Movimento dos Focolares
Pela unidade dos cristãos

Pela unidade dos cristãos

PasqualeForesi_con giovani«Entre os cristãos aconteceu o mesmo que com um casal. Na vida conjugal as dificuldades são inevitáveis. Só que se existe o amor, elas servem para manter e fazer com que cresça a unidade. Quando o amor não existe os problemas se tornam um obstáculo insuperável e se apresentam como motivo da separação. Porém, na verdade, não são os problemas que destruíram a família, mas a falta de amor. Do mesmo modo entre as Igrejas. A divisão aconteceu não só por motivos religiosos ou teológicos, mas também – e com frequência, principalmente – por motivos políticos, econômicos, culturais. Na medida em que o amor crescer, a falta de unidade se tornará insuportável e os problemas se superarão. Acho que um dia as várias Igrejas, sem abandonar a própria tradição e todas aquelas expressões legítimas que desenvolveram através da história, poderão participar, quando Deus quiser, de um Concílio reunificador para poder fazer de modo que a Igreja, embora mantendo muitas expressões, seja una. Por enquanto é talvez prematuro, mas Deus em um dia pode fazer com que vivamos mil anos. Seria um acontecimento que tocaria profundamente inclusive todos os membros das grandes religiões». Da “COLLOQUI”Pasquale Foresi Città Nuova 2009 – pag. 155-156-161

#riscaldiamolasiria: aqueçamos a Síria

#riscaldiamolasiria: aqueçamos a Síria

#riscaldiamolasiria_1“Um contato da comunidade do Movimento dos Focolares, na fronteira com a Síria, nos falou sobre a situação crítica que se vive naquele país. Na Síria o inverno é muito rigoroso e a população não tem como aquecer as casas e nem o vestuário apropriado para suportar a temperatura baixa. Eles não têm nem mesmo a possibilidade de comprá-lo, por causa da dificuldade econômica e, também pelo embargo, que não permite a chegada desses indumentos. Após uma rápida conversa entre nós chegamos à conclusão que podemos e queremos fazer, imediatamente, alguma coisa por esses nossos irmãos. Por meio de um grupo do Facebook, que mantem conectados todos os jovens dos Focolares na Itália, alargamos o pedido de ajuda a todos, difundindo-o com o hashtag #riscaldiamolasiria. A solução mais imediata para atender às necessidades deles era a de enviar um pacote com as roupas adequadas. Começamos por nós, a abrir o próprio guarda-roupa, e depois a organizar pontos de recebimento em toda a Itália, para recolher os agasalhos. A generosidade de todos foi imediata! Com a ajuda também dos adultos do Movimento e de todas as comunidades, em poucos dias muitos pacotes continuam chegando à Síria. No início o nosso entusiasmo para ajudá-los parecia diminuir diante dos altos custos para a expedição, mas, por meio das notícias que circulavam on-line, conseguimos identificar a tarifa mais econômica e segura. Não queremos interromper a nossa ajuda a eles! Continuaremos a nos fazer presentes, concretamente, com todos os meios que temos à disposição. Por enquanto enviaremos o necessário para a Síria e, as outras coisas serão doadas a quem tem mais necessidade nas nossas cidades”. Maria Chiara De Lorenzo

Aachen (Alemanha) – Prêmio Klaus Hemmerle 2016

Aachen (Alemanha) – Prêmio Klaus Hemmerle 2016

Dream_AwardNa motivação do prêmio, o reconhecimento ao seu trabalho, e ao trabalho da comunidade de Sant’Egídio, na luta contra a AIDS, e à capacidade, como mulher muçulmana, de criar, de maneira excepcional, pontes entre cristãos e muçulmanos, demonstrando, com a sua vida, que é possível entre eles uma convivência pacífica e uma colaboração eficaz. Entre os presentes na cerimônia de outorga também Annette Schavan, embaixadora alemã junto à Santa Sé, que proferirá a Laudatio. Como memorial da pessoa e da herança espiritual do bispo católico de Aachen, Klaus Hemmerle (1929 – 1994), o Movimento dos Focolares confere um prêmio a personalidades que se destacam como “construtores de pontes” de diálogo entre as igrejas, as religiões e as diferentes visões do mundo. O prêmio é dado a cada dois anos. www.fokolar-bewegung.de Projecto DREAM

Collegamento CH

O sumário das notícias estará disponível no site do Collegamento CH nos dias que antecedem a transmissão. No mesmo site podem ser acessadas também as edições integrais, e as notícias separadamente, das edições anteriores do Collegamento CH. https://vimeo.com/154703542

Dubai: aquelas flores no deserto, testemunhas entre os arranha-céus

Dubai: aquelas flores no deserto, testemunhas entre os arranha-céus

Dubai2Das centenas de comunidades que, no decorrer dos anos, se formaram em cada canto do mundo ao redor da espiritualidade dos Focolares, a dos Emirados Árabes tem uma sua originalidade e unicidade. De fato, se trata de um grupo composto por pessoas do Movimento, nenhuma das quais é originária do local. São pessoas, frequentemente famílias inteiras, provenientes de vários países da Ásia ou do Oriente Médio, mas também da Europa e América Latina, que chegaram no Golfo Pérsico por motivo de trabalho e que, ao terminar os seus contratos, deixarão esta parte de mundo. Com efeito, os estrangeiros constituem quase 90% da população dos Emirados, mas são uma presença flutuante e o grupo das pessoas dos Focolares faz parte deste setor do país. Em um dos hotéis desta capital mundial da finança, se encontraram – sexta-feira, 15 de janeiro – cerca de oitenta pessoas. As profissões e os empenhos, os mais diferentes: engenheiros civis, funcionária de embaixada, professores dos ensinos fundamental e médio, enfermeiros, informáticos, pesquisadores universitários e inclusive trabalhadores, talvez, mais humildes. Alguns estão aqui há anos, cresceram neste mundo e viram o desenvolvimento vertiginoso, outros chegaram há pouco tempo. Alguns têm filhos nascidos aqui, outros, talvez, partirão logo. Em geral, os motivos destas transferências estão ligados a situações difíceis do ponto de vista econômico nos países de proveniência com salários que nunca poderiam sonhar nas nações de origem. Uma situação complexa, muitas vezes surreal, uma vida feita de trabalho, no centro de um mundo no ápice do consumismo. Aqui os cristãos se reúnem segundo as comunidades linguísticas e dos países de proveniência e, sobretudo, nas igrejas de Dubai, todas as sextas-feiras, dia festivo, em se tratando de um país muçulmano. As pessoas que se reuniram nestes dias vinham inclusive de outros cantos da região: Doha no Qatar ou Abu Dhabi, Sharja e Fujera sempre nos Emirados, de Omã e do Bahrein. A ocasião para este encontro foi a escala, nos Emirados, de Maria Voce e Jesús Morán no início de sua viagem à Índia. Um momento de partilha com esta comunidade original. A manhã transcorreu rapidamente, entre a apresentação da história da presença de pessoas do Movimento, caracterizada também por visitas de focolarinos do Paquistão, da Índia ou das Filipinas ou de países do Oriente Médio. Seguiram-se, depois, algumas experiências que revelaram a verdadeira realidade de como se vive neste aparente paraíso do consumismo imperante, longe da própria cultura, com o perigo de serem sugados por uma mentalidade feita de comodidades, ganhos e lucros. Frequentemente foram deixadas de lado as experiências vividas nos anos juvenis, inspiradas pela espiritualidade de comunhão para reencontrar, depois, inesperadamente e em momentos de grande dificuldade, outros irmãos e irmãs que compartilham o carisma de Chiara Lubich. Dificuldades de relacionamento no trabalho, mas também riscos que correm famílias de se romperem por causa do consumismo e do distanciamento dos valores do país de origem, solidão. E no entanto, também neste ângulo de mundo um grupo de pessoas continuou a se encontrar ao redor da Palavra de Vida em nome do espírito do Focolare. A partir disto, um segundo momento de diálogo com Maria Voce e Jesús Morán, centrado nestes desafios e sofrimentos, sobre os riscos que se corre e sobre a necessidade de uma comunidade viva que saiba ser berço de valores de comunhão, fraternidade e sobriedade evangélica. A presidente e o copresidente dos Focolares recordaram como as primeiras comunidades cristãs estavam espalhadas no grande império romano e de como os cristãos, frequentemente sós e isolados, conseguiam resistir às adulações daquele mundo, graças às suas comunidades, até pequenas. A imagem das flores do deserto voltou várias vezes a ser evidenciada no decorrer do diálogo, recordando como foi Chiara mesma, nos anos 1990, a exprimir com esta imagem os primeiros do Movimento dos Focolares que se acharam vivendo nos Emirados Árabes. E, depois, além da necessidade de competir pelo primado do amor num ambiente que considera primados bem diferentes, emergiu o desafio de permanecer bem enraizados no presente. Não se pode pensar em fazer de outra forma, comentou Maria Voce concluindo o diálogo. O país não garante nada em longo prazo, os contratos de trabalho podem terminar, um emprego pode desaparecer nos jogos financeiros. Então, se torna importante pôr raízes profundas inclusive para aqueles que virão, talvez quando os que vivem hoje nos Emirados não estarão mais aqui. Esta comunidade deve continuar. Causava impressão na conclusão da manhã ver a emoção em muitos rostos, mas também a alegria e o entusiasmo: ter encontrado ou reencontrado uma família espiritual e saber que também aqui se é parte desta grande família mundial.

Giordani: ecumenismo e diálogo

Giordani: ecumenismo e diálogo

IginoGiordani_unita_cristianiIgino Giordani foi um precursor do ecumenismo. A sua sensibilidade ecumênica nasceu quando, no distante ano de 1927, embarcou num navio para os Estados Unidos da América, para ir estudar Biblioteconomia por conta do Vaticano. Aqui descobriu o que ainda não conhecia: os cristãos de várias denominações, e ficou impressionado com a sua religiosidade. Em muitos escritos posteriores Giordani afirmou que o diálogo, e portanto o diálogo ecumênico, tem o seu modelo nas relações trinitárias, por isso põe todos no mesmo plano de amor. A comunhão chama todos ao diálogo. Na mesma medida é preciso doar-se para criar a unidade. «Para eliminar as divisões, no passado se polemizava; hoje se prefere o confronto respeitoso das ideias, se busca convergência, a reconciliação. Hoje se compreendeu melhor que a unidade não é estática, mas dinâmica, e cresce em quantidade e qualidade. Por isso, com o diálogo, que assinala uma “reviravolta histórica” inovadora, termina a polêmica, o choque, a excomunhão e, vice-versa, começa a compreensão, e a aquisição das verdades e virtudes dos outros. O diálogo, pelo qual se encontram expoentes de duas ou mais igrejas, não é propaganda nem academia. A posse da verdade não impede a penetração inesgotável dos mistérios, nem o real progresso dos dogmas. O dogma deve ser aprofundado, reinterpretado. IginoGiordani_unita_cristiani_b«O diálogo ecumênico não nasce das diferenças doutrinais que existem entre os dois (ou mais), mas da unidade que já existe entre eles, do patrimônio comum a todos. O clima psicológico do diálogo é a simpatia, ou melhor, a caridade. Diz Maritain: “Uma perfeita caridade para com o próximo e uma perfeita fidelidade à verdade são não só compatíveis, mas se evocam reciprocamente”. Pela função profética do Povo de Deus, o cristão deve comunicar as verdades que possui e deixar comunicar a si as verdades possuídas pelo outro. Por tal função profética, o cristão não deve limitar o diálogo ao aspecto teológico (e fazer dele um trabalho de especialistas). A unidade não é apenas um problema técnico e teológico, é problema de caridade. «Os interlocutores devem se tratar de igual para igual. Estima recíproca, nada de subentendidos ou astúcias, nada de palavras ofensivas. Esta paridade não significa confusão ou equiparação de doutrinas. Significa consciência de pertencerem ambos ao Corpo Místico de Cristo. Devem aceitar o pluralismo, reconhecendo cada legítima diversidade. São mais fortes as coisas que unem os fiéis do que as que os dividem (Gaudium et spes, 92). Caso contrário, o diálogo se reduz a monólogos alternados. Todos os cristãos são chamados ao exercício do diálogo. Para isso, podem se servir de cada encontro (trabalho, turismo, estudo, etc.). Não se admitem barricadas entre uma confissão e outra: mas se abrem todas as portas para chegar ao encontro e ao diálogo. A obra é longa e difícil, mas Deus a quer».