[:it]Sudan: “Salvare il salvabile”
Tema da Semana de oraçoes para a unidade dos cristaos– Janeiro de 2007
Umlazi é um dos tantos subúrbios das grandes cidades da África do Sul, criados nos anos 50 para a população negra. Ali moram cerca de 750.000 pessoas. Faltam escolas, hospitais, residências dignas. Não existe sequer um campo de futebol. A taxa de desemprego ultrapassa os 40%. A pobreza gera violência e abusos; é elevadíssima a incidência de Aids. Muitos se sentem isolados, têm medo de falar dos próprios sofrimentos, dos seus inúmeros problemas.
“O que fazer?”, perguntavam-se os dirigentes das diversas comunidades cristãs de Umlazi. É preciso “quebrar o silêncio” – concluíram – e abrir um diálogo com todos, um por um, numa atitude de escuta e comunhão de vida, para carregar junto com eles as dificuldades. Começaram com os jovens, abrindo um diálogo construtivo e estabelecendo relacionamentos cada vez mais profundos.
Animados por essa experiência, os cristãos de Umlazi propuseram o trecho do Evangelho de Marcos de onde foi tirada esta Palavra de Vida como tema para a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” de 2007, que se realiza neste mês em muitos países (1).
Entre os assuntos da “Semana”, de acordo com o texto-base, encontra-se a busca da unidade entre os cristãos, bem como a resposta cristã para o sofrimento humano.
Enquanto Jesus caminhava, trouxeram-lhe um surdo-mudo e Ele o curou, pronunciando a palavra “Efatá”, que quer dizer “Abre-te”. O povo, ao ver isso, expressando admiração e alegria, exclamou:
«Tudo Ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem!»
Os milagres de Jesus são a expressão do seu amor por todos os que Ele encontra no próprio caminho. São também “sinais” do mundo novo que Ele veio instaurar. A cura do surdo-mudo é o sinal de que Jesus veio para nos doar uma nova capacidade de entender e de falar.
“Efatá” foi também a palavra pronunciada para nós no momento do nosso batismo.
“Efatá”: e Jesus nos abre os ouvidos à Palavra de Deus, a fim de que a deixemos penetrar em nós.
“Efatá” é o seu convite para abrirmos nossos ouvidos a cada um daqueles com os quais Ele se identificou – cada pessoa, sobretudo os menores, os pobres, os necessitados – e estabelecermos com todos um diálogo de amor que seja capaz de partilhar a própria experiência de vida segundo o Evangelho.
Em sinal de reconhecimento a Jesus por tudo o que Ele faz continuamente em nós, vamos proclamar, como fez a multidão, tempos atrás:
«Tudo Ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem!»
Como podemos viver esta Palavra de Vida?
Rompendo a nossa “surdez” e fazendo calar, dentro de nós e ao nosso redor, os rumores que nos impedem de escutar a voz de Deus, da nossa consciência, dos nossos irmãos e irmãs.
De muitos lados chega, em geral silenciosamente, um pedido de ajuda: uma criança que pede atenção, um casal em dificuldades, um doente, uma pessoa idosa, um presidiário com necessidade de assistência. Atinge-nos o grito de cidadãos que anseiam por uma cidade com mais qualidade de vida, de trabalhadores que reclamam por mais justiça, de povos inteiros aos quais é negada a existência… Distraídos por uma infinidade de interesses e atrações, é muito freqüente que não estejamos de coração aberto àqueles que estão ao nosso redor. Ou então, concentrados nas nossas necessidades, fazemos de conta que não os ouvimos.
A Palavra de Vida nos pede a capacidade de “escutar”, para carregarmos junto com os outros as preocupações e as dificuldades, bem como para partilharmos as alegrias e esperanças, numa renovada solidariedade. Ela nos convida a não ficarmos “mudos”, mas a encontrarmos a coragem de falar, para comunicar as experiências e as convicções mais profundas; para intervir e defender aqueles que não têm voz; para realizar obras de reconciliação; para propor idéias, soluções, novas estratégias…
E quando a impressão de não estarmos à altura das situações fizer com que nos sintamos embaraçados, seremos sustentados pela certeza de que Jesus nos abriu os ouvidos e a boca:
«Tudo Ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem!»
É a experiência de Lucy Shara, da África do Sul, que, tendo-se mudado com a família para Durban, teve que enfrentar a vida de uma grande cidade, começando ali um novo trabalho, de muita responsabilidade. Naqueles anos do apartheid não era comum uma mulher africana ser admitida para um cargo de chefia.
Um dia ela percebe que entre os operários está se espalhando uma forma aguda de asma, por causa das péssimas condições de vida no trabalho. Muitos deles desapareciam de repente ou se ausentavam da fábrica por longos meses. Ela procura o vice-diretor e propõe como solução instalar um equipamento eficiente para filtrar o ar do ambiente. Mas o custo é muito alto e a empresa rejeita a proposta.
Lucy, que há tempo já procura viver a Palavra de Vida, encontra nela a sua força e a sua luz. Percebe dentro de si como que um fogo que lhe dá coragem, que a faz manter-se calma em todas as negociações, que a coloca numa atitude de sincera escuta das opiniões expressas pela direção. Ela conta: “A um certo ponto me vieram à boca as palavras justas para defender aqueles que não tinham voz. Consegui fazer os diretores entenderem que o alto custo inicial seria compensado pelas melhores condições de saúde dos operários, que não seriam mais obrigados a faltar ao trabalho.
Suas palavras são convincentes. O filtro é instalado. A incidência de asma diminui de 12% para 2% e as faltas por doença caem na mesma proporção. A diretoria lhe agradece, lhe dá até mesmo uma gratificação especial, além do salário. Entre os operários se espalha a alegria e na fábrica se respira uma nova “atmosfera”, em todos os sentidos!
Chiara Lubich
(1) No Hemisfério Norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. No Brasil é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes (neste ano será de 20 a 27 de maio).
Feliz Natal e Feliz Ano Novo!
Natal. O Invisível tornou-se visível. O Verbo se fez carne. A luz brilhou nas trevas. Se Deus desceu à terra por nós, não há dúvida de que nos ama! Se Deus nos ama, tudo pode ser lido melhor: por trás dos traços escuros da existência é possível descobrir a mão amorosa Dele, um porquê muitas vezes desconhecido por nós, mas um porquê de amor. Chiara Lubich
Palavra de Vida – Dezembro de 2006
O poeta que compôs o canto de onde foi tirada a Palavra de Vida tinha ido, em peregrinação, ao templo de Jerusalém. Desejaria ter lá ficado, como as andorinhas que ali fizeram o ninho, mas teve que voltar para a sua terra. Lembrou com saudade as “amáveis moradas” do Senhor, onde experimentou a presença de Deus. Dicidiu então voltar e pôs-se a caminho para subir até Jerusalém. Seria uma “santa viagem”, que o levaria novamente “diante de Deus”. Como em muitas culturas e religiões, a viagem representa a parábola da vida.
A “santa viagem” é o símbolo do nosso itinerário para Deus. Estamos realmente orientados para uma meta, a que não deveríamos chamar “morte”, mas “encontro”, porque é o início de uma nova Vida, o encontro com Deus. Todos estamos destinados a este encontro, somos chamados por Ele.
Porquê não organizar então a nossa existência em função da meta que nos espera? Porquê não fazer da única vida que temos uma viagem, uma viagem santa, porque é Santo Aquele que nos espera? Sim, todos somos chamados a tornarmo-nos santos, segundo o coração de Deus (1). Aquele Deus que nos ama, a cada um, com um amor imenso, e que sonhou e delineou para nós um percurso a seguir e uma meta específica para alcançar.
«Felizes os que em Ti encontram a sua força, os que trazem no coração os caminhos da santa viagem»
É verdade que somos filhos do nosso tempo, que aprecia o activismo – por vezes, frenético – e a eficiência. Que valoriza algumas profissões e menospreza outras; que, por medo, encobre com o silêncio certos momentos da vida, na ilusão de os fazer desaparecer… Talvez possa suceder também connosco que, influenciados ou deslumbrados por essas tendências, desperdicemos inutilmente as nossas energias. E pode acontecer que nos pareçam inúteis os dias de repouso, supérfluos os momentos de oração, ou consideremos as doenças e as várias dificuldades – que Deus permite com um objectivo de amor – como obstáculos à nossa vida.
Como nos podemos encaminhar ou reencaminhar seriamente na santa viagem? Não é difícil de descobrir: trata-se de fazer, não a nossa vontade, mas a vontade de Deus. Segui-la no momento presente da vida, conscientes de que – e isto é uma grande graça – cada acção, que fizermos desta maneira, tem uma graça especial que a acompanha, a “graça actual”, que ilumina a nossa inteligência e orienta para o bem a nossa sensibilidade e a nossa vontade. Mesmo quem não tenha um credo religioso definido pode fazer da sua vida uma obra-prima, empreendendo com rectidão um caminho de sincero compromisso moral.
«Felizes os que em Ti encontram a sua força, os que trazem no coração os caminhos da santa viagem»
Se a vida é uma “santa viagem” ao longo do trajecto da vontade de Deus, o nosso caminho exige um progresso contínuo em cada dia. O amor que nos impulsiona convida-nos a crescer, a melhorar. Não nos podemos contentar com o modo como vivemos ontem. «Hoje, melhor do que ontem», podemos repetir, para nós, de vez em quando…
E quando paramos? Quando retrocedemos e voltamos a cair nos erros de antes, ou até só na preguiça? Devemos abandonar o nosso objectivo, desencorajar-nos devido às nossas falhas? Não, nesses momentos, a palavra de ordem é “recomeçar”. Recomeçar, pondo na misericórdia de Deus todo o nosso passado com os seus erros, os seus pecados. Recomeçar, tendo mais confiança na graça de Deus do que nas nossas capacidades. Não diz a Palavra de Vida que encontramos n’Ele a nossa força? Comecemos em cada dia como se fosse a primeira vez. E, sobretudo, caminhemos juntos, unidos no amor, ajudando-nos uns aos outros. O Santo estará no meio de nós e Ele tornar-se-á o nosso “Caminho”. Ele há-de fazer-nos compreender mais claramente a vontade de Deus e há-de dar-nos o desejo e a capacidade de a cumprir. Unidos, tudo será mais fácil e alcançaremos a felicidade, prometida àqueles que empreendem a “santa viagem”.
«Felizes os que em Ti encontram a sua força, os que trazem no coração os caminhos da santa viagem»
Lembro-me do que se passou com uma pessoa amiga.
Enzo Fondi tinha 22 anos quando, em Roma, em 1951, decidiu dedicar-se inteiramente a Deus, no nascente Movimento dos Focolares. Depois da licenciatura em Medicina e Cirurgia, encontramo-lo a trabalhar como médico num hospital de Leipzig, e a testemunhar, até do outro lado da “cortina de ferro”, o amor evangélico. Foi ordenado sacerdote. Depois foi para os Estados Unidos para levar essa mesma mensagem.
Nos últimos anos, o trabalho no diálogo inter-religioso, que o Movimento realiza, levou-o a desempenhar vários cargos e a viajar muito, mas tinha sempre um único projecto: seguir Deus, na Sua vontade. Completou a “santa viagem” na véspera do fim do ano de 2001, à noite. Foi encontrado à frente do computador, a trabalhar, com a cabeça apoiada na mesa, de rosto sereno, sem sinais de sofrimento. Não parecia ter morrido, mas só ter passado docemente de uma “sala” para outra. Quinze dias antes de morrer tinha escrito: «As últimas vontades, o testamento. Para mim, é a última vontade de Deus, aquela que Ele quer de mim agora. Não existe nenhuma outra. Deixar feita, com perfeição, a última vontade de Deus, seja ela qual for, essa é a minha última vontade. Realmente não sei qual será a última vontade de Deus que farei na vida. Mas uma coisa sei: que, tal como para a vontade de Deus deste momento, hei-de ter a graça actual que me vai ajudar a fazê-la, na medida em que me tiver exercitado a aproveitar esta graça, vivendo bem o presente».
Chiara Lubich
1) Cf. 1 Ts 4, 3
As condições de saúde de Chiara Lubich melhoram
As condições de saúde de Chiara Lubich têm apresentado uma progressiva melhora. Desde o dia 2 de novembro encontra-se internada no Hospital Agostino Gemelli, de Roma, por uma insuficiência respiratória provocada por uma infecção pulmonar, e agora recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva. O diretor do departamento, Prof. Massimo Antonelli, declarou que “a resposta às terapias foi positiva e consentiu que se alcançasse um quadro clínico estável e satisfatório”. O Movimento dos Focolares é grato pelo atendimento recebido, pela disponibilidade e competência do diretor e de seus colaboradores. No dia 21 de novembro Chiara Lubich recebeu a visita do Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, depois de o mesmo ter presidido a Santa Missa de inauguração do Ano Acadêmico da Universidade Católica do Sagrado Coração. O cardeal transmitiu-lhe uma nova bênção do Papa e, em seu nome, lhe presenteou com um terço. No dia seguinte Chiara Lubich recebeu a visita do Prof. Lorenzo Ornaghi, Reitor da Universidade Católica. Diariamente chegam mensagens, entre as quais: O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, faz votos de que “a sua ‘permanência’ no hospital seja muito breve”, porque – acrescenta – “sua presença é muito necessária…”. Escreveram ainda a Presidente da Irlanda, Mary McAlesse, parlamentares europeus, italianos e brasileiros, de diferentes partidos, vários prefeitos, entre os quais o prefeito de Roma, Walter Veltroni e Alberto Pacher, prefeito de Trento, cidade natal de Chiara, que manifestou o apoio da sua cidade para o restabelecimento da sua saúde. O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas, o pastor metodista Samuel Kobia, faz votos que Chiara possa “retomar as suas atividades a serviço da Igreja e do mundo”. Igualmente o Rev. Ishmael Noko, secretário-geral da Federação Luterana Mundial. Frei Alois, sucessor de Frei Roger Schutz, fundador da Comunidade ecumênica de Taizé, em uma carta, recorda a profunda comunhão entre o Prior e Chiara Lubich. Votos e manifestações de oração foram enviados pelo secretário-geral da Conferência Mundial das Religiões pela Paz (WCRP), Dr. William Vendley, por amigos judeus, entre estes rabinos e personalidades de Israel, Argentina e Estados Unidos. O rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, fez votos de que “o seu corpo seja forte como o seu espírito e possa superar esta crise”. Amigos muçulmanos, hindus e budistas, de vários países, rezam por Chiara, entre eles líderes de movimentos e organizações. Muitos afro-americanos, juntamente com o seu líder, o imã W. D. Mohammed e o imã Pasha, da mesquita de Harlem (Nova York); Didi Athawale, Presidente do movimento Swadhyaya, assegura “orações especiais”. Entre os budistas, Nichiko Niwano, Presidente do Movimento japonês Rissho Kosei-kai, invoca “a bênção de Deus e de Buda”, a fim de que – escreve – “a sua liderança continue a ser um farol de esperança para milhões de homens no mundo”.
