Movimento dos Focolares
Igino Giordani: O mistério pascal

Igino Giordani: O mistério pascal

20150401-01«Na liturgia pascal agradecemos a Deus por ter feito resplandecer “Cristo em plena luz, que depois de ter salvado os homens com o seu mistério pascal, inundou a Igreja de Espírito Santo e a enriqueceu admiravelmente de dons celestes”, entre os quais o sacerdócio real conferido a todos os fiéis.

A Igreja, portanto, é santa porque é plena de Espírito Santo; é o Corpo de Cristo que é a santidade completa. Cristo a instituiu para, com ela, continuar a redimir e a tornou instrumento de libertação do mal e de atração ao bem. O Evangelho realizado, a humanidade recuperada, a convivência com Deus em unidade perene, a graça comunicada ininterruptamente: esta é a Igreja.

E a Igreja somos nós, todos juntos, com os sacramentos e a doutrina, ao redor do papa e dos bispos, compondo um corpo social, cujas artérias contêm o sangue de Cristo, cuja alma é o Espírito Santo, princípio de santificação. Desta forma, a Igreja é a digna morada da Trindade divina na terra. Alessandro Manzoni a chama “mãe dos santos, imagem da cidade celeste”.

A sua missão é a nossa santificação. E o mistério pascal resume o objetivo pelo qual estamos neste planeta e o objetivo pelo qual o próprio Filho de Deus desceu no planeta para ser crucificado».

Giordani continua evidenciando o fato de que o homem é sedento de santidade e de verdade e rejeita arrastar uma existência sem sabor e sem cor: quer viver e não definhar-se. É por isso que erramos se propomos um cristianismo lânguido, ambíguo, iludindo-nos de atrair as pessoas desta forma.

«O dizer e não dizer gera uma “terra de ninguém”, uma região desértica.

Não é um serviço ao Senhor, cuja palavra foi sempre explícita: não presta um serviço a Deus e provoca desgosto exatamente àqueles a quem se pensa de tornar mais fascinante o pensamento religioso.

Quem suavizou a verdade, quem camuflou a cruz em peça de decoração, subtraiu ao povo a beleza e a potência do mandamento divino, que exorta a dar a Deus o corpo, a alma, tudo, tomando posição por Cristo, a ponto de tornar-se Ele. Sim, sim; não, não: ensina o Evangelho e a Igreja exige o mesmo.

Os meios termos enfraquecem a fé e anulam a Igreja. “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade!”, Jesus pediu ao Pai enquanto estava para consumar o supremo sacrifício do amor. Na verdade e não na neutralidade, na mediocridade ou na banalidade…

Se se acolhe Cristo na sua totalidade, então, durante o dia inteiro, qualquer trabalho que se faça é usado para professar a fé. A vida, desta forma, torna-se uma ação maravilhosa, quase uma liturgia ininterrupta na qual, ricos ou pobres, doentes ou sadios, homens ou mulheres, idosos ou jovens, todos têm algo a fazer, todos têm algo a edificar. Edificar um destino eterno com materiais do tempo.

Essa é a nossa santificação, que não é uma deserção da vida. É vivê-la, inteira e sadia, eliminando as toxinas.

Cristo solicita a todos, também a você e a mim, de segui-lo rompendo os laços com o passado, com aquilo que é morto, reencontrando-nos em uma juventude perene. Esta é a liberdade.

Considerada desta forma, a Igreja, com a qual o Salvador continua a doar a sanidade, parece um divino ministério da saúde: sacramento que transforma a morte em ressurreição.

Igino Giordani, Il mistero pasquale, Città Nuova, Roma, n.6, 25.3.1977, pp.24-25.

Kiribati: a onda de solidariedade depois do ciclone Pam

Kiribati: a onda de solidariedade depois do ciclone Pam

CyclonePamA estrada que liga a capital e o porto ao resto da ilha de Tarawa, a maior do grande arquipélago das Kiribati, na Oceania, está destruída. As barreiras que defendiam as praias das marés desmoronaram, e muitas habitações tradicionais foram levadas embora. O ciclone Pam, um dos mais violentos registrados no pacífico meridional, atingiu de modo especial as ilhas de Vanuatu, Salomão e Kiribati, com ondas altíssimas, reforçadas por ventos que atingiram 250/300 quilômetros por hora. A Cruz Vermelha local assinala que faltam acampamentos de emergência, comida e água potável para muitos dos 253 mil habitantes, e a população está evacuando as áreas mais atingidas.

«Tivemos notícias da comunidade local do Movimento dos Focolares – escreve Mary Cass, referente do projeto AMU, de Sidney. Todos estão bem e trabalhando na reconstrução e provisionamento de comida e água paras as famílias do povoado de Buota (onde o projeto está sendo atuado), que neste momento encontra-se isolado: a estrada e a ponte de ligação com o restante da ilha de Tarawa foram destruídas. Eles lembram a Palavra de Vida do mês, que convida a “tomar a própria cruz”, e esperam poder encontrar-se logo, para reforçar entre todos o espírito de unidade, neste momento tão difícil». «O tempo está voltando à normalidade – escreve um deles – as ondas voltaram a sorrir. Estamos felizes porque todos estão bem».

Mas, se o espírito e a dignidade dos moradores de Tarawa são admiráveis, a situação, de qualquer forma, é muito grave: a água potável começa a faltar porque, com a inundação, muitos poços e reservatórios foram contaminados pela água do mar, falta também comida, devido à destruição das lavouras e a interrupção dos acessos de comunicação, falta combustível, 180% das casas tradicionais foi destruído…

Além do mais, a República de Kiribati tem um grande problema de fundo: o aumento progressivo do nível do mar está retirando terras da agricultura, com efeitos negativos no trabalho e na qualidade da alimentação. Somente 10% da população tem um trabalho regular, enquanto todos os outros vivem de subempregos. Não podendo deter o avanço do mar, causado pelo superaquecimento global, o governo procura proporcionar aos habitantes uma colocação no exterior ou em outras partes do país. Prevê-se que dentro de alguns decênios todo o arquipélago estará submerso.

Kiribati_03O projeto da AMU (Ação por um Mundo Unido), Ong inspirada nos princípios do Movimento dos Focolares, tem o objetivo de melhorar as condições de vida da comunidade de Buota, um dos povoados mais pobres da ilha de Tarawa, por meio de iniciativas direcionadas às mulheres e às crianças. Está também previsto um apoio para o desenvolvimento de pequenas atividades produtivas.

«A primeira – explica Mary Cass – consiste na produção e venda de gelo, graças a um congelador; a segunda é a venda de objetos de artesanato no aeroporto de Tarawa; com a contribuição da AMU pudemos comprar também uma máquina de costura. Caminha bem a produção de pão, que é vendido nos mercados da vila e na área ao redor. O lucro dessas atividades – além de retribuir o trabalho das mulheres envolvidas – beneficia a nossa creche, “Amor e Unidade”, e permite responder a algumas necessidades alimentares das crianças e suas famílias».

Kiribati_02Como se vive numa terra sem futuro? «A vida da comunidade local dos Focolares em Buota vai adiante: os grupos da Palavra de Vida – eles contam – unem as pessoas que estão nos povoados espalhados em toda a estreita faixa de terra. O bispo de Tarawa, com a ajuda dos sacerdotes, todos os meses traduz o texto da Palavra de Vida na língua local, o gilbertês. As famílias se ajudam, reconstruindo as casas destruídas pelas calamidades naturais, e logo que conseguem ter novamente um teto sobre a cabeça, recomeçam a encontrar-se para compartilhar suas experiências. A comunidade denominou o próprio centro (onde existe uma pequena escola), “Loppiano, Centro de Amor e Unidade” – recordando o nome da primeira Mariápolis permanente dos Focolares – com o desejo de ser um exemplo de amor e de unidade para todos».

Veja também (em língua italiana):

Scheda progetto

AMU Notizie n. 1/2015.

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Abril 2015

Na primeira carta à comunidade de Corinto, Paulo se vê obrigado a defender-se da pouca consideração de alguns cristãos, que colocam em dúvida ou negam a sua identidade de apóstolo. Paulo reivindica a pleno direito esse título, por ter “visto Jesus” (cf 9,1), e explica o porquê de sua atitude humilde e simples, que renuncia a todo tipo de retribuição pelo seu trabalho. Embora tendo a autoridade e os direitos de apóstolo, a sua estratégia evangélica é fazer-se “servo de todos”.

Ele se solidariza com todo tipo de pessoas, até tornar-se uma delas, com o objetivo de levar-lhes a novidade do Evangelho. Cinco vezes repete “me fiz” um com o outro: por amor aos judeus, submete-se à lei de Moisés, embora sabendo não estar mais vinculado a ela; com os que não seguem essa lei, também ele vive como se não a tivesse, embora possuindo uma lei exigente: o próprio Jesus; com os fracos (talvez cristãos escrupulosos, incertos de comer ou não carnes imoladas aos ídolos) ele se faz fraco, embora sendo “forte” e livre: faz-se “tudo a todos”.

Age assim para “ganhar” todos a Cristo, para “salvar” a qualquer custo ao menos alguns. Não tem expectativas triunfalistas: bem sabe que só alguns corresponderão; mas ama a todos seguindo o exemplo do Senhor, que veio “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mt 20,28). Quem se fez um conosco mais do que Jesus? Ele que era Deus, “despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fil 2,7).

“Para todos eu me fiz tudo”.

Chiara Lubich fez dessa palavra um dos princípios da sua “arte de amar”, sintetizada no “fazer-se um”, expressão da diplomacia da caridade: «Quando alguém chora, devemos chorar com ele. E se sorri, alegrar-nos com ele. Assim a cruz é dividida e carregada por muitos ombros, a alegria é multiplicada e compartilhada por muitos corações. […] “Fazer-se um” com o próximo, por amor de Jesus, com o amor de Jesus, até que o próximo, docemente ferido pelo amor de Deus em nós, queira “fazer-se um” conosco, em comunhão recíproca de ajudas, de ideais, de projetos, de afetos. […] Essa é a diplomacia da caridade, que tem da diplomacia comum muitas expressões e manifestações, e que por isso não diz tudo o que poderia dizer, porque o irmão não gostaria, nem seria do agrado de Deus; sabe esperar, sabe falar, atingir a meta. Divina diplomacia do Verbo que se fez carne para nos divinizar»1.

Com fina pedagogia, Chiara identifica também os obstáculos no “fazer-se um”: «Às vezes são as distrações, outras vezes o mau desejo de dizer apressadamente a nossa ideia, de dar o nosso conselho de modo inoportuno. Em outras ocasiões estamos poucos dispostos a nos “fazermos um” com o próximo, porque consideramos que ele não compreende o nosso amor, ou somos freados por outros julgamentos relativos a ele. Em certos casos somos impedidos devido a um recôndito interesse de conquista-lo à nossa causa». Por isso «é realmente necessário eliminar ou pospor tudo o que preenche a nossa mente e o nosso coração para nos “fazermos um” com os outros»2. Trata-se, portanto, de um amor contínuo e infatigável, perseverante e desinteressado que, por sua vez, confia-se no amor maior e mais potente de Deus.

São indicações preciosas: escutar sinceramente o outro, entendê-lo no seu âmago, identificando-se com o que ele vive e sente, compartilhando preocupações e alegrias.

“Para todos eu me fiz tudo”.

Não se trata de renunciar às próprias convicções, como se aprovássemos sem crítica qualquer atitude do outro, ou não tivéssemos uma proposta de vida e um pensamento nosso. Tendo amado até o ponto de “tornar-se o outro”, pode-se e deve-se expressar a própria ideia, como profundo dom de amor, mesmo que seja doloroso. “Fazer-se um” não é fraqueza, busca de uma convivência tranquila e pacífica, mas expressão de uma pessoa livre que se coloca a serviço com coragem e determinação.

Também é importante lembrar a razão do fazer-se um: “… para certamente salvar alguns”, para entrar no outro, fazer emergir o bem e a verdade que já se encontram nele, queimar eventuais erros e depositar ali a semente do Evangelho. É uma missão que não aceita limites nem desculpas, porque confiada a nós pelo próprio Deus, a ser cumprida “certamente”, com aquela criatividade que só pode vir do amor.

Também a política e o comércio têm interesse pelas pessoas, querem conhecer seus pensamentos, captar suas exigências e necessidades, mas sempre com a intenção de tirar proveito. Enquanto que “a diplomacia divina”, como diz ainda Chiara, «tem isso de grande e de seu, talvez de somente seu: ela é movida pelo bem do outro, portanto é isenta de qualquer sombra de egoísmo»3.

Portanto, fazer-se um para ajudar todos a crescer no amor, contribuindo assim na realização da fraternidade universal, o sonho de Deus para a humanidade, a causa pela qual Jesus deu a sua vida.

Fabio Ciardi

1 – “Diplomacia divina”, em Ideal e Luz, São Paulo: Brasiliense/Cidade Nova, 2003, p. 290-291.

2 – A vida, uma viagem, São Paulo: Cidade Nova, 1995. 3 – “Diplomacia Divina”, op.cit.p.291.

Palmira Frizzera: Deus como ideal

Palmira Frizzera: Deus como ideal

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Palmira com Chiara Lubich

«Levar o amor de Deus a toda parte, segundo o mandamento de Jesus de amar-nos uns aos outros». Era este o ideal de Chiara Lubich, que ainda atrai milhares de pessoas, no mundo inteiro. No sétimo aniversário de morte da fundadora do Movimento dos Focolares, celebrado em todo o mundo, e a poucos dias da abertura do seu processo de beatificação e canonização, o testemunho de Palmira Frizzera, que a conheceu em 1945 e, tocada pelo ideal da «fraternidade universal», decidiu segui-la.

«O conceito de fraternidade universal é justamente o que eu encontrei quando entrei no primeiro focolare, quase 70 anos atrás. Nós éramos irmãs, com Chiara, mas com um “Mestre”, um guia, que era Jesus entre nós, Jesus que vive onde dois ou mais estão unidos em Seu nome».

Com qual objetivo vocês prosseguiram, juntas, por tantos anos?

«Nós fomos para frente, na verdade, não pensando em nada… tínhamos escolhido Deus como ideal da nossa vida, queríamos amá-lo, conscientes de que podíamos morrer de um dia para o outro, por causa dos bombardeios. Então procuramos realizar o testamento de Jesus, o amor recíproco, até chegar à unidade entre nós. O que eu senti, quando conheci Chiara – e foi assim também para todas as suas primeiras companheiras – é que havia uma luz e uma novidade – naquele tempo não a chamávamos “carisma” – com a qual ela nos gerou para uma vida totalmente nova».

Então foi o amor evangélico vivido entre vocês, concretizado e comunicado aos outros, que depois fez com que nascesse o Movimento?

«Mas Chiara nunca pensou em fundar nada! Agora se diz que Chiara é a fundadora do Movimento dos Focolares, que chegou ao mundo inteiro. Mas eu nunca a vi como uma pessoa que fundava alguma coisa, mas como alguém que fazia nascer algo novo. Chiara nos dizia: “Nós não queremos fundar nada. Nós queremos ‘fundar’ Deus dentro das pessoas, com o amor; levar o amor a toda parte”. Justamente isso, a mensagem que Jesus no deixou: “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Isso nos levou à fraternidade universal».

Em janeiro deste ano Chiara foi declarada Serva de Deus e começou para ela um processo de beatificação e canonização. Que efeito esse fato lhe causa?

«Sinto que Chiara não é só da Igreja católica. Ela é das outras Igrejas, das outras religiões, e através dos diálogos – iniciados já desde o início – também de pessoas que não possuem nenhuma crença religiosa. Sob este aspecto não me agrada restringi-la apenas à Igreja católica, mas entendo que essa beatificação é um grande presente para a Igreja e para todos nós».

A senhora encontra as novas gerações, e as forma; por que, depois de tanto tempo, mesmo não a tendo conhecido, são atraídas por Chiara e pela sua espiritualidade?

«Chiara foi embora mas a sua luz permaneceu, o seu carisma ficou. Os jovens correm atrás disso, não das pessoas».

Neste sétimo aniversário de falecimento fala-se sobre a temática da política e sobre como a espiritualidade de Chiara pode ser vivida na política. O que ela pode nos ensinar nesse âmbito?

«Pode ensinar-nos a arte de amar, de entender, de escutar… Este é um ponto de contato com todos: se não se faz assim as alternativas são a violência e a guerra».

Fonte: Rádio Vaticana

Recordando Chiara Lubich às margens do Bósforo

Recordando Chiara Lubich às margens do Bósforo

IstanbulIstambul. O Patriarca Bartolomeu faz as honras da casa na igreja ortodoxa de Aya Strati Taksiarhi para o evento que envolve cerca de cem representantes do mundo ortodoxo e católico, por ocasião do 7º aniversário de morte da fundadora dos Focolares, Chiara Lubich. Estão presentes os metropolitas Ireneos, Apostolos e Elpidophoros; dois arquimandritas, padre Vangeli, que traduziu do grego para o turco, e o Grão Arquimandrita Vissarion. Presentes ainda o arcebispo dos Armênios católicos, Levon Zekiyan e o bispo católico Louis Pelatre, entre outros. A linguista Maria Caterina Atzori, do Centro de Estudos dos Focolares, apresenta os volumes de Chiara Lubich traduzidos em grego. Moderador, o jornalista Nikos Papachristou, de Atenas.

«No decorrer dos séculos, a divina epifania do Senhor manifestou-se de muitas maneiras, para fazer com que a humanidade compreendesse as coisas de Deus», iniciou o Patriarca, após ter aberto o encontro com uma oração por Chiara, entoando o hino do Espírito Santo. «Ele não se cansou de fazer surgir entre nós santos homens e mulheres, que com o seu exemplo, com o seu amor fundado na filantropia divina, e com a palavra inspirada pelo Espírito Santo, constantemente solicitam uma “metanoia”, uma conversão do coração para toda a humanidade sofredora».

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Vídeo “Atenágora, Paolo VI e Chiara Lubich”

No seu discurso o patriarca delineou a figura espiritual de Chiara, como testemunha direta dos encontros entre ela e o Patriarca Atenágoras: «Como não perceber a sabedoria de Deus na obra abençoada que a nossa irmã Chiara ofereceu às nossas Igrejas, às nossas sociedades e a todos os homens de boa vontade? Aquela que o nosso amado predecessor, o Patriarca Atenágoras (…) chamava amavelmente de Tecla, a discípula de Paulo, aquela que é igual aos apóstolos».

E retomou os passos relevantes do caminho de espiritualidade aberto por ela na igreja, e não apenas: «A mansa Chiara respondeu ao chamado de Deus, fazendo-se em tudo semelhante ao seu Mestre, mas, principalmente, deixando-se tornar um vaso que oferece estradas de salvação, para levar todos a Cristo. A sua vida consumou-se na busca de vias de encontro e de diálogo com todos, marcada pelo profundo respeito por cada cultura, na qual sabia conduzir o caminho do encontro, do conhecimento e da colaboração recíproca».

«Chiara Lubich inicia o seu percurso de vida dedicada ao Senhor nos sofrimentos da guerra. Nesse sofrimento vive o Cristo crucificado e abandonado e compreende que não existe Ressurreição sem passar pela queda. O sofrimento de Cristo torna-se o seu sofrimento pessoal; mas nunca desespero».

«A sua vida é caracterizada   por uma paixão pela Sagrada Escritura, que nela torna-se Palavra edificante, viva, exaltante. Viveu até o fim o mandamento do Senhor: “(…) como eu vos amei, amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Até contagiar um número incontável de pessoas, diferentes entre si, mas unidas por um ideal concreto de comunhão.

Chiara sempre foi filha fiel da sua Igreja. E nesta convicta participação, sentiu o drama da divisão, da impossibilidade de participar do mesmo Cálice.

20150327IstanbulPercebendo o grito de dor pela dilaceração, oferece-se totalmente pelo carisma da unidade, fazendo-se instrumento nas mãos de Deus para encontrar os líderes das Igrejas, como simples fieis. Mas não se detêm aí: solicita, impulsiona, convida, propõe a descoberta de novos caminhos de comunhão».

«Chiara tem um amor muito especial pela Santa e Divina Eucaristia do Senhor. Nela percebe a dádiva de amor Daquele que se ofereceu uma vez para sempre, para atrair o homem a si. Podemos afirmar que nela forma-se uma consciência eucarística da unidade». «Um outro aspecto ainda podemos vislumbrar na obra de Chiara: a unidade da Trindade, por meio da Eucaristia, passa pela família. (…) O lugar onde pode resplandecer o amor mútuo que liga naturalmente os seus membros. (…) É neste contexto que entrevê-se a unidade da família humana em todos os seus aspectos, na sociedade, na política, na economia, no respeito à obra de Deus em cada um de nós individualmente e em toda a sua maravilhosa criação. A mensagem e a obra de Chiara, portanto, mostram-se cada vez mais atuais, principalmente no contexto mundial em que estamos vivendo».

É, assim, particularmente apreciado «o presente que o Movimento dos Focolares oferece hoje, ao apresentar a obra de Chiara Lubich em língua grega. O acolhemos como uma dádiva entre irmãos, que certamente fará apreciar ao público grego, ao fiel grego-ortodoxo, esta maravilhosa mensagem de unidade e de amor».

E enfim, dirige-se a Chiara, a fim de que interceda «para que o alvorecer de um novo dia para esta humanidade ferida possa surgir logo, e que os sentimentos pelo quais consumou toda a sua vida produzam frutos abundantes, lá onde, nestes dias, não vemos nada além de trevas e martírio de sangue».