Transcrevemos o que foi publicado no portal de Economia de Comunhão a propósito da inauguração, em Portugal do novo pólo empresarial, uma das “profecias” de Chiara Lubich, que sempre viu estas estruturas – sinal da economia renovada – nascerem ao lado das cidadelas, onde se experimenta a possibilidade de uma vida civil, social, eclesial e económica, sob o signo da fraternidade.
No ano 2000, um grupo de empresários de Economia de Comunhão, juntamente com amigos da já existente cidadela Arco-íris, compram um terreno ao lado da cidadela, com o objectivo de construir ali um pólo empresarial EdC. Em 2003 começam os trabalhos de construção do Pólo empresarial , ao qual Chiara Lubich dá o nome de “Pólo Giosi Guella”, dedicando-o a uma das suas primeiras companheiras. A 6 de Novembro de 2010, o Pólo Giosi Guella é finalmente inaugurado e este “sonho” torna-se uma realidade.
O momento da inauguração, foi precedido durante a manhã, às 10.30, por um programa de formação para empresários, onde se apresentou a figura do empresário de EdC, como foi esboçada por Chiara Lubich em 2004, e se deu espaço ao testemunho de alguns empresários de EdC. No final Luigino Bruni respondeu às perguntas dos presentes.
Depois do almoço, às 15.30, no Centro Mariapolis da Cidadela Arco-íris, Luís Filipe Coelho apresentou a história do Pólo, a economista Manuela Silva deu o seu contributo sobre o projeto EdC, e foram entrevistados dois empresários. Seguiu-se a inauguração propriamente dita, com a presença do presidente da câmara de Alenquer; depois foi a vez da visita ao Pólo e ao showroom das empresas, seguida de um porto de honra.
Nos dias anteriores a Universidade Católica portuguesa propôs dois eventos, em Lisboa e no Porto, para apresentar o livro “A Ferida do Outro” de Luigino Bruni, recentemente editado em português.
Entre as empresas que já operam no Pólo Giosi, encontra-se a ECNAL, a primeira empresa a ter-se instalado ali, já em 2008. É uma empresa de consultadoria empresarial a vários níveis: qualidade, ambiente, segurança, gestão de bens imobiliários. Há dois meses surgiram outras duas empresas de EdC, a SAGEC 18-20, que oferece serviços de contabilidade e medicino do trabalho; e a REDCAP que opera no âmbito da reciclagem do plástico e do cartão.
A inauguração do Pólo é sempre um momento importante de chegada … e de partida para a Economia de Comunhão de um país. A Abrigada, a localidade que acolhe a cidadela Arco-íris e o Pólo, deve o seu nome ao facto de estar protegida dos ventos pela serra de Montejunto. Mas tal como do alto do Montejunto partem dos retransmissores as ondas de rádio que transmitem notícias, ligando todo o país, assim esperamos que, da base protegida destes montes se difunda, também graças ao Pólo, sem clamor, um novo estilo de vida que forme homens novos, renovados pelo Evangelho, para contribuir para uma sociedade que tem como objectivo a fraternidade universal.
Uma jornada nacional promovida pelo Movimento dos Focolares e pelas Comunidades Islâmicas da Itália, “para mostrar a possível convivência e integração, em resposta à intolerância e à defesa radical da identidade, que percorrem as nossas cidades.” Presentes 600 muçulmanos e cristãos provenientes de todo o território italiano. Cerca de cinquenta personalidades presentes das duas religiões, entre as quais cerca de vinte altos representantes e Imã em representação das respectivas comunidades espalhadas por toda a Itália. Numerosos os jovens e as crianças, estas com um programa à parte para elas. “Mãe, já estamos mortos? – perguntava um menino num encontro semelhante, há alguns anos atrás em Nova Iorque – “Porque é que me fazes essa pergunta?”, retorquiu a mãe. E ele: “Porque me parece que já estou no Paraíso”. Para os que estavam em Loppiano a pergunta não teria parecido infantil, dado o clima de fraternidade, “de um outro mundo”, que se respirava. No entanto, foram abordados problemas graves que impregnam a nossa sociedade. “O objetivo da jornada – explicaram Luísa Gennaro e Mário Ciabattini, dos Focolares – é de dar mais um passo no caminho percorrido até hoje. O passo de nos sentirmos uma única família, porque nascemos irmãos, mas agora sabemos que também é possível tornarmo-nos irmãos”. A resposta do imã Kamel Layachi (Comunidades Islâmicas do Veneto) foi imediata: “O amor é a base da união dos corações, este é o ponto de chegada e de partida.” Shahrzad Houshmand, teóloga iraniana e moderadora da mesa redonda “Os desafios do diálogo”, exortou: “há anos que sonhávamos com este dia, em que nós, muçulmanos e cristãos da Itália, pudéssemos encontrarmo-nos para juntos construirmos o futuro do país.” Seguiram-se as intervenções de vários participantes: Paul Le Marié, dos Focolares, “Deus ama-nos imensamente, assim se iniciou a experiência dos Focolares”. Izzidin Elzir, imã de Florença e Toscana: “O dialogo com os Focolares começou há 20 anos no Centro Internacional La Pira, e hoje vemos os resultados aqui”. Judith Povilus, vice-presidente do Instituto Universitário Sophia: “O diálogo é uma dimensão profundamente antropológica, como é também uma dimensão transcendental”. Adnane Mokrani, teólogo muçulmano, docente da Pontifícia Universidade Gregoriana: “Está ligado à essência do ser muçulmano, o diálogo. Crer que Deus é Um, a Sua unicidade, significa crer no gênero humano único.” Roberto Catalano, do Centro para o Diálogo Inter-religioso dos Focolares: “Eu não posso continuar a ser italiano sem cada um de vocês. Para nós, focolarinos, é importante a fraternidade, mas a universal, aberta precisamente a todos e ao mundo inteiro”. E conta como iniciou o diálogo do Movimento dos Focolares na Argélia, nos anos 60, depois no Líbano, onde nasceu uma escola numa aldeia que acolheu, durante a guerra, muçulmanos e cristãos. “Nasceu uma fraternidade contagiosa que durante o conflito de 2006, deu hospitalidade a milhares de refugiados das duas religiões, que conviveram durante um longo período.” Surgiram algumas respostas, como antídotos ao “medo do diferente”; o dialogo inter-religioso não é um “optional”, mas uma necessidade primária. Muitos foram os testemunhos concretos de diálogo na vida quotidiana: “No Triveneto, onde moramos, mas não só, vive-se um caminho de amizade em direção a uma verdadeira fraternidade. O diálogo da vida entrou nas nossas casas, chegou aos nossos filhos… Hoje colocamos um marco miliário neste caminho.” Numerosas foram as mensagens que chegaram: de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, “confiemos a Deus este nosso caminho em conjunto, para que seja um dom para o nosso país”; do bispo Mansueto Bianche, encarregado da Conferência Episcopal Italiana para este diálogo, “as nossas palavras e os nossos testemunhos devem pôr-se de acordo em defesa da vida humana e da abertura à transcendência”; dos presidentes dos municípios de Florença, de Pádua, de Rocca di Papa (presente na sala), entre outros. As palavras de Chiara Lubich, durante uma vídeo-conferência, a 12 de Novembro de 2000, em Washington, defronte a 6 mil pessoas, encontraram um forte acolhimento naquele clima: “Se vivermos os nossos ensinamentos nascerá entre nós uma comunhão em Deus. Aqui, nós hoje somos uma só coisa. Juntos devemos levar esta revolução pacífica em benefício da fraternidade universal.”
A pregação de Jesus tem início com o sermão da montanha. Numa colina próxima de Cafarnaum, às margens do lago de Tiberíades, sentado, como era costume entre os mestres, Jesus anuncia às multidões quem é bem-aventurado. No Antigo Testamento, frequentemente se usava a palavra “feliz” para exaltar a pessoa que cumpria, dos modos mais variados, a Palavra do Senhor. As bem-aventuranças que Jesus anunciava repetiam, em parte, aquelas que os discípulos já conheciam; mas, pela primeira vez, eles ouviam dizer que os puros de coração não só eram dignos de subir ao monte do Senhor (cf. Sl 24,4), como cantava o salmo, mas podiam até mesmo ver a Deus. Qual seria, então, essa pureza tão sublime a ponto de merecer tanto? Jesus explicaria isso várias vezes no decorrer de sua pregação. Vamos procurar segui-lo para chegar à fonte da autêntica pureza. "Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.”
Para Jesus, antes de mais nada, existe um meio excelente de purificação: “Vós já estais limpos por causa da Palavra que vos falei” (Jo 15,3). Não são tanto as práticas de rituais que purificam a alma, mas a sua Palavra. A Palavra de Jesus não é como as palavras humanas. Cristo está presente nela, assim como, embora de outro modo, está presente na Eucaristia. Pela Palavra, Cristo entra em nós e, na medida em que a deixarmos agir, nos torna livres do pecado e, consequentemente, puros de coração. A pureza, portanto, é fruto da Palavra vivida, de todas aquelas Palavras de Jesus que nos libertam dos chamados apegos, nos quais invariavelmente caímos se não temos o coração fixo em Deus e nos seus ensinamentos. Podem ser apegos às coisas, às criaturas ou a nós mesmos. Mas se o coração está voltado somente para Deus, perdemos o interesse por todo o resto. Para obter êxito nessa tarefa, pode ser útil repetir a Jesus, a Deus, durante o dia, a invocação do salmo: “És tu, Senhor, o meu único bem“ (cf Sl 16,2). Experimentemos repeti-la frequentemente e, sobretudo, quando os diversos apegos ameaçarem arrastar o nosso coração para imagens, sentimentos e paixões que podem ofuscar a visão do bem e nos privar da liberdade. Somos levados a olhar certas publicidades, a assistir a certos programas de televisão? Não. Digamos: “És tu, Senhor, o meu único bem”, e esse será o primeiro passo que nos fará sair de nós mesmos, ao redeclararmos o nosso amor a Deus. Desse modo, teremos crescido em pureza. Percebemos, às vezes, que uma pessoa ou uma atividade se interpõe, como um obstáculo, entre nós e Deus, poluindo o nosso relacionamento com Ele? É o momento de repetir-lhe: “És tu, Senhor, o meu único bem”. Isso nos ajudará a purificar as nossas intenções e a reencontrar a liberdade interior.
“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.”
A Palavra vivida nos torna livres e puros, porque é amor. É o amor que purifica, com o seu fogo divino, as nossas intenções e todo o nosso íntimo, pois, na linguagem bíblica, o “coração” é a sede mais profunda da inteligência e da vontade. Mas, existe um amor que é um mandamento de Jesus, que nos permite viver essa bem-aventurança. É o amor mútuo, o amor de quem está pronto a dar a vida pelos outros, a exemplo de Jesus. Esse amor, pela presença de Deus – o único que pode criar em nós um coração puro (cf Sl 51(50),12)–, cria uma corrente, um intercâmbio, uma atmosfera cuja nota dominante é justamente a transparência, a pureza. É vivendo o amor recíproco que a Palavra age com seus efeitos de purificação e de santificação. A pessoa isolada não consegue resistir por muito tempo às solicitações do mundo; enquanto que, no amor mútuo, encontra o ambiente sadio capaz de proteger a sua pureza e toda a sua autêntica vida cristã.
“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.”
Eis o fruto dessa pureza, sempre reconquistada: pode-se “ver” a Deus, ou seja, pode-se entender a sua ação na nossa vida e na história, “ouvir” a sua voz no nosso coração, reconhecer a sua presença onde ela se encontra: nos pobres, na Eucaristia, na sua Palavra, na comunhão fraterna, na Igreja. É como saborear antecipadamente a presença de Deus, começando já nesta vida, caminhando “pela fé e não pela visão” (2Cor 5,7), até quando “o veremos face a face” (1Cor 13,12) por toda a eternidade.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em novembro de 1999.
Quem passou por Assis, certamente não ficou imune à espiritualidade que transpira dos seus muros. Para além dos milhões de peregrinos que todos os anos ali vão para alimentar a alma, também os eventos de caráter espiritual se sucedem sem parar. Como o que se acabou de realizar de 28 a 31 de Outubro, no Teatro das Esteiras: a XIV Conferência internacional da Catholic Fraternity* (C.F.), por altura do vigésimo aniversário da sua fundação. O tema escolhido para esta edição era “Jesus Cristo é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade (cfr. Heb. 13,8)”.
Estavam presentes cerca de 400 representantes de várias associações, expressão de outros tantos carismas do Espírito, provenientes de todo o mundo. Foram dias vividos na alegria contagiosa de cantos e na harmonia das diversas línguas e culturas.
O programa desenrolou-se com momentos de oração, reflexões e testemunhos. A missa inaugural, foi celebrada pelo cardeal Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos. A fazer as honras da casa estava monsenhor Domenico Sorrentino, bispo de Assis.
De grande interesse a mesa redonda da jornada central, sobre o tema: “Comunhão e Missão dos Movimentos eclesiais no terceiro Milénio”. Intervieram: Maria Voce e Michelle Moran, presidentes do Movimento dos Focolares e do ICCRS, respetivamente, e Adriano Roccuci, vice-presidente da Comunidade de S. Egídio. Na qualidade de moderador, Guzman Carriquiry, sub-secretário do Pontifício Conselho para os Leigos, recordou o sustenho dos últimos Papas aos novos carismas. Apresentando os que davam o seu testemunho, deteve-se em Maria Voce, “que tem a missão difícil de levar para a frente o carisma de Chiara Lubich, que já produziu um primeiro fruto de santidade: a jovem Chiara Luce Badano, recentemente beatificada por Papa Ratzinger”.
Maria Voce recordou “com emoção” o primeiro encontro dos movimentos e novas comunidades, ao redor de João Paulo II, um dia em que “subiu espontaneamente do coração um hino de louvor ao Espírito Santo que, quase irrompendo na Igreja do nosso tempo, suscitou nessa os mais variados carismas, para responder com autenticidade e radicalidade evangélicas, a muitas necessidades da humanidade de hoje: um desabrochar surpreendente que fez pensar a uma nova Primavera na Igreja”. Em seguida, a presidente do Movimento dos Focolares, colocou a questão de “para quais horizontes nos impele o Espírito Santo, para que a comunhão entre as várias realidades eclesiais cresça e se dilate à medida do desígnio de Deus e das expectativas do mundo? Parece-me – prosseguiu – que a resposta possa estar contida nestas palavras: viver com intensidade crescente para a unidade”. E depois de uma referência ao coração da espiritualidade da unidade, “o Abandonado, em cujo o grito se recolhe o grito da humanidade de qualquer época…”, concluiu com os votos de que “façam de forma a que cada dia se aproxime mais da humanidade a hora da unidade”.
Michelle Moran, evidenciou o trabalho de amizade e comunhão entre os movimentos, que há décadas que se está a construir. E em relação à Renovação Carismática (ICCS): “… tudo nasceu do Espírito Santo, uma corrente de graça para toda a Igreja, como um grande rio, com tantos afluentes…”.
Adrian Roccucci, de S. Egídio, convidou todos a tornarem-se “ construtores de amizade e comunhão. Na comunhão – acrescentou – realiza-se a universalidade, porque a amizade abre ao outro, a Deus e ao homem”.
A conclusão dedicada aos “Desafios que esperam a Catholic Fraternity”, esteve a cargo do cardeal Josef Cordes, presidente emérito do Pontifício Conselho “Cor Unum”, e de Matteo Calisi, actual presidente da C.F.
Nota: A C.F. é uma federação de comunidades e associações que reagrupa comunidades carismáticas católicas e encoraja as comunidades a permanecerem fiéis aos próprios carismas. Foi reconhecida pela Santa Sé a 30/11/90 como Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships, e reúne comunidades e associações presentes em diversos países da Ásia, Europa, América e Oceania.
“O fenômeno Chiara Luce Badano”, foi assim que definiu o que se passou com a jovem de Sassello, cuja beatificação teve lugar a 25 de Setembro, o jornalista Rosário Carello, condutor do programa “Segundo a Sua Imagem”, transmitido no canal italiano RAI Uno a 10 de Outubro.
“O fenômeno, não é só ela, que certamente viveu de uma forma extraordinária” – comentaria Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares – mas sobretudo o fenômeno mundial que se desencadeou com a sua vida exemplar, mesmo se com normalidade de uma jovem de hoje.
O Papa propô-la como modelo de santidade para os jovens de todo o mundo, convidando a que a conheçam: “ …Uma vida breve mas uma mensagem estupenda. 19 anos cheios de vida e de fé. Dois, os últimos, também de dor, vividos na fé e na alegria que nascia do seu coração cheio de Deus… Uma graça de Deus – continuou o Santo Padre – , ajudada pela colaboração humana”, e recordou sobretudo os seus pais, a comunidade paroquial e o Movimento dos Focolares, ao qual ela pertencia.
Ao fim da tarde do dia 25 de Setembro, a Aula Paulo VI tornou-se uma explosão de alegria e de “desejo de santidade”, testemunhada pro milhares de jovens, dentro e fora da sala, que se exprimiram com cantos, danças, coreografias, imagens e experiências de vida. Todos queriam dizer alguma coisa dela, como um grupo de jovens latino-americanos: “Chiara Luce é um modelo para os jovens. Ela soube superar muitos obstáculos até se tornar santa. É um grande exemplo para todos nós”. E alguns jovens com uma bandeira do Líbano: “Chiara Luce diz-nos que podemos seguir o seu exemplo com a nossa vida. A santidade não está longe de nós jovens”. Ainda uma moça africana: “Para mim o momento mais tocante do dia foi a beatificação, era a primeira vez que participava numa, foi muito comovente”. Uma jovem italiana, sintetizando o dia intenso dizia: “Entendi que para nos tornarmos santos é preciso amar sempre”. “A santidade, para nós jovens – dizia um jovem em nome de um grupo da Índia – apresenta-se hoje muito difícil, mas se experimentarmos a seguir os seus passos será uma experiência maravilhosa”. Por fim um mexicano entusiasta afirmava: “Foi muito forte conhecer a vida de Chiara Luce e o evento foi fantástico. Com os seu exemplo estamos certos de que conseguiremos progredir num caminho se santidade.”
Mas quem é esta jovem, de nome Chiara, recentemente beatificada?
Como se explica este “fenômeno” de uma jovem nascida numa aldeia da Liguria (Itália), Sassello, que se torna a “santa dos jovens”?
“O que me toca – confia um rapaz italiano – é que ela fez da normalidade uma aventura extraordinária”.
De entre estes jovens, um grupo de 400, vindos de todo o mundo, ficaram em Itália nos dias que se seguiram à beatificação para aprofundar a espiritualidade da unidade, com a qual Chiara Luce chegou aos altares.
“Desejo de santidade” nos jovens, eis o fenômeno que a sua beatificação colocou em evidência num mundo que parece só pensar noutras coisas.
«Há 35 anos que me ocupo profissionalmente de comunicação em vários campos, mas posso dizer que “nasci” para a verdadeira comunicação só em Março de 1995, quando na conferência de Imprensa do prémio UELCI, em Milão, para o melhor escritor católico do ano, conheci Chiara Lubich e nunca mais a deixei». Foi com estas palavras de apresentação, que Alma Pizzi iniciou a sua intervenção, em Junho de 2010, no último seminário de NetOne.
Jornalista afirmada, consultor de Imprensa, docente de jornalismo e autora, originária da Lombardia (Itália), presidente da UCID (União dos Cristãos Empresários e Dirigentes), Alma Pizzi foi uma grande apoiante da rede internacional de operadores de comunicação NetOne, inspirada do carisma da unidade.
No passado mês de Junho, contava ainda, referindo-se a si própria: «Tive um segundo “nascimento”, ainda mais decidido, em Junho de 2000, aqui em Castelgandolfo, no primeiro encontro internacional de NetOne, que nascia naquela ocasião. Desde então, considero NetOne a minha casa e nunca faltei. Descobri, sobretudo, um novo modo de ser jornalista. Um modo revolucionário, em confronto com o que conhecia antes: comecei a pôr em primeiro lugar a relação com os outros e não o produto do meu trabalho».
«Tocou-me ler os seus últimos textos – escreve uma jornalista que a conheceu e que trabalhou com ela – vários são sobre a santidade: desde o texto sobre Chiara Luce Badano ao último sobre Carlos I de Áustria, beatificado “através” da política e não “apesar” da política, publicado a 24 de Outubro 2010(o dia anterior ao da sua morte) no portal de jornal online que ela editava. Entre outras coisas refere de Carlos I as seguintes palavras: “Toda a minha aspiração é sempre de conhecer o mais claramente possível, em todas as minhas coisas, a vontade de Deus e executá-la, precisamente, da forma mais perfeita”».
Colaboradora de Città Nuova, tinha escrito para a revista italiana do Movimento dos Focolares a propósito do jornalista Giuseppe De Carli, recentemente desaparecido, concluindo assim o artigo: “Não sabíamos nada da sua doença e agora pensamo-lo já chegado à meta, onde queremos chegar também nós com a mesma consciência de termos cumprido conscienciosamente o nosso trabalho”.
Recordamo-la através destas suas últimas palavras, remetendo para o artigo de Città Nuova (em italiano) o interesse de quem quer saber mais sobre Alma Pizzi.