Movimento dos Focolares
Calcedônia: novo pacto entre bispos cristãos

Calcedônia: novo pacto entre bispos cristãos

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© CSC Audiovisivi – R. Meier

A rota do 34° simpósio de bispos de várias igrejas, promovido pelos Focolares, se voltou para a terra firme. Um dia monótono e chuvoso acompanhou o deslocamento do Mosteiro de Halki rumo à Calcedônia. Após uma hora de navegação, se chegou a Kadikoy, a antiga Bitínia, onde se realizou o IV Concílio ecumênico, em 451. O grupo dos 35 bispos de 16 igrejas foi acolhido na igreja de Cristo Rei, à qual compete um vasto território onde vivem 3 mil pessoas da comunidade armênia local. O pároco explicou porque o Concílio de Calcedônia aconteceu não longe desta igreja. Estava em discussão uma questão fundamental do cristianismo: a natureza humana e divina do Cristo. Como os padres conciliares não conseguiam se colocar de acordo, confiaram a resolução ao Espírito Santo, que no Oriente as pessoas consideram como sendo feminino. Este lugar tão significativo e histórico serve de inspiração para compreender que «o caminho rumo à unidade na diversidade – disse o cardeal Francis Kriengsak – às vezes é fatigante e doloroso, mas se formos fiéis pode gerar frutos para os séculos».
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© CSC Audiovisivi – R. Meier

Como é tradição nestes simpósios de bispos, seguiu-se um solene pacto de amor recíproco que envolveu todos os presentes com a promessa de “estar prontos a dar a vida uns pelos outros” segundo o mandamento de Jesus “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Inspiração acompanhada pela leitura das palavras do Patriarca Atenágoras: «Se nos desarmarmos, se nos despojarmos, se nos abrirmos ao Deus-homem que faz novas todas as coisas, então é ele que cancelará o passado ruim e nos restituirá um tempo novo onde tudo é possível». A assinatura de cada um diante de um ícone mariano selou o compromisso. «O pacto de amor recíproco entre bispos de igrejas diferentes – explicou Brendan Leahy, bispo católico de Limerck, na Irlanda – é um chamado constante a me abrir, a não me fechar na minha diocese. Significa evitar a superficialidade para ir à raiz do nosso ser cristãos e bispos». Para Michael Grabow, bispo luterano de Augsburg «é um compromisso a viver o radicalismo do amor e a me recordar que, mesmo se somos de igrejas diferentes, somos irmãos e irmãs». Geoffrey Rowell, bispo e teólogo inglês e anglicano, lembrou que «estamos unidos pelo mesmo pacto inclusive com os bispos ortodoxos raptados em Aleppo, na Síria, dos quais não sabemos nada. Enquanto os meios de comunicação se esquecem, nós queremos sempre recordá-los porque estamos ligados por uma fraternidade comum ». «No nosso trabalho quotidiano de bispos – comentou o metropolita indiano Theophilose Kuriakose da igreja copta ortodoxa síria – ouvimos muitas pessoas para resolver os seus problemas, mas algumas vezes nos sentimos sozinhos porque não tem ninguém que ouça os nossos. Precisamos perceber a unidade, a fraternidade que faz com que nos sintamos irmãos sem desconsiderar, naturalmente, a minha comunhão com Deus e a escolha de Jesus crucificado e abandonado. Este pacto permanece selado no meu coração, me dá força e faz com que eu me sinta responsável na comunhão com os outros». Do enviado Aurélio Molè    

À espera do Natal

À espera do Natal

20151129-01«Muitas vezes, pelo nosso modo de falar, somos levados a fazer uma ideia inexata do que aconteceu em Nazaré, no momento em que o anjo comunicou à Virgem santa que o Verbo se fazia carne. Somos levados, com uma mentalidade antropomórfica, a considerar Deus longe de nós, lá em cima, nos céus, que envia o seu Filho num lugar longínquo para se fazer homem. Não é assim. Deus está em toda a parte, no céu, na terra, em todo lugar. Deus, portanto, estava no quarto da Virgem, em Nazaré, quando lhe apareceu o anjo. Estava, porém, infinitamente distante das criaturas, pelo abismo do pecado e pela sua natural pequenez. No instante em que a Virgem pronunciou o seu fiat, no seu seio puríssimo Deus esposou a natureza humana, esposou a criatura, operando uma aproximação inimaginável entre a divindade e o universo. Desde então, ele se acha em nosso meio. Aquela distância infinita, que a nossa imaginação exprimia, como que colocando Deus longe de nós, acima dos céus, foi anulada: Ele está na terra, é nosso concidadão». Pasquale Foresi, Teologia da socialidade, Cidade Nova, pág. 48

Palavra de Vida – Dezembro de 2015

Essas palavras são dirigidas a mim. O Senhor vem, e devo estar pronto para acolhê-lo. A cada dia eu lhe peço: “Vem, Senhor Jesus”. E Ele responde: “Sim, eu venho em breve” (cf. Ap 22,17.20). Ele está à porta e bate, pede para entrar em casa (cf. Ap 3,20). Não posso deixá-lo fora da minha vida. O convite a acolher o Senhor que vem é de João Batista. Era dirigido aos judeus de seu tempo. Ele os convidava a confessar os próprios pecados e a converter-se, a mudar de vida. Ele tinha a certeza de que a vinda do Messias era iminente. Será que o povo, que também o esperava havia séculos, o reconheceria, escutaria as suas palavras, haveria de segui-lo? João sabia que, para acolhê-lo, era necessário preparar-se. Daí o convite urgente: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para Ele.” Essas palavras são dirigidas a mim, porque Jesus continua vindo ao meu encontro todos os dias. Cada dia Ele bate à minha porta. E também para mim, como para os judeus do tempo de João Batista, não é fácil reconhecê-lo. Naquele tempo, contrariando todas as expectativas, Ele se apresentou como um humilde carpinteiro proveniente de Nazaré, um povoado pouco conhecido. Hoje Ele se apresenta no perfil de um migrante, de um desempregado, do patrão, da colega de escola, dos familiares e até mesmo de pessoas nas quais o semblante do Senhor nem sempre se mostra em toda a sua luminosidade; pelo contrário, às vezes parece estar escondido. A sua voz delicada, que convida a perdoar, a oferecer confiança e amizade, a não se conformar com opções contrárias ao Evangelho, é muitas vezes abafada por outras vozes que incitam ao ódio, à prática de tirar vantagem, à corrupção. Daí a metáfora dos caminhos tortuosos e acidentados, que lembram os obstáculos que se contrapõem à vinda de Deus na nossa vida de cada dia. Não vale a pena enumerar a mesquinhez, o egoísmo, os pecados que se aninham no coração e nos tornam cegos à sua presença e surdos à sua voz. Cada um de nós, se for sincero, sabe quais são as barreiras que lhe impedem o encontro com Jesus, com a sua Palavra, com as pessoas com as quais Ele se identifica. Eis então o convite que a Palavra de Vida dirige hoje exatamente a mim: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para Ele.” Endireitar aquele julgamento que me leva a condenar o outro, a não falar mais com ele, para chegar a compreendê-lo, a amá-lo, a colocar-me a seu serviço. Endireitar aquele comportamento ambíguo que me faz trair uma amizade, me faz ser violento ou ludibriar as leis civis, para em troca converter-me em alguém disposto a suportar até mesmo uma injustiça para salvar um relacionamento, a ser prejudicado se necessário, para fazer crescer a fraternidade no meu ambiente. A Palavra que nos é proposta neste mês é dura e forte, mas também libertadora. Ela pode mudar a minha vida, abrir-me ao encontro com Jesus, fazendo com que Ele venha a viver em mim, e que seja Ele em mim a agir e a amar. Essa Palavra, se vivida, pode fazer ainda muito mais: pode fazer nascer Jesus em meio a nós, na comunidade cristã, na família, nos grupos em que atuamos. João Batista dirigiu-a a todo o povo: e Deus “veio morar entre nós” (Jo 1,14), em meio ao seu povo. Por isso, ajudando-nos uns aos outros a endireitar as veredas dos nossos relacionamentos, a eliminar todo desacerto que talvez exista entre nós, queremos viver a misericórdia para a qual somos convidados neste ano. Dessa forma nos tornaremos juntos a casa, a família capaz de acolher Deus. Está chegando o Natal: Jesus encontrará o caminho aberto e poderá permanecer entre nós. Fabio Ciardi (Cf. também o comentário à Palavra de Vida de dezembro de 1982)

Turquia: na ilha de Heybeliada (Halki) um vento de unidade

Turquia: na ilha de Heybeliada (Halki) um vento de unidade

P1250890Eram 9 horas do dia 25 de novembro. Uma leve brisa soprava sobre a ilha: Heybeliada (Halki), um pequeno oásis de paz no Mar de Mármara, a poucas milhas de Istambul. No alto da colina acima do porto se ergue o Mosteiro ortodoxo Aya Triada (SS. Trindade), que acolhe este ano o 34° Simpósio de bispos de várias Igrejas, promovido pelo Movimento dos Focolares. Fundado no século IX, foi devastado várias vezes por incêndios e terremotos. O edifício atual remonta ao final do século XIX e já foi sede da prestigiosa Academia teológica grego-ortodoxa. Hospeda uma biblioteca que conserva preciosos manuscritos antigos e um total de 120 mil livros. No ingresso do Mosteiro um insólito cenário: 35 bispos de 16 Igrejas e provenientes de 19 nações conversavam fraternamente. Com eles também estavam Maria Voce e Jesús Morán, presidente e copresidente dos Focolares, e outros participantes do Simpósio. Chegou do porto o Patriarca ecumênico Bartolomeu I: «Estou contente por estar junto com vocês», afirmou com simplicidade e se dirigiu junto com todos para dentro. De fato, seria ele que faria o discurso de abertura do encontro: «Juntos pela casa comum: a unidade dos discípulos de Cristo na diversidade dos dons». P1250951O Card. de Bangkok Francis Kriengsak, em nome de todos, cumprimentou o Patriarca e lhe agradeceu por ter desejado acolher o Simpósio. «Estamos aqui no coração da Ortodoxia, composta por Igrejas antiquíssimas e não raramente mártires» afirmou, introduzindo os participantes. Também se fez presente no Simpósio o Primaz da Comunhão anglicana, o Arcebispo de Canterbury Justin Welby, com uma sua mensagem. «Continuo a considerar o Movimento dos Focolares – escreve – como um dos faróis de esperança no nosso mundo dividido. Com o seu empenho pela unidade através do respeito mútuo e do diálogo, oferece um caminho característico rumo à reconciliação para além das diferenças e das inimizades». Bartolomeu I recordou a sua recente visita a Loppiano para o doutorado honoris causa que lhe foi conferido pelo Instituto Universitário Sophia. Um encontro – disse – em que experimentamos o amor sincero, sem “se” e sem “mas”. Depois começou a falar do Simpósio. «Como podemos chegar a harmonizar as diversidades dos carismas das nossas Igrejas hoje, com a unidade dos discípulos de Cristo e sermos “typos” (modelo) para a unidade do mundo?», se perguntou e observou: «Demasiadas vezes as diversidades aparecem como elemento fundamental e não como carisma e saboreamos isto todos os dias diante das dificuldades, que o gênero humano vive como exclusividade e conflitualidade». P1250991No panorama mundial em que dominam o desencorajamento, a incerteza e a desconfiança, acentuados pelos acontecimentos dos últimos dias, o olhar do Patriarca estava dirigido para a esperança. Como cristãossalientou – «devemos recuperar rapidamente o sentido da unidade como recapitulação dos dons», a «riqueza das diversidades… a oferecer e receber em troca». «A unidade do mundo, o respeito pela Criação de Deus, dom do seu amor – explicou –, será dado pela capacidade de acolher a experiência dos outros como riqueza para todos, como um caminho de unidade, de respeito e de reciprocidade», «livre de todo tipo de condicionamento ideológico, político e econômico». «Subi aqui ainda mais feliz porque encontrei vocês me acolhendo… como uma família», foram palavras do Patriarca que, no final lançou um apelo aos bispos presentes e ao povo confiado a eles: se como cristãos fizermos esta experiência, «seremos realmente o “sal do mundo” e o mundo começará a viver uma profunda metamorfose». Da enviada Adriana Avellaneda

Descoberta da afetividade

Descoberta da afetividade

20151126-01 O lançamento deste inovador e esperado projeto aconteceu recentemente em Loppiano, a mariápolis permanente internacional dos Focolares, com o primeiro curso para tutor. Uma centena – número máximo previsto pelos organizadores – de participantes de várias tipologias: professores, psicólogos, médicos e especialistas em animação juvenil vieram de oito países europeus e também do Brasil, da Argentina, da Índia, do Burkina Faso e da República dos Camarões. Muitos eram pais, dos quais vários presentes como casal, ou entusiastas formadores de crianças e adolescentes. Como pré-requisito, para além de uma boa capacidade de escuta e de empatia, pedia-se que, da mesma região participassem duas pessoas, um homem e uma mulher. Porque – sempre segundo os organizadores – para ajudar os jovens a descobrirem os valores da afetividade e da sexualidade é importante ter em conta tanto a sensibilidade masculina quanto a feminina. 20151126-02O projeto nasce da sinergia entre famílias, animadores juvenis e especialistas em várias disciplinas, todos do âmbito dos Focolares, entre os quais alguns professores do Instituto Universitário Sophia de Loppiano (Florença). A sua finalidade é acompanhar os adolescentes num percurso de formação integral, onde a sexualidade é iluminada pela visão antropológica que tem como referência a pessoa em relação com os outros, na sua capacidade de amar e de ser amada, de doar e de acolher. Alegram-se por esta iniciativa principalmente os pais que, diante da complexidade das temáticas, sentem cada vez mais a necessidade de instrumentos atualizados. Foram estes os pressupostos que guiaram a equipe que elaborou o programa Up2Me nas suas várias etapas, nos conteúdos e na sua metodologia, essencialmente interativa, precisamente para facilitar a formação de uma consciência moral nos adolescentes ajudando-os a fazerem escolhas conscientes e a expressá-las com coerência. 20151126-04Os tutor começam a trabalhar a partir de janeiro de 2016. Nas próprias regiões e países já existem jovens que, com o consenso dos seus pais, pretendem frequentar Up2me. É um programa modulado em doze lições, para grupos de 10/20 unidades segundo três faixas de idade: 9-11 / 12-14 / 15-17. Tendo em consideração as múltiplas dimensões da pessoa (corpórea, emocional, intelectual, social, espiritual, histórico-ambiental), as aulas tratam do conhecimento do corpo humano, conceito de pessoa, as imagens estereotipadas pela publicidade e meios de comunicação, identidade sexual, gestão das emoções, conflitos, comportamentos e riscos, influência da Internet. Para dialogar sobre os grandes temas da transmissão da vida, contracepção, aborto e pornografia dinâmicas específicas (jogos de papeis, videoclipes, troca de experiências) ajudarão os jovens no relacionamento consigo mesmo e na descoberta do próprio projeto de vida. Também estão previstos encontros de diálogo e colaboração com os pais. O programa e os conteúdos foram testados em dois cursos pilotos na Itália. 2016 será um ano de experimentação com os primeiros grupos de jovens em vários países da Europa. Ao mesmo tempo, especialistas de vários continentes irão traduzir e adaptar o programa aos diferentes ambientes geoculturais. Valorizando a experiência, no fim do ano o curso para tutor será repetido para multiplicar o percurso Up2me nas várias áreas do mundo. Info: up2me@afnonlus.org