21 Ago 2011 | Sem categoria
«Cada objeto, para nós, deve ter um porquê», dizia sempre Marilen Holzhauser, uma das primeiras focolarinas. Para as primeiras companheiras de aventura de Chiara, sobriedade e essencialidade eram um estilo de vida, uma forma de decorar, de vestir. A beleza revela o mistério de uma flor que consome apenas o que precisa e desse modo mostra a sua real beleza. E o belo torna-se esplendor da verdade. A harmonia da essencialidade faz descobrir «a beleza que salvará o mundo» e qual mundo salvará a beleza. Na carta a Diogneto, a propósito dos primeiros cristãos, lê-se: «Vivendo em cidades gregas ou bárbaras, como coube a cada um, e adequando-se aos costumes do lugar nas roupas, nos alimentos e em tudo, testemunham um método de vida social admirável e, sem sombra de dúvida, paradoxal». Tudo isso tem reflexos na vida concreta de quem adere ao “espírito da unidade”. Por exemplo, os “Centros Mariápolis”, onde se fazem congressos e cursos de formação, e as Mariápolis permanentes, 22 em todo o mundo, são concretizações que miram restaurar as relações sociais, em sua integridade humana. Da mesma forma as produções dos Centros Ave e Azur e os encontros de “Art’è”, e assim também as obras de arte de pintores, musicistas, pianistas, bailarinos… querem exprimir a contínua novidade de Deus, fonte de beleza e harmonia.

Dina Figueiredo, 'Eucaristia' - Hospital Sta.Clara, Trento 2004
Chiara Lubich escreveu: «O verdadeiro artista é um grande.Todos afirmam isso, ainda que sejam poucos os críticos de arte, mas em todos existe a admiração e o fascínio pelo “belo”. O artista assemelha-se de certo modo ao Criador. O verdadeiro artista possui a sua técnica quase inconscientemente, e se serve das cores, das notas, das pedras, como nós nos servimos das pernas para caminhar. O ponto de concentração do artista está em sua alma, onde contempla uma sensação, uma ideia, que ele quer exprimir fora de si. Por isso, nos limites infinitos de sua pequenez de homem, em comparação com Deus, e, portanto, na infinita diversidade das duas coisas “criadas”, digamos assim, o artista é de certo modo alguém que “recria”, cria novamente. E as obras-primas de arte que outros homens produziram poderiam ser uma verdadeira “recriação” para o homem. Infelizmente, por falta de verdadeiros artistas, o homem recreia-se, quando muito, em extravagâncias vazias de cinemas, teatros, variedades, onde a arte frequentemente tem pouco lugar. O verdadeiro artista – continua Chiara – com suas obras-primas, que são brinquedos diante da natureza, obra-prima de Deus, de certa maneira nos faz sentir quem Deus é, e nos faz relevar, na natureza, a marca trinitária do Criador: a matéria, a lei que a conforma, como que um “evangelho da natureza”, a vida, como que consequência da unidade das duas primeiras. O conjunto, depois, é algo que, continuando a “viver”, oferece a imagem da unidade de Deus, do Deus dos vivos. As obras dos grandes artistas não morrem, e nisso está o termômetro da sua grandeza, porque a ideia do artista, de certo modo, se exprimiu perfeitamente na tela ou na pedra, compondo algo vivo».
16 Ago 2011 | Sem categoria
Caríssimos jovens, Neste primeiro momento devemos cumprir um dever que a Igreja nos deu, isto é: aprofundar o tema específico desta Jornada e apresentar o nosso Movimento, pelo menos o seu sector juvenil, a quem ainda não o conhece. Devemos aprofundar o tema e nas canções já ouviram que o seu título é: “Recebestes um espírito de filhos” (Rom 8, 15). E, depois, devemos apresentar o Movimento. De facto o carisma do Movimento dos Focolares faz essencialmente isto: sensibiliza as pessoas dando-lhes uma nova consciência de que são filhos de Deus e que o são hoje, segundo os Seus planos para o nosso tempo. Este carisma repete-nos: “Recebestes um espírito de filhos”. Recordemos o início do Movimento. No contexto da Segunda Guerra Mundial que semeava por toda a parte uma total destruição, eis a grande – por assim dizer – revelação que o Espírito Santo nos fez: Brilha sobre vós um sol radiosíssimo: é Deus! Deus que é Amor, Deus que vos ama imensamente, que conta até os cabelos da vossa cabeça… Ele é vosso Pai e vós sois seus filhos.
E uma fé fortíssima no amor de Deus por eles, invadiu desde então a alma dos primeiros membros do Movimento. Uma fé que depois, todos os que foram aderindo ao Movimento ao longo dos anos, também sentiram irromper potente do próprio coração. Fé que deu a todos a força de arriscar tudo na vida para serem fiéis a tão extraordinária vocação: comportar-se como filhos de Deus; levar uma vida em união com o Pai do Céu. Ver em Deus-Pai, em Deus-Amor, o Ideal das suas vidas. Puseram-nO então acima de todos os pensamentos e deram-Lhe o primeiro lugar no coração. E, fazendo assim, todas as suas aspirações foram plenamente satisfeitas. Com Ele encontraram a plenitude da alegria, a felicidade; aquela felicidade a que hoje os jovens de todas as latitudes aspiram como ao seu próprio ideal, mas que raramente alcançam porque a buscam muitas vezes na posse dos bens, no “ter” mais do que no “ser”; procuram-na no divertimento ou em metas puramente terrenas.
Os nossos jovens procuram mirar bem alto e, tudo o que outros julgam não poder alcançar, eles têm a esperança de obter e trabalham nesse sentido. Podem testemunhar ao mundo inteiro (e desejam fazê-lo antes de tudo aos seus coetâneos, que são vocês) que, por viverem como filhos de Deus, possuem o talento por excelência, uma força interior superior, uma confiança nova, que os ajuda a ver possíveis as metas a que hoje os jovens aspiram. Além disso os nossos jovens, sabendo que Deus não criou apenas o universo e as suas pessoas mas está presente e conduz a história, estão convencidos de que Ele tem projectos maravilhosos também sobre cada um deles. Então, enquanto os jovens de hoje, na sua maioria, só pensam no futuro imediato, só tomam decisões pouco duradouras e adiam as opções mais sérias, os nossos jovens programam as suas vidas mas não unicamente segundo os seus esquemas. Pelo contrário, procuram harmonizar o seu agir pessoal com a acção da providência de Deus no mundo. Sintonizam-se portanto na onda da Sua divina vontade e vivem-na plenamente, cientes de se terem encaminhado com todos os outros por uma divina e maravilhosa aventura.
14 Ago 2011 | Sem categoria
Diz o salmo: «Ensina-nos a contar os nossos dias e teremos um coração sábio» (Sal 90, 12). Tal sabedoria é a mãe que nos ensina a reconhecer aquilo que jamais passa e aquilo que, da eternidade, manifesta-se através do tempo. Cura os medos, dissolve as ansiedades, preenche os vazios, abre o nosso coração ao próximo. «A doença me curou – escreveu uma mãe – levou-me a uma visão completa da existência que a corrida da vida me tinha tirado. Agora parece-me saber amar a minha família». As biografias que recordam os que passaram pela terra antes de nós, e permitem que a mensagem de suas vidas nos alcance, são caridade que se perpetua no tempo. É a comunhão dos santos. Este aspecto salienta o relacionamento do homem não só com a Vida e com a Morte. Chiara Lubich escreveu, em 1973: «Se hoje eu tivesse que deixar esta terra e me fosse pedida uma palavra, como última que exprimisse o nosso Ideal, eu lhes diria (certa de que seria entendida no sentido mais exato): “Sejam uma família”.Existe entre vocês quem sofre em virtude de provações espirituais ou morais? Compreendam-no como e mais do que uma mãe! Iluminem-no com a palavra ou com o exemplo. Não lhe deixem faltar, pelo contrário, aumentem ao redor dele o aconchego da família.Existe entre vocês quem sofre fisicamente? Seja o irmão predileto. Sofram com ele. Procurem entender profundamente as suas dores. Façam-no participar dos frutos do apostolado de vocês, para que saiba que mais do que os outros foi ele que contribuiu para isso.Alguém está morrendo? Imaginem estar no lugar dele e façam o que gostariam que fosse feito a vocês, até o último instante.Existe alguém que se regozija por uma conquista ou por qualquer outra razão? Alegrem-se com ele, para que a sua consolação não seja diminuída e a alma não se feche, mas a alegria seja de todos.Existe alguém que parte? Não o deixem partir sem lhe terem preenchido o coração de uma única herança: o sentido da família, para que o leve para onde está destinado.Não anteponham jamais qualquer atividade de qualquer tipo, nem espiritual, nem apostólica, ao espírito de família com aqueles irmãos com quem vocês vivem».
7 Ago 2011 | Sem categoria
Natalia Dallapicolla, a primeira jovem do grupo inicial, que seguiu Chiara Lubich em sua aventura no focolare, contava: «Uma noite, sentadas ao redor de uma mesa, o único móvel que tinha sobrado, à luz de vela, porque era preciso ficar no escuro, sem usar a luz elétrica, Chiara leu: “Assim como eu vos amei, amai-vos uns aos outros. Disto todos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”». «Aquelas palavras – prosseguiu Natalia – caíram como gasolina no fogo. Nós queríamos saber qual era o desejo mais profundo de Jesus, uma palavra que nos dissesse, de uma vez por todas, o que ele queria mesmo de nós. E esta era a palavra síntese, o eureka que procurávamos». E concluiu: «Então, antes de ir para a escola, para o escritório trabalhar, de ir comprar alguma coisa, até antes de ir visitar os pobres ou de rezar, é preciso que exista entre nós o próprio amor de Jesus, porque é isso que ele quer. Quando saímos de lá sentíamos que a nossa vida tinha mudado, possuía um sabor diferente, tinha encontrado o seu porquê».

Foto ©Adriana Avellaneda
A vida de oração pessoal é linfa vital para quem adere à espiritualidade da unidade. O relacionamento com Deus é fundamento de cada ação. Mas esta vida de oração é também uma experiência profundamente comunitária. Desde os cantos que se entoavam nas férias passadas juntos sobre as montanhas, nos anos cinquenta, aos moderníssimos musicais dos grupos Gen Verde e Gen Rosso; da participação ativa na liturgia ou nas orações, nas comunidades espalhadas pelo mundo, em todas as suas atividades os focolarinos atuam a “espiritualidade de comunhão”. Esta comunhão não se esgota em uma oração intimista, mas tem reflexos na vida pessoal e social. Por exemplo, desabrocha uma medida elevada de justiça, uma necessidade absoluta de legalidade, como o setor “Comunhão e direito” busca testemunhar em diversas iniciativas. Chiara Lubich escreveu: «Nós temos uma vida interior e uma vida externa. Uma é o florescimento da outra, uma é a raiz da outra, e é a copa da árvore da nossa vida. A vida interior é alimentada pela vida externa. Quanto mais penetro na alma do irmão, na mesma medida penetro em Deus dentro de mim. E, quanto mais penetro em Deus dentro de mim, na mesma medida penetro no irmão. Deus-eu-o irmão: é um grande mundo, um grande reino…» E ainda: «Quanto mais cresce o amor pelos irmãos, mais aumenta o amor por Deus».
6 Ago 2011 | Sem categoria
[…] Massas de jovens se reúnem hoje para recuperar aquele valor da vida que é a religião, e dela retiram energias de renascimento nas operações ordinárias, sociais, ameaçadas por múltiplas aberrações, como o uso homicida da energia nuclear, as tiranias e as guerras, a droga, a praxe pornográfica.
Alguém dirá que a nova consciência dos jovens é pontilhada por corpúsculos, que reduzem a fé a um relicário de ideologias carregadas de programas de violência, formas típicas da exteriorização da força, sob a pressão da superficialidade. Mas, desta confusão de política e de anarquismo, também estes corpúsculos podem absorver a substância da fé, somente observando o comportamento dos bispos nos vários países ameaçados na liberdade e na própria vida, de fieis serenos e fortes que estão movendo uma reação feita de convicção, depois que a luxúria e o terror dos reinantes violentos e amedrontados deram a mais clamorosa demonstração de que sem a fé em Deus não se vive, morre-se. Morre-se, espiritualmente, e com frequência também fisicamente, como observa-se com angústia em países do terceiro mundo.
A missão da evangelização consiste em implantar Deus na alma […]. Se Ele é tudo, também as ações da nossa existência, pelos irmãos e por nós mesmos, necessitam todas da sua inspiração.
[…] Então o dia não é feito apenas de atos de trabalho e relacionamento humano e culto da própria pessoa, mas é enriquecido por uma vida mais íntima e alta, a vida do espírito, da qual nos chega uma dignidade comparável à liberdade que nos assegura a filiação do Onipotente. Todo o dia é uma íntima presença Dele, que nos dá força nas provações, alegria nos cansaços. Desta nasce uma espontânea evangelização, da qual grande parte da sociedade necessita, porque não é ateia, mas ignora o Evangelho.
[…] Para o cristão, como para os outros, talvez a própria existência seja contemplada como existência exterior, para ganhar, crescer, aprender, divertir-se, talvez com alguma operação interior para desenvolver a virtude e aproximar-se de Deus. Mas o cristão viverá tanto quanto sentirá a necessidade de canalizar todas as ações do dia ao relacionamento com Deus e, portanto, compô-las como maneiras diferentes de continuar a encarnação de Cristo.
Cada um, até a última criatura doente, pobre, miserável, impotente, pode dar saúde, enriquecer a humanidade, dar força aos irmãos. Assim nada é desperdiçado: cada pensamento, palavra e ato, dentro desta visão da vida criada por Deus, serve para fornecer material para a construção do seu reino. E todo o dia assume um valor sacerdotal, de associação da vida do céu às necessidades da terra, feita pelo homem.
[…] A interiorização do cristianismo na alma moderna, portanto, não é tanto um problema de reformas institucionais […] quanto problema de “metanoia”, isto é, de renascimento cotidiano no aprofundamento do mistério de Deus, onde a alma está imersa naquela sua potência que é o amor.
Fonte: Revista Città Nuova, n. 13, 10/07/1977, p. 29.