Movimento dos Focolares
Curso para religiosas: “A Eucaristia, mistério de comunhão”

Curso para religiosas: “A Eucaristia, mistério de comunhão”

InvitoA Casa Emaús, localizada na Mariápolis permanente internacional de Loppiano (Incisa Valdarno, Florença – Itália), deseja ser uma “escola de comunhão” e uma “escola de vida” para todas as consagradas do mundo. O curso visa oferecer alguns instrumentos para aprofundar a espiritualidade de comunhão que nos é proposta pela Igreja para o terceiro milênio, à luz da unidade e da vida do Evangelho. Será útil ter em mãos as próprias Constituições, de modo a poder confrontar-se com o próprio carisma e compartilhar, com as consagradas que participarão, os tesouros ínsitos nele, em um clima espiritual de reciprocidade. Veja o depliant.

Bruxelas – “Viver juntos e aceitar as diversidades”.

Diante dos enormes desafios que a sociedade europeia deve enfrentar – neste ano em especial, depois dos ataques em Paris e Copenhague – percebe-se o crescimento da desconfiança, entre as comunidades e em seu interno. Desde o início dos anos 1990, por iniciativa do então presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, o diálogo com as Igrejas e organizações não confessionais, cria ocasiões de um intercâmbio de pontos de vista sobre políticas europeias, entre instituições e atores da sociedade civil. Como viver juntos e construir uma sociedade na qual cada pessoa e cada comunidade possa sentir-se em casa e em segurança? Como encontrar maneiras para acatar as diferenças quando substancialmente não existe o acordo? São algumas das questões abertas no confronto com os líderes religiosos. Entre os convidados encontra-se também a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, que, respondendo ao convite, salienta como o empenho prioritário dos Focolares é “construir pontes por meio de um diálogo respeitoso, nos mais diferentes níveis, para contribuir à convivência pacífica e de fraternidade entre pessoas de diferentes credos e das mais variadas proveniências étnicas e sociais”.

O Papa em Sarajevo: semear a paz

O Papa em Sarajevo: semear a paz

20150608-b“Em Sarajevo respira-se o ar da paz”, tinha dito o cardeal Puljic na véspera da chegada do Papa. A cidade esperou-o com muita alegria, preparando-se durante alguns meses. Os comentários que colocavam a segurança em alerta foram desmentidos ainda durante a preparação, onde a Igreja e o Estado trabalharam em harmonia. Este trabalho e a disponibilidade por parte dos cidadãos, na prontidão em respeitar as regras, fizeram com que tudo corresse bem”. Sarajevo, a cidade que João Paulo II definiu a Jerusalém europeia, acolheu o Papa em festa. Que a paz esteja convosco era o lema da visita do Papa à Bósnia Herzegovina, “uma terra provada por conflitos do qual o último ainda muito presente na memória dos seus habitantes: bosníacos, sérvios e croatas”, escrive Gina Perkov, jornalista de Novi Svijet (Croácia). “A guerra deixou consequências trágicas: mortos, destruições e o exílio de muitas pessoas. A presença dos católicos (na maioria croatas) diminuiu à metade”. Os habitantes eram agradecidos porque desta vez os olhos de todo o mundo estavam voltados para eles por uma feliz ocasião e com a esperança de que este acontecimento ajudasse a resolver os vários problemas políticos “dos quais também têm culpa alguns países da União Europeia que permitiram e ajudaram a limpeza étnica”, como testemunha no seu recente livro D. Franjo Komarica, bispo de Banja Luka (atual República Sérvia). No estádio olímpico de Kosevo, durante a celebração eucarística com a presença de 70 mil pessoas (das quais 23 mil da Croácia), o Papa dirigiu uma forte mensagem de paz. “A paz é o sonho de Deus, é o projeto de Deus para a humanidade… Hoje, eleva-se mais uma vez desta cidade o grito do povo de Deus e de todos os homens e mulheres de boa vontade: nunca mais a guerra!… Fazer a paz é um trabalho artesanal: requer paixão, paciência, experiência, tenacidade. Bem-aventurados são aqueles que semeiam a paz com as suas ações quotidianas, com atitudes e gestos de serviço, de fraternidade, de diálogo, de misericórdia… A paz é obra da justiça… justiça praticada, vivida… A verdadeira justiça é fazer àquela pessoa, àquele povo, aquilo que gostaria que fosse feito a mim, ao meu povo… A paz é dom de Deus porque é fruto da sua reconciliação conosco… Hoje peçamos juntos ao Senhor um coração simples, a graça da paciência, a graça de lutar e de trabalhar pela justiça, de ser misericordiosos, de trabalhar pela paz, de semear a paz e não a guerra e a discórdia. É este o caminho para a felicidade e para a bem-aventurança”, concluiu. Foram momentos inesquecíveis com este homem, o Papa, que falou não só com as palavras (sintéticas e claras), mas também com os gestos. Um passo novo em direção à paz foi dado. “Hoje não há brigas, nenhum problema, é assim que deveria ser todos os dias”, comentou uma pessoa que passava. À tarde, Papa Francisco encontrou-se com sacerdotes, religiosos, religiosas e pessoas consagradas na catedral, com os representantes das várias confissões e religiões; e no fim com os jovens. A comunidade do Movimento dos Focolares esteve presente nos vários momentos de encontro. 20150608-aO Ideal da unidade chegou na Bósnia Herzegovina em 1975 através de alguns jovens presentes na Mariápolis de Zagreb (Croácia). Em 1992 explode a guerra: inúmeras perdas, destruições, mortos, refugiados. Muitas pessoas em fuga nos vários países da Europa. Procura-se sustentar de todos os modos aquelas que permanecem no país. Como as estradas foram fechadas, pode-se chegar a estas pessoas por meio de alguma carta ou com pacotes de alimentos. Através do amor concreto de quem vive a espiritualidade da unidade, muitos muçulmanos e cristãos encontram este Ideal. Com o fim da guerra, voltando para a Bósnia, estas mesmas pessoas são portadoras e testemunhas deste novo espírito. “No início de 1996, quando é possível, mesmo que exista ainda a guerra, vamos até elas – contam as testemunhas daquele período. Encontramo-nos diante de ruínas, de casas destruídas, de carros armados, controles constantes da polícia e de vez em quando a explosão de uma granada… A cidade de Sarajevo não tinha mais árvores, porque todas foram queimadas pelas granadas ou pelas próprias pessoas que, no frio do inferno, tinham procurado aquecerem-se de algum modo”. A centelha do Ideal da unidade recebida por algumas pessoas muitos anos antes e guardada no coração, acendeu-se plenamente nelas precisamente durante guerra. Estas pessoas marcadas pelo sofrimento, necessitadas de tantas coisas, são capazes de intuir o essencial, sedentas do que é verdadeiro. São católicos, mas também muçulmanos e ortodoxos, todos gratos pela descoberta do amor de Deus que transformou as suas vidas. A situação atual na Bósnia não está resolvida. Os católicos imigram, principalmente os jovens, e teme-se um outro conflito. A comunidade dos Focolares busca a força na unidade, pequeno sinal concreto daquela unidade desejada por João Paulo II, em 1997, por ocasião da sua visita a Sarajevo, quando desejou que Sarajevo se tornasse, depois da tragédia da guerra, o modelo de convivência para o 3° milênio.

Giordani: com a Eucaristia se voa!

Giordani: com a Eucaristia se voa!

Igino Giordani con i giovani«As reflexões de Chiara Lubich sobre a Eucaristia foram para mim como uma revelação. Fizeram-me conhecer de modo mais vasto, mais preciso e profundo o efeito que a Eucaristia tem sobre a sociedade, além de que sobre o indivíduo. Vi que o progresso da consciência cristã, em cada pessoa como na sociedade, depende do progresso da consciência da Eucaristia nos cristãos. Em outros termos: se nós sabemos o que é a Eucaristia e a vivemos por aquilo que é, então obtemos do cristianismo o valor mais profundo, seja para a nossa alma seja para a sociedade. A Eucaristia realiza a união do homem com Deus, ela representa o mistério do amor de Cristo pela humanidade. É a comunhão com Cristo e com os irmãos, é a unidade com ambos. Se deseja-se um progresso das aspirações comunitárias, unitárias, da sociedade de hoje, que são as mais belas aspirações contra os sectarismos, os racismos, as ditaduras, etc., é preciso realizar um progresso dessa consciência eucarística. É necessário viver com profundidade essa realidade. Pode-se dizer que a relação com Deus e com o próprio homem é um mistério eucarístico, aquele no qual Deus se faz homem a fim de que o homem se faça Deus. E nada menos. Com as suas explicações Chiara deseja inserir-nos, conscientemente, não só no pensamento de Cristo, mas na pessoa de Cristo, na sua humanidade e na sua divindade. Quer nos fazer conviver – mediante a comunhão sacramental – com ambas, a divindade e a humanidade de Jesus. É uma revolução que deifica o homem e o coloca contra e acima do processo de degradação em que está a sociedade. Parte da Eucaristia a revolta contra a morte. Assim Chiara impõe um caráter de heroísmo e de santidade à nossa vida. Para estes não serve a mediocridade para estar na convivência humana; vem à mente a pergunta do anjo, dirigida às almas que entravam no purgatório de Dante: “Ó gente humana nascida para voar, porque caís com tão pouco vento?”. Ou seja: ó homem, por que tu, que nasceste para voar até Deus, deixas-te cair no pecado tão facilmente e perdes este voo? A santidade é heroísmo, mas um heroísmo imensamente facilitado pelo alimento cotidiano do pão eucarístico. Ele supõe uma devoção cotidiana, assídua, a cada dia mais alta, acima da mediocridade na qual vive boa parte da humanidade hoje. Uma mediocridade feita de mentiras, luxúria, violência que não é vida, mas que trata de organizar insensatamente a nossa agonia. Com a Eucaristia se voa!». Igino Giordani, Con l’Eucaristia si vola, «GEN» novembre 2004, pp.10-11

Mulheres, religiões e diálogo

Mulheres, religiões e diálogo

20150604-aAtualmente, no mundo ocidental, se discute sobre a teoria do gênero; nos países em via de desenvolvimento é preocupante o drama da exploração; no Oriente Médio os direitos da mulher e a paz. E, ainda no Ocidente, elas são constrangidas a escolher o trabalho ou a família; vidas que sofrem violência… São alguns dos desafios e problemáticas – diferentes segundo as várias regiões geográficas – em discussão nas Nações Unidas, em vista da nova agenda para os Objetivos para o desenvolvimento sustentável, a ser atuada após o ano de 2015 (término do tempo no qual os 193 países membros esperam ter alcançado os famosos Objetivos do milênio). Desafios e problemáticas discutidas também nos três dias promovidos pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz (Roma, 22-24 de maio de 2015), em colaboração com a União Mundial das Organizações Femininas Católicas e a World Women´s Alliance for Life and Family (em português Aliança Mundial das Mulheres pela Vida e a Família). Não somente uma panorâmica sobre as questões mais urgentes ligadas às condições da mulher, mas, nem mesmo, somente um momento de denúncia das violações da sua dignidade e dos seus direitos. As 120 mulheres provenientes de diversos países do mundo quiseram oferecer uma contribuição de experiências e idéias, formuladas depois em um documento final em vista da nova agenda das Nações Unidas para o Desenvolvimento pós-2015. Na sua mensagem ao Cardeal Turkson, presidente de Justiça e Paz, o Papa Francisco, intencionalmente, quis conferir maior expressão às instâncias do universo católico feminino nos processos internacionais, convidando a todos os que são “comprometidos na defesa e na dignidade das mulheres e na promoção dos seus direitos” a deixar-se “guiar pelo espírito de humanidade e de compaixão no serviço ao próximo”. “Assim – continua o Papa – os senhores farão emergir os incomensuráveis dons dos quais Deus enriqueceu a mulher, tornando-a capaz de compreensão e de diálogo para recompor os grandes e pequenos conflitos; de sensibilidade para sanar as feridas e ocupar-se e cuidar de cada vida, também no âmbito social e de misericórdia e ternura para manter as pessoas unidas.” As contribuições foram em diversos âmbitos: antropologia feminina, mulheres e educação, mulheres e diálogo interreligioso, tecnologias unidas à vida e à procriação, os direitos humanos, mulheres e trabalho agrícola, empresa e finança, entre outros. Seguiram-se atividades em ateliês temáticos (termo que recorda a arte do “trabalho artesanal” de fineza e laboriosidade, próprias das mulheres), sobre os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, para uma elaboração de propostas. Rita Mousallem, codiretora do Centro para o Diálogo Interreligioso do Movimento dos Focolares, fez um discurso cujo título é “Diálogo interreligioso, caminho para a paz duradoura. Papel da mulher”, tendo como referência também a própria experiência pessoal de cristã no Oriente Médio. Respondendo a muitas entrevistas, ela evidenciou a capacidade de escuta, característica típica da mulher, que oferece a possibilidade de entrar na própria interioridade e na dos outros; de saber sofrer e esperar até o fim, porque – sendo mãe – sabe muito bem o quanto vale a vida. Estes aspectos, junto a outros, fazem parte do “gênio feminino” – que também o Papa Francisco citou – dom e beleza típica da mulher, chamada a dar a sua contribuição na sociedade hodierna, para o benefício de todos. Leia também: Aleteia

Polônia: diálogo cristão-muçulmano em Katowice

Polônia: diálogo cristão-muçulmano em Katowice

Na Polônia, com os seus 38 milhões de habitantes, dos quais 90% cristãos, os muçulmanos estão entre as minorias20150601-04 religiosas: são 25 mil, ou seja, 0,08% da população. A presença deles teve início com os Tártaros, no século XIV. Depois, houve a imigração da segunda metade do século XX e do pós muro de Berlim. A recente jornada de diálogo insere-se no caminho dos três eventos que sustentam o diálogo entre cristãos e muçulmanos na Polônia. Padre Adam Wąs, do Comitê para as religiões não-cristãs da Conferência Episcopal Polaca, traçou as características do evento: a Jornada do Islã na Igreja Católica na Polônia, instaurada no ano 2000 pela Conferência Episcopal Polaca a pedido do Conselho Misto de Católicos e Muçulmanos, é celebrada anualmente no dia 26 de janeiro; a “Oração pela Paz e a Justiça no Mundo” nasceu depois do dia 11 de setembro de 2001, promovida pelos muçulmanos tártaros polacos; enfim, um evento “sem precedentes no mundo inteiro”, como sublinhou o mufti Nedal Abu Tabaq, da “Jornada do Cristianismo entre Muçulmanos na Polônia”, programada para o dia 29 de maio, e que teve início há três anos pelos muçulmanos da Liga Muçulmana na Polônia. A convite do imã Abdul Jabbar Koubaisy, diretor do Centro e vice-presidente da Liga Muçulmana na Polônia, participaram do encontro cerca de 50 pessoas: representantes das autoridades locais, das igrejas católica, ortodoxa e luterana; da Universidade da Slesia e também da Comunidade Hebraica de Katowice. Convidados de honra: Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, e Jesús Morán, copresidente. «O diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, portant20150601-05o, é um dever para os cristãos, como para as outras comunidades religiosas» (EG, 250), recordou o metropolita de Katowice, arcebispo Wiktor Skworc, na sua mensagem lida por D. Tadeusz Czakański, seu delegado para o diálogo com o Islã. Focalizando o tema do encontro sublinhou como «o fundamento do completo ensinamento de Jesus Cristo está no amor misericordioso para com o próximo», fazendo votos de que este encontro inter-religioso em Katowice ajude a todos «a viverem mais profundamente o mistério da Misericórdia de Deus» e que «contribua para uma maior abertura uns para com os outros, para que se possa colaborar mais eficazmente no campo do cuidado para com os oprimidos e os excluídos». Maria Voce, no seu discurso, recordou algumas passagens das Escrituras cristãs que falam de Jesus desde o seu nascimento, salientando o seu amor concreto para com cada pessoa. «Foi este amor universal, sem reservas, que fascinou todos aqueles que fazem parte do Focolare e tornou-se a nossa regra de vida», constatou a presidente dos Focolares. «Uma das intuições de Chiara Lubich, que constitui um dos fundamentos da espiritualidade da unidade desde os seus primeiros dias, foi a descoberta do valor do mandamento por excelência de Jesus: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem um amor maior do que este: dar a vida pelos próprios amigos” (Jo 15,12-13)».20150601-06 «Amar sempre deste modo não é fácil – constatou Maria Voce – às vezes ou muitas vezes este amor ao irmão exige esforço, sacrifício… Mas também neste caso Jesus pode ser o nosso modelo: ele amou até ao ponto de dar a sua vida por nós». E, enfim, desejou a todos: que Deus – «o maior e o mais misericordioso, ajude-nos a ver-nos todos como irmãos com a medida que ele mesmo revelou-nos, para construirmos juntos um mundo onde reine a fraternidade e, portanto, a paz plena e verdadeira que todos esperamos». O Mufti Nedal Abu Tabaq, responsável de todos os imãs na Polônia, afirmou que no Alcorão está escrito que “Jesus é o sinal. Ele não só foi concebido milagrosamente, mas também realizou milagres, curou os doentes, ressuscitou os mortos. Cada um de nós – destacou ainda – deve “ressuscitar a luz em quem sofre (…). Não sejamos apenas velas, que se podem apagar, mas sejamos esta luz que brilha, e esta luz está presente em cada pessoa, porém, nós devemos revelá-la, devemos fazê-la emergir (…) nos necessitados, como fez Jesus Cristo (…). É este o Jesus que amo, que conheço, que louvo”. Ações comuns em favor do diálogo inter-religioso, a ameaça do valor da família e a necessidade de protegê-la juntos, como pessoas que acreditam, educação dos filhos ao diálogo, foram algumas das questões tratadas num fraterno diálogo com Maria Voce e Jesús Morán, na segunda parte do encontro. A oração do “Pai Nosso” recitada pelos cristãos e a oração “D’ua” dos muçulmanos foram a conclusão do evento. O sinal da paz, com um aperto de mão ou um abraço, trocado entre todos exprimiu o amor fraterno vivido nestas horas entre cristãos, muçulmanos e hebreus. Uma Jornada do Cristianismo entre os muçulmanos na Polônia para sempre lembrar.