1 Fev 2005 | Palavra de Vida, Sem categoria
Durante a Quaresma a Igreja nos lembra que a nossa vida é um caminho rumo à Páscoa, ocasião em que Jesus, com a sua morte e ressurreição, nos introduz na verdadeira vida, preparando-nos para o encontro com Deus. Um caminho que não é isento de dificuldades e de provações, comparável a uma travessia do deserto.
Foi justamente no deserto que o povo de Israel, enquanto se encaminhava para a terra prometida, abandonou por um momento o seu Deus e adorou o bezerro de ouro.
Também Jesus esteve no deserto durante quarenta dias e também Ele foi tentado por Satanás a adorar o sucesso e o poder; mas rompeu radicalmente com toda bajulação do mal e se orientou com decisão ao Único Bem:
“Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto.”
O que aconteceu com o povo judeu e com Jesus acontece também conosco, no nosso dia-a-dia. Não faltam as tentações de nos desviarmos por caminhos mais fáceis: somos tentados a procurar a nossa alegria e a depositar a nossa segurança na eficiência, na beleza, no divertimento, na posse, no poder…, realidades que, em si, são positivas, mas que podem ser absolutizadas e que a sociedade muitas vezes propõe como verdadeiros ídolos.
E quando não se reconhece e não se adora Deus, inevitavelmente aparecem outros “deuses”. Basta ver quantas pessoas recorrem ao culto da astrologia, da magia etc.
Jesus nos lembra que nós alcançamos a plenitude do nosso ser não buscando essas coisas que passam, mas nos colocando diante de Deus, do qual tudo provém, e reconhecendo-o por aquilo que Ele realmente é: o Criador, o Senhor da história, o nosso Tudo, Deus!
Se é verdade que o louvaremos sem cessar no Céu, para onde caminhamos, por que não podemos antecipar desde já o nosso louvor a Ele?
Quantas vezes também nós sentimos uma sede de permanecer em adoração, como quando o louvamos no fundo do nosso coração, no silêncio dos sacrários, onde é viva a sua presença, e na festiva assembléia eucarística!
“Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto.”
Mas o que significa “adorar” a Deus? É uma atitude que só podemos ter para com Ele.
Adorar significa dizer a Deus: “Tu és tudo”, ou seja: “És aquele que é”; e eu tenho o privilégio imenso do dom da vida para reconhecer isto.
Adorar significa também acrescentar “eu sou nada”, dizendo isso não só com as palavras: pois, para adorar a Deus, precisamos anular a nós mesmos e fazer com que Ele triunfe em nós e no mundo. Isso implica uma constante demolição dos falsos ídolos que somos tentados a construir na nossa vida.
No entanto, a atitude mais segura para chegar à proclamação existencial do nada que somos e do tudo que é Deus é inteiramente positiva: para anular os nossos pensamentos, basta pensar em Deus e ter os seus pensamentos, que nos são revelados pelo Evangelho; para anular a nossa vontade, basta cumprir a sua vontade que nos é indicada no momento presente; para anular os nossos afetos desordenados, basta ter no coração o amor para com Ele e amar os nossos próximos, compartilhando seus anseios, sofrimentos, problemas, alegrias.
Se formos sempre “amor”, seremos, sem perceber, “nada” para nós mesmos. E quando vivemos o nosso nada, afirmamos com a nossa vida a superioridade de Deus, o fato de Ele ser tudo, abrindo-nos assim à verdadeira adoração de Deus.
“Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto.”
Muitos anos atrás, quando descobrimos que adorar Deus significava proclamar o tudo Dele sobre o nosso nada, compusemos uma canção que dizia: “Se lá no céu se apagam as estrelas, / Se cada dia morre, / Se no mar a onda se perde e não retorna / É pra tua glória. / A natureza canta a ti: / Tudo és! / E cada coisa diz a si: / Nada sou!”.
Anulando-nos por amor encontrávamos como resultado o nosso nada preenchido pelo Tudo, Deus, que entrava no nosso coração.
Chiara Lubich
24 Jan 2005 | Sem categoria
Entre as muitas iniciativas que florescem, por obra das várias expressões do Movimento dos Focolares, seja nos países atingidos que no mundo inteiro, sobretudo entre os jovens partiu uma gara de amor. Alguns flashes: Milão Os jovens participaram de uma marcha com tochas, organizada pela Associação Arco-íris, um centro para estrangeiros administrado por pessoas do Movimento dos Focolares, com a participação muito significativa da comunidade do Sri Lanka que vive naquela região da Lombardia, marcada por muitos lutos por causa do maremoto. A manifestação teve sua conclusão na praça da catedral, onde falaram representantes budistas e cristãos da comunidade local. Foi muito tocante o testemunho de um membro italiano da Associação Arco-íris, que quis agradecer o povo singalês pela sua generosidade: sua filha e o seu genro estavam em viagens de núpcias naquelas praias e foram salvos do tsunami, por milagre, pelas pessoas do lugar, que arriscaram a própria vida para salvar a vida daquele grupo de 20 turistas, entre os quais estavam eles. Alemanha O Movimento Schoënstatt e algumas comunidades da Igreja evangélica-luterana se uniram às iniciativas do Movimento dos Focolares, para fazer chegar também as próprias ajudas através dos contatos diretos que os Focolares têm nas regiões atingidas. Time-Out Cada dia, ao meio-dia (horário italiano), os membros do Movimento, no mundo inteiro, fazem um minuto de silêncio e de oração pela paz. Esta iniciativa, que nasceu nos anos 90, devido à primeira guerra no Golfo, tem hoje como primeira intenção da oração, justamente as vítimas da Ásia. Oração As vigílias de oração foram muitas, com coleta de fundos: a última, cronologicamente, foi em 18 de janeiro deste, em Grottaferrata (Roma), simultaneamente com o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (na Europa), na qual o Movimento é sempre ativo com muitas iniciativas em campo ecumênico. Festas Natalícias e do Ano Novo Como ocorreu no mudo inteiro, também os jovens colheram a ocasião das Festas Natalícias e do Ano Novo para recolher fundos em favor das populações atingidas. Alguns exemplos da Itália:
- Loppiano: a coleta de fundos da tradicional Festa do Ano Novo foi destinado às vítimas do tsunami (€ 2.100).
- Ancona: “Meias da Fada” é o nome da iniciativa dos ‘Jovens por um Mundo Unido’, uma coleta de fundos através da vendas nas paróquias pelo tradicional 6 de janeiro.
- Passeios turísticos, como em Anagni, ou bingo com pequenos e grandes, como em S. Anastasia.
23 Jan 2005 | Sem categoria
O encontro “Juntos pela Europa”, realizado em maio passado, em Stuttgart (Alemanha), significou não apenas um ponto culminante no caminho de comunhão já iniciado entre mais de 150 movimentos, comunidades e grupos católicos, evangélico-luteranos e ortodoxos, mas tornou visível a riqueza da fé cristã nas diferentes Igrejas. Nos meses que se seguiram, não faltaram as ocasiões para reencontrar-se e trabalhar juntos, enquanto já prosseguem os preparativos para um novo encontro mundial. Esta semana é uma oportunidade de abrir uma janela sobre o mundo ortodoxo, anglicano e evangélico-luterano, a partir de três realidades presentes em Stuttgart e que encontram-se difundidas em todo o mundo: a fraternidade ortodoxa Syndesmos, o Curso-Alpha, nascido em uma paróquia anglicana e a ACM, associação juvenil de origem européia e muito difundida na Alemanha. Syndesmos (“liame de unidade”) fraternidade existente desde 1953, reúne 121 escolas teológicas e movimentos juvenis ortodoxos, em 43 nações. A sua finalidade específica é desenvolver a colaboração e a comunicação entre os movimentos juvenis ortodoxos e as faculdades teológicas espalhadas pelo mundo, e promover entre eles uma compreensão mais profunda e o empenho de testemunhar o Evangelho no século XXI. Curso-Alpha, nascido nos anos 70, é ministrado em 152 países, e traduzido em 47 línguas. Dirige-se a todas as categorias sociais e suscita interesse especialmente entre os jovens e quem não se define cristão; baseia-se no Evangelho e tem a duração de 10 semanas. Oferece àqueles que desejam uma primeira aproximação à fé cristã. ACM, Associação Cristã de Moços, nasceu em Londres em 1844 e hoje está espalhada em todo o mundo; o seu objetivo é trabalhar pela transformação social, formando os jovens como cristãos, inclusive através do esporte e outras atividades educativas; realiza serviços aos refugiados e imigrantes.
23 Jan 2005 | Sem categoria
A igreja ortodoxa na província oriental da Finlândia, Carelia, possui mil anos de história. Por causa da segunda guerra mundial a Finlândia perdeu quase todas as terras tradicionalmente ortodoxas, a maior parte dos 80 mil ortodoxos tornaram-se refugiados.
Muitos movimentos da juventude ortodoxa tiveram início de modo espontâneo, e milagroso, durante a guerra ou imediatamente após o seu término.
O Movimento da Juventude Ortodoxa da Finlândia teve um papel determinante para a sobrevivência desta igreja, como um ponto chave na ajuda para reunir as pessoas para a divina liturgia, para os grupos de estudo e os acampamentos, e ainda na formação de comunidades eucarísticas que – em alguns casos – tornaram-se as novas paróquias em todo o país.
A igreja tornou-se o ponto central da vida e do serviço do Movimento da Juventude. A renovação evangélica da vida da igreja foi iniciada, com vários meios, pelo movimento da juventude ortodoxa. Alegria e entusiasmo na liturgia foram definidos com a expressão “santificar o tempo”.
Esta renovação litúrgica foi acompanhada por um interesse pelos escritos ascéticos dos Pais e Mães do deserto. Foi um convite a uma espiritualidade de amor ao bem e à beleza. E foi também uma descoberta da universalidade da fé cristã ortodoxa. A pequena minoria ortodoxa finlandesa não estava sozinha no mundo.
Através dos contatos dentro do Syndesmos, que é a Fraternidade mundial dos 126 movimentos da juventude ortodoxa redescobrimos a nossa fraternidade em Cristo. Desta forma foi reforçada a nossa identidade o que permitiu, a nós que éramos uma minoria, envolver-nos ecumenicamente: entendemos que aquilo que é um desafio para uma igreja é também para as outras, e o que é uma benção para uma igreja o é também para as outras.
Heikki Huttunen – Outi Vasko
Extraído de “Juntos pela Europa” – o grande encontro de Stuttgart entre movimentos e comunidades de várias igrejas cristãs – suplemento da revista italiana Città Nuova N. 10/2004
23 Jan 2005 | Sem categoria
Não recebi uma educação cristã. Meu pai era um hebreu alemão. Minha mãe não freqüentava a igreja. Eu conheci a fé em Jesus quando tinha 18 anos e desde então tive o desejo de falar dele a pessoas como eu. É a isto que a Alpha se propõe. Dirige-se de maneira especial a pessoas que não freqüentam a igreja, àqueles que não se definem cristãos.
O Curso Alpha se fundamenta no Evangelho, desenvolve-se durante 10 semanas e compreende uma refeição em comum, uma palestra e a constituição de pequenos grupos. Temos uma impressão muito positiva de tudo o que tem acontecido nos últimos 11 anos O Curso Alpha é ministrado em 152 países e em 30 mil paróquias. Foi traduzido em 47 línguas e dirige-se a todas as categorias sociais. Das 160 prisões existentes no Reino Unido 124, ou seja 80%, hospedam cerca de 70 mil detentos. Segundo as nossas estatísticas 30 mil deles já participaram de um curso Alpha. Há um grande interesse por parte dos jovens. O curso é utilizado por muitas igrejas, reunindo os cristãos na sua missão de evangelização, e é sustentado por líderes das maiores igrejas cristãs. Durante o curso, que centraliza-se sobre a figura de Cristo, ensinamos aquilo que nos une enquanto cristãos. Entendemos que aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos divide. Nicky Gumbel – Londres Extraído de “Juntos pela Europa” – o grande encontro de Stuttgart entre movimentos e comunidades de várias igrejas cristãs – suplemento da revista italiana Città Nuova N. 10/2004 (24-01-2005