Uma economia a serviço dos povos

Seis dias de debate e aprofundamento, durante os quais, com a contribuição de especialistas, personalidades acadêmicas e internacionais do mundo da economia, provenientes do mundo inteiro, se procurará “explorar novos caminhos para uma economia mundial mais justa”, como afirma o sub-título. Exatamente nesta nação, a mesma que a cada ano hospeda o Fórum Econômico Mundial de Davos.
O encontro é promovido pela fundação suíça Iniciativas e Mudanças, que opera em todo o país e em nível internacional, para favorecer a prevenção dos conflitos, o diálogo intercultural e a confiança entre os diversos atores sociais, para além das diferenças. A fundação faz parte de uma rede mais vasta de agentes que tem o seu denominador comum na fundação Iniciativas e Mudança Internacional, uma ONG que goza de status de membro consultor no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC).

O congresso 2010 é dirigido a jovens, estudantes, empresários, economistas: uma full-imersion na atualidade econômica dos nossos países e das nossas cidades, para compreender as razões da crise global na qual estamos mergulhados. Será necessário partir dessa perspectiva para propor ações, inclusive em nível comunitário, que objetivem um regime econômico mais équo, em harmonia com o desenvolvimento sustentável, e um progresso que seja efetivo para todos os povos.
É interessante notar um verdadeiro diálogo entre norte e sul do mundo, visível nas diversas intervenções. Terão a palavra, entre outros: Lavinia Sommaruga Bodeo, de Aliança Sul (Suíça); Myrna Roselind Jelman, consultora da Ashridge Business School; o pesquisador Juan Carlos Keiten, México; Amira Elmissiry, do Banco Africano de Desenvolvimento.
Na manhã do dia 4 de agosto, sábado, está previsto o discurso de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, que ilustrará a Economia de Comunhão como instrumento a serviço da pessoa, na perspectiva de um mundo mais unido.
[:it]“Ci si fa santi con una sola grande idea!”
Uma resposta de amor


Palavra de Vida – agosto de 2010
Esta Palavra faz parte de um acontecimento simples e altíssimo ao mesmo tempo: o encontro entre duas gestantes, duas mães, nas quais a simbiose espiritual e física com seus filhos é total. Essas mães são a boca e os sentimentos dos filhos. Quando Maria fala, o menino de Isabel estremece de alegria no seu ventre. Quando Isabel fala, suas palavras parecem ter sido colocadas em seus lábios pelo Precursor. Mas, enquanto que as primeiras palavras de seu hino de louvor a Maria são dirigidas pessoalmente à mãe do Senhor, as últimas são pronunciadas na terceira pessoa: “Feliz aquela que acreditou”.
Dessa forma, a sua “afirmação adquire um caráter de verdade universal: a bem-aventurança vale para todos os fieis, aplica-se àqueles que acolhem a Palavra de Deus e a colocam em prática, encontrando em Maria o modelo ideal” (G. Rossé, Il Vangelo di Luca, Roma, 1992, p. 67).
“Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”.
Essa é a primeira bem-aventurança do Evangelho que se refere a Maria e também a todos os que querem segui-la e imitá-la.
Em Maria existe uma estreita ligação entre fé e maternidade como fruto da escuta da Palavra. E Lucas, nesse trecho, sugere algo que se refere também a nós. Mais adiante, no Evangelho dele, Jesus diz: “Minha mãe e meus irmãos são estes daqui, que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,21). Como que antecipando essas palavras, movida pelo Espírito Santo, Isabel anuncia que todo discípulo pode se tornar “mãe” do Senhor. A condição é que acredite na Palavra de Deus e a transforme em vida.
“Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”.
Depois de Jesus, Maria é a pessoa que melhor e mais perfeitamente soube dizer “sim” a Deus. É sobretudo nisso que consiste a sua grandeza. Se Jesus é o Verbo, a Palavra encarnada, Maria, pela sua fé na Palavra, é a Palavra vivida, sendo, porém, criatura como nós, igual a nós.
O papel de Maria como Mãe de Deus é sublime e grandioso. Mas Deus não convida apenas a Virgem a gerar Cristo em si mesma. Todo cristão, embora de outro modo, tem uma tarefa semelhante, ou seja, encarnar Cristo até repetir como São Paulo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Mas como atuar tudo isso?
Tendo, diante da Palavra de Deus, a mesma atitude de Maria, ou seja, de total disponibilidade. Portanto, como Maria, acreditar que todas as promessas contidas na Palavra de Jesus vão se realizar e, se for necessário, enfrentar, como fez ela, o risco do absurdo que a Palavra Dele às vezes comporta.
Coisas grandes e pequenas, porém sempre maravilhosas, acontecem com quem crê na Palavra. Muitos livros poderiam ser escritos com os fatos que provam isso.
Quem pode se esquecer de quando, em plena Segunda Guerra Mundial, acreditando nas palavras de Jesus, “pedi e recebereis” (Jo 16,24), pedíamos tudo aquilo de que muitos pobres da cidade de Trento tinham necessidade, e víamos chegar sacos de farinha de trigo, latas de leite em pó e de geleia, lenha para fogão, roupas?
Também hoje, isso continua se repetindo. “Dai e vos será dado (Lc 6,38) e as despensas para os pobres continuam sempre cheias, embora sejam regularmente esvaziadas.
Mas, o que mais impressiona é como as palavras de Jesus são verdadeiras, sempre e em toda parte. A ajuda de Deus chega pontualmente, mesmo em circunstâncias impossíveis e nos pontos mais isolados da Terra, como aconteceu pouco tempo atrás com uma mãe que vive em situação de miséria. Um dia, ela sentiu-se impulsionada a dar as últimas moedas que possuía a uma pessoa ainda mais pobre do que ela. Acreditava nas palavras do Evangelho: “Dai e vos será dado”. E seu coração estava em paz. Pouco depois, a sua filha caçula chegou perto dela e lhe mostrou um presente que tinha acabado de receber de um parente idoso que passara casualmente por ali. Na sua mãozinha havia uma soma de dinheiro maior do que a quantia doada.
Uma “pequena” experiência como essa nos incentiva a acreditar no Evangelho; e cada um de nós pode experimentar a alegria, a bem-aventurança que encontramos ao ver as promessas de Jesus se realizarem.
Quando, na vida de todos os dias, ao lermos as Sagradas Escrituras, nos encontrarmos com a Palavra de Deus, abramos nosso coração para escutá-la, com a fé em que tudo o que Jesus nos pede e promete vai se realizar. Não tardaremos a descobrir, como Maria e como aquela mãe, que Ele cumpre as suas promessas.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em agosto de 1999.
Farol, um nome profético

Foi em circunstâncias hostis a qualquer tipo de reunião de pessoas, que a espiritualidade da unidade chegou à Croácia, no início da década de 1960, e, não obstante, o estilo de vida baseado no Evangelho, proposto pelos Focolares, foi difundindo-se em muitas partes do país.
Uma ex-residência episcopal fora de uso, algumas casas e 22 hectares de terra, em Križevci, a 60 km de Zagreb, foram colocadas à disposição do Movimento nos anos 1980, justamente quando se estava procurando um lugar fixo para as reuniões. “Poderia ser um ponto de encontro para os países socialistas!”, exclamou Chiara Lubich. Dez anos depois a profecia se realizou, com a contribuição de muitas pessoas que arregaçaram as mangas para transformar construções velhas (as estalagens, as oficinas, a residência e as casas em estado precário) no atual Centro Mariápolis, que hoje oferece ambientes adequados para cursos de formação.
Nos anos da guerra, 1991-1995, muitas pessoas vindas da Sérvia, Bósnia e Croácia, puderam reencontrar ali a força de perdoar e recomeçar. Algumas famílias se estabeleceram no local. E para educar as novas gerações à fraternidade teve início a escola infantil “Raio de Sol”. Após o lançamento da Economia de Comunhão, no Brasil, também na Mariápolis Farol nasceram as primeiras pequenas empresas, para dar um lugar de trabalho aos recém chegados.
Um momento histórico foi a visita de Chiara, em abril de 1999, que deu nova luz a todas as realidades já existentes, deixando uma marca indelével em todos os moradores, na própria cidade de Križevci, e não só.


Na escola infantil “Raio de sol” trabalham 19 pessoas, para 110 crianças que crescem na cultura da solidariedade e da reciprocidade, no contexto da pedagogia da comunhão. A sua irradiação atinge a Croácia e mais além, com frutos muitas vezes inesperados. É um laboratório precioso, que oferece ideias para a elaboração de percursos da pedagogia de comunhão, inclusive para as Universidades de Zagreb e de Skopje. Estão sendo dados alguns passos no âmbito do esporte. A colaboração com as estruturas locais teve uma abertura progressiva, até ao reconhecimento público que, recentemente, o Movimento dos Focolares recebeu da cidade de Križevci.

