31 Out 2007 | Palavra de Vida, Sem categoria
Para o povo de Israel, o caminho de quarenta anos no deserto foi um tempo de provação e de graça. Deus purificou o seu coração e lhe mostrou o Seu imenso amor.
Como o povo estava para entrar na terra prometida, Moisés relembrou a experiência vivida. De modo particular, ele mencionou o maior dom recebido: a lei de Deus – sintetizada nos Dez Mandamentos – e convidou o povo inteiro a colocá-la em prática.
À medida que Moisés apresentava os ensinamentos de Deus, ficava tão encantado com o modo pelo qual Deus se aproximou do seu povo, cuidou dele, ensinou-lhe normas de vida tão sábias, que exclamou:
“E qual a grande nação que tenha leis e decretos tão justos quanto toda esta Lei que hoje vos proponho?”
Deus gravou a sua lei no coração de cada ser humano e falou a todos os povos em modos e tempos diferentes. Todos os homens podem se alegrar com o amor que Deus tem por eles. Mas nem sempre é fácil entender o desígnio de Deus para a humanidade. Por isso, Ele escolheu um pequeno povo, o de Israel, para comunicar mais claramente o seu plano. Finalmente enviou o seu Filho, Jesus, que revelou em plenitude o rosto de Deus, manifestando-o como Amor e condensando a Sua lei em um único mandamento: amar a Deus e o próximo.
A grandeza de um povo e de cada ser humano é demonstrada pela adesão à lei de Deus com um sim pessoal.
Essa adesão não é uma superestrutura artificial, muito menos uma alienação; não é resignação a uma sorte mais ou menos boa, nem mesmo aceitar passivamente uma fatalidade, como quase se pensasse: isso já foi estabelecido, este é o destino, tem que acontecer.
Não. Essa adesão é tudo o que de melhor se possa pensar para o ser humano. É cooperar para fazer emergir o grande desígnio que Deus tem para cada pessoa e para a humanidade inteira: fazer dela uma única família, unida pelo amor, e levá-la a viver a Sua mesma vida divina.
Então, também nós podemos exclamar, como Moisés:
“E qual a grande nação que tenha leis e decretos tão justos quanto toda esta Lei que hoje vos proponho?”
Como viver, durante o mês, essa Palavra de Vida?
Penetrando no coração da lei divina que Jesus sintetizou no único preceito do amor.
E se verificarmos os Dez Mandamentos, que Deus nos doou no Antigo Testamento, poderemos constatar que, amando realmente a Deus e o próximo, vivemos todos perfeitamente.
Não é verdade que quem ama a Deus não pode admitir outros deuses no seu coração?
Que quem ama a Deus considera o Seu nome sagrado e não o pronuncia em vão?
Que quem ama é feliz em poder dedicar ao menos um dia da semana Àquele a quem mais ama?
Não é verdade que quem ama cada próximo não pode deixar de amar os próprios pais? E não é evidente que quem ama os outros não é capaz de roubá-los, de matá-los, de explorá-los para os próprios prazeres egoístas, de levantar falso testemunho contra eles?
E ainda, não é verdade que o seu coração já está pleno e satisfeito e, por isso, não sente o desejo de possuir os bens e as pessoas ligadas aos demais?
É assim mesmo: quem ama não comete pecado, observa toda a lei de Deus.
Várias vezes eu mesma experimentei isso nas minhas viagens, encontrando os mais diferentes povos e etnias. Em 2000, quando visitei o povo Bangwa, em Fontem, na República dos Camarões, fiquei muito impressionada pelo modo com o qual esse povo acolheu, com uma nova disposição, o meu convite para amar.
Durante o dia, de vez em quando, perguntemo-nos se as nossas ações são imbuídas de amor. Se for assim, a nossa vida não será inútil, mas será uma contribuição para a realização do desígnio de Deus para a humanidade.
Chiara Lubich
25 Out 2007 | Sem categoria
19 Out 2007 | Sem categoria
12 Out 2007 | Sem categoria
«Olhe ao seu redor para entender as necessidades dos outros. Você pode fazer alguma coisa? Vá além dos rancores e preconceitos, perdoe a quem lhe ofendeu. Orfanatos, asilos, hospitais, muitas idéias podem surgir, a cidade é sua!» É este o convite dos Jovens por um Mundo Unido em um dos muitos lugares do planeta que aderiram à Semana Mundo Unido 2007 (SMU). É a décima primeira edição desta proposta, que surgiu depois do Genfest 1995, conhecida como SMU e dirigida a todos os jovens do mundo, às instituições nacionais e internacionais, públicas e privadas, a todos, para valorizar as iniciativas que promovem a unidade em todos os níveis. Início: domingo, 14 de outubro. Mas muitas iniciativas já começam no sábado, dia 13. Centenas de eventos, em todo o mundo, nos quais milhares de jovens propõem o seu estilo de vida: comprometer-se diariamente a superar as barreiras que nos separam, com a partilha de idéias, bens e experiências.
Conferência telefônica planetária: sábado, dia 20 e domingo, dia 21 de outubro. Ponto alto da semana será a conferência telefônica entre os jovens participantes, em mais de cem cidades do mundo, com uma mensagem de Chiara Lubich aos jovens do mundo e o intercâmbio de experiências das regiões de maior tensão do planeta. Inclusive do Nepal e da Síria, este ano pela primeira vez. Um rápido giro pelo mundo, em alguns dos pontos acesos da SMU: Ásia Filipinas
Manila – Ousar o amor: atividades no centro social Bukasd Palad (link), para recolher fundos para a educação das crianças e a promoção social das famílias. No dia 20 de outubro. “U-nite” (unite=youth at night): música, experiências, fraternidade. Dia 22 de outubro: concerto “Sten up”, com uma banda dos Jovens pelo Mundo Unido e a presença de outros artistas filipinos. África Congo Em Lubumbashi, cidade a 2 mil quilômetros de Kinshasa, os Jovens por um Mundo Unido irão visitar as crianças e adolescentes de um orfanato. Brincadeiras e música, danças para festejar com estas crianças, e a disposição de revelar, com as próprias experiências, o segredo de suas ações.
Nos dias 18 e 19 de outubro um mutirão de trabalho na diocese, junto com outros jovens, para a construção de algumas salas de aula e para arrumar o terreno adjacente à basílica. América Venezuela Caracas: Na Universidade Simon Bolívar um concerto de abertura da SMU. Em seguida um fórum sobre a não-violência e a fraternidade na política. Europa Irlanda Lublin. Sábado, 13 de outubro, “Exposição intercultural” – Samba brasileiro, dança chinesa do dragão, artes marciais e “bom humor” irlandês. Tudo isso e muito mais na feira multicultural, realizada na Universidade de Dublin. Objetivo: dedicar um dia ao que há de melhor nas muitas nacionalidades que hoje formam a Irlanda, um país que cada vez mais está se tornando multi-cultural. Fará parte da “Exposição Intercultural” também um workshop dedicado aos direitos dos trabalhadores (workes and tenants legal rights) – www.cinews.ie
30 Set 2007 | Palavra de Vida, Sem categoria
Sim, é preciso falar. Falar a todos, sempre!
A Palavra de Vida freqüentemente nos convida a viver o amor, a ser o amor. Mas é preciso também transmitir a Palavra a outros, anunciá-la, comunicá-la, até envolvê-los numa vida de doação, de fraternidade.
Foram justamente estas as últimas palavras de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova…”1.
Era essa a paixão que impulsionava Paulo a viajar pelo mundo conhecido de então e a dirigir-se a pessoas de culturas e de convicções diferentes: “Anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho!”2.
Repetindo o comando de Jesus e a partir da sua própria experiência, Paulo recomenda também ao seu fiel discípulo, Timóteo, e a cada um de nós:
“Proclama a Palavra…”
Para que a nossa palavra produza efeito, é necessário, sempre que possível, construir antes um relacionamento com as pessoas às quais nos dirigimos.
Mesmo quando não se pode falar com a boca, podemos sempre falar com o coração. Às vezes, a palavra pode se expressar simplesmente por meio de um silêncio respeitoso ou de um sorriso ou ainda interessando-se pela vida do outro, pelo que ele gosta, pelos seus problemas ou chamando-o pelo nome, fazendo-o perceber que ele ou ela é importante para nós. E, de fato, é importante. Temos como princípio não tratar o outro com indiferença.
Essas palavras que não fazem estardalhaço, se forem bem acertadas, não podem deixar de abrir uma brecha nos corações; e, muitas vezes, o outro retribui a estima e faz perguntas. Esse, então, é o momento do anúncio. Nessa hora não se pode esperar. É preciso falar claramente, mesmo com poucas palavras, mas falar e comunicar o porquê da nossa vida cristã.
“Proclama a Palavra…”
Como podemos viver essa Palavra de Vida e comunicar, ainda que seja só com a nossa atitude, o Evangelho? Como podemos doá-lo a todos?
Amando a cada pessoa, sem distinção.
Se formos cristãos autênticos, vivendo o que o Evangelho ensina, nossas palavras não serão vazias.
O anúncio da Boa Nova será ainda mais luminoso se pudermos testemunhar o coração do Evangelho, que é a unidade entre nós, sabendo que “nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”3.
É essa a veste dos cristãos comuns que todos – homens e mulheres, casados ou não, adultos e crianças, doentes ou sadios – podem usar para testemunhar em todo lugar e sempre, com a própria vida, Aquele no qual crêem, Aquele a quem eles querem amar.
Chiara Lubich
1) Cf. Mc 16,15; Mt 28,19-20;
2) 1Cor 9,16;
3) Jo 13,35.
31 Ago 2007 | Palavra de Vida, Sem categoria
“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”
O que fazer para viver todas essas virtudes no nosso dia-a-dia?
Talvez possa parecer difícil colocá-las em prática, uma por uma. Então, por que não viver o momento presente com o radicalismo do amor? Se alguém vive o presente na vontade de Deus, Deus vive nele; e se Deus está nele, nele está a caridade.
De acordo com as circunstâncias, quem vive o presente é paciente, ou perseverante, manso, pobre de tudo, puro, misericordioso, porque possui o amor na sua expressão mais alta e genuína; ama realmente a Deus com todo o coração, toda a alma, todas as forças; é iluminado interiormente, é guiado pelo Espírito Santo e, portanto, não julga, não pensa mal dos outros, ama o próximo como a si mesmo, tem a força da loucura evangélica de “oferecer a outra face”, de “caminhar por dois quilômetros…”1.
“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”
Essa exortação é dirigida a Timóteo, fiel colaborador de Paulo, seu companheiro de viagem e amigo, tão confidente que chega a ser como um filho. “Tu, porém, ó homem de Deus” – escreve-lhe o apóstolo depois de ter denunciado a malícia do orgulho, das invejas, das brigas, do amor ao dinheiro – “foge destas coisas”; e o convida a procurar uma vida na qual resplandeçam as virtudes humanas e cristãs.
Nessas palavras ressoa o empenho, assumido no momento do batismo, de renunciar ao mal (“foge…”) e de aderir ao bem (“procura…”). É do Espírito Santo que vem a transformação radical, bem como a capacidade e a força para atuar a exortação de Paulo:
“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”
A experiência vivida com o primeiro grupo de jovens que, em 1944, originou o Movimento dos Focolares em Trento (Itália), dá uma idéia de como se pode viver a Palavra de Vida; sobretudo a caridade, a paciência, a mansidão.
Principalmente nos primeiros tempos do Movimento não era fácil viver as exigências radicais do amor. Até mesmo entre nós, nos nossos relacionamentos, podia se acumular uma certa poeira, e a unidade podia se enfraquecer. Isso acontecia, por exemplo, quando notávamos os defeitos, as imperfeições dos outros e começávamos a julgar, fazendo com que a corrente de amor mútuo esfriasse.
Para reagir a essa situação, um dia tivemos a idéia de fazer um “pacto” entre nós, e o chamamos de “pacto de misericórdia”.
Todas as manhãs decidimos ver o próximo que iríamos encontrar – no focolare, na escola, no trabalho etc. – novo, novíssimo, não nos lembrando absolutamente mais dos seus defeitos, mas cobrindo tudo com o amor. Era encontrar cada pessoa com essa anistia completa no nosso coração, com esse perdão universal.
Era um compromisso sério, tomado por todas nós juntas, que nos ajudava a ser, da melhor maneira possível, sempre as primeiras no amor, à semelhança de Deus misericordioso, que perdoa e esquece.
Chiara Lubich
1) Cf. Mt 5,41.