A Conferência Mundial dos Jovens prevê quatro edições por ano. O próximo encontro será dia 25 de junho, com jovens de organizações e movimentos que atuam pela paz. A terceira Conferência acontecerá em Florianópolis (Brasil), por ocasião do Fórum dos Jovens pela Paz (22 a 25 de setembro), durante o qual a Peace Pals doará à cidade um obelisco de paz. A quarta Conferência, sobre as perspectivas e compromissos para o próximo ano, está programada para dezembro de 2016.

Eslováquia – Escola Internacional pós-JMJ

Na Eslováquia (Jasná – Demänovská Dolina), 550 jovens, provenientes de várias partes do mundo – entre eles, 50 ortodoxos – encontram-se para aprofundar os temas da Jornada Mundial da Juventude.   Local: Hotel Grand, Demänovská dolina 72, Liptovský Mikuláš, Slovacchia Chegada: 31 de julho de 2016, à tarde Partida: 5 de agosto de 2016, após o café-da-manhã Quota de participação: 180€ Idade dos participantes: de 16 a 30 anos Info: postgmg2016@focolare.org