Movimento dos Focolares

O homem pacífico não ignora a luta

Uma cidade que partisse do nada chegaria ao nada, movida por impulsos que levam à nulidade. Uma sociedade que partisse da cobiça por dinheiro levaria ao combate para conquistá-lo. Uma que partisse só do estômago terminaria num esgoto. Mas, a vida parte da vida. A política é guiada pela justiça. Mas se fosse apenas justiça permaneceria estéril para aqueles cidadãos que fossem vencidos nas competições da existência. Se é o contrário aperfeiçoa-se com a caridade, e dessa autoridade faz-se serviço; um serviço realizado com respeito à pessoa humana e com um sentimento de débito para com a miséria. Concebida assim a política sente-se responsável pelo bem de todos os cidadãos, inclusive dos últimos: não cessa de impedir o mal, de manter a ordem externa, mas esforça-se em suscitar o bem, com uma ordem diferente, tornando-se uma atividade supremamente benéfica. A política, fora da lei de Deus, transforma-se em uma maldição para os administradores; na lei de Deus torna-se uma ajuda vigorosa para alcançar fins individuais, familiares, profissionais. E se executa a lei de Deus, edifica a cidade de Deus. Nela a caridade exclui o egoísmo de manter-se à parte e dá a cada um o dever de assistir a comunidade, e vê o interesse público não como uma categoria externa, mas como interesse comum, no qual estão incluídos os destinos das respectivas famílias e pessoas. Chama-se, de fato, “bem comum”. O homem pacífico não ignora a luta, o homem da caridade não ignora o ódio. Logo que sai da “cela do próprio eu” encontra o adversário. É um irmão, mas reduzido a inimigo. E com frequência recebe tanto mal pelo tanto que faz de bem. E a cada passo é instigado à vingança, e talvez por dez, dezesseis, vinte horas, nada mais faz do que viver dentro de estímulos de ambição e seduções de corrupção. Sim, porque o seu é só um combate contra a luxúria, a guerra e o ódio: mas combater é viver como sinal de contradição. Igino Giordani, Le due città, Città Nuova, 1961.

Maria Voce: confiança total, envolvente

Maria Voce: confiança total, envolvente

Conectados em direta, de muitos pontos do planeta – Costa do Marfim, Zâmbia, África do Sul, Vietnam, Tailândia, Macau, Rússia, Suécia, Brasil… – foram muitos os que participaram do encontro “Chiara e as novas gerações”, dia 11 de março, em Castelgandolfo. Na conclusão, Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, dirigiu um vivo agradecimento a todos os que vieram para vivê-lo diretamente, e aos que acompanhavam na internet. Das muitas manifestações promovidas pelo Movimento para recordar a fundadora, Chiara Lubich, no 4º ano do seu falecimento, várias envolveram os jovens, como na Polônia, em Lublin, e em Manila (Filipinas) no dia 10 de março, e proximamente em Costa Rica. O discurso de Maria Voce tirou as conclusões da tarde, colocando em luz o valor da “segunda geração” dos Focolares, o relacionamento de Chiara com os jovens, potencialmente todos os jovens do mundo, fundado sobre a reciprocidade e sobre uma confiança “total e envolvente”. Chiara sabia “ousar” ao apresentar aos jovens o revolucionário por excelência, Jesus, o “homem-mundo” que dá a chave para “abraçar sem medo a humanidade com as suas contradições”. Não duas horas de lembranças, mas de vida, “um trampolim” para retomar juntos o caminho rumo à fraternidade universal. “Devemos isso a Chiara e ao carisma que ela nos transmitiu. O devemos à humanidade que amamos ”. Leia a íntegra do discurso.