agosto 2011
“Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Esta Palavra nos oferece a chave de leitura da vida de Jesus, ajudando-nos a colher o seu aspecto mais profundo e o fio de ouro que liga todas as etapas de sua existência terrena: a sua infância, a sua vida particular, as tentações, as suas escolhas, a sua atividade pública, até a morte na cruz. Em cada momento, em cada situação Jesus visou uma única coisa: fazer a vontade do Pai; e a cumpriu de modo radical, não movendo um dedo fora dela e repelindo até as propostas mais sugestivas que não estivessem em pleno acordo com aquela vontade.
“Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Esta Palavra nos faz compreender a grande lição que Jesus com toda a sua vida nos quer dar. Isto é, que a coisa mais importante é fazer não a nossa, mas a vontade do Pai; tornarmo-nos capazes de dizer não a nós mesmos para dizer sim a Deus. O verdadeiro amor a Deus não consiste em belas palavras, ideias e sentimentos, mas na obediência efetiva aos seus mandamentos. O sacrifício de louvor que ele espera de nós é que lhe ofertemos tudo o que temos de mais íntimo, o que é radicalmente nosso: a nossa vontade.
“Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Como viveremos então a Palavra de vida deste mês? Também esta é uma das palavras que ressalta explicitamente o aspecto do Evangelho que vai contra a corrente, porque combate uma tendência profundamente enraizada em nós: satisfazer a nossa vontade, seguir os nossos instintos, os nossos sentimentos. Esta Palavra é também uma das que mais se choca com o homem moderno. Vivemos na época da exaltação do eu, da autonomia da pessoa, da liberdade como fim a si mesma, da auto-satisfação como realização do indivíduo, do prazer considerado como o critério das próprias opções e o segredo da felicidade. Mas conhecemos também a que consequências desastrosas esta cultura nos conduz. Pois bem, esta cultura fundada na satisfação da própria vontade encontra a oposição daquela de Jesus totalmente orientada ao cumprimento da vontade de Deus, com os efeitos maravilhosos que ele nos garante. Procuremos então viver a Palavra deste mês, escolhendo também nós a vontade do Pai e fazendo dela, como Jesus fez, a norma e a motivação de toda a nossa vida. Assim vamos nos aventurar numa divina aventura que nos encherá de gratidão a Deus. Graças a ela nos faremos santos e irradiaremos o amor de Deus em muitos corações. Chiara Lubich Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em dezembro de 1991.
Viver o carisma: testemunho e difusão
Alegria verdadeira, evidente no rosto, nos olhos, nos gestos. Enraíza-se no mais profundo do ser humano e livra energias enterradas, que não podem
deixar de agir. Alegria que contagia e liberta, a ajuda a ler os fatos da vida. Esta experiência foi a única característica dos primeiros tempos do Movimento e é a trilha que orienta os passos de quem se aproxima dele. Como aconteceu a Graziella de Luca, na Sala Massaia, em Trento, onde a primeira comunidade se reunia, nos primeiros anos da aventura da unidade. Ela contou: «Enquanto Chiara falava, com os olhos da alma vi uma grandíssima luz e entendi que aquela luz era Deus, o amor infinito. A compreensão vinha junto com essa luz interior. Dizer “entendi” já era uma passagem longa demais, tratava-se de uma sensação imediata. Era Deus, amor infinito que saciava completamente a minha alma, e não deixava mais nenhum vazio. Era o que havia buscado desde sempre».
Sentir-se amado por Deus e responder com amor, é o que constitui a trama da história narrada em toda parte, nos ambientes e lugares onde o Movimento atua, seja nos pequenos grupos que nos encontros públicos. E é o impulso à fraternidade universal que começa no lugar onde a pessoa está, e que é vivida no momento presente: família, escola, trabalho, até num leito de hospital. É esta irradiação natural, pessoal e comunitária, que leva a realizar, por exemplo, uma profunda inculturação do Evangelho e do carisma da unidade na África, como, aliás, em qualquer país e continente. Sublinhando que esta é uma época chamada a viver a unidade, Chiara Lubich escreveu: «(…) Se for vivida os reflexos na sociedade logo serão
evidentes. E um deles deverá ser uma estima recíproca entre os Estados e os povos. E isto é algo inusitado. De fato, estamos habituados a ver acentuadas as fronteiras entre povo e povo; a temer a potência dos outros. No máximo se fazem alianças, em benefício próprio. Mas dificilmente se pensa em agir unicamente por amor a outro povo – já que a moral popular jamais atingiu este ponto. Mas quando os indivíduos amarem efetivamente os seus próximos, brancos ou negros, vermelhos ou amarelos, como a si mesmos, será fácil transplantar esta lei entre Estado e Estado. (…) E os povos aprenderão um do outro o que tem de melhor, e as virtudes circularão para o enriquecimento de todos. Então haverá realmente unidade e variedade, e florescerá no mundo um povo que poderá chamar-se “povo de Deus”».
[:it]Tolleranza e dialogo
Tolerância? Mais que isso, diálogo.
Video (italiano) (2 minuti e 30’’) «A proposta do diálogo supera muito a simples tolerância que a seu tempo já foi uma conquista e é sempre um valor instável na nossa sociedade. Se há dois séculos Lorde Stanhope podia dizer que a tolerância, antes invocada como uma graça e depois conquistada como um direito, “um dia será rejeitada como um insulto”, era porque previa que nesse dia – nós esperamos que seja hoje – o homem se tornaria mais sensível a um valor mais sublime que é o diálogo: não só tolerar o outro, mas, respeitando-o profundamente, acolher as ideias diferentes para poder se confrontar e sobretudo para construir um relacionamento de verdadeiros irmãos. O que você acha desta reflexão?» Pergunta de Piero Taiti a Chiara Lubich. “Eu também acho que o diálogo supera de muito a tolerância, mas pessoalmente eu não a desprezaria totalmente, porque em certos casos convém que ela exista, pois evita brigas e lutas. No entanto, o diálogo é muito diferente. É um enriquecimento recíproco. É amar-se. É já se sentir irmãos. É criar a fraternidade universal nesta Terra. Portanto, é muito diferente. Naturalmente, o diálogo só é verdadeiro, se for animado pelo amor verdadeiro. O amor é verdadeiro, se for desinteressado. Caso contrário não é amor, pois que amor seria? Seria egoísmo. Vocês me perguntaram várias vezes se não seria o interesse a nos mover, inclusive no diálogo. Se fosse assim, seria um diálogo construído sem o amor. Logo não seria diálogo, seria qualquer outra coisa. Seria proselitismo. O proselitismo deve ficar fora desta porta. Ele não pode existir, pois impede o diálogo. O diálogo significa amar, doar aquilo que possuímos por amor ao outro, depois também receber e nos enriquecer. Isso é diálogo. Como os nossos gen dizem, é tornar-se “homens mundo”, que compreendem a humanidade e que conseguem doar o que lhes é próprio. Eu diria isso. Recordo que nos primeiros tempos, quando começamos esta vida, entendemos claramente que o que nos devia guiar era o amor. Porém, sabíamos muito bem que o amor é desinteressado. Não devemos amar para conquistar aquela pessoa. Não devemos amar para formar um grupinho de amigos. Não devemos amar para influir no escritório onde trabalhamos ou na escola… Não. Amamos por amor. Nós amamos por um motivo sobrenatural, porque temos a convicção cristã. Vocês podem ser movidos pelo desejo de viver o valor da fraternidade universal, mas não para conquistar este ou aquele. Era por isso que conquistávamos muita gente, porque as pessoas, sentindo-se livres, vendo a beleza desta vida, nos seguiam. Portanto, o nosso grupo de pessoas de outras convicções crescerá muito, se amarmos assim». 8 de fevereiro de 1998
JMJ: Città Nuova e a App do YouCat
- Nas dioceses do mundo inteiro fervem os preparativos para o encontro dos jovens para com o Papa. Na mochila que cada jovem inscrito na JMJ receberá, ao chegar a Madri, estará também o YouCat, o subsídio ao Catecismo da Igreja Católica feito especialmente para os jovens e estruturado como perguntas e respostas. Justamente nestes dias a Editora Città Nuova, responsável pela edição italiana do YouCat, disponibilizou um aplicativo para download nos celulares de última geração. Trata-se de uma App, isto um aplicativo, chamado sempre YouCat, que dá aos jovens a possibilidade de lidar com os temas do Catecismo e da JMJ. Do que se trata exatamente? Debora Donnini entrevistou Giulio Meazzini, colaborador de Città Nuova, que trabalhou no aplicativo do YouCat.
Città Nuova quis presentear os jovens que vão a Madri, dando a possibilidade de baixar, nos celulares que possuem sistema operacional Apple, Windows móvel ou Android – o que significa a grande maioria dos celulares de última geração – este aplicativo gratuito. As funções disponíveis são uma rede social, do tipo facebook com um mural de mensagens para o intercâmbio de comentários; cada jovem poderá ter um perfil pessoal para trocar mensagens e sms entre os usuários, e além dos próprios amigos terá também “amigos famosos”, amigos especiais: nós, por exemplo, inserimos Maritain, João Paulo II, São Francisco, Van Thuan… assim, a cada dois dias, nesta app se encontrarão frases famosas desses personagens. Além disso, no que diz respeito diretamente à JMJ, através dessa App podemos receber, diretamente no celular, em várias línguas, notícias sobre todos os eventos diários da JMJ, e é possível criar uma espécie de comunidade entre as pessoas que estão participando, com informações, comentários…
- Isso responde ao que o próprio Bento XVI escreveu na premissa do YouCat. De fato, o Papa convidou a estudar esse texto, mas também ler com os amigos, formar grupos e redes de estudo. Vocês estão dando uma resposta.
É exatamente esse o sentido. Inclusive, uma outra função, talvez a mais importante, é que com essa App há a possibilidade de ter no celular, disponível para consulta, 20% das perguntas e respostas do YouCat, o subsídio ao Catecismo. É uma maneira de tornar imediatamente acessível esta mensagem.
- A intenção é permitir aos jovens um confronto sobre os conteúdos do Catecismo através do celular…
Exato. Como estão habituados a dialogar e partilhar informações nas redes sociais, da mesma forma poderão trocar impressões, perguntas e as próprias perguntas e respostas do YouCat, aprofundando os temas propostos. Em breve será ativado um site na internet – WWW.cittanuova.it – onde haverá outras informações relativas à JMJ e ao YouCat. E não quero esquecer o site internacional, no qual todos os editores europeus estão trabalhando, em várias línguas, sobre esse assunto. Acrescento ainda que outros editores pediram-nos para publicar perguntas e respostas não só em italiano, mas em outras línguas, portanto em breve haverá também inglês e francês.
