30 Set 2009 | Palavra de Vida, Sem categoria
“Perseverança”. Essa é a tradução do termo original grego. Mas a palavra grega é rica de conteúdo, pois inclui também a paciência, a constância, a resistência, a confiança.
A perseverança é necessária e indispensável quando sofremos, quando somos tentados, quando tendemos a desanimar, quando nos sentimos atraídos pelas seduções do mundo, quando somos perseguidos.
Penso que também você se tenha encontrado em pelo menos uma dessas situações e tenha experimentado que, sem a perseverança, não teria sido possível resistir. Talvez você tenha cedido algumas vezes. Pode até ser que, justamente neste momento presente, você se encontre em alguma dessas circunstâncias dolorosas.
Pois bem, o que fazer?
Crie coragem e… persevere.
Caso contrário, você não é digno de ser chamado de cristão.
Você sabe: quem deseja seguir a Cristo deve tomar todo dia a própria cruz e – pelo menos com a vontade – deve amar a dor. A vocação cristã é uma vocação à perseverança.
Paulo, o Apóstolo, mostra à comunidade a perseverança dele como sinal de autenticidade cristã.
E não hesita colocá-la no mesmo plano dos milagres.
Se amarmos a cruz e perseverarmos, poderemos seguir a Cristo, que está no Céu, e então nos salvaremos.
“É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!”
As pessoas podem ser distinguidas em duas categorias. À primeira pertencem aquelas que recebem o convite para serem verdadeiras cristãs, mas esse convite cai em suas almas como a semente entre as pedras. Muito entusiasmo, como o fogo de palha, mas depois não permanece nada.
Ao passo que as da segunda categoria acolhem o convite, assim como um bom terreno acolhe a semente. A vida cristã germina, cresce, supera dificuldades, resiste às tempestades.
Estas têm a perseverança e… “é pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!”
É claro que, se você quiser perseverar, não poderá contar apenas com suas próprias forças.
Será necessária a ajuda de Deus.
Paulo fala de Deus como “o Deus da perseverança” (Rm 15,5).
É a Ele, portanto, que você deve pedi-la e é Dele que a receberá.
Porque, se você é cristão, não pode satisfazer-se apenas com o fato de ter sido batizado, ou de fazer, vez por outra, alguma prática de culto e alguma obra de caridade. Você precisa crescer como cristão. E todo crescimento no campo espiritual não pode ocorrer senão em meio às provações, às dores, aos obstáculos, às batalhas.
Existe quem sabe perseverar de verdade: é aquele que ama. O amor não encontra obstáculos, não conhece dificuldades, não mede sacrifícios. E a perseverança é o amor provado.
Maria é a mulher da perseverança.
Peça a Deus que acenda em você o amor para com Ele e, por consequência, em todas as dificuldades da vida, você viverá a perseverança e, com ela, você salvará a sua vida.
“É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!”
Mas não é só isso. A perseverança é contagiosa. Quem é perseverante encoraja também os outros a levar as coisas até o fim.
Vamos almejar as coisas maiores. Temos uma só vida e, ainda por cima, breve. Vamos resistir, dia após dia, enfrentando uma dificuldade após a outra para seguirmos a Cristo… e salvaremos a nossa vida.
Chiara Lubich
Palavra de Vida publicada originalmente em junho de 1979
19 Set 2009 | Sem categoria
31 Ago 2009 | Palavra de Vida, Sem categoria
O Evangelho todo é uma revolução. Não existe palavra de Cristo que se assemelhe às palavras dos homens. Veja: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas (as necessidades da vida) vos serão dadas por acréscimo”.
A primeira preocupação do ser humano, em geral, é a busca ansiosa daquilo que é necessário para dar segurança à própria existência. Talvez isso aconteça também com você. Pois bem, Jesus coloca você diante do modo como Ele vê a realidade e lhe propõe o Seu modo característico de agir. Ele pede um comportamento que difere totalmente do usual e que não deve ser adotado apenas uma vez, mas sempre. É o seguinte: procurar primeiro o Reino de Deus.
Quando você orientar todo o seu próprio ser para Deus e fizer de tudo para que Ele reine dentro de você e nos outros (ou seja, para que ele governe a sua vida conforme as leis estabelecidas por Ele), o Pai lhe dará aquilo de que você precisa a cada dia.
Se, no entanto, você se preocupar antes de tudo consigo mesmo, acabará cuidando principalmente das coisas deste mundo, tornando-se vítima delas. Você terminará considerando os bens desta terra como o seu problema de fato, o objetivo de todos os seus esforços. E nascerá no seu íntimo a grave tentação de contar unicamente com as suas forças e de prescindir de Deus.
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.”
Jesus dá uma reviravolta na situação. Se a sua preocupação primeira for Ele, viver por Ele, então o resto não será mais o problema principal da sua existência, mas um “acréscimo” ou “algo a mais”.
Será uma utopia? Será uma frase irrealizável para você, homem moderno, que vive hoje no mundo industrializado, dominado pela concorrência, e que frequentemente passa por crises econômicas? Gostaria de lembrar-lhe simplesmente que as dificuldades concretas de subsistência para o povo da Galileia não eram menores quando Jesus pronunciou essas palavras.
Não se trata de analisar se é ou não uma utopia. Jesus coloca você diante da orientação fundamental da vida: viver para si ou viver para Deus.
Mas vamos entender bem o significado desta frase:
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”.
Jesus não lhe recomenda o imobilismo, a passividade em relação às coisas terrenas, uma conduta irresponsável ou superficial no trabalho.
Jesus quer mudar a preocupação em ocupação, livrando você da ansiedade, do medo, da inquietude.
De fato, Ele diz: “Buscai em primeiro lugar o Reino…”.
“Em primeiro lugar” significa “acima de tudo”. A busca do Reino de Deus é colocada no primeiro plano e não exclui que o cristão deva ocupar-se também das necessidades de sua vida.
Buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça significa, ainda, ter uma conduta de acordo com as exigências de Deus manifestadas por Jesus no Seu Evangelho.
Somente procurando o Reino de Deus o cristão experimentará a maravilhosa potência do Pai em seu favor.
Conto um episódio.
Aconteceu tempos atrás e, no entanto, parece de uma atualidade incrível. De fato, conheço inúmeros jovens que se comportam hoje com a mesma atitude da moça desta história.
Chamava-se Elvira. Cursava a Escola Normal. Era pobre, e só poderia prosseguir os estudos se conseguisse manter uma média alta. Possuía uma fé sólida. O seu professor de filosofia era ateu, de modo que não raramente apresentava as verdades sobre Cristo, sobre a Igreja, de maneira alterada, quando não deformada. O coração daquela jovem fervia de indignação. Não por ela, mas pelo seu amor a Deus, à Verdade e às suas companheiras. Embora consciente de que, contradizendo o professor, corria o risco de ter uma nota baixa, o que Elvira sentia dentro de si era mais forte do que ela mesma. Levantava a mão todas as vezes, pedindo a palavra: “Não é verdade, professor!”. Talvez nem sempre ela possuísse os argumentos para rebater os comentários do professor, mas naquelas palavras “não é verdade” estava toda a sua fé, que é dom da Verdade e, por isso mesmo, faz pensar.
As colegas, que gostavam dela, tentavam convencê-la a não se manifestar, para que ela não fosse prejudicada. Mas não conseguiam.
Passaram alguns meses. Chegou a hora da distribuição dos boletins com as notas. A jovem recebe o seu boletim apreensiva. Depois, teve um sobressalto de alegria. Dez! A nota máxima.
Elvira tinha procurado acima de tudo fazer com que Deus e a Sua Verdade reinassem, e o resto veio por acréscimo.
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.”
Se também você procurar o Reino do Pai, haverá de experimentar que Deus é Providência com relação a todas as necessidades da sua vida. E descobrirá a normal extraordinariedade do Evangelho.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em maio de 1979.
31 Jul 2009 | Palavra de Vida, Sem categoria
Você sabe em que contexto o Evangelho traz essa frase? João o apresenta no momento em que Jesus estava para lavar os pés dos seus discípulos, preparando-se para a sua paixão.
Nas últimas horas de convivência com os seus, Jesus manifesta de maneira suprema e mais explícita o amor que, desde sempre, nutria por eles.
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”
As palavras “até o fim” significam até o fim de sua vida, até o último respiro. Elas porém encerram também a idéia da perfeição. Querem dizer: amou-os completamente, totalmente, com uma intensidade extrema, até a medida máxima.
Os discípulos de Jesus permanecerão no mundo, ao passo que Jesus estará na glória. Vão sentir-se sozinhos, terão de superar muitas provações. Justamente em vista desses momentos, Jesus quer que eles estejam certos do seu amor.
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”
Você não percebe nessa frase o estilo de vida do Cristo, o seu modo de amar? Ele lava os pés dos discípulos. O seu amor o leva a fazer também esse serviço, numa época em que essa tarefa era só dos escravos. Jesus está se preparando para a tragédia do Calvário, a fim de dar aos “seus” e a todos – além de suas extraordinárias palavras, além mesmo de seus milagres, além de todas as suas obras – também a vida. Eles tinham necessidade disso, a maior necessidade de toda pessoa: ser libertada do pecado, ou seja, da morte, e poder entrar no Reino dos Céus. Eles deviam ter paz e alegria na Vida que não tem fim.
E Jesus se entrega à morte, com seu grito de abandono do Pai, até o ponto de poder dizer, no fim: “Tudo está consumado”.
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”
Essas palavras revelam a firmeza do amor de um Deus e a ternura do afeto de um irmão.
E também nós, cristãos, podemos amar assim, uma vez que Cristo está em nós.
Agora, porém, não quero tanto propor que você imite Jesus no gesto de morrer pelos outros (quando chegou a hora dele); não quero lhe oferecer, como únicos modelos, o Frei Maximiliano Kolbe, que morreu no lugar de um companheiro de prisão; nem o Padre Damião de Molokai que, tornando-se leproso com os leprosos, morreu com eles e por eles.
Pode ser que, no decorrer dos anos, nunca seja pedido a você que ofereça a sua vida física pelos irmãos. Todavia, o que Deus certamente lhe pede é que ame esses irmãos até as últimas consequências, até o fim, até o ponto de também poder dizer: “Tudo está consumado”.
Foi o que fez a pequena Susete, uma menina italiana de 11 anos. Ela viu a sua amiguinha Georgina, da mesma idade, muito triste. Quis consolá-la, mas não conseguiu. Decidiu, então, ir até o fim e saber o motivo da sua angústia. O pai tinha morrido, e a mãe a deixara sozinha com a avó, indo morar com outro homem. Susete intuiu a tragédia e começou a fazer a própria parte. Apesar de ser pequena, pediu à amiga para falar com a mãe dela. Mas Georgina lhe pediu que fosse primeiro com ela visitar o túmulo do pai. Susete a acompanhou com grande amor e, lá, ouviu Georgina implorar, em lágrimas, que ele viesse buscá-la.
Isso cortou o coração de Susete. Havia no cemitério uma capelinha meio em ruínas. Elas entraram. Só restava um pequeno sacrário e um crucifixo. Susete disse: “Veja, nesse mundo tudo vai acabar, mas aquele crucifixo e aquele sacrário vão ficar!” Georgina, enxugando as lágrimas, respondeu: “É mesmo, você tem razão!” Depois, com delicadeza, Susete tomou Georgina pela mão e foram juntas à casa da mãe da garota.
Chegando lá, com firmeza, Susete lhe disse: “Não quero me intrometer na sua vida, mas a senhora deixou sua filha sem o afeto materno de que ela precisa. E tem mais: a senhora nunca vai ficar em paz enquanto não se arrepender e não levar Georgina para casa”.
No dia seguinte, na escola, Susete ficou ao lado de Georgina, com amor. Mas, na saída, uma surpresa: um carro veio buscar Georgina, e sua mãe estava ao volante. A partir daquele dia, o carro voltou sempre, porque Georgina já estava vivendo com sua a mãe, que abandonou, de uma vez por todas, a relação com aquele homem.
Realmente, dessa pequena e grande iniciativa, pode-se dizer de Susete: “Tudo está consumado”. Ela fez bem cada coisa. Foi até o fim. E conseguiu.
Pense um pouco: quantas vezes você começou a cuidar de alguém e, depois, o abandonou, tranquilizando a sua consciência com mil e uma desculpas?
Quantas ações você começou com entusiasmo e, depois, não continuou, diante das dificuldades que pareciam superiores às suas forças?
A lição que Jesus dá hoje a você é esta:
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.
Faça o mesmo.
E se um dia, Deus, lhe pedir realmente a vida, você não hesitará. Os mártires iam para a morte cantando. O prêmio será a maior das glórias, pois Jesus disse que ninguém no mundo tem maior amor do que aquele que derrama o próprio sangue pelos seus amigos.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em abril de 1979.
28 Jul 2009 | Sem categoria
27 Jul 2009 | Sem categoria
lê o pensamento do dia Como o Pai me enviou… Entre as palavras divinas que disse [Jesus], uma em especial dá-nos vertigens, se pensarmos que foi pronunciada por Deus e que nos permite compreender a excelência de uma eleição. É uma comparação paradoxal, mas verdadeira e cheia de mistério. Cristo dirige essa palavra àqueles que ao longo dos séculos viriam a ser seus sacerdotes: “Como o Pai me enviou, eu vos envio”. Quem é o sacerdote, portanto? É aquele que Cristo elegeu para continuá-lo no tempo. Infelizmente, às vezes o sacerdote não é assim. No entanto, se o sacerdote não é Cristo, é bem pouca coisa. Suas homilias são vazias e as igrejas ficam desertas. Afinal, a palavra que Cristo ofertava era ele mesmo. Se o sacerdote vive, em primeiro lugar, aquilo que prega e depois fala, sua palavra será Cristo e ele também será outro Cristo. Seus discursos arrebatarão as multidões e as igrejas ficarão repletas. Pois não é tanto a ciência que faz o sacerdote, mas o carisma vivificado pelo amor. Chiara Lubich, Cidade Nova, O celibato sacerdotal Revista Cidade Nova, Ano XII, n. 5, 1970, p. 6