Movimento dos Focolares
Chiara Lubich Serva de Deus

Chiara Lubich Serva de Deus

Cattedrale_FrascatiÉ com grande alegria, «multiplicada pelo eco da alegria do mundo inteiro» que Maria Voce, presidente dos Focolares, acolheu a notícia da abertura da causa de beatificação de Chiara. O anúncio foi dado pelo bispo de Frascati, dom Raffaello Martinelli, que indicou o dia 27 de janeiro como data para a cerimônia de abertura do processo na catedral de Frascati. Foi na sua diocese que Chiara Lubich viveu grande parte de sua vida e morreu em 2008.

Assim explicou Maria Voce aos microfones da Rádio Vaticana: «Comuniquei imediatamente a todos esta alegria e gratidão, também ao bispo, tão disponível em agilizar todo o trabalho preliminar para chegar a este momento. E uma grande gratidão também à Igreja, que nos dá possibilidade de mostrar a beleza de uma vida tão dedicada como a de Chiara».

Ela, continua na entrevista, «sempre sonhou ver o dia em que se pudesse falar de uma santidade de povo, porque constatava que é possível santificar-se fazendo a vontade de Deus, o que Deus pede a cada pessoa desta terra. O seu desejo, portanto, não era o de se santificar sozinha – embora sempre se recordasse que é vontade de Deus a ‘vossa santificação’ – mas o seu desejo era de que muitas, muitas pessoas trilhassem o caminho da santidade». Para Maria Voce, trabalhar para que a santidade de Chiara Lubich seja reconhecida, significa «trabalhar para que seja reconhecida esta possibilidade aberta a todos de se santificarem».

Como o Movimento dos Focolares vive este caminho? Com «um renovado empenho, para que a Igreja veja nos seguidores de Chiara o testemunho vivo daquele modelo que ela foi e continua sendo para nós».

MariaVoce_2014«A manifestação de afeto de tantas pessoas em relação a Chiara Lubich não muda», comentam da Rádio Vaticana. «Diria que é imutável e crescente: é uma manifestação de afeto que vem também de quem não a conheceu pessoalmente. Certamente aqueles que a conheceram sentem este momento como um momento de graça especial, seja por parte de autoridades da Igreja, de presidentes e fundadores de outros movimentos, seja de pessoas de outras religiões e Igrejas».

E quem deverá examinar escritos, discursos, vídeos, não terá uma tarefa fácil: «Existe uma enorme quantidade de documentos e escritos que já foram entregues para serem examinados. E há também vídeos, gravações de discursos e também cartas de Chiara… Existe um vasto material e sem dúvida será um grande empenho para o Tribunal. Um empenho que envolve todos nós para preparar estes documentos da melhor maneira a fim de que a Igreja possa examiná-los».

Sinteticamente, uma palavra que expresse a santidade de Chiara? «Diria a normalidade: podemos nos santificar vivendo uma vida normal. Os frutos extraordinários desta vida normal provêm de Deus, do seu relacionamento com Deus e do relacionamento normal de Chiara com o seu povo. Viver normalmente uma coisa extraordinária: Chiara nos deu o exemplo disso e, embora não faltassem momentos extraordinários na sua vida, ela nos deu o exemplo de uma santidade na normalidade, não só nos momentos extraordinários».

E sobre Chiara Lubich “mulher de diálogo”, mais do que nunca urgente nestes dias, afirma: «Creio que neste âmbito Chiara tenha ainda muito a dizer para a construção de relacionamentos verdadeiros, profundos entre as várias civilizações, etnias e religiões para contrastar esta onda de violência que parece ter invadido o mundo. Portanto, uma afirmação da santidade de uma pessoa que fez da sua vida um símbolo de diálogo, poderia ser um sinal neste momento».

Entrevista completa na Radio Vaticana

Uma santidade “socializante”

Uma santidade “socializante”

IginoGiordaniChiaraLubich“O que me pareceu, nas hagiografias, o resultado de fatigante ascese – reservado a raros candidatos – tornava-se herança comum, e compreendia-se como Jesus poderia ter convidado todos os seus seguidores a tornarem-se perfeitos à semelhança do Pai: perfeitos como Deus!

Tudo antigo e tudo novo!

Era um novo procedimento, um novo espírito. A chave do mistério fora encontrada, ou seja, dava-se lugar ao amor, muitas vezes entrincheirado, e este se prorrompia e, à semelhança de chamas, espalhando-se, aumentava até tornar-se incêndio.

Aquela ascensão a Deus, considerada inatingível, foi facilitada e aberta a todos, tendo sido reencontrado o caminho de casa para todos, com o sentido da fraternidade. Aquela ascese que parecia terrificante (cilícios, correntes, noite escura, renúncia), tornou-se fácil porque é vivida em companhia, com a ajuda dos irmãos, com o amor a Cristo.

Renascia uma santidade coletivizada, socializante (para usar dois vocábulos que mais tarde seriam popularizados pelo Concílio Vaticano II); extraída do individualismo que criara o hábito de cada um santificar-se por si, cultivando meticulosamente, com análises sem fim, a própria alma, ao invés de perdê-la. A piedade, a vida interior, que saía do espaço restrito de casas religiosas, de certo exclusivismo de classes privilegiadas – isoladas, algumas vezes a ponto de estar fora, se não contra a sociedade, que, em si, é grande parte da Igreja viva – se dilatava nas praças, nas fábricas e nos escritórios, nas casas e nos arredores das cidades, bem como nos conventos e nos círculos da Ação católica, uma vez que, em todos os lugares, encontrando pessoas, encontravam-se candidatos à perfeição.

Em poucas palavras, a ascese tornara-se uma aventura universal do amor divino e o amor gera luz.”

“A vida é uma ocasião única a ser desfrutada. A ser desfrutada na terra para prolongá-la na eternidade. Para fazer da terra uma antecipação do céu, inserindo-a na vida de Deus aqui, bem como na eternidade. Não deformá-la com a tortura das ambições e avarezas, não torná-la horrenda com rancores e hostilidades, mas, divinizá-la – ampliá-la no seio do Eterno – com o Amor. E onde existe o amor, Deus está presente. E cada momento é aproveitado por amor, ou seja, doar Deus, e isto significa atrair Deus para si e para os outros.

E nesta vivência está a liberdade dos filhos de Deus, pela qual o espírito não é imobilizado por julgamentos. Divisões, oposições são obstáculos ao espírito de Deus.

Quem vive desta forma não pensa em santificar-se, pensa em santificar. De si mesmo se esquece, se desinteressa. Santifica-se santificando, ama-se amando, serve-se servindo.

Por essa atitude o próprio ato de santificar-se contém uma orientação social: este contínuo doar e doar-se faz da elevação das almas, um efeito comunitário.

“Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” [Mt 5,48], comandou Jesus e nós nos tornamos perfeitos na vontade do Pai, unindo-nos, para unirmo-nos a Ele, por meio de Cristo.”

 

Fonte: Centro Igino Giordani

Eucaristia e divorciados em segunda união

Eucaristia e divorciados em segunda união

20150524-01Nós nos preparamos para o casamento na certeza do nosso compromisso durante a vida inteira. Mas logo depois do nascimento da nossa filha ele começou a sair sozinho e eu, que me sentia cansada por causa do trabalho e dos cuidados maternos, além de estar apaixonada, no início não me dei conta de que existia algo errado.

Seguiram-se treze anos de enganos e litígios, alternados de falsos esclarecimentos os quais, inevitavelmente, terminavam em contínuas desilusões. Esgotada e no limite de um grave estresse (eu emagreci, chegando a pesar 36 kg), finalmente me rendi e concedi ao meu marido, outra vez, a sua liberdade.

Passados três anos reencontrei um colega de escola, ele também separado e com filhos. Inicialmente eu procurava resistir ao sentimento que tomava conta de mim porque, se por um lado, o fato de sentir-me amada me proporcionava uma grande felicidade, por outro, me colocava frente à questão da minha vida cristã. Eu vivi momentos muito difíceis. Mas depois as dúvidas dissiparam-se porque, eu dizia a mim mesma, é verdade que eu me casei convicta da fidelidade “todos os dias da minha vida”, mas se o amor não é mais correspondido, por que não poder continuar, com outra pessoa, na vocação à vida familiar que desde sempre me senti chamada?

Certos do nosso amor, nós decidimos unir as nossas duas vidas fragmentadas. Depois de cerca dois anos de convivência nasceu o nosso filho, ele foi batizado e procuramos educá-lo segundo o cristianismo.

Para o meu companheiro – uma pessoa muito correta e que não professa nenhum credo – não existe a questão da inserção na Igreja. Eu, ao contrário, continuei a participar da missa dominical e, mesmo sofrendo, me adéquo às disposições da Igreja abstendo-me dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia. Eu poderia ir a uma igreja onde ninguém me conhece e receber estes sacramentos, mas, por obediência, eu nunca agi desta forma.

Passado certo tempo, porém, esta auto-exclusão começou a pesar muito e eu não participava mais da missa e da vida da comunidade. Eu sentia, de fato, um grande desconforto ao ver as pessoas se dirigirem ao altar e eu ter que permanecer no banco. Sentia-me abandonada, repudiada, culpada.

Depois de alguns anos, graças à proximidade do Focolare eu retomei o caminho da fé. “Deus a ama imensamente”, as pessoas me diziam. Junto a elas entendi que Jesus morreu e ressuscitou também por mim, que ele, no seu infinito amor já havia preenchido aquele abismo no qual eu me precipitara e que esperava somente que eu o seguisse pelo resto da minha vida.

Desta forma, eu descobri que, além da Eucaristia, existem outras fontes nas quais se pode encontrar Jesus. Ele está presente em cada próximo que eu encontro, ele me fala por meio do seu Evangelho e está presente na comunidade reunida no seu nome. Eu o encontro especialmente quando consigo transformar em amor o sofrimento que me causa não receber a Eucaristia.

Lembro-me de quando o nosso filho fez sua primeira comunhão e eu fui a única mãe que não acompanhou o próprio filho ao altar: um sofrimento difícil de ser descrito. Em compensação posso afirmar que foi exatamente quando a perdi que eu redescobri o grande dom que a Eucaristia é; exatamente como se compreende o valor da boa saúde quando a perdemos.

No dia em que chegar diante do Pai espero que, mais que aos meus fracassos, ele veja a minha pequena, mas cotidiana tentativa de amar o próximo como Jesus nos ensinou”.

Obrigado, Peppuccio

Obrigado, Peppuccio

Peppuccio

Conhecido simplesmente como Peppuccio, por muitos anos responsável da Escola Abbà, o centro cultural dos Focolares, Giuseppe Maria Zanghì faleceu inesperadamente, com 85 anos de idade, após uma rápida doença, na tarde de 23 de janeiro 2015.

“Ele, que muitas vezes falou-nos sobre o Paraíso, agora pode desfrutar plenamente da vida no céu – afirmou Maria Voce, presidente dos Focolares ao transmitir a notícia.

Recordamo-lo com alguns trechos de uma entrevista dada por ele em 2009 à revista Città Nuova:

Viveste com Chiara Lubich o início do Movimento Gen, que congrega os jovens dos Focolares. Por que ela decidiu comunicar à nova geração também aquelas realidades místicas conhecidas com o nome de “Paraíso de ‘49”?

«No fundo o que é este “Paraíso de ‘49”? É a narração por escrito que Chiara fazia a Igino Giordani daquilo que lhe acontecia no verão de 1949 em Fiera di Primiero. Foi um período contemplativo no qual Deus esculpiu na sua alma, como com ferro quente, o projeto da Obra que devia começar. Deus faz isto com todos os místicos que devem ser fundadores de alguma realidade na Igreja. A característica do ‘49 é que quem fez esta experiência contemplativa com Chiara foi – por participação – um grupo de focolarinas e de focolarinos que transcorriam com ela um período de férias. Eram unificados pelo amor de Deus: uma união, porém, que mantinha intactas as suas várias individualidades.

Trata-se de uma experiência originalíssima também sob o aspecto cultural, porque se refere àquilo que evoco como um “sujeito coletivo”. Cada cultura nasce de um sujeito, e o homem de hoje está em busca precisamente de um sujeito para a cultura que deve nascer. Para mim, este é o maior contributo, e ainda deve ser compreendido, de Chiara para o nascimento de uma nova cultura.

Mas, deixando de lado este aspecto, sobre o qual deveremos trabalhar e estudar, a realidade na qual Deus tinha revelado a Chiara o abismo da sua vida fazendo-a entender, ao mesmo tempo, muitas coisas da Obra que nasceria, para ela não era uma coisa só para recordar, mas a vida atual. E podia-se sentir isto estando ao seu lado. Sentia-se que seguir o ideal da unidade não significava tanto conhecer uma doutrina ou ouvir falar da experiência feita por uma pessoa. Não, mas entrar na realidade na qual Chiara tinha vivido em ‘49 e que continuava.

Ora, para ela, também os jovens do Movimento deveriam entrar no vivo desta experiência humana e divina ao mesmo tempo, espiritual e cultural, e continuar, desenvolvendo-a e levando-a adiante».

Fonte: Città Nuova

 

 

Loppiano – Ao Patriarca Bartolomeu I, o doutorado h.c. do Instituto Universitário Sophia

Loppiano – Ao Patriarca Bartolomeu I, o doutorado h.c. do Instituto Universitário Sophia

Live streaming – Loppiano, 26.10.2015, 17:00 CET PatriarchBartholomewNa motivação oficial da outorga do doutorado, o reitor do IUS, Prof. Piero Coda, explica que o Patriarca demonstrou-se como convicto e ativo protagonista no caminho ecumênico rumo à plena unidade dos cristãos e no diálogo entre as pessoas de diversas religiões e convicções. Além disso, distinguiu-se na promoção da justiça, da paz, do respeito ao ambiente e à natureza, em conformidade à visão da humanidade, da história e do cosmo, guardada e atualizada pela tradição espiritual e teológica do Oriente cristão. A história das relações fraternas entre o Movimento dos Focolares e os ortodoxos tem suas raízes no extraordinário encontro entre Chiara Lubich e o patriarca de Constantinopla Atenágoras I. «Era o dia 13 de junho de 1967 – conta Chiara mesma -. Ele recebeu-me como se já me conhecesse. “Eu a esperava!”, exclamou, e quis que lhe contasse sobre os contatos do Movimento com luteranos e anglicanos». Foram, no total, 25 os encontros de Chiara com Atenágoras I. Os relacionamentos continuaram, posteriormente, com o Patriarca Demétrio I. E os contatos com o atual patriarca ecumênico, Bartolomeu I, prosseguem no mesmo espírito de estima recíproca e de amizade. Neste período a espiritualidade do Movimento foi acolhida também por cristãos das Antigas Igrejas Orientais, e da mesma forma desenvolveu-se o diálogo com sírio-ortodoxos, coptas, etiópios, armênios e assírios. O atual evento representa uma pedra importante no relacionamento de sintonia e amizade com o Movimento dos Focolares e insere-se no ano de comemorações do 50º aniversário do nascimento da Mariápolis permanente de Loppiano, iniciados em setembro passado com a manifestação LoppianoLab. Fonte: www.loppiano.it

Chiara Lubich: o bispo de Frascati abre a causa de beatificação

Chiara Lubich: o bispo de Frascati abre a causa de beatificação

ChiaraLubichUma ideia de santidade enraizada no Evangelho foi o que nutriu a sua vida. Escreveu Chiara Lubich: «Nós encontramos a santidade em Jesus, que floresce em nós porque amamos… se procurássemos a santidade por si mesma nunca a alcançaríamos. Portanto, amar, e nada mais. Perder tudo, inclusive o apego à santidade, para querer somente amar».

A catedral de Frascati, local escolhido por D. Raffael Martinelli para a abertura do “Processo sobre vida, virtudes, fama de santidade e sinais” de Chiara Lubich, por si só salienta a importância eclesial do ato. A diocese de Frascati é o território onde está localizado o Centro Internacional do Movimento dos Focolares, próximo de onde Chiara Lubich viveu grande parte de sua vida e morreu. O seu jazigo encontra-se na capela do próprio Centro, em Rocca di Papa.

A cerimônia de abertura da causa de beatificação e canonização, chamada Primeira Sessão, acontecerá terça-feira, 27 de janeiro de 2015, com início às 16 horas (hora local) com a recitação das Vésperas. Prevê a leitura do Decreto de introdução da Causa e do Edital de nulla osta da Santa Sé; a instituição do tribunal nomeado pelo bispo; depois os juramentos do bispo, dos membros do tribunal e dos da postulação. A partir deste momento Chiara Lubich poderá ser chamada “serva de Deus”.

A cerimônia poderá ser acompanhada na internet.

Com uma carta dirigida a todo o Movimento a presidente, Maria Voce, comunica com intensa alegria a notícia, desejando a todos os que vivem a espiritualidade da unidade que sejam um «testemunho vivo» daquilo que Chiara viveu, anunciou e compartilhou com tantas pessoas, no compromisso de «tornar-nos santos juntos».

O procedimento para o início da Causa aconteceu dia 7 de dezembro de 2013, nos 70 anos de fundação dos Focolares, com a decisão de apresentar o pedido formal ao bispo de Frascati, D. Martinelli, por parte da presidente, Maria Voce. Nele estava expresso o desejo de que este pedido fosse apresentado com o objetivo de fazer crescer em muitos o compromisso espiritual e moral pelo bem da humanidade. Os meses sucessivos foram necessários para o cumprimento dos atos canônicos

O quanto continue a ser iluminativo o testemunho de Chiara Lubich é testemunhado pelo ininterrupto fluxo de pessoas, nos seis anos desde a sua morte, aos locais onde viveu e onde agora repousa: mais de 120.000 pessoas de vários continentes e tradições religiosas, cardeais e bispos, acadêmicos, políticos, famílias e jovens, membros de associações e movimentos, pessoas de culturas não religiosas, crianças e adolescentes, adultos em busca de esperança.

Nós nos tornaremos santos, explicava ainda Chiara «se na base da nossa santidade (ante omnia, antes até mesmo da santidade) colocarmos a mútua caridade: Jesus entre nós como premissa ou princípio, como meio para santificar-nos e como objetivo».

Live streaming 27 de janeiro de 2015, com início às 16 horas (hora local): http://live.focolare.org

Chiara Lubich, causa de beatificação e canonização