13 Jun 2014 | Sem categoria
«Se é verdade que, no final deste mundial, somente uma seleção nacional exibirá a Copa de vencedor, é preciso aprender as lições que o esporte nos ensina: seremos todos vencedores reforçando os liames que nos unem», afirmou o Papa Francisco em sua mensagem por ocasião da Copa do Mundo 2014. “Uma cultura da derrota para uma nova cultura da vitória” era o provocatório título da reflexão proposta por Sportmeet, rede mundial de desportistas e operadores do esporte, a quem Chiara Lubich havia dirigido estas palavras:
«Especialmente com o cristianismo, quem perde sabe qual é o valor do sofrimento e da derrota, porque o Filho de Deus os valorizou. E descobre uma alegria mais profunda que nasce do fato de ter doado, doado si mesmo nos treinos ou nos relacionamentos recíprocos para formar o time, de ter doado tudo de si mesmo durante uma exibição ao público. Só da doação, do amor, nasce a alegria interior, mais límpida, mais pura, para quem vence (se lutou e venceu por amor) e para quem perde (se igualmente lutou e perdeu por amor). Então, o esporte tornar-se-á autêntico e será elevado à sua dignidade social. Poderá contribuir para divertir os homens nesta civilização extremamente estressante; será um elemento de afinidade, de fraternidade e de paz entre povos e nações. Na antiga Grécia, durante as Olimpíadas, os povos suspendiam todas as guerras. Que hoje não sejamos menos do que eles!». Chiara Lubich, 10 de setembro de 2005, mensagem para o terceiro congresso internacional de Sportmeet
12 Jun 2014 | Sem categoria
Burundi. «Em 1994, esta área sofreu eventos dramáticos – contam os operadores da AMU . A população foi envolvida em homicídios, represálias, furtos, destruição maciça de casas e bens. As condições de vida e de higiene até agora continuam deploráveis. Os mais atingidos ainda são as mulheres e as crianças. As famílias vulneráveis destes municípios são muito numerosas e muitas crianças não vão à escola. Há muitas mulheres sozinhas com filhos, enfraquecidas por anos de guerra e de privações, que não têm reservas de nenhum tipo, nem perspectivas de melhoras». Em 2014, foi iniciado junto com a associação “partner” CASOBU um novo projeto na área metropolitana de Bujumbura, em colaboração com a Associação Uomo Mondo de Treviso (Itália) e com o financiamento da Região italiana Vêneto. Na elaboração do projeto, em diálogo com os beneficiários, as instituições e o pessoal de CASOBU, foram identificadas algumas necessidades prioritárias, às quais se procurará responder com uma série de atividades em favor de 250 famílias vulneráveis, para um total de 1.500 pessoas.
República dos Camarões. Concluiu-se a construção do poço de água em Nega, que se tornou um lugar de encontro e de partilha. «Pode-se dizer que muitos adultos, crianças e idosos participaram da construção do poço – AMU Notícias n. 4/2013 – através da mão de obra, do transporte das pedras e de areia. Além disso, um pequeno contributo anual para a manutenção do poço é pedido a cada família. O valor é estabelecido de acordo com as possibilidades de cada um, graças à venda do cacau e de outros produtos cultivados. Esta participação direta faz com que todos sintam o poço como seu: um bem a ser tutelado». Os habitantes da aldeia foram informados e formados, através de encontros da comunidade, sobre como cuidar do poço e usar a água com responsabilidade. Além disso, o poço foi construído num ponto de passagem, de modo que os viajantes também possam usufruir dele. Padre Simon Pierre, sacerdote da paróquia, escreve: «Sem exagerar podemos dizer que a construção do poço trouxe frutos visíveis à aldeia. Todos têm água potável e, portanto, houve uma melhoria na área sanitária; por exemplo diminuiu o número de pessoas com dores abdominais. O poço tornou-se um lugar de encontro e de partilha entre as pessoas, e isto contribui para unir a comunidade». Fonte: AMU Notícias n. 2/2014
11 Jun 2014 | Sem categoria
Início da década de 60. A Sicilia era muito distante de Trento, parecia inacessível. E, mesmo assim, desde aqueles anos, por meio de um primeiro grupo de focolarinos, a espiritualidade da unidade se difundiu em muitas cidades da ilha situada no extremo sul da Itália. Entre estas, Scicli, 25.000 habitantes, uma obra prima do estilo barroco, declarada patrimônio cultural da humanidade. Uma cidade que, como Agrigento, Pozzallo e outras, que estão situadas ao longo do Canal da Sicilia e que são citadas por causa do desembarque dos imigrantes do Norte da África, encontrando-se no centro do novo fluxo migratório destes anos. As pessoas daquela região, por natureza são hospitaleiras e a exortação de Jesus “Que todos sejam um (Jo 17,21) e, também, as sugestões de Chiara Lubich sobre o caminho a ser percorrido por aqueles que querem conquistar a própria cidade a Deus, encorajaram, durante anos, a comunidade siciliana dos Focolares a aproveitar todas as ocasiões para ir ao encontro de todos. O diálogo com cristãos de outras Igrejas, o apoio a jovens imigrantes, a festa alternativa de fim de ano, para não deixar ninguém só, aulas de italiano, um Centro diurno de acolhimento para crianças, onde as atividades são feitas pelos adolescentes, um restaurante popular que se tornou o Projeto “Uma mesa, uma família” e ainda muitas outras atividades. “
Na nossa cidade moram alguns irmãos pertencentes à Igreja Metodista”, nos conta Ignazio Ventura, de Scicli. Desde a década de 90 iniciou-se um profundo diálogo e partilha de ideias, fundamentado na comunhão. Decidimos juntos oferecer, uma vez por semana, refeições aos numerosos imigrantes que se encontram na nossa cidade”. “Hichem e Samia, um jovem casal da Tunísia, moram há pouco tempo em Scicli. Nós ajudamos a mobiliar a modesta casa deles. Preocupados com a própria situação econômica precária, eles nos disseram que Samia estava grávida e foi o amor concreto de muitas pessoas que os tranquilizou durante a gravidez. O nascimento de Deyssem, depois dos primeiros momentos de alegria, tornou-se uma preocupante corrida contra o tempo, por causa de uma malformação da criança e era urgente intervir em poucas horas. Ficamos ao lado deles naquele momento difícil. Era necessário organizar uma viagem à Roma. Uma pessoa da comunidade se ofereceu para acompanhar a criança e o seu pai. A cirurgia obteve sucesso e o pequenino foi salvo!”. Naquele período, com outras instituições, teve origem o Centro de Acolhida Intercultural “A Fonte”, e respondemos ao apelo da prefeitura de ensinar italiano aos jovens imigrantes, três vezes por semana, por dois anos consecutivos. Desta iniciativa nasceu um espetáculo no quais os jovens do Norte da África e de Scicli se empenharam com grande ardor.
Inspirando-se ao “Manifesto” que Chiara entregou às novas gerações – “Uma cidade não basta” – desde 2005 os adolescentes do Movimento Juvenil pela Unidade se ocupam das crianças que são recebidas em um Centro diurno de acolhimento, administrado por algumas Religiosas. Naquele Centro as crianças – que vivem situações difíceis – almoçam e passam a tarde inteira. Foram estabelecidos os turnos para acompanhá-las nos momentos dos jogos e para ajudá-las nas tarefas escolares. A assistente social e a psicóloga afirmam que a presença dos adolescentes do Movimento Juvenil é muito importante para as crianças. Em 2006 foi solicitada a contribuição das famílias do Movimento dos Focolares para a formação das famílias das crianças que frequentam o Centro. Famílias albanesas, com cultura e religião diferentes, famílias separadas, com os genitores no cárcere ou em regime de prisão domiciliar… “A nossa disponibilidade ao Centro e às Religiosas nos ofereceu muitas oportunidades, em um relacionamento de recíproca ajuda e apoio, mesmo quando não é possível fazer nada além de escutar ou acolher as pessoas com os próprios sofrimentos. E assim teve origem o Projeto “Uma mesa, uma família”: servimos uma refeição para sessenta pessoas, um domingo por mês. “Estamos experimentando – conclui Ignazio – que a atmosfera de família se concretiza além de qualquer barreira cultural. É verdade que quando nos doamos aos outros se experimenta a paz interior, a liberdade dos filhos de Deus.”
31 Mai 2014 | Sem categoria
«No final do ano acadêmico, é particularmente significativo que o Instituto Universitário Sophia (IUS) receba, para as “Cátedras de Sophia”, o professor Donald Mitchell, professor emérito de Filosofia asiática e comparada da Purdue University (Indiana – USA)». Foi a introdução feita, no dia 16 de maio, por Paolo Frizzi, primeiro doutor a concluir a Escola de Doutorado de Sophia, precisamente com um estudo sobre o diálogo inter-religioso. «É um ano especial – continuou – pelas perspectivas que abriram-se neste setor de estudos. Há poucos meses iniciamos um novo curso diversificado, sobre Teologia das religiões e do diálogo inter-religioso, abrindo uma proposta original de pesquisa interdisciplinar. E há pouco menos de dois meses o IUS recebeu duas delegações budistas, da Tailândia e do Japão. Prosseguimos, portanto, com a exploração de um horizonte de grande atualidade». Estiveram presentes mais de 150 pessoas, interessadas e envolvidas, que conheceram o intenso itinerário de vida e os compromissos de alto teor do Prof. Mitchell, desde a descoberta da meditação zen, a aproximação com a Igreja católica, até o encontro com a espiritualidade dos Focolares e com Chiara Lubich, justamente em Loppiano (onde está a sede do IUS).
Tendo-se especializado, ainda nos anos 1970, em budismo, cristianismo e diálogo budista-cristão, num momento histórico no qual o diálogo se configurava como método privilegiado de encontro inter-religioso, desde aquele momento colocou sua experiência e competência à serviço de numerosas realidades que atuam neste contexto. Com o passar dos anos, sua atividade levou-o à qualificação nos mais altos níveis, como consultor entre os mais estimados, e a promover importantes Colóquios internacionais cristão-budistas, estabelecendo relações com prestigiosos expoentes das diferentes áreas do budismo. Entre estes, Gishin Tokiwa, professor de budismo Zen no Japão e presidente da F.A.S. Society, fundada por Shin’ichi Hisamatsu, em cuja história e pensamento encontrou consonâncias profundas com o percurso e o espírito de Chiara Lubich e dos Focolares. Uma grande sintonia caracterizou também os encontros e diálogos com Keiji Nishitani, um dos mais famosos filósofos japoneses do século XX, e com muitos outros, até o Dalai Lama. O equilíbrio sapiente que caracteriza a produção científica do Prof. Mitchell, entre desafio teológico e experiência de campo, mostrou-se como um aspecto original. O que muitas vezes falta, na literatura e no debate sobre as relações inter-religiosas, é justamente esse equilíbrio, essencial para quem deseja compreender o que significa realmente encontrar o outro. Na sua aula emergiu com clareza como o diálogo inter-religioso, que atualmente reflete-se em graves situações de conflito, tenha em si grandes potencialidades de paz e de progresso social e espiritual, a fim de que – como afirmou tempo atrás o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho pontifício para o diálogo inter-religioso – “torne-se patrimônio de todos e não de uma elite”. «A minha esperança – concluiu o professor – é que os movimentos religiosos leigos de hoje, de todas as religiões, que compartilham tantos valores, possam colaborar na construção de uma única família humana, assumindo inclusive os cuidados com as crianças e a natureza. Chiara Lubich escreveu: “Sejam uma família”. Penso que precisamos ver nisso um chamado profético». Fonte: Istituto Universitario Sophia
29 Mai 2014 | Sem categoria
Na conclusão da viagem do Papa Francisco à Terra Santa, publicamos um escrito de Igino Giordani que revela a grande ansiedade e expectativa por aqueles dias, realmente históricos, de 50 anos atrás. O nosso autor insere a peregrinação de Paulo VI na mais ampla moldura do evento conciliar, que justamente naqueles dias concluía a segunda sessão de seus trabalhos. É extraordinária a atualidade da sua visão e linhas de reflexão, em conformidade com a Igreja de hoje. «João XXIII injetou um espírito de juventude na convivência eclesial, e Paulo VI resume jovialmente todas as contribuições mais espiritualmente renovadoras, endereçando com força o Concílio a conclusões vitais, para católicos e não católicos, brancos e negros, batizados, judeus, pagãos de qualquer país e casta. A sua genial iniciativa de ir à Terra Santa demonstra o espírito com o qual ele pretende lançar uma ponte sobre o mundo. Na Palestina, em Belém, em Nazaré, em Jerusalém, o Papa volta às origens: lá onde Jesus pregou a verdade simples, inteira, o grande mandamento novo, instituiu os sacramentos e deu a sua vida para dar-nos novamente a vida. Lá, na origem da religião, não existem contrastes entre os cristãos, eles vieram depois. No Cenáculo, ao redor de Pedro e Maria, os fieis formavam um só coração e uma só alma, escutavam o testamento deixado por Jesus sob aquela abóbada, para que fossem “todos um”. E, num certo sentido, não existem contrastes nem mesmo entre cristãos, judeus e muçulmanos, porque para todos três aqueles são lugares sagrados.
Paulo VI irá rezar em igrejas e em monumentos que os homens transformaram em centros de discórdia, retirando de lembranças de paz e perdão, notícias de conflitos armados e ódios fraticidas. O Santo Padre, ao contrário, vai pedir inspiração para que sejam despertadas forças de renovação e de união, do Cenáculo, onde Jesus proclamou a lei da unidade e onde o Espírito Santo animou a primeira Igreja, e com a união, fruto da renovação dos espíritos, a paz, reapresentada aos olhos do mundo pela Encíclica Pacem in terris, de João XXIII. “Veremos aquele solo abençoado, de onde Pedro partiu e onde não mais retornou um seu sucessor – escreve Paulo VI –, nós humildemente e brevemente retornaremos em sinal de oração, de penitência, de renovação espiritual, para oferecer a Cristo a sua Igreja, para congregar a ela, única e santa, os irmãos separados, para implorar a divina misericórdia em favor da paz entre os homens, paz que ainda estes dias demonstra ser tão frágil e tremulante, para suplicar Cristo Senhor pela salvação de toda a humanidade”. Os objetivos da peregrinação, portanto, são os objetivos do Concílio, que o Papa pessoalmente leva à Palestina: renovação, unidade, paz… A sua peregrinação, de oração e penitência, inteiramente por motivos religiosos, sinaliza a vontade da Igreja dos pobres de recolocar-se sobre o fundamento das virtudes evangélicas, condicionadas pela humildade, aquela humildade que na casinha de Nazaré encontrou a mais pura expressão e a mais comovida exaltação no “Magnificat da Serva do Senhor”. Daquele fundamento floresceu a caridade, Cristo, que dá amor e quer amor: “Tu me amas mais do que estes?…”. Este amor maior de Pedro explica o ato de humildade com o qual Paulo VI pediu perdão aos irmãos separados, se houveram culpas da parte católica, no discurso aos observadores do Concílio. Voltar às origens (…) é retomar força: renascer».
27 Mai 2014 | Palavra de Vida, Sem categoria
Jesus pensava também em todos nós, que teríamos que viver em meio à vida complexa do dia a dia. Sendo Ele o Amor feito homem, deve ter pensado: “Eu gostaria de estar sempre com os homens, gostaria de partilhar com eles todas as suas preocupações, gostaria de os aconselhar, gostaria de caminhar com eles pelas ruas, entrar nas casas, reavivar a alegria deles com a minha presença”. Foi por isso que Ele decidiu permanecer conosco e fazer-nos sentir a sua proximidade, a sua força, o seu amor. O Evangelho de Lucas narra que os discípulos, depois de terem visto Jesus subir ao Céu, “voltaram para Jerusalém, com grande alegria” (Lc 24,52). Como é possível isso? É porque eles tinham experimentado o quanto são verdadeiras aquelas suas palavras. Também nós sentiremos uma imensa alegria se acreditarmos realmente na promessa de Jesus. “Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Essas palavras, as últimas que Jesus dirige aos seus discípulos, assinalam o fim da sua vida terrena e, ao mesmo tempo, o início da vida da Igreja, na qual Ele está presente de muitos modos: na Eucaristia, na sua Palavra, nos seus ministros (os bispos, os sacerdotes), nos pobres, nos pequeninos, nos excluídos… em todos os próximos. Nós costumamos dar destaque a uma presença especial de Jesus, aquela que Ele mesmo nos indicou, sempre no Evangelho de Mateus: “Onde dois ou três estiveram reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20). Por meio dessa presença Jesus quer ter a possibilidade de comparecer em todo lugar. Quando vivemos tudo o que Ele manda e de modo especial o seu mandamento novo, podemos experimentar esta sua presença inclusive fora da igrejas, no meio das pessoas, lá onde elas vivem, em todo lugar. A parte que cabe a nós é manter o amor mútuo, de serviço, de compreensão, de participação nas dores, nos anseios e nas alegrias dos nossos irmãos, aquele amor que tudo cobre, que tudo perdoa, amor típico do cristianismo. Procuremos viver assim, para que todos tenham já nesta terra a possibilidade de se encontrar com Jesus. Chiara Lubich Este comentário à Palavra de Vida foi publicado originalmente em maio de 2002.