Muçulmanos e Cristãos em Itália
O encontro promovido pelo Movimento dos Focolares e pelas Comunidades Islâmicas tem como objectivo reunir cristãos e muçulmanos que nos últimos anos se encontraram em diversos lugares da Itália, graças à experiência de diálogo que se inspira na espiritualidade de comunhão de Chiara Lubich.
Em várias partes da península transalpina – em Trento, Verona, Treviso, Pádua, Trieste, Rovigo, Turim, Milão, Gênova, Parma, Régio Emília, Florença, Roma, Téramo, para citar as principais cidades – iniciaram-se colaborações importantes. Inspiradas pelo desejo de ir ao encontro uns dos outros, como propõe a “regra de ouro”, tem-se desenvolvido ações e colaborações, que oferecem modelos de integração no contexto do território italiano.
A jornada de dia 31 de Outubro coloca-se em sintonia com a jornada da amizade islamo-cristã que se celebra em toda a Itália a 27 de Outubro e pretende ser também um momento de reflexão sobre a experiência vivida até agora.
O programa foi preparado por uma comissão promotora composta por cristãos e muçulmanos e prevê momentos de aprofundamento do Alcorão e do Evangelho, experiências de vida vivida, uma mesa redonda sobre os desafios do diálogo, intercalados com os momentos artísticos propostos por grupos muçulmanos e cristãos e uma apresentação da cidadela de Loppiano.
Está prevista também a participação de autoridades religiosas e civis.
A caridade, o carisma dos carismas

Primeiro bispo vietnamita no caminho da santidade

Depois de apenas oito anos de seu falecimento foi aberto para ele o Processo de Beatificação, no dia 22 de outubro, em cerimônia na Basílica de São João de Latrão.
Nasceu no Vietnam, em 1928, em uma família de antiga tradição cristã, foi ordenado sacerdote em 1953 e já em 1964 tornou-se reitor do seminário de Hue. No dia 13 de abril de 1967, Paulo VI o nomeou como primeiro bispo vietnamita de Nha Trang. Escolheu como lema “Gaudium et Spes”, porque desejava ser um apóstolo de alegria e de paz.
Homem de uma espiritualidade rica e profunda, encontrou grande inspiração para a sua vida pessoal e sua missão pastoral, no encontro com Chiara Lubich e a sua espiritualidade da unidade, ocorrido em 1974.
Em 1975 o governo comunista o aprisionou. Nunca foi processado e condenado. Permaneceu na prisão por mais de 13 anos, dos quais nove em isolamento.
A sua escolha de Jesus Crucificado e Abandonado, ponto fundamental da espiritualidade da unidade, como Alguém a ser amado e imitado, deu-lhe a força para ser uma testemunha heróica da esperança e da caridade, sempre, e de maneira indescritível, durante os longos e escuros anos de prisão. Anos depois, em julho de 2001, diante de 1300 sacerdotes reunidos em Castelgandolfo, afirmou que “ter conhecido Chiara Lubich e o seu carisma da unidade, salvou-me naqueles longos anos”.
Os seus muitos escritos contêm verdadeiras pérolas de autêntica espiritualidade evangélica, ilustrados pelas suas inúmeras experiências, que resplandecem como caminho de santidade para qualquer pessoa que conheça esta grande testemunha do nosso tempo.
“Uma noite, no cárcere, no mais profundo do meu coração, escutei uma voz que perguntava: ‘por que tu te atormentas? Deves saber discernir entre Deus e as obras de Deus. Tudo o que fizeste, e ainda desejarias fazer – visitas pastorais, formação dos seminaristas, das irmãs e dos membros das ordens religiosas, construir escolas, evangelizar os não cristãos – tudo isso é um ótimo trabalho, é trabalho de Deus, mas não é Deus! Se Ele te pede para deixar tudo e confiar cada coisa às Suas mãos, faz isso e confia Nele. Deus fará infinitamente melhor do que tu: confiará o trabalho a outros, mais capazes do que tu. Tu deves escolher Deus e não os seus trabalhos!’. Foi uma luz que mudou completamente o meu modo de pensar.
Quando os comunistas me fizeram entrar no porão de um navio, o Hai-Phong, amontoado com outros 1500 prisioneiros, para nos levar para o norte, disse a mim mesmo: ‘esta é a minha catedral, este é o meu povo, que Deus me confia para que eu cuide dele, eis a minha missão: assegurar a presença de Deus no meio desta gente, entre estes miseráveis, desesperados irmãos meus. É a Sua vontade que eu esteja aqui. Aceito a Sua vontade’. Desde aquele momento uma nova paz preencheu o meu coração e nunca mais me abandonou, em todos aqueles 13 anos”.
mAutor de numerosos livros – alguns publicados por Cidade Nova – pregador incansável, testemunha de uma fé heróica e de uma caridade ilimitada, Van Thuân será lembrado também pelo seu grande trabalho na redação do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, e pelos últimos anos da sua vida, vividos intensamente na direção do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz.
Cidade Nova publicou:
Impegnati nella cultura dell’unità

A cerimônia reuniu numerosas personalidades do mundo cultural, político e eclesial italiano. Dom Bertori, Grã Chanceler do IUS, afirmou, em seu discurso, que “hoje, mais do que nunca, é necessário buscar a verdade com paixão; verdade que, para ser acolhida e comunicada, não necessita apenas de honestidade intelectual, mas exige um envolvimento integral da pessoa”.
As palavras do reitor, Piero Coda, sublinharam como em Loppiano as intenções são acompanhadas pelos fatos. Os 54 estudantes que frequentam o curso de mestrado e os sete inscritos para o doutorado, provêm de 26 países, confirmando a abertura intercultural e interreligiosa, além de que interdisciplinar. A partir deste ano haverá uma estudante da Igreja Ortodoxa Búlgara e uma de religião budista.

Durante e abertura foi apresentada a fundação “Por Sophia”, criada com o objetivo de sustentar o crescimento e o desenvolvimento do Instituto, o que acontecerá também com a concessão de prêmios, bolsas de estudo e financiamentos para os projetos culturais e didáticos. O Instituto Universitário Sophia está projetando ainda a ampliação de sua oferta formativa, incluindo currículos no âmbito da pedagogia e da musicologia. E enfim, um desafio ulterior concerne à atividade editorial do IUS. No próximo ano acrescentam-se à coleção “Universitas” e à revista “Sophia”, as coleções “Per-cursos” e “Biblioteca da Sophia”, esta última dedicada à publicação dos clássicos da cultura da unidade.
Um carisma para o Oriente Médio

Participaram cerca de 20 bispos orientais e outros membros do Sínodo. As boas vindas foram dadas por pe. Antonio Borges, responsável pelo Movimento dos Focolares no Oriente Médio, e Sua Eminência cardeal Ennio Antonelli, presidente do Pontifício Conselho para a família, que transmitiu a sua reflexão teológica e a sua experiência relativas a “O bispo e a comunhão com o presbitério”. Philippe Ehrenzeller, co-responsável pelo Movimento no Egito, expôs uma síntese da “Espiritualidade de comunhão segundo o carisma de Chiara Lubich”.
Os padres acompanharam com um interesse especial a história e a difusão dos Focolares no Oriente Médio, contada por Nadine Chehab (Turquia), a vida do Movimento na Igreja local, referida pelo bispo maronita Simon Atallah (Líbano), a experiência ecumênica narrada por Fadia Haddad (Egito) e a de diálogo interreligioso explicada por Arlette Samman (Líbano). Tudo acompanhado por imagens projetadas da vida e atividades do Movimento naquela região.
O encontro foi concluído pelo Patriarca de Alessandria dos Coptas Católicos, Sua Beatitude Antonios Naguib, Relator Geral no Sínodo. Ele comentou que no sínodo fala-se muito de comunhão, “exatamente o que se faz aqui também”. E, ao mesmo tempo, notou a importância de sublinhar o amor como base da comunhão, afirmando que somente a comunhão vivida no amor, em unidade, pode transmitir Deus Amor.
No final da tarde os participantes dirigiram-se à Basílica de Santa Maria em Trastevere, onde foi celebrada uma Solene Oração pela Paz, com a Comunidade de Santo Egídio.


