Movimento dos Focolares

“Mulher de fé intrépida, mansa mensageira de esperança e de paz”

O serviço “silencioso e incisivo” prestado por Chiara Lubich à Igreja, em “total sintonia” com o magistério dos Pontífices, foi ressaltado por Bento XVI na carta lida pelo cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, durante o funeral da fundadora do Movimento dos Focolares, celebrado na terça-feira, 18 de março, na basílica de São Paulo Fora dos Muros. Ao Senhor Cardeal TARCISIO BERTONE Secretário de Estado Participo espiritualmente na solene liturgia com a qual a comunidade cristã acompanha Chiara Lubich em sua despedida desta terra para entrar no seio do Pai celeste. Renovo com afeto meus profundos pêsames aos responsáveis de toda a Obra de Maria – Movimento dos Focolares –, bem como a quem colaborou com esta generosa testemunha de Cristo, que se entregou sem reservas pela difusão da mensagem evangélica em todos os âmbitos da sociedade contemporânea, sempre atenta aos «sinais dos tempos». Há muitos motivos para dar graças ao Senhor pelo dom que fez à Igreja desta mulher de fé intrépida, mansa mensageira de esperança e de paz, fundadora de uma grande família espiritual que abraça múltiplos campos de evangelização. Gostaria, acima de tudo de dar graças a Deus pelo serviço que Chiara ofereceu à Igreja: um serviço silencioso e incisivo, sempre em sintonia com o magistério da Igreja: «Os Papas – dizia – sempre nos compreenderam». Isso porque a Chiara e a Obra de Maria sempre procuraram responder com dócil fidelidade a cada um de seus chamados e desejos. O vínculo ininterrupto com meus venerados Predecessores, desde o Servo de Deus Pio XII e o Bem-aventurado João XXIII, aos Servos de Deus Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, é um testemunho concreto disso. O pensamento do Papa era para ela uma orientação segura. E mais ainda, ao ver as iniciativas que suscitou, poderíamos inclusive afirmar que tinha quase a profética capacidade de intuí-lo e de atuá-lo de maneira antecipada. A sua herança passa agora à sua família espiritual: que a Virgem Maria, modelo constante de referência para Chiara, ajude cada focolarino e focolarina a seguir pelo mesmo caminho, contribuindo para fazer com que a Igreja seja cada vez mais casa e escola de comunhão, como escreveu o querido João Paulo II após o Jubileu do Ano 2000. Que o Deus da esperança acolha a alma de nossa irmã, console e sustente o compromisso dos que recolhem seu testamento espiritual. Por esta intenção asseguro uma recordação particular na oração, enquanto envio a todos os presentes ao rito sagrado a Bênção Apostólica. Vaticano, 18 de março de 2008 Benedictus PP XVI

“Um canto de amor a Deus”

Eminências Reverendíssimas, Excelências Reverendíssimas, ilustres Autoridades, queridos membros do Movimento dos Focolares, queridos irmãos e irmãs, A primeira Leitura voltou a propor à nossa meditação o famoso trecho do Livro de Jó. O justo, duramente provado, proclama, aliás quase grita: “Eu sei que o meu redentor é vivo… eu o verei, eu mesmo, os meus olhos o contemplarão não como estrangeiro”. Enquanto damos a última saudação a Chiara Lubich, as palavras do Santo Jó evocam em nós a lembrança do ardente desejo do encontro com Cristo que marcou toda a sua existência, e ainda mais intensamente os últimos meses e dias provados pelo agravamento do mal que a despojou de qualquer energia física, numa gradual subida ao Calvário que culminou no doce retorno ao seio do Pai. Chiara percorreu a etapa final da peregrinação terrena acompanhada pela oração e pelo afeto dos seus que se estreitaram num grande e ininterrupto abraço. Fraco, mas decidido foi, no coração da noite, o último “sim” ao místico esposo da sua alma, Jesus ”abandonado – ressuscitado”. Agora tudo é realmente consumado: o sonho do início se tornou realidade, o anseio apaixonado foi saciado. Chiara encontra Aquele que amou sem ver e, cheia de alegria, pode exclamar: “Sim, o meu redentor está vivo!” A notícia da sua morte suscitou um vasto eco de pesar em cada ambiente, entre milhares de homens e mulheres dos cinco continentes, com um referencial religioso ou não, poderosos e pobres da Terra. Bento XVI, que logo mandou a sua consoladora bênção, agora, na minha pessoa renova a sua garantida participação à grande dor da família espiritual. Expoentes de outras Igrejas cristãs e de diversas religiões se uniram ao coro com profunda estima e participação. Também a mídia evidenciou o trabalho por ela realizado na difusão do amor evangélico entre pessoas de cultura, crença e formação diferentes. Com efeito – e podemos mesmo dizer – a vida de Chiara Lubich é um canto de amor a Deus, a Deus que é Amor.  “Quem está no amor abita em Deus e Deus abita nele”. Quantas vezes Chiara meditou essas palavras e quantas vezes as citou nos seus escritos, por exemplo nas “palavras de vida” onde beberam centenas de pessoas para a sua formação espiritual! Não existe outro modo para conhecer Deus e para dar sentido e valor à existência humana. Só o Amor, o Amor divino nos capacita a “gerar” amor, a amar até mesmo os inimigos. Esta é a novidade cristã, nisto consiste o Evangelho. Mas como viver o Amor? Depois da última Ceia, na comovida despedida dos Apóstolos, – que acabamos de ouvir – Jesus pede “para que todos sejam um”. É a oração de Cristo que sustenta o caminho dos seus amigos de cada época. É o seu Espírito que suscita na Igreja testemunhos do Evangelho vivo; é ainda Ele, o Deus vivente, que nos guia na hora da tristeza e da dúvida, da dificuldade e da dor. Quem confia nele nada teme, nem o esforço da travessia dos mares tempestuosos, nem os obstáculos e as adversidades de todo o tipo. Quem constrói a sua casa em Cristo, constrói na rocha do Amor que tudo suporta, tudo supera, tudo vence. O século XX está constelado de astros que resplandecem este amor divino. Portanto, não deverá ser recordado só pelas maravilhosas conquistas conseguidas no campo da técnica e da ciência e pelo progresso econômico que porém não eliminou, pelo contrário, muitas vezes acentuou a injusta repartição dos recursos e dos bens entre os povos; não entrará na história só pelos esforços aplicados para construir a paz que infelizmente não impediram crimes horrendos contra a humanidade e conflitos e guerras que não param de ensangüentar vastas regiões da Terra. O século passado, mesmo repleto de contradições, é o século em que Deus suscitou inumeráveis e heróicos homens e mulheres que, enquanto aliviavam as chagas dos doentes e dos sofredores e partilhavam o destino dos menores, dos pobres e dos últimos, distribuíam o pão da caridade que cura os corações, abre as mentes à verdade, restitui confiança e ardor às vidas destroçadas pela violência, pela injustiça, pelo pecado. Alguns desses pioneiros da caridade a Igreja já os aponta como santos e beatos: padre Guanella, padre Orione, padre Calabria, Madre Teresa di Calcutá e outros ainda. Foi o século que viu nascer novos Movimentos eclesiais, e Chiara Lubich encontra lugar nesta constelação com um carisma todo seu e que caracteriza a sua fisionomia e ação apostólica. A fundadora do Movimento dos Focolares, com estilo silencioso e humilde, não cria instituições de assistência e de promoção humana, mas se dedica a acender o fogo do amor de Deus nos corações. Suscita pessoas que sejam elas mesmas amor, que vivam o carisma da unidade e da comunhão com Deus e com o próximo; pessoas que difundam “amor e unidade”, fazendo de si mesmas, das próprias casas, do próprio trabalho um “focolare”, onde o amor, ardendo, torna-se contagioso, incendeia tudo o que encontra. Uma missão possível para todos porque o Evangelho está ao alcance de cada um: bispos e sacerdotes, adolescentes, jovens e adultos, consagrados e leigos, esposos, famílias e comunidades, todos chamados a viver o Ideal da unidade: “que todos sejam um!”. Na última entrevista concedida por ela e transmitida, justamente nos dias da sua agonia, Chiara afirma que “é a maravilha do amor recíproco a linfa vital do corpo místico de Cristo”. O Movimento dos Focolares se empenha a viver ao pé da letra o evangelho, “a mais potente e eficaz revolução social” e do Evangelho nascem os movimentos “Famílias Novas” e “Humanidade Nova”, a editora Cidade Nova, a Mariápolis permanente de Loppiano e outras Mariápolis de testemunho nos diversos continentes e ramificações leigas como, por exemplo, os voluntários de Deus. No clima de renovação suscitado pelo pontificado do beato João XXIII e pelo Concílio Vaticano II encontrou um terreno fértil a sua corajosa abertura ecumênica e a busca do diálogo com as religiões. Nos anos da contestação juvenil, o Movimento Gen catalisou milhares e milhares de jovens atraindo-os ao ideal do amor evangélico, alargando depois o próprio raio de ação com os Jovens por um mundo unido. A proposta do Evangelho sem descontos quis fazê-la também às crianças, aos adolescentes, para os quais foi fundado o Movimento Juvenil pela unidade. No Brasil, para ira o encontro das condições daqueles que viviam na periferia das metrópoles lançou o projeto de uma Economia de comunhão na liberdade, prevendo uma nova teoria e praxe econômica baseada na fraternidade, para um desenvolvimento sustentável, vantajoso para todos. Queira Deus que muitos estudiosos e agentes econômicos assumam a Economia de comunhão como um recurso sério para programar uma nova ordem mundial partilhada! E ainda quantos outros encontros com representantes das várias religiões, com expoentes políticos e do mundo da cultura! Mariápolis, cidade de Maria, foi assim que quis chamar os encontros e as propostas de uma sociedade renovada pelo amor evangélico. Por que cidade de Maria? Porque para Chiara Nossa Senhora é “a preciosíssima chave para entrar no Evangelho”. E talvez, justamente por isso, foi capaz de salientar na Igreja, de modo eficaz e construtivo “o seu perfil mariano”. A Maria decidiu confiar a sua Obra dando-lhe justamente o seu nome: Obra de Maria. A Obra então, afirma Chiara, “permanecerá sobre a terra como outra Maria: toda Evangelho, nada mais que Evangelho e, por ser Evangelho, não morrerá”. E como não imaginar que seja justamente a Virgem Santa a acompanhar Chiara na sua entrada na eternidade? Queridos irmãos e irmãs, prossigamos a celebração eucarística levando ao altar o nosso obrigado ao senhor pelo testemunho que nos deixa esta irmã em Cristo, pelas suas intuições proféticas que antecederam e prepararam as grandes mutações da história, os eventos extraordinários que a Igreja viveu no século XX. O nosso obrigado se une ao de Chiara. Considerando os muitos dons e as grandes graças recebidas, Chiara dizia que quando se apresentasse diante de Deus e o Senhor lhe perguntasse o seu nome responderia simplesmente o meu nome é “Obrigado Senhor, por tudo e para sempre”. A nós, especialmente aos seus filhos espirituais, cabe a missão de prosseguir a missão por ela iniciada. Do céu, onde amamos pensar que seja acolhida por Jesus, seu Esposo, continuará a caminhar conosco e a nos ajudar. Hoje, enquanto dela nos despedimos com afeto, ouçamos diretamente da sua voz, estas palavras que gostava muito de repetir: “Gostaria de que a Obra de Maria, no final dos tempos, quando, compacta, estará a espera de aparecer diante de Jesus abandonado ressuscitado, possa lhe repetir, assumindo as palavras que sempre me comovem do teólogo belga Jacques Leclercq: «Naquele dia, meu Deus, eu irei na tua direção… irei na tua direção, meu Deus, … e com o meu sonho mais desvairado: entregar-te o mundo nos meus braços». Este é o sonho de Chiara, que este seja também o nosso anseio incessante: «Pai, que todos sejam uma coisa só, a fim de que o mundo creia». Amém.

A última saudação a Chiara Lubich em São Paulo Fora dos Muros, em Roma

A última saudação a Chiara Lubich em São Paulo Fora dos Muros, em Roma

Terça-feira, 18 de março, às 15 horas. Será presidido pelo cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado. Mensagem do Papa Bento XVI  14/03/2008 “Tomei conhecimento, com profunda emoção, da notícia da morte de Chiara, que chegou ao final de uma vida longa e fecunda, marcada incansavelmente pelo seu amor por Jesus Abandonado” Assim inicia o telegrama assinado pelo Papa Bento XVI, enviado hoje de manhã. “Nesta hora de dolorosa separação”, o Santo Padre assegura a sua proximidade espiritual “com afeto”, “aos familiares e a toda a Obra de Maria – Movimento dos Focolares – que teve origem com Chiara, bem como a todos aqueles que apreciaram o seu constante empenho em favor da comunhão na Igreja, do diálogo ecumênico e da fraternidade entre todos os povos”. O Papa agradece a Deus “pelo testemunho da sua existência na escuta das necessidades do homem contemporâneo, em plena fidelidade à Igreja e ao Papa”. Bento XVI faz votos de que “todos os que a conheceram e encontraram, admirando as maravilhas que Deus realizou por meio do seu ardor missionário, sigam os seus passos, mantendo vivo o seu carisma”. O Papa conclui invocando “a materna intercessão de Maria” e enviando “a todos” a sua bênção apostólica. A última saudação a Chiara Lubich será na terça-feira, dia 18 de março, às 11h (hora de Brasília), na basílica romana de São Paulo Fora dos Muros. A cerimônia será presidida pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone. Será transmitida via satélite e pela internet. Durante a manhã de hoje houve um contínuo afluxo de visitas à sua casa. O velório terá início às 12 (hora de Brasília), até terça-feira, no Centro Internacional do Movimento dos Focolares, em Rocca di Papa, Itália (Via di Frascati, 306). Chiara será sepultada na capela do Centro Internacional do Movimento, em Rocca di Papa. Em Trento, sua cidade natal, foi decretado luto pelo prefeito Alberto Pacher.

“Que todos sejam um”: o testamento de Jesus

Que todos sejam um Se tivermos a felicidade de visitar a Terra Santa, durante a primavera, entre as mil e uma coisas que Jerusalém nos oferece para contemplar e meditar, uma delas é muito marcante, pela lembrança que evoca na sua extrema simplicidade. Uma longa escadaria de pedra, que resistiu ao tempo e foi lavada pelas intempéries de dois mil anos, ornamentada aqui e ali por papoulas, vermelhas como o sangue da Paixão, se estende, quase como um tapete ondulado, numa descida límpida e solene até o vale do Cédron. Essa escadaria permaneceu a céu aberto, ladeada pelo gramado em forma de moldura, parecendo que nenhuma abóbada de um templo poderia substituir o céu que a coroa. A tradição conta que Jesus desceu por ali na última noite, depois do jantar, quando, “tendo elevado os olhos para o céu” pontilhado de estrelas, rezou: «Pai, chegou a hora…». Impressiona colocar os próprios pés no lugar em que pisaram os pés de um Deus, e toda a alma se concentra nos olhos, fitando a abóbada celeste para a qual os olhos de um Deus também, um dia, olharam. A impressão pode ser tão grande que a meditação nos imobiliza em adoração. A Sua oração foi única antes de morrer. E, quanto mais esse “Filho do homem”, que adoramos, resplandece como Deus, muito mais sentimos que Ele foi um homem e por Ele nos apaixonamos. Só o Pai compreendeu plenamente o seu discurso, mesmo assim Ele o fez com voz clara, talvez para que chegasse também a nós um eco de tão maviosa melodia. 1943. Não sabemos o motivo, mas foi mesmo assim: quase todas as noites as primeiras focolarinas, reunidas em busca do amor de Deus, utilizando luz de vela – porque muitas vezes faltava a luz – liam esse trecho. Era a magna carta do cristão. Ali, palavras, que elas desconheciam, brilharam como o sol em meio à noite: noite de um tempo de guerra. Jesus, por três anos, falou muitas vezes aos homens: pronunciou palavras celestes, semeou-as por entre pessoas de “pouca inteligência” , anunciou um programa de paz, mas ofereceu o Seu patrimônio divino, de certo modo adaptando-se à mente de quem o ouvia, e as parábolas dão testemunho disso. Porém, nesse momento em que não fala aos homens, e a Sua voz é dirigida ao Pai, parece que nada detém mais o seu ímpeto. É esplêndido esse Homem, que é Deus, e derrama – como fonte transbordante de Vida Eterna – a Água que submerge a alma do cristão, perdida nele, nos mares desmedidos da Trindade beata. Esse último discurso é tão belo quanto Ele: «Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo… Guarda-os em teu nome (…) a fim de que sejam um como nós». Ser um como Jesus é um com o Pai: mas o que isso significava? Não compreendíamos muito bem, mas intuíamos que devia ser algo grande. Foi por isso que, unidas um dia no Nome de Jesus, reunidas ao redor de um altar, pedimos que Ele nos ensinasse a viver essa verdade. Ele sabia o que significava e só Ele podia nos revelar o segredo para realizá-la. «Agora eu vou para junto de ti… para que tenham em si a plenitude da minha alegria». E não tínhamos experimentado uma “nova” alegria, devido a essa breve experiência de unidade que fizemos? Era a essa alegria que Jesus se referia? Claro que a alegria é a veste do cristão e, dentro de nós, Alguém nos fazia entender que, para quem segue Cristo, a alegria é um dever, porque Deus ama quem doa com alegria. «Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal». Fascinante e nova – pelo menos para nós – era esta vida: viver no mundo (e todos sabem que está em antítese com Deus) e viver nele por Deus, numa aventura celestial… «Santifica-os pela verdade. Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim, para que todos sejam um». No entanto, que tipo de cristianismo vivíamos antes, se passávamos ao lado dos outros com indiferença ou até mesmo com desprezo, julgando-os, uma vez que o nosso destino era fundir-nos na unidade invocada por Cristo? Com esse novo modo de ver, parecia que Jesus lançasse um laço ao Céu e ligasse os membros espalhados, que éramos nós, em unidade – por meio d’Ele – com o Pai e em unidade entre nós. E o Corpo místico se abria para nós em toda a sua realidade, verdade e beleza. «Assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós ». Jesus é uma coisa só com o Pai, por isso cada um de nós deve ser uma coisa só com Jesus e, por conseqüência, com os outros: era um modo de viver em que pouco ou nada tínhamos pensado antes, um modo de viver “segundo a Trindade”… «A fim de que o mundo creia que tu me enviaste» . A conversão do mundo, que nos circundava, seria a conseqüência da nossa unidade. Provavelmente era por isso que, desde a aurora do Movimento, muitas almas voltavam para Deus, sem que nós nos preocupássemos em convertê-las, mas unicamente mantendo a unidade entre nós e amando-as em Cristo. «…Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste…». Os homens acreditariam em Cristo, se fôssemos perfeitos na unidade. Portanto, era preciso aperfeiçoar-se nessa vida. Devíamos pospor tudo à unidade. 1943 foi o ano da Encíclica Mystici Corporis. Cristo, por meio do Papa Pio XII, fazia ecoar o seu Testamento. Será que Jesus, que vive na Cabeça e no seu Corpo, impelia-nos também a focalizar a exigência da unidade e a fazer dela um dom para muitos? Unidade, unidade, todos um! Num tempo em que a idéia fundamental de Cristo estava se transformando, tendo sido deformada e depauperada de divino, na idéia-força da revolução atéia, Deus quis evidenciá-la para nós no Evangelho. Não sabemos. Sabemos unicamente que o Movimento dos Focolares teve esse timbre inconfundível e que, para nós, nada tem mais valor do que a unidade: porque foi o conteúdo do Testamento d’Aquele que queremos amar acima de tudo; porque, pela experiência que fizemos até aqui, ela é riquíssima e fecundíssima de frutos para o Reino de Deus, para a Sua Igreja. «Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles». Jesus depois de ter dito tudo isso, saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cédron… Extraído de “Città Nuova”, dezembro de 1959

Chiara Lubich concluiu a sua viagem terrena

Em uma atmosfera serena, de oração, e de profunda comoção, Chiara Lubich concluiu a sua viagem terrena nesta noite, 14 março de 2008, às 2 horas, aos 88 anos. Estava na sua casa em Rocca di Papa (Itália), para onde havia retornado do Hospital Gemelli, na madrugada de ontem, depois de ter expresso esse desejo. Ontem, durante todo o dia, centenas de pessoas – parentes, colaboradores diretos e muitos dos seus filhos espirituais – passaram pelo seu quarto para lhe dirigir a última saudação; depois recolhiam-se na capela adjacente e reuniam-se no jardim, em oração. Uma procissão ininterrupta e espontânea. A alguns Chiara expressou algum sinal, apesar da sua extrema fraqueza. Do mundo inteiro continuam chegando mensagens de participação por parte de líderes religiosos, políticos, acadêmicos e civis, e do seu “povo”.

Chiara Lubich retornou à sua residência, em Rocca di Papa

Há alguns dias Chiara Lubich havia expresso o desejo de “voltar para casa. Ontem à noite foi tomada esta decisão. Do Hospital Gemelli, em Roma, onde estava internada devido a uma grave insuficiência respiratória retornou à sua residência, em Rocca di Papa. O titular do Departamento de Pneumatologia, professor Salvatore Valente, informou: “Por seu desejo expresso Chiara Lubich foi levada para a sua casa”. E assegura: “Continua a receber todo o acompanhamento necessário. Infelizmente – concluiu – neste momento não existe nenhuma resposta ao tratamento aplicado”. Até ontem à tarde Chiara foi informada, por sua secretária pessoal, Eli Folonari, sobre a correspondência recebida. Esta manhã desejou ver os focolarinos e as focolarinas que, com ela, deram início ao Movimento. Chiara continua a demonstrar grande serenidade. Dois dias atrás disse perceber a presença espiritual de Maria, com quem viveu, toda a sua vida, em profunda comunhão. A Obra que Chiara fundou traz, de fato, o nome de Obra de Maria, nome com o qual a Igreja aprovou o Movimento dos Focolares. Estes momentos são acompanhados pela intensa comunhão e contínua oração de todo o Movimento no mundo. Oração à qual se associam também André Riccardi e Salvatore Martinez, que asseguram orações da Comunidade de Santo Egídio e da Renovação Carismática.