Movimento dos Focolares
Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Genevieve Sanzè, representante do Continente Africano na Comissão Internacional da Economia de Comunhão (EdC), no início do mês de fevereiro recebeu um telefonema de Dom Joseph Spiteri, Núncio Apostólico na Costa do Marfim, no qual a comunicou a nomeação como membro do Conselho Pontifício dos Leigos. Com a pergunta acerca do que tal nomeação comporta, Geneviève exclamou: “Eu jamais poderia imaginar tal coisa!” Ela é originária da República Centro Africana e está no focolare de Abidjan, na Costa do Marfim. Único membro africano entre os leigos nomeados pelo Papa e foi justamente solicitada pela função que exerce no âmbito da Economia de Comunhão.

“Estou feliz por receber esta nomeação, especialmente pelo fato de ter sido convocada, além das outras funções que exerço no âmbito do Movimento dos Focolares, para a Economia de Comunhão”, ela afirmou imediatamente ao receber a notícia. E, partilhando um sentimento, disse: “É uma alegria poder trabalhar para a Igreja, porque foi isto que eu escolhi fazer na minha vida, servindo o Movimento dos Focolares e a Igreja.”

Poucos dias depois de receber a notícia, Geneviève Sanzé viajou ao Quênia, onde trabalhou para a preparação da próxima Assembléia EdC, em Nairóbi, no próximo ano. Ao seu retorno ele encontrou o Núncio e, depois, nos disse: “Foi um momento muito importante, muito profundo. Dom Joseph Spiteri me entregou o documento da nomeação, aconselhando-me a viver este serviço para a Igreja e na Igreja. Recebi também uma carta de Maria Voce, Presidente dos Focolares, na qual ela me escreveu: ‘Fiquei muito feliz pela sua nomeação’, e assegura as suas orações e o seu acompanhamento. Tenho a certeza de que é realmente juntos, em uma profunda comunhão, que podemos estar ao serviço aos nossos irmãos e à Igreja.”

A Comissão Internacional EdC enviou a Geneviève “os mais calorosos votos de sucesso para este novo desafio que se apresenta: com fundamento no quanto nós lhe conhecemos, você tem todas as qualidades para uma eficiente atuação”. Reassumindo a alegria de todos, Luigino Bruno nos escreveu: “É esta a África que o mundo deve conhecer: sapiente, brilhante, sobriamente alegre, fraterna, de comportamento régio e mariano.”

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Eu sou Ruandês

«Nestes 20 anos o meu povo, na semana da Páscoa, sempre celebrou o luto pelas vítimas da guerra, mas a nível pessoal, cada um na própria família, cada um no seu cemitério privado». Pina é ruandesa. Há 20 anos o seu país contou 800 mil mortos em poucos meses, numa guerra civil absurda. No dia 6 de abril de 1994, um míssil atingiu o avião onde viajava o presidente Juvénal Habyarimana. Ninguém sobreviveu, e a partir de então começou a guerra que já estava preparada há tempos.

Quando o massacre explodiu, Pina estava nas Filipinas, para onde tinha ido pela sua vocação a seguir Deus ao serviço dos irmãos, animada pela espiritualidade da unidade que conheceu na adolescência. «Também a minha família foi atingida – conta. Foram mortos 39 familiares meus. Fui tomada pelo desânimo. Pouco a pouco encontrei-me vazia daqueles sentimentos que até então tinham preenchido a minha vida, parecia que nada mais tinha sentido».

Transferiu-se para o Quênia para poder seguir mais de perto a situação, trabalhando na Cruz Vermelha, e para dar assistência aos feridos e refugiados de Ruanda: «mas não conseguia olhar no rosto das pessoas da outra etnia que tinham participado nos massacres», explica. O sofrimento estava muito vivo. Um dia cruzou-se num corredor com algumas pessoas da outra etnia e não pode evitar o seu olhar. O ódio era cada vez maior. «Pensei na vingança, sentia-me confusa, estava numa encruzilhada: ou me fechava no meu sofrimento, com raiva, ou pedia ajuda a Deus».

Alguns dias depois, no escritório, identificou pessoas da etnia inimiga que moravam precisamente na sua cidade. «Reconheceram-me e sentiram-se incômodas, começaram a voltar para trás. Elas também me consideravam inimiga». A força do perdão é a única arma da reconciliação social. Pina sabia disso. Tinha aprendido no Evangelho. «Com decisão ‒ conta ‒ vou ao encontro delas falando na nossa língua, sem dizer nada da minha família, mas interessando-me pelas suas necessidades». Naquele momento, alguma coisa se derreteu dentro dela e para Pina surgiu um raio de luz.

Depois de um ano, regressou para Ruanda. Quase não reconheceu a irmã, a única sobrevivente da chacina. Descobriu que o homem que tinha traído a sua família – uma pessoa muito próxima deles – estava num cárcere. «Mesmo sofrendo, e indo contra as pessoas que reclamavam pela pena de morte, para mim era claro que não podia voltar atrás na estrada aberta para o perdão». Envolveu também a sua irmã, que tinha assistido ao massacre. «Assim, fomos juntas até a prisão para encontrar esta pessoa, levando-lhe cigarros, sabonete, aquilo que podíamos, e sobretudo para dizer-lhe que o tínhamos perdoado. E o fizemos». A irmã, Domitila, pouco tempo depois, adotou 11 crianças de todas as etnias, sem distinção entre filhos naturais e aqueles adotados, ao ponto de receber um reconhecimento nacional.

Este ano, explica ainda Pina, «por ocasião do 20° aniversário do início da guerra, a novidade é a intenção de transladar para o cemitério nacional os restos mortais de Tutsi e Hútus, juntos, em outras palavras: os Ruandeses». São os heróis da pátria. «Para mim isto é mais um passo ‒ comenta Pina. Voltamos a ser como éramos antes da guerra». A iniciativa chama-se “A flor da reconciliação” para que traga ainda mais frutos de paz na sociedade ruandesa.

Leia mais:

Ruanda recorda, vinte anos depois, de Liliane Mugombozi, em Città Nuova online

A flor da reconciliação, de Aurelio Molé, em Città Nuova online

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Evangelho: antes de tudo, a caridade recíproca.

Desempregado
Depois de muito tempo na instabilidade e dificuldades que pairavam na fábrica, perdemos o trabalho. Todos nós, funcionários, fomos parar na rua, sem nenhuma possibilidade de nos organizarmos, em tempo, quanto ao seguro desemprego e outras providências. Desempregado, em casa, sem fazer nada, comecei a me entregar a um profundo senso de frustração e inutilidade. Vivíamos com o salário da minha esposa. Depois, certamente ajudado pela fé, eu me dei conta de que poderia me ocupar de muitos pequenos trabalhos que, há muito tempo, minha esposa me havia solicitado. E assim eu comecei a lixar e pintar as portas e janelas, a substituir o papel de parede… Outras pessoas da minha família se entusiasmaram com o meu trabalho e começaram a me ajudar. O importante não é trazer o salário para casa e basta; não, o verdadeiro capital do qual a família tinha necessidade era o amor e, desempregado ou não, eu posso sempre amar. L. R. –Itália

A justiça humana
Segunda-feira: não obstante eu me preparasse bem e tivesse as melhores intenções, a audiência, naquela dia, foi triste e pesada. No final do período da manhã eu me senti desencorajado com esta justiça que, muitas vezes, encontra soluções facilmente e rapidamente. No meu íntimo, sinto a exigência de fazer alguma coisa em relação a isso e, no entanto, apresenta-se o último acusado. Parece muito envelhecido para a sua idade. Ele já tinha sido preso antes e, desta vez, fora surpreendido com um carro roubado. Ele me disse que, quando saíra da prisão, havia encontrado emprego, trabalhava regularmente e o seu chefe estava satisfeito com o seu desempenho. Diante disto eu modifiquei o requisito quanto à sentença e solicitei ao tribunal a pena de detenção a ser cumprida durante as férias anuais e, desta forma, o acusado não perderia o seu emprego. O tribunal aprovou a minha solicitação. Alguns dias depois, um jornalista que trabalha para a TV, me telefonou para dizer que ficara surpreso com minha atitude. Eu respondi que não fiz nada senão o que é previsto na minha profissão: recorrer a todas as possibilidades da lei. Durante o programa daquele jornalista, ele citou este fato e concluiu com estas palavras: “Aplicando a lei com o coração e a inteligência, pode-se atuar a justiça humana.” A. B. F. – França

Construtor de paz
Eu sou seminarista. Na difícil situação de conflitos étnicos que assola o meu país, também na minha cidade criou-se uma divisão e duas facções se combatiam, na ausência das forças de ordem. Mesmo consciente dos riscos que eu corria, pedi a Deus a força de ser construtor de unidade entre o meu povo e, superando uma barreira, feita de troncos em uma das ruas, fui procurar um grupo que se instalara nas dependências da paróquia. Chegando lá eu pedi para conversar com eles e, com o coração aberto, falei do quanto é inconsistente as motivações do ódio que se instaurou, criando tanta divisão. Depois que eles me escutaram, pediram-me para ir ao encontro do grupo da oposição e conversar também com eles. Acho que fui convincente porque, depois, retornou a convivência pacífica entre todos. Gilbert – Burundi

Fonte: O Evangelho do dia (Il Vangelo del giorno), Città Nuova Editrice.

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Padre Stăniloae e Chiara Lubich, comparação de teologias

“O amor misericordioso da Santíssima Trindade na visão teológica do Padre Dumitru Stăniloae e de Chiara Lubich no contexto do diálogo ecumênico contemporâneo.” É o título que reflete a profundidade do tema tratado para comparar a teologia de um dos maiores teólogos ortodoxos do último século – assim é considerado o Padre Dumitru Stăniloae – e o carisma de Chiara Lubich. Assim se expressou o decano da Faculdade, professor Vasile Stanciu. Houve a intervenção de teólogos de três Igrejas: ortodoxa, católica e luterana. E, também, de cinco professores ortodoxos romenos, da Faculdade Teológica de Cluj, Alba Iulia e Sibiu e cinco do Movimento dos Focolares, da Universidade Sophia , de Loppiano; da Universidade Lucian Blaga di Sibiu, do Instituto Oriental de Regensburg e do Centro “Uno”, secretaria para o Diálogo Ecumênico dos Focolares. O Simpósio começou com a oração e a saudação do Metropolita Andrei, em cuja circunscrição o evento foi realizado. O bispo auxiliar ortodoxo, Vasile Somesanul, que participou em vários momentos, afirmou: “Eu fico impressionado, sempre; e agora, outra vez, pelo caloroso amor com o qual vocês retornam a Cluj, o mesmo amor que existe quando nos encontramos, todas as vezes, e que conservamos no nosso ser, na nossa vida dia após dia… Certamente nos esforçamos para transformar o amor em vida, concretamente, como também fizeram o Padre professor Dumitru Stăniloae e Chiara Lubich.” Experiências sobre o amor recíproco, contadas por ortodoxos e católicos – jovens, famílias e sacerdotes – evidenciaram que a vida (da fé) é essencial para os cristãos; a teologia é compreendida, portanto, de maneira vital e o percurso do ecumenismo, é concebido segundo o trinômio “amor-vida-verdade”. Existe, de fato, o risco de que, muitas vezes, a teologia permaneça somente na teoria e é difícil colocá-la em prática, mas, é necessário vivê-la, evidenciou o professor Vasile Stanciu. Segundo o professor Sonea, vice-decano de Cluj, “tratar sobre teologia não é elaborar um discurso sobre um Deus abstrato, mas, um Deus vivo, em Deus e sobre Deus. Este modo de tratar sobre teologia é específico de Chiara Lubich. Um elemento sobre o qual podemos estabelecer um diálogo que não é a busca da conversão do outro, mas, a descoberta do outro. Se estamos no espírito do amor, estamos no espírito da unidade. É necessário dar ao mundo um testemunho comum.”

Metropolita Andrei

O que foi evidenciado pelo professor Stefan Tobler, de Sibiu, ao concluir, na vivência radical do amor e no rigor teológico, “nós estamos, realmente, juntos.” A professora Ruxandra, de Bucareste, no seu testemunho, disse que conheceu Chiara e o Padre Dumitru Stăniloae. “Eu conheci primeiro Chiara, durante um encontro de jovens, em Roma, e ela reavivou a minha fé em Deus e fez com que eu me reaproximasse da Igreja. Depois, quando eu era estudante, eu ouvi o Padre Dimitru Stăniloae falar do grande amor de Deus para com os homens e do amor que brota da Santíssima Trindade, modelo do amor supremo, modelo do amor na família. Para mim, ortodoxa, é extraordinário constatar como teólogos ortodoxos, católicos, luteranos e reformados encontraram uma espiritualidade comum entre o pensamento de Chiara Lubich e do Padre Dimitru Stăniloae, ambos teólogos do amor. Foi uma experiência maravilhosa!” Com este simpósio foi dado um ulterior passo em frente e se abriram novas perspectivas nesta caminhada juntos.

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

“A mim o fizeste”

A Mariápolis permanente de Fontem

«Hoje merece um destaque a história de Fontem, na República dos Camarões.   O seu nome poderia ser: “A mim o fizeste”.  A sua história parece uma fábula.

Numa floresta dos Camarões havia um povo que já tinha sido muito numeroso. Quase todo era pagão, mas era um povo muito honrado, moralmente sadio e rico de valores humanos. Era um povo cristão por natureza, poderíamos dizer. Chamava-se Bangwa, mas estava sendo dizimado pelas doenças. 98 porcento das crianças morriam no primeiro ano de vida.

Não sabendo o que fazer, esses africanos, com os poucos cristãos que havia entre eles, se perguntaram: “Mas por que Deus nos abandonou?”. E concluíram: “É porque não rezamos”. Então, todos decidiram de comum acordo: “Rezemos por um ano; quem sabe se Deus não se recordará de nós!”.

Rezaram todos os dias com uma única ideia: “Pedi e vos será dado; batei e vos será aberto”(Mt 7,7). E rezaram por um ano. Terminado o prazo, notaram, porém, que não tinha acontecido nada.

Chiara Lubich, Fontem, 19.1.1969

Sem desanimar, os poucos cristãos disseram ao povo: “Deus não nos atendeu porque não rezamos o bastante. Rezemos mais um ano”. Rezam outro ano, o ano inteiro. Passa o segundo ano e nada. Então se reuniram e disseram: “Por que Deus nos abandonou? Por que as nossas orações não valem diante de Deus. Nós somos maus. Façamos uma coleta de dinheiro para dar ao bispo que fará rezar uma tribo mais digna, a fim de que Deus tenha compaixão de nós”.

O bispo se comoveu. Começou a interessar-se; foi encontrá-los, prometendo um hospital. Passaram-se três anos e nada de hospital. A certa altura chegaram alguns focolarinos médicos. E o povo Bangwa viu nisso a resposta de Deus. Os focolarinos foram chamados “os homens de Deus”.

Eles compreenderam que naquele lugar era inútil falar. Não podiam dizer naquelas circunstâncias: “Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos” (Tg 2, 16). Ali era necessário arregaçar as mangas e trabalhar. Abriram um ambulatório onde faltava tudo.

Também eu fui visitá-los após três anos. Aquela grande multidão reunida numa vasta clareira na frente da casa do rei, o Fon, me pareceu tão unida e tão ansiosa em elevar-se, que me pareceu um povo preparado há muito tempo por Maria para o cristianismo na sua forma mais integral e genuína. Naquela época a região já era irreconhecível. Não só pelas novas estradas e as casas, mas também pelas pessoas.

A obra precedente dos missionários, que podiam visitar a região raramente, já tinha implantado bases muito sólidas. Pequenos núcleos de cristãos já tinham nascido em várias partes, como uma semente à espera de germinar. Mas depois a marcha rumo ao cristianismo assumiu as proporções de uma avalanche. Todos os meses eram centenas os batizados de adultos administrados pelos nossos sacerdotes, ainda que rigorosos na seleção. Um inspetor do governo, que tinha feito uma viagem pela região para visitar as escolas primárias, no fim quis declarar: “Todo o povo está fortemente orientado ao cristianismo, porque viu como os focolarinos o vivem concretamente”.

Devo ressaltar que a evangelização que os focolarinos realizaram naqueles três anos foi quase exclusivamente movida pelo testemunho. Trabalharam muito, aliás, quase só trabalharam, e em condições precárias, por falta de recursos, de preparação dos trabalhadores locais, pelas difíceis vias de acesso e de abastecimento. Nada de reuniões, nada de grandes jornadas nem de discursos públicos. Só conversas particulares em encontros ocasionais. Mesmo assim, aos domingos, o galpão da Igreja se enchia cada vez mais. Junto ao grupo dos cristãos, aumentava o número dos animistas que queriam conhecer o cristianismo. A igreja ficava superlotada, mas a multidão que ficava fora da igreja era muito maior. Milhares de pessoas participavam da missa, muitas centenas comungavam.

A experiência de Fontem foi para nós única. Parecia-nos reviver o desenvolvimento da Igreja primitiva, quando o cristianismo era aceito por todos na sua inteireza, sem limitações e compromissos. E a experiência de Fontem já começou a interessar outras comunidades africanas, como do Guiné, Ruanda, Uganda e Kinshasa no Zaire[1], de modo que Fontem adquiria a função de centro propulsor de uma evangelização característica. Atualmente Fontem é uma localidade grande, com tudo o que é essencial numa cidade. E é também uma paróquia.

Os focolarinos tiveram credibilidade porque fizeram a Jesus o que fizeram ao povo Bangwa, dando antes de tudo o testemunho do amor entre eles e depois para com todo o povo.».

   Chiara Lubich

Trecho de um discurso de Chiara no Congresso do Movimento dos religiosos – Castelgandolfo, 19 de abril de 1995

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[1]  Atual República Democrática do Congo.

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Uma padaria diferente

Rio Tercero é uma graciosa cidade da Província da Córdoba, na Argentina. Situada em uma zona agrícola e de grandes rebanhos, na metade do ano 1900, teve um grande desenvolvimento industrial – entre as maiores indústrias está a Fábrica Militar Rio Tercero, infelizmente famosa pelas explosões dolosas que aconteceram em 1995 – e isto provocou um notável crescimento demográfico. Isto comporta também as problemáticas sociais, especialmente, nos bairros da periferia, onde a violência se faz sempre presente como consequência da falta de trabalho e instrução. Estela è dentista e, há seis anos, foi incumbida pelo seu pároco de trabalhar na Cáritas, com a precisa recomendação de levar a espiritualidade da unidade naquela estrutura da Igreja. Ela começou pedindo a colaboração das pessoas de boa vontade que saiam da igreja após a missa. Se ela, que tinha pouco tempo à disposição entre o trabalho, filhos e netos, fazia aquele trabalho… outros também poderiam fazê-lo. Com a equipe que se constituiu Estela começou a visitar as famílias dos bairros mais pobres onde encontravam jovens mães com os filhos ou o marido alcoólatras ou dependentes de droga. E teve origem a “Tienda”, uma boutique onde as pessoas encontravam roupas para toda a família. Quando chegou o inverno, todos encontraram bons cobertores… mas, a quantidade era insuficiente. Decidiram então começar a fabricá-los e assim teve origem um atelier onde trabalhavam vinte e oito jovens mães. As relações se tornaram mais profundas entre todas, aquelas mulheres sentiam-se valorizadas e estimadas. Estela propôs a todas de começar a meditar e a viver uma frase do Evangelho. O inverno passou e ninguém queria deixar o atelier. O que fazer? “Eu tive a idéia de começar a fazer pão – nos conta Estela – e começamos a fazê-lo, usando um forno doméstico. Cada uma trazia a farinha e o fermento e, juntas, faziam o pão para as respectivas famílias e uma quantidade a mais destinada à venda, cuja renda era também para a própria família. Mas, ainda era muito pouco. Eu comuniquei o desenvolvimento da atividade ao Conselho Paroquial e todos os membros me encorajaram não somente com as palavras, mas, também, com uma soma para adquirir um forno comercial. A iniciativa foi comunicada aos paroquianos e, todos, começaram a nos doar a farinha de trigo. E assim foi construída uma corrente de unidade entre as pessoas da paróquia, que está no centro da cidade e as mães os seus filhos que moram nos quarteirões da periferia: elas não tinham condições de deixar os filhos com alguém, quando tinham que vender o pão. Mas, vender pão levando os filhos, era impossível. E, desta forma, começamos atividades para as crianças, com aulas particulares e com atividades recreativas promovidas pelos jovens da paróquia. “Com o tempo, melhoraram as relações entre mães e filhos. Nós procurávamos fazer com que os filhos apreciassem o trabalho das mães e, por outro lado, os filhos eram encorajados a levar a sério o estudo, vendo o esforço da própria mãe para sustentar a família.” Mais tarde, a atividade tornou-se pública: vende-se pão para vários mercados da cidade, também a prefeitura interessou-se e quis participar por meio de um projeto de desenvolvimento. Resultado: organizamos uma verdadeira padaria com quatro grandes fornos, máquinas necessárias para trabalhar com uma grande quantidade de farinha. Fundamos uma micro-empresa na qual as próprias trabalhadoras tornaram-se empresárias. Atualmente são quatro as responsáveis pela padaria que fornece, regularmente, massa para escolas, pizzarias e outras padarias. “Trata-se de uma pequena atividade – afirma Estela – mas, é sempre uma possibilidade de trabalho, e, a coisa mais importante é a formação integral promovida com cada pessoa e com a respectiva família.” Uma iniciativa que continua a contagiar muitas outras pessoas.