Movimento dos Focolares
Bento XVI: reformador em continuidade

Bento XVI: reformador em continuidade

O teólogo Piero Coda recorda o Papa Bento VI e a extraordinária contribuição de sabedoria que ele deu ao progresso da Igreja em nosso tempo.  Monsenhor Coda, em 1998, no Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, fez um discurso histórico sobre o papel dos Movimentos eclesiais. Na sua opinião, quais são os pontos essenciais daquele discurso? Quanto essas palavras contribuíram para mudar o papel dos Movimentos na Igreja? Sim, realmente foi um discurso histórico! Eu estava presente no Congresso e ouvi ao vivo. A grande competência teológica e o conhecimento da história da Igreja, bem como a experiência do Concílio e depois – no papel que desempenhou no Vaticano – da sua realização em nível universal, permitiram a Ratzinger situar com clareza o sentido da missão eclesial dos Movimentos na missão da igreja. O ponto central proposto por ele consiste em reconhecer nos Movimentos eclesiais a ação do Espírito Santo que, ao longo dos séculos, sempre de novo, com ondas sucessivas, renova o Povo de Deus com o dom dos carismas: desde São Bento até as Ordens Mendicantes na Idade Média, a Companhia de Jesus, as Ordens missionárias nos últimos séculos, até o inesperado florescimento carismático em conjunto com o Concílio. Daí a afirmação de João Paulo II, em harmonia com o ensinamento do Vaticano II, segundo o qual a Igreja se edifica graças à coessencialidade dos “dons hierárquicos” – o ministério conferido pelo sacramento da Ordem – e dos “dons carismáticos” – a concessão gratuita de graças especiais de luz e vida entre todos os discípulos de Jesus. Por ocasião da morte de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, o Papa Bento XVI escreveu uma grande mensagem de condolências. Que relação a Lubich tinha com ele? Chiara – disse-me ela pessoalmente – ficou muito impressionada com aquele discurso do Cardeal Ratzinger, em 1998, e sempre lhe foi grata. Além disso, visitando o Centro Mariápolis de Castel Gandolfo, em Roma, e ali celebrando a Santa Missa na festa da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro de 1989, retomando a parábola evangélica, ele disse ter visto crescer uma grande árvore nascida de uma pequena semente, onde descansam as aves do céu… Os primeiros anos do pontificado de Bento XVI coincidiram com os últimos anos da vida de Chiara Lubich: ela não podia encontrá-lo pessoalmente, nem se alegrar por ele, um ano depois da sua morte, ter feito menção à economia de comunhão na encíclica Caritas in veritate. O que o pensamento e a vida do Papa Bento XVI dizem à Igreja de hoje e à de amanhã, que o atual Sínodo está ajudando a delinear? Sua contribuição imperdível foi recordar com sua autoridade de homem de Deus e grande teólogo uma verdade decisiva: a obra de renovação iniciada pelo Concílio Vaticano II deve ser promovida diretamente com o núcleo vivo do Evangelho de Jesus e no leito de tradição eclesial. Como assinalou em seu magistral discurso à Cúria Romana em dezembro de 2005, primeiro ano de seu pontificado, quando traçou a chave decisiva para a interpretação do evento conciliar: “a reforma em continuidade”. Não é por acaso que o livro mais conhecido do ainda jovem teólogo Ratzinger, que apareceu em sua primeira edição em 1968 e foi traduzido nas principais línguas, leva o título de Introdução ao Cristianismo, sinalizando que o trampolim para um salto profético é a fé de todos os tempos em Jesus. Também não é sem sentido que, como Papa, ele quis reservar três encíclicas às virtudes teologais: caridade, esperança, fé, sublinhando fortemente o primado da primeira, porque evoca o próprio nome do Deus que se revela em Jesus, aquele Jesus a quem dedicou uma trilogia apaixonante como convite ao encontro com o princípio vivo da fé, o que não é apenas um conceito bonito, mas Ele mesmo. Lealdade, portanto, ao patrimônio da fé, mas porque dela procede a riqueza e a novidade do Evangelho. Este é o segredo da força e do fascínio duradouro do magistério de Bento XVI. E você, pessoalmente, qual é a lembrança mais bonita que leva do Papa Ratzinger? Encontrei-o muitas vezes, primeiro como Cardeal e depois como Papa, experimentando sempre a sua grande cordialidade e a sua primorosa atenção. Também tive a oportunidade de conversar longamente com ele sobre teologia, no contexto de uma série de seminários com outros estudiosos, em nível internacional, quando era Prefeito de Doutrina da Fé, percebendo, com crescente gratidão a Deus, a extraordinária contribuição de sabedoria por ele dada ao caminho da Igreja em nosso tempo. De acordo com Chiara, comuniquei ao Papa Bento XVI a ideia de iniciar o Instituto Universitário Sophia: “Uma coisa linda… – exclamou – se você pode fazer isso…”. Por fim, recordo a sua alegre surpresa quando, ao encontrá-lo durante uma audiência com o primeiro grupo de alunos, Caelison, um aluno cego, espontaneamente lhe confidenciou: “Em Sophia encontramos a luz!”.

Stefania Tanesini

“A última palavra na história do mundo será comunhão”.

“A última palavra na história do mundo será comunhão”.

As palavras de Margaret Karram, presidente do Movimento dos Focolares por ocasião do falecimento de Sua Santidade, o Papa Bento XVI Estima, gratidão e grande comoção invadem agora meu coração, enquanto expresso a mais profunda gratidão pela obra e a vida do Papa Bento XVI, pessoalmente e em nome do Movimento que ele seguiu e acompanhou com proximidade e amor. Com toda a Igreja nos unimos ao Papa Francisco para restituí-lo a Deus, certos de que ele já foi acolhido na glória do Céu e o farei pessoalmente, em 5 de janeiro próximo, assistindo à missa fúnebre na Praça de São Pedro. Tive o dom de receber Papa Bento XVI em Jerusalém em maio de 2009, participando de várias etapas de sua peregrinação à Terra Santa. Dois momentos, em particular, permanecem comigo, suas palavras no Santo Sepulcro: “A paz é possível aqui”. O Túmulo Vazio, continuou ele, “nos fala de esperança, aquela esperança que não decepciona, porque é o dom do Espírito da vida”. Também foi muito marcante para mim, assistir a uma missa privada na Delegação Apostólica de Jerusalém, celebrada pelo próprio Papa Bento XVI. Percebi sua ternura paternal e a dimensão de sua caridade que se expressou em um gesto de gratidão por tudo o que o Movimento dos Focolares havia feito para preparar sua visita. Em 1989, quando ele ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Card. Joseph Ratzinger foi convidado por Chiara Lubich para um diálogo com as focolarinas reunidas para os exercícios espirituais anuais, dos quais eu também participava. Ele respondeu a uma variedade de perguntas e em um certo momento proferiu palavras que eu não esqueci. Sobre o futuro da Igreja e da humanidade, ele disse: “A última palavra na história do mundo será comunhão, será tornar-se comunhão, não apenas entre nós, mas, estando incorporados no amor trinitário, tornar-se comunhão universal, onde Deus está em tudo e em todos” [1]. Hoje, que o nosso amado Papa Bento XVI voltou à casa do Pai, esta sua expressão ressoa em mim quase como um testamento espiritual. São palavras de extraordinária atualidade, que hoje iluminam e dão esperança a uma humanidade afligida por conflitos cujo fim não conseguimos ver. Fomos nutridos por seu pensamento iluminado, o de um grande teólogo que, ainda muito jovem, participou do Concílio Vaticano II, transmitindo e apresentando ao longo dos anos a novidade de uma Igreja-comunhão, feita de conhecimento da Palavra e da caridade traduzida na prática. No dia seguinte à sua eleição como Pontífice, Chiara Lubich se expressou assim: “Pelo conhecimento pessoal que tenho dele, possuindo dons especiais para captar a luz do Espírito, ele não deixará de surpreender e superar todas as previsões” [2]. Não esqueceremos o papel fundamental que desempenhou em 1998, quando o Papa João Paulo II convocou os Movimentos Eclesiais e as Novas Comunidades por ocasião da festa de Pentecostes a se reunirem na Praça São Pedro. Naquela ocasião, Card. Ratzinger fez um discurso magistral intitulado: “Os Movimentos Eclesiais e sua Colocação Teológica”, na qual ele delineou o perfil dos Movimentos e das Novas Comunidades e sua indispensável relação com a Igreja. Alguns trechos do seu discurso continuam sendo para mim e para o Movimento um farol, a fim de que sejamos instrumentos de comunhão na Igreja e os braços de Cristo para a humanidade: “(…) é muito evidente que o Espírito Santo age também hoje na Igreja e lhe concede novos dons”, disse naquela ocasião, “graças aos quais ela revive a alegria de sua juventude (cf. Sl 42,4). Gratidão por aquelas muitas pessoas, jovens e anciãs, que aderem ao chamado do Espírito e, sem olhar ao redor ou para trás, se lançam alegremente ao serviço do Evangelho. Gratidão pelos bispos que se abrem aos novos caminhos, que abrem espaço para si mesmos nas suas respectivas Igrejas, debatendo pacientemente com seus líderes para ajudá-los a superar qualquer unilateralidade e conduzi-los a uma correta configuração[3]. Com toda a Igreja, agradeço a Deus pelo dom que Papa Bento XVI foi para o nosso tempo e rezo para que possamos colher e traduzir em vida a profundidade do seu pensamento teológico, sua fidelidade ao Evangelho e a coragem de um testemunho de vida capaz de conduzir a Igreja nos caminhos da verdade, da fraternidade e da paz.

Margaret Karram Presidente Movimento dos Focolares

[1] Visita do Card. Joseph Ratzinger ao Encontro das focolarinas, respostas às perguntas. Castel Gandolfo, 8 de dezembro de 1989. Arquivo Chiara Lubich no Arquivo Geral do Movimento dos Focolares. [2] Declaração de Chiara Lubich no: Comunicado à Imprensa do Movimento dos Focolares, 20 de abril de 2005 [3] Os Movimentos na Igreja. Anais do Congresso mundial dos Movimentos Eclesiais, Roma, 27-29 de maio de 1998, Col. Leigos hoje 2, Livraria Editora Vaticana, Cidade do Vaticano 1999

Gen Rosso em Madagascar e no Líbano

Duas etapas para vivenciar intercâmbios culturais, formar caminhos de inclusão através da arte e desenvolver talentos musicais. Yann Dupont é um professor de francês e leciona no Instituto Sainte Catherine em Villeneuve-Sur-Lot, na França. Ele tinha um sonho: levar alguns de seus alunos para Madagascar, em Moramanga, para um intercâmbio cultural com a escola em Antsirinala. Por acaso, um dia a Dupont conheceu Valerio Gentile do Gen Rosso. Um diálogo animado, simples e sincero. Nasceu uma ideia: por que não ir juntos a Madagascar, Gen Rosso e cinco de seus alunos, para um intercâmbio cultural e humanitário? Dito e feito! Os jovens franceses foram assim incluídos no grupo de treinamento “train the trainer” (formar o treinador, n.d.t.) onde alguns jovens interessados em artes cênicas também participaram. Eles tinham como lema as palavras que haviam experimentado durante as oficinas em Madagascar: “chamar pelo nome, colocar-se no lugar um do outro, viver um pelo outro com alegria, recomeçar”. Uma tourné de 8 dias em novembro – graças ao apoio financeiro da ONG Edugascar – para 4 cidades diferentes: Ambatondrazaka, Moramanga, Antsirinala, Antingandingana. Os dias passaram-se entre oficinas de dança, percussão, canto e concertos. Mais de 500 jovens estavam envolvidos. “Acreditamos que todos nós experimentamos um pedacinho de um mundo mais unido aqui em Madagascar”, dizem do Gen Rosso. “Descobrimos um povo que transmite esperança, paciência, um senso de adaptação, serenidade e coragem para enfrentar a vida com seus desafios diários.” Nancy Judicaelle, uma jovem de Madagascar, diz: “Por um lado estou triste por meu tempo com eles ter sido tão curto, mas estou tão feliz e profundamente emocionada, experimentando uma alegria inexplicável.” Angel, um dos jovens participantes, acrescenta: “O show foi fantástico, porque tivemos um intercâmbio sobre música, educação das crianças e respeito pelo meio ambiente. Foi um grande espetáculo onde até mesmo as crianças puderam dar sua contribuição para toda a nossa comunidade.” Os cinco estudantes franceses junto com o Gen Rosso continuaram o passeio, primeiro para Antsirinala onde foram recebidos – em um ambiente festivo e amigável – por uma escola de 200 crianças e jovens geminados com a escola Villeneuve, e depois para Ambatondrazaka. Aqui houve o encontro com a comunidade dos Focolares, em comemoração, porque foi a primeira vez que o Gen Rosso desembarcou em Madagascar. “Vivi momentos incríveis de intercâmbio cultural que aconteceram muito naturalmente entre o Gen Rosso e o povo humanitário malgaxe”, diz Dumoulin Nicolas, repórter francês, que acompanhou a turnê, junto com um grupo de estudantes franceses que estavam ali em um intercâmbio. Foi uma grande aventura de uma vida”. Etapa no Líbano Outra viagem importante para a banda internacional foi ao Líbano para o projeto HeARTmony. Após a experiência na Bósnia, este programa formativo, no mês de novembro, fez uma etapa em Beirute, para jovens interessados em metodologias de inclusão social para migrantes e refugiados através da arte. Um estímulo para fortalecer as habilidades interculturais e refletir sobre as causas e os efeitos da migração no Mediterrâneo. Adelson, Michele, Ygor e Juan Francisco, representando o Gen Rosso, reuniram-se com jovens da Cáritas do Egito, Cáritas do Líbano e membros da Humanité Nouvelle Lebanon. Eles pousaram em Beirute e foram calorosamente recebidos pelos membros dos Focolares. O principal objetivo da viagem era aprender a usar a música e a arte como ferramentas para aproximar as pessoas, especialmente as que vivem à margem da sociedade, como os migrantes, para fazê-las se sentirem bem-vindas em uma comunidade. “A arte é um meio poderoso”, enfatiza o Adelson do Gen Rosso, “a música chega onde muitas vezes não podemos chegar com as palavras. Uma pessoa pode se sentir amada e responder ao amor de muitas maneiras”. O método é o mesmo de sempre: através de oficinas de canto, música e percussão, os talentos dos participantes são aprimorados em vista da construção da apresentação final. Uma noite, a banda e os participantes do projeto também foram convidados para uma festa organizada pela comunidade dos Focolares de Beirute: fazer música e conhecer uns aos outros. Foi uma oportunidade para compartilhar algumas experiências de vida e descobrir mais sobre a realidade que os jovens libaneses vivem hoje. “Eu quero partir, mas sinto que o Líbano só vai mudar se eu tiver coragem de ficar, se eu colocar em prática o que aprendi”, disse uma jovem durante a noite. “Neste momento, é difícil dizer aos jovens para ficarem, mas as palavras desta garota me impressionaram profundamente”, continua Adelson. “Acho que é aqui que podemos recomeçar: colocar amor nas coisas que fazemos, para nos tornarmos protagonistas de nossa própria realidade. Talvez não veremos os resultados imediatamente, mas estou certo de que em breve o Líbano renascerá, como uma fênix”!

Lorenzo Russo

2022 através dos olhos do Gen Verde

2022 através dos olhos do Gen Verde

As emoções vividas em um ano inesquecível e as perspectivas para o novo ano Dificilmente esqueceremos o ano 2022. A guerra na Ucrânia, comparável a um vírus ainda sem vacina, tem nos marcado todos os dias deste ano que está chegando ao fim. No entanto, foi uma oportunidade para muitos artistas de darem mensagens de paz e esperança. E assim nasceu a música “We Choose Peace”, gravada pelo grupo artístico internacional Gen Verde, logo no início do conflito na Ucrânia. O vídeo clipe, gravado junto com os jovens da cidadela Loppiano e lançado durante a Semana Mundo Unido, esteve em destaque ao longo de 2022, especialmente em vários concertos em toda a Europa. A banda também gravou outra canção, “Walk On Holy Ground”, escrita especialmente para os seguidores de São Vicente de Paulo, mas também para todos aqueles que se sentem chamados a seguir Jesus. “Sentir-me olhada e amada por Aquele que me escolheu como sou”, diz a cantora venezuelana Andreína Rivera, do Gen Verde, “me deu a força para continuar com ainda mais convicção”. Este ano também foi marcado pelo retorno de concertos em praças e teatros, com oficinas e laboratórios, após mais de dois anos de parada devido à pandemia. Houve vários concertos do Gen Verde na Itália e uma turnê europeia muito especial. A experiência mais forte foi na prisão feminina de Vechta, na Alemanha. “Pela primeira vez eu pude me sentir como se não estivesse na prisão. Foi tão bonito”, disse uma detenta após o concerto. “Não senti nenhuma diferença entre nós e as artistas, elas eram exatamente como nós. Algumas delas até tinham lágrimas nos olhos. Elas realmente nos entenderam”. E ainda: “Muitas canções foram tão apropriadas para a nossa situação, especialmente a canção ‘Do outro lado’, porque ajuda a não julgar aqueles que são diferentes de você”. Outra reclusa enfatizou como “o tempo passou tão rápido e nós não queríamos que o show acabasse. As histórias nas canções exprimem o meu passado e é por isso que não me sinto mais sozinha com o meu sofrimento. Agora eu sei que outras pessoas, com a mesma história, com a mesma dor, conseguiram encontrar a felicidade novamente”. Estávamos falando sobre o retorno após a pandemia. Para o Gen Verde, foi emocionante retomar com o Start Now Workshop Project (Projeto Oficina Começar Agora, n.d.t.), ou seja, conhecer os jovens nas oficinas de arte e subir ao palco com eles. “Foi ótimo conhecer jovens de diferentes partes da Europa”, confidenciou Raiveth Banfield, uma cantora panamenha, que faz parte do Grupo. “Ao compartilhar nossas experiências, vimos um brilho novo nos olhos dos jovens. Uma confirmação de que vale a pena viver pela fraternidade universal”. Estas palavras são ecoadas pelas de duas jovens eslovacas que participaram do projeto: “Antes de virmos, não sabíamos realmente no que estávamos nos metendo. No início nem sequer queríamos sair do nosso comodismo para participar. Então, nas oficinas descobrimos que todos nós tínhamos muito em comum, embora não nos conhecêssemos ou não pudéssemos entender uns aos outros por causa dos diferentes idiomas. Assim, descobrimos que cada um de nós tem um pouco de luz dentro de si, apesar de alguma pequena escuridão. Esta experiência é inesquecível: vamos levá-la conosco para o resto de nossas vidas”. O Gen Verde está começando a vislumbrar um 2023 cheio de surpresas e novidades. “Estamos nos preparando, há vários meses, porque o novo ano será cheio de viagens, turnês, concertos e também de várias surpresas”, diz Alessandra Pasquali, cantora e atriz italiana. “Ainda não podemos revelar muito, porque estamos criando muita coisa, há muito trabalho em andamento”. No início de 2023, o Gen Verde estará de volta à Alemanha e depois na Áustria, Romênia e no verão em Portugal para a Jornada Mundial da Juventude, assim como em várias cidades italianas. Entre estas, em 24 de fevereiro, em Assis, haverá um concerto dedicado à paz.

Lorenzo Russo

Info: https://www.genverde.it/

Peru: a oração, lugar de encontro

A oração não é somente o melhor caminho para buscar Deus, mas, mais do que qualquer outra coisa, é estar disponível para deixar-se encontrar por Ele. É desta experiência de graça que deriva a nossa força, e é justamente na oração que alguns jovens do Peru, diante de uma situação dolorosa, encontraram a resposta. Como viver a oração? É sobre este tema que as comunidades do Movimento dos Focolares serão chamadas a refletir durante este ano e que teve um papel de protagonismo durante o Gen2day, dia 13 de novembro de 2022, um dia que contou com o envolvimento das realidades juvenis do Movimento dos Focolares de várias partes do mundo, conectados em streaming. Foram muitos os testemunhos sobre a oração. Entre estes o de um grupo de Gen de Arequipa (Peru), transmitido, em um vídeo, por Veronica, Alejandra, Anel e Katy. “Queremos compartilhar com vocês uma experiência de amor, unidade e oração que vivemos recentemente e que diz respeito a uma Gen, nossa grande amiga, Pierina. Uma semana depois do seu aniversário aconteceu algo inesperado, uma notícia que abalou a todos: Pierina tinha tido um mal-estar com consequências muito sérias. Logo compreendemos a gravidade da situação e que haveria um processo longo e delicado. Estávamos muito preocupados e sentíamos as mãos atadas. O que fazer? De repente nasceu no nosso coração a ideia de rezar um terço e uma oração à Bem Aventurada Chiara Luce Badano, pela saúde da Pierina. Juntamente com a comunidade dos Focolares de Arequipa, começamos a nos encontrar, de modo virtual, todos os dias às oito ou às nove da noite. Observamos como, aos poucos, este momento vivido juntos produziu muitos frutos, inclusive em nós. Esse terço era a nossa força, todas as noites. Ainda que a situação continuasse difícil, colocávamos tudo nas mãos de Deus: a saúde da Pierina, a sua cura e também a força para a sua família. Passaram os meses e foi uma alegria ver que Pierina conseguiu sair da terapia intensiva e começou uma lenta recuperação. Pareceu-nos um sinal de que esta oração devia continuar. Percebemos que este espaço precioso, que tínhamos conseguido preservar, havia se tornado um momento para experimentar a unidade entre nós, no qual cada um podia não apenas confiar a Deus a vida da Pierina, mas levar suas próprias dores, cansaços, compartilhar e descobrir a beleza do encontro com Deus. Uma experiência maravilhosa que até hoje é uma força para todos nós”.

Aos cuidados de Maria Grazia Berretta

Narrativas de paz para mudar o mundo

Vinu Aram, diretora do Shanti Ashram, visita o Centro Internacional do Movimento dos Focolares (Rocca di Papa – Roma). Um momento de grande partilha, recordando a herança preciosa que o encontro com Chiara Lubich lhe deixou: viver em unidade por um mundo melhor. Uma ocasião especial para os votos de um Natal de alegria para todos os que se preparam a viver esta festa. “Acredito que a nossa viagem continue a ter um grande significado. Basta pensar nas primeiras sementes lançadas, no trabalho que fizemos juntos e no desejo constante de um mundo pacífico. A que ponto estamos? Pensem em uma família, na qual cada um possui a própria particularidade, mas onde existe coesão. Nós confiamos uns nos outros, com respeito e com muito amor”. Foram palavras de fraternidade as que usou Vinu Aram, indiana e hindu, diretora do Centro Internacional Shanti Ashram, há muito tempo amiga e colaboradora do Movimento dos Focolares. A sua recente visita a Margaret Karram, presidente do Movimento, dia 23 de novembro de 2022, no Centro Internacional do Movimento, em Rocca di Papa (Roma), foi uma ocasião para reforçar este elo, refletir sobre algumas temáticas que afligem este tempo e considerar caminhos comuns para tornar o mundo um lugar melhor. Vinu, na sua opinião, do que o mundo realmente precisa hoje? Creio que precise de uma escuta verdadeira e sincera. O que é pedido à humanidade hoje é a humanização da nossa experiência de vida. Fizemos muito, em alguns casos fizemos bem, mas às vezes o custo a pagar foi alto. Estamos bem no meio daquilo que nós definimos uma confluência de crises, e a pandemia do Covid 19 agravou tudo. O vírus não fez discriminações, mas prosperou num mundo desigual. Creio que seja necessário agir reforçados por tudo o que fizemos de bom, mas também informados sobre o que podemos fazer melhor: o respeito pelo ambiente, pela vida humana e a sua sacralidade. O mundo em que vivemos, o modo como governamos e compartilhamos os recursos, prevê uma responsabilidade em relação aos nossos filhos. São o nosso presente e o nosso amanhã. É preciso fazer as coisas não apenas de maneira diferente, mas levando em consideração os interesses de todos. Hoje são demasiados os países e regiões atingidos por violência e conflitos, alguns dos quais esquecidos. Como professora, que mensagem dá aos seus alunos? Promover neles uma mentalidade de paz, para que não apenas as nações e as comunidades possam trabalhar pela paz, mas também os povos. A paz é a base fundamental sobre a qual avança a prosperidade. Mas, se olharmos para o mundo, os indicadores de violência superam os de vida pacífica. Seja na esfera social, seja na esfera econômica, ou outra. E qualquer conflito tira a dignidade essencial da vida humana. O que precisamos é de narrativas de paz. As pessoas devem acreditar que é possível. Precisamos de experiências vividas, diante das quais jovens e crianças possam dizer: ‘Ah! Se isso funciona nós podemos fazer o mesmo!’. Servem estruturas justas, partilha e diálogo de altíssima qualidade, sinceros, que tragam verdadeira transformação. Assim, como dizia muitas vezes o Mahatma Gandhi, de modo suave, podemos sacudir o mundo.

Maria Grazia Berretta

Activar legendas em português https://youtu.be/Sm3O6PbLE1A?list=PLKhiBjTNojHqtFwgi5TYI3T7zRvAuOZiD