26 Fev 2016 | Palavra de Vida, Sem categoria
Era isso que o povo hebreu do tempo de Jesus estava esperando. Foi isso que Ele começou a anunciar logo no início de sua caminhada pelos povoados e cidades: “O Reino de Deus está próximo” (cf. Lc 10,9). E pouco depois: “O Reino de Deus já chegou até vós”; “O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17,21). Na pessoa de Jesus, era o próprio Deus que vinha para o meio de seu povo e retomava em mãos a história, com decisão e com força, para conduzi-la à sua meta. Os milagres realizados por Jesus eram os sinais disso. No trecho do Evangelho em que se encontra esta Palavra de Vida, Ele acabara de curar um homem mudo, libertando-o do demônio que o mantinha aprisionado. Era a demonstração de que Ele viera para vencer o mal, todo mal, e para instaurar finalmente o Reino de Deus. Na linguagem hebraica, esta locução “Reino de Deus” indicava a ação de Deus em favor de Israel, libertando-o de toda forma de escravidão e de todo mal, guiando-o rumo à justiça e à paz, inundando-o de alegria e de bem; aquele Deus que Jesus revela como “Pai” misericordioso, amoroso e cheio de compaixão, sensível às necessidades e aos sofrimentos de cada um de seus filhos. Também nós temos necessidade de escutar o anúncio de Jesus: “O Reino de Deus já chegou até vós”. Olhando ao nosso redor, muitas vezes temos a impressão de que o mundo está dominado pelo mal, de que os violentos e os corruptos acabam prevalecendo. Às vezes nos sentimos à mercê de forças contrárias, de eventos ameaçadores que nos sobrepujam. Sentimo-nos impotentes diante de guerras e catástrofes ambientais, de massacres e mudanças climáticas, de migrações e de crises econômicas e financeiras. Justamente aqui situa-se o anúncio de Jesus, convidando-nos a crer que Ele, desde já, está vencendo o mal e estabelecendo um mundo novo. No mês de março de 25 anos atrás, falando a milhares de jovens, Chiara Lubich confiava a eles o seu sonho: “Tornar o mundo melhor, como se fosse uma única família, como se pertencesse a uma única pátria, a um mundo solidário, ou melhor, a um mundo unido”. Naquele tempo isso parecia uma utopia – como parece até hoje. Mas, para fazer o sonho se tornar realidade, Chiara convidava os jovens a viver o amor mútuo, na certeza de que agindo assim eles haveriam de ter entre eles “o próprio Cristo, o Todo-poderoso. E Dele vocês poderão esperar tudo”. Sim, é Ele o Reino de Deus. E qual a nossa parte? Fazer com que Ele esteja sempre entre nós. Então, continuava Chiara, “será Ele mesmo que trabalhará com vocês nos seus países de origem, porque Ele voltará de algum modo ao mundo, a todos os lugares em que vocês se encontrarem, tendo-se tornado presente por meio do amor recíproco entre vocês, da unidade de vocês. E Ele os iluminará a respeito de tudo o que tiverem de fazer, Ele os orientará e sustentará, será a sua força, o seu ardor, a sua alegria. Por meio Dele o mundo ao redor de vocês se converterá à concórdia, toda divisão será recomposta. (…) Portanto: amor entre vocês e amor semeado em muitos cantos da terra, entre os indivíduos, entre os grupos, entre os países, com todos os meios, para que se torne realidade a invasão de amor da qual hoje tanto se fala, e cresça em consistência, inclusive pela atuação de vocês, a civilização do amor que todos esperamos. É a isso que vocês são chamados. E verão coisas grandes”[1]. Colaboração de Fabio Ciardi [1] IV Festival internacional dos “Jovens por um mundo unido” (Genfest), Roma (Palaeur), 31 de março de 1990.
25 Fev 2016 | Sem categoria
Nesses dias, 60 bispos amigos dos Focolares estão reunidos em Castelgandolfo, de 22 a 26 de fevereiro, provenientes de 31 países 1. O ponto central do encontro foi a participação à . audiência geral do Papa Francisco, na Praça São Pedro que, na sua saudação, os exortou “a manter sempre vivo, no ministério apostólico, o carisma da unidade em comunhão com o sucessor de Pedro.” «Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta, tendo a consciência de que ouvir “é mais que sentir”. É uma escuta recíproca na qual toda pessoa tem algo a aprender. » Este desígnio de Igreja traçado pelo Papa Francisco, durante a celebração dos cinquenta anos da criação do Sínodo dos Bispos, é o caminho seguido pelo simpósio em andamento. A escolha do título “Igreja que gera unidade” surgiu da convicção de que, tendo como pano de fundo as diversas tensões do nosso tempo e a crescente desagregação, o povo de Deus é chamado hoje a contribuir e a regenerar, de maneira vital, o tecido das relações em todos os níveis e em todos os ambientes. Novidade que deve produzir-se, em primeiro lugar, na vida da própria Igreja e que tem a sua fonte no coração de Deus misericordioso. Tema cujo ponto central é a compreensão da unidade, pedida por Jesus ao Pai (Jo 17), como “dádiva, empenho e meta”. Perspectivas que foram ilustradas, à luz do carisma de Chiara Lubich, por Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, e pelo copresidente Jesús Morán.

Cardeal Lorenzo Baldisseri
Muito esperado o pronunciamento do Cardeal Lorenzo Baldisseri que, por meio do pensamento e do testemunho do Papa Francisco, aprofundará a orientação rumo a “uma Igreja completamente sinodal”. Estimulantes, considerando a diversidade geográfica e cultural dos participantes, e fecundas de indicações os testemunhos partilhados entre os bispos presentes, os laboratórios e os diálogos na plenária, sobre duas questões: como estimular a comunhão, juntos e a serviço do povo de Deus, e como viver positivamente os conflitos que acompanham todo caminho em direção à unidade. No espírito de uma Igreja em saída, o simpósio contém testemunhos e histórias concretas também de leigos comprometidos em construir pontes em um mundo fragmentado, seguindo as vias do ecumenismo, do diálogo inter-religioso, com pessoas de convicções não religiosas e do multiforme diálogo com a cultura. Na conclusão a atenção será focalizada na figura do bispo como instrumento de misericórdia e de unidade, na “escola de Maria”. Os simpósios dos bispos amigos do Movimento dos Focolares tiveram início em 1977, pela iniciativa de Dom Klaus Hemmerle, bispo de Aachen, Alemanha. O atual moderador destes simpósios é Cardeal Kovithavanij Francis X. , arcebispo de Bangkok, Tailândia. Serviço de Informação
23 Fev 2016 | Sem categoria
22 de janeiro de 1920-14 de março de 2008: são as datas que marcam a existência terrena de Chiara, no século, Silvia Lubich. No dia da sua morte, milhares de pessoas afluíram às ruas de Rocca di Papa (onde está a sede do Centro Internacional do Movimento dos Focolares e onde também se encontra a casa de Chiara) para prestar homenagem aos seus restos mortais e, em número ainda maior, participaram dos funerais na Basílica de São Paulo Extramuros, no dia 18 de março. Nestes últimos anos a comemoração do aniversário foi ocasião para aprofundar o pensamento, a vida, e o testemunho de Chiara Lubich sob diversos aspectos: o diálogo ecumênico (Chiara Lubich: um carisma, uma vida pela unidade dos cristãos, em Trento, em 2011), o carisma da unidade e os jovens (2012), a cultura (Carisma História Cultura, em Roma, em 2013), o diálogo inter-religioso (Chiara e as religiões, 2014), a política pela unidade, com eventos no mundo inteiro, em 2015. No mesmo ano, no dia 27 de janeiro, se abriu a sua causa de canonização. Em 2016, o foco é sobre a paz. Chiara Lubich foi uma construtora de paz ao longo de toda a sua vida, abrindo caminhos de diálogo em vários níveis, e recebendo por isto reconhecimentos internacionais, entre os quais o Prêmio UNESCO pela Educação para a Paz, em 1996. Na sua espiritualidade, traduzida também numa prática quotidiana de fraternidade, se inspiram as centenas de ações que em todas as latitudes desejam contribuir para enriquecer o planeta (em humanidade, solidariedade, através da tutela da criação), e que estão reunidas na plataforma de United World Project (UWP) Em setembro de 2015, a presidente dos Focolares, Maria Voce, respondendo em nome do Movimento ao apelo do papa Francisco, relança um novo empenho e mobilização pela paz. «É preciso fazer mais», afirmou, para mover os vértices da política, os circuitos do comércio de armas, os que decidem as escolhas estratégicas, e isso – como começa a se evidenciar – pode partir de baixo, com a mobilização da sociedade civil. Maria Voce, além disso, exortou os membros do Movimento «a empenharem-se com uma maior convergência» para promover, com todos os que se orientam nesta direção, ações destinadas a desmascarar as causas da guerra e das tragédias que afligem muitas partes do planeta, a fim de solucioná-las, «envolvendo as nossas forças, meios e disponibilidade». No dia 12 de março, em Castel Gandolfo (RM) – por ocasião do 20° aniversário da outorga do Prêmio UNESCO pela Educação para a Paz a Chiara Lubich, e pelo 8° aniversário da sua morte – se realizará o evento “A Cultura do Diálogo como agente de Paz” com a presença a banda internacional Gen Verde. O convite é dirigido aos Embaixadores junto à Santa Sé, às autoridades civis e eclesiásticas. Discursará a presidente dos Focolares, Maria Voce, e a seguir serão apresentados alguns testemunhos sobre o diálogo como agente de paz. No dia 14 de março, no Santuário do Divino Amor, em Roma, às 18h30min, será celebrada uma S. Missa, presidida pelo Card. João Braz de Aviz. Simultaneamente, eventos no mundo inteiro recordarão a sua figura.
23 Fev 2016 | Sem categoria
https://vimeo.com/155673732
22 Fev 2016 | Sem categoria
Kolhapur, ao sul de Maharashtra, na metade do caminho entre Mumbai e Bangalore, é a cidade que hospeda o encontro com cerca de 50 mil seguidores e simpatizantes do Movimento Swadyaya, fundado pelo reformador hindu Pandurang Shastri Athawale e atualmente dirigido pela sua filha, Didi. Precisamente da amizade entre ela e Chiara Lubich nasceu uma consonância de ideais e intentos, que desenvolveu-se nos anos e continuou após a eleição de Maria Voce para a presidência do Movimento dos Focolares. Depois de dois encontros entre as duas mulheres que sucederam os respectivos fundadores, chegou o convite para que Maria Voce, Jesús Morán e a delegação proveniente de Roma participassem da cerimônia conclusiva de uma peregrinação feita por cerca de 10 mil casais do movimento Swadhyay Parivar (a família do conhecimento de si mesmos). Esses casais, há anos atuantes no movimento de renovação hindu, tinham passado uma semana em contato com outras famílias de Kolhapur, para transmitir os ideais e a dimensão espiritual do seu movimento, visitando também um importante templo daquela região.
Na cerimônia conclusiva, realizada em uma grande esplanada no centro da cidade, após algumas apresentações folclóricas, Didi Talwalkar contou a todos sobre a sua amizade com Chiara Lubich, apresentando-a como uma líder católica e fundadora do Movimento dos Focolares. Após a projeção de imagens que mostravam o relacionamento entre as duas mulheres, Maria Voce transmitiu, como lhe havia sido pedido, uma saudação e a benção de Chiara, no espírito do diálogo e da dimensão compartilhada da única família humana, evidenciada também nos livros sagrados do hinduísmo como “vasudhaiva kutumbakan”. Um momento de grande intensidade e emoção espiritual, que reforçou o liame entre as duas líderes dos respectivos movimentos. Concluída a viagem, emerge como o caminho realizado nestes anos represente uma experiência nova no diálogo entre seguidores das religiões da Índia e os cristãos, na luz do encontro com a espiritualidade da unidade. Existe a consciência de viver, há anos, uma experiência de fraternidade profunda, vital, mas também intelectual, com preciosas experiências de colaboração social. Tal experiência continua a abrir caminhos de diálogo e de aprofundamento dos respectivos credos, à luz do carisma de Chiara, que é vista como uma mulher que soube interpretar os sinais dos tempos e oferecer ao mundo um espírito que pode acomunar todos em uma peregrinação rumo à Verdade. O diálogo com Maria Voce e Jesús Morán, após o retorno à Roma, durante o Collegamento CH, no dia 13 de fevereiro, terminou com uma pergunta: neste grande mundo hindu, onde os cristãos são apenas 2% de uma população que supera em muito o bilhão de pessoas, quais as impressões de vocês? «De uma Igreja pequena mas viva, muito viva», responde a presidente. «A Índia é um grande presente – acrescenta o copresidente -. Amam muito o pluralismo e o vivem de modo inclusivo. Dão espaço para que cada um manifeste explicitamente a própria fé. Isto é uma dádiva para o Ocidente que, ao contrário, vive o pluralismo de um modo quase excludente. Outro aspecto é o silêncio, que é fundamental para qualquer tipo de diálogo. Sem o silêncio interior, e também interpessoal, não existe possibilidade de diálogo». «E este silêncio – conclui Maria Voce – exprime a alma religiosa do povo indiano. O grande presente que podem dar a todo o Ocidente, como eu disse inclusive a eles, é fazer-nos redescobrir o sentido de Deus, o “sentir” Deus». Leia também: Na Índia: um diálogo de corações e mentes
21 Fev 2016 | Sem categoria
«As linhas do Evangelho de João, e não só as dele, convergem todas naquela frase que para mim, desde há muito tempo, tem um significado profundo e infinito: «Que todos sejam um só, como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, para que o mundo creia» (Jo 17,21). É assim que devemos viver. […] A Unidade da Igreja: a unidade com aqueles que se encontram do lado de fora da nossa Igreja católico-romana; a unidade entre aqueles que se reconhecem na mesma fé no Deus único, o Vivente: portanto, com os hebreus e os muçulmanos. Unidade também entre a Igreja e a sociedade, para que não sigam caminhos paralelos, muito menos vivam em confronto, mas que construam conjuntamente uma relação de reciprocidade, de tal maneira que venha em evidência que a unidade que Deus dá é o fermento para a sociedade, é o fermento que torna o homem livre. É a unidade que torna o homem plenamente homem, porque ele só pode ser plenamente homem se Deus tiver o direito de ser plenamente Deus, isto é, quando puder dar-nos tudo aquilo que realmente nos quer dar. E Ele não quer dar-nos nada menos do que o seu mistério íntimo: a unidade trinitária. E isto não é um mero programa, porque com os programas não se vai muito longe. Deve antes tornar-se vida! […] Também eu devo começar a viver esta unidade. Para isto, confio em que todos vós, caros irmãos e irmãs, possais ajudar-me, e que possamos fazê-lo juntos, na reciprocidade». Mons Klaus Hemmerle Fonte: W. Hagemann, Klaus Hemmerle innamorato della Parola di Dio, Città Nuova, Roma 2013, pp. 337-338