Movimento dos Focolares

Chiara Lubich: deixar a luz de Deus irradiar

A vida cristã vivida também nos dias de hoje é uma luz para conduzir as pessoas a Deus. As pessoas que têm fé, individualmente e em comunidade, possuem uma missão a cumprir, como Chiara Lubich explica nesta passagem: revelar, através de sua vida, a presença de Deus, que se manifesta onde dois ou três estão unidos em seu nome, uma presença prometida à Igreja até o fim dos tempos. O cristão não pode fugir do mundo, esconder-se, ou considerar a religião um assunto privado. Ele vive no mundo porque tem uma responsabilidade, uma missão diante de todos os homens: ser a luz que ilumina. Você também tem esta missão, e se não a cumprir, sua inutilidade é como a do sal que perdeu seu sabor, ou a da luz que se tornou uma sombra. (…) A luz se manifesta nas “boas obras”. Ela resplandece através das boas obras que os cristãos realizam. Você me dirá: mas não só os cristãos praticam boas obras. Outros colaboram para o progresso, constroem casas, promovem a justiça… Tem razão. O cristão certamente faz e deve fazer tudo isso, mas não é somente essa sua função específica. Ele deve praticar boas obras com um novo espírito, aquele espírito que faz de modo que não seja mais ele que vive, mas Cristo nele. (…) Se o cristão agir assim, ele é “transparente” e o reconhecimento que lhe será atribuído por aquilo que faz não chegará a ele, mas a Cristo nele, e Deus, através dele, estará presente no mundo. A tarefa do cristão, portanto, é deixar transparecer esta luz que habita nele, ser o “sinal” desta presença de Deus entre os homens. (…) Se as boas obras do indivíduo que crê têm esta característica, a comunidade cristã no meio do mundo também deve ter a mesma função específica: revelar através de sua vida a presença de Deus, que se manifesta onde dois ou três estão unidos em seu nome, uma presença prometida à Igreja até o fim dos tempos.

Chiara Lubich

Chiara Lubich, in Parole di Vita, a cura di Fabio Ciardi, Opere di Chiara Lubich, Città Nuova, 2017, pag. 145

Evangelho vivido: Viemos aqui para adorá-lo (Mt 2,2

Seguir a Estrela que leva ao Menino Jesus e tornar-se peregrino. Seguindo o exemplo dos Reis Magos, este tempo é uma oportunidade preciosa para retomarmos o caminho juntos novamente, testemunhando todos os dias a cada próximo a maravilha que habita naquela gruta e vem para renovar todas as coisas. O positivo na mudança Ao rever a vida de um ano inteiro marcado pela pandemia inesperada, tenho a impressão de estar assistindo a um filme de ação que nos abalou um pouco a todos, pais e filhos. Ter que mudar os planos e o ritmo de vida tem sido muitas vezes difícil e cansativo, mas também é verdade que trouxe uma lufada de ar fresco para nossa família. Tomamos consciência de novas maneiras de nos relacionarmos uns com os outros, de necessidades que não havíamos considerado anteriormente. Se a fé tivesse sido um tabu com nossos filhos, aqui estamos agora diante de nossas próprias fragilidades, com temores de dimensões planetárias e com perguntas que antes ficavam sem resposta. A verdadeira mudança, porém, começou quando nos perguntamos sobre o significado do que estava acontecendo. Acostumados a ter respostas para cada pergunta, desta vez ficamos perplexos com o desconhecido. Em resumo, nos encontramos mais solidários não apenas uns com os outros na família, mas também com os outros que não são da família. Encontramo-nos por considerar a humanidade como uma só família. (R.F. – França) Amor entre os reclusos Faço trabalho voluntário na prisão de minha cidade e, junto com outros voluntários cuido do “Projeto de leitura Città Nuova” (n.d.T. Cidade Nova), no qual muitos prisioneiros participam todas as semanas. Um deles parecia arrependido por não poder se aproximar da Eucaristia porque não tinha formação catequética, por isso sugeri que o preparasse. Feliz, ele me agradeceu e junto com o capelão elaboramos um programa para as aulas. Espontaneamente, alguns outros detentos se juntaram a ele. Em poucos meses, estávamos prontos e, na data escolhida para receber o Sacramento, para minha grande surpresa, a igreja estava cheia: meus companheiros de seção, que raramente assistem aos cultos religiosos, vieram à missa, bem vestidos. E não apenas isso: buscando lembranças da infância, eles cuidaram das canções, das leituras e das orações dos fiéis. Entusiasmados como todos nós, eles desfrutaram da atmosfera familiar que foi criada, onde ninguém se sentia só. (Antonietta – Itália) De joelhos Ele vive sozinho em um casebre sujo, é semiparalisado e está reduzido a pele e ossos. Deve ter pouco mais de 60 anos de idade, mas parece muito mais velho. Tinha abandonado a fé e os sacramentos há anos, e na primeira vez que fui levar-lhe comida e roupas, sugeri que rezássemos juntos. Ele não podia mais se lembrar do Pai Nosso, só conhecia a Ave Maria. Quando saí, pedi-lhe uma bênção, mesmo sendo mais jovem do que ele, um estrangeiro e, aos seus olhos, um estrangeiro rico. Levantei a sua mão paralisada e com ela marquei a cruz na minha cabeça. Aquele pobre homem, olhou para mim com os olhos cheios de alegria, surpresa e lágrimas. Nosso compromisso agora se tornou um compromisso semanal. Cada vez rezamos juntos algumas orações que lhe vêm à mente. Ele as recita em voz alta. A única maneira de me aproximar dele é ajoelhar ao lado de sua cama, e enquanto isso penso: “Aqui estou eu, Senhor, ajoelhado diante de Ti”. (L.B. – Tailândia)

Por Maria Grazia Berretta

(extraído de Il Vangelo del Giorno, Città Nuova, ano VIII, nº 1, janeiro-fevereiro 2022)

Obrigado Palmira

Hoje, dia 5 de Janeiro de 2022, Palmira Frizzera, uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, deixou-nos. Nascida em Terlago (Trento- Itália) a 9 de Abril de 1927, Palmira Frizzera conheceu Chiara Lubich em 1945 em Trento, na casa da Piazza Cappuccini, que se tornará o primeiro focolare. Aqui, ela ficou impressionada com o ideal da “fraternidade universal” e decidiu segui-la. Em 1947 juntou-se ao focolare em Trento, onde permaneceu durante vários anos antes de se mudar para a Sicília, Turim e depois Roma. Viveu na Cittadella Foco de Montet (Broye, Suíça) durante mais de 40 anos, onde desempenhou o papel de responsável,  seguindo a formação das futuras focolarinas. https://www.youtube.com/watch?v=hlO6Y3mLovM&list=PLKhiBjTNojHoPfT9syIwfyLI4sPeqBV0P&index=5

AMAZÔNIA: Um percurso que começa

Em Parintins, no coração da floresta amazônica, foi lançado o projeto “Protegendo a Infância e a Adolescência” para prevenir a violência contra menores, destinado a crianças, pais, educadores e professores. https://www.youtube.com/watch?v=krkI98MGJzw

Chipre e Grécia, laboratórios de acolhimento e fraternidade

Chipre e Grécia, laboratórios de acolhimento e fraternidade

O que a visita de Papa Francisco à Grécia e ao Chipre deixou, após um mês? Perguntamos à comunidade dos Focolares dos dois países. Um mês após a viagem de Francisco à Grécia e Chipre, este quadrante do globo continua no centro das atenções internacionais. Entre as notícias desses dias lemos a história de esperança de Grace Enjei, uma jovem de 24 anos da República dos Camarões que, graças à visita do Papa e à ajuda da Comunidade de Santo Egídio, da “terra de ninguém” (no men’s land) no Chipre, chegou a Roma junto com outros 10 imigrantes, requerentes de asilo; mas também tomamos conhecimento de mais um dos inúmeros naufrágios no Mar Egeu, no dia de Natal, no qual 13 imigrantes perderam a vida. Grécia e Chipre. Dois países com uma população relativamente pequena (os católicos são uma minoria religiosa), mas que refletem as principais crises globais: desde as fortes correntes migratórias até a crise financeira e sanitária. De modo particular, sofrem com as preocupantes repercussões políticas de seus vizinhos de casa, os turcos. Perguntamos à comunidade dos Focolares destes países que marca deixou essa jornada apostólica, que passos devem ser dados em direção à paz e a uma convivência mais humana para todos. Lina Mikellidou, ortodoxa e responsável pela comunidade dos Focolares no Chipre, não tem dúvidas: “Quando o Papa Francisco disse que precisamos fazer desta ilha ‘um laboratório de fraternidade’, ele acertou no alvo. O Chipre é ocupado pelos turcos desde 1974 e a capital Nicósia é a última cidade europeia a ser dividida por arame farpado. As tentativas de recompor estas fraturas não produziram resultados concretos, apesar dos esforços, nos últimos anos, da comunidade internacional e dos dois lados. Penso que é necessário desenvolver ou fortalecer plataformas, lugares de diálogo entre as diferentes realidades existentes no Chipre, ou seja, entre cristãos de diferentes denominações (como armênios, latinos, maronitas e ortodoxos) e com muçulmanos. Depois, é necessário também cultivar o espírito de “unidade na diversidade” entre as duas Igrejas irmãs, a Católica e a Ortodoxa. Enfim, há a questão dos migrantes. O número deles não é sustentável para nosso país, tanto do ponto de vista logístico quanto econômico. Meu povo é conhecido por sua generosidade e espírito de acolhida. Já fizemos muito pelos refugiados, mas certamente podemos melhorar, tentando aumentar a conscientização, encontrando recursos financeiros e estruturas para garantir que estes nossos irmãos vivam em condições mais humanas e dignas. “O Papa nos encorajou a ter uma nova visão”, concluiu Lina, “uma atenção viva às questões cruciais como os migrantes e o diálogo ecumênico”. A aspiração à unidade de Papa Francisco e do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Sua Beatitude Bartolomeu, nos dá uma grande esperança: uma relação fraterna, feita de gestos concretos e de diálogo profundo”. Alexandros Oshana, um jovem de Atenas da comunidade local dos Focolares, afirma que o caminho para o diálogo ecumênico ainda é longo: “Neste sentido”, ele disse, “a visita do Papa ofereceu a possibilidade de um novo início”. Em seus discursos, ele usava frequentemente as palavras ‘unidade’, ‘fraternidade’, ‘diálogo’. O Papa augurou uma Igreja inclusiva, aberta a todos aqueles que sofrem. Francisco expressou 100% todos nós gregos-católicos, a nossa intenção de estarmos mais próximos aos nossos irmãos e irmãs ortodoxos e de nos sentirmos, antes de tudo, cristãos”. A este propósito, o exemplo que o Papa Francisco quis dar, por primeiro, não escapou à atenção de ninguém. Para enfatizar que a unidade só é possível através de um ato completo de humildade ele, mais uma vez, pediu perdão ao arcebispo ortodoxo Ieronimos pelos erros cometidos pelos católicos, no passado, contra os ortodoxos. O próprio arcebispo disse que tinha certeza de que seria possível “libertar-se dos fardos do passado, especialmente aqueles ligados aos eventos da guerra da independência grega”. Como sinal de fraternidade, ele também disse que gostaria de se unir a Francisco “no imenso desafio” relativo ao destino dos migrantes e de querer empreender “uma ação em comum a favor do meio ambiente”.

Lorenzo Russo com a colaboração da comunidade dos Focolares da Grécia e Chipre 

Chiara Lubich: construir relacionamentos novos

No dia 1º de janeiro, por ocasião do 55º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco declarou em sua mensagem que “Diálogo significa ouvir um ao outro, confrontar-se, entrar em acordo e caminhar juntos”. Promover tudo isso entre as gerações significa lavrar o solo duro e estéril do conflito e do desperdício para cultivar as sementes de uma paz duradoura e compartilhada”. No seguinte trecho, Chiara Lubich também nos convida a estabelecer relações de diálogo a fim de alcançar a verdadeira paz. Jesus veio para construir um relacionamento totalmente novo entre as pessoas: entre homens e mulheres, entre rapazes e moças, entre marido e mulher, entre pais e filhos, professores e alunos, operários e patrões, subordinados e dirigentes, entre cidadãos e governantes, entre raças, povos e Países diferentes. Jesus quer edificar uma nova ordem social baseada na justiça, no respeito e na verdadeira fraternidade humana. Ele quer nos doar, como indivíduos e como coletividade, a verdadeira paz, aquela paz divina que só ele pode dar. Porém, para que isto aconteça, é preciso segui-lo, mesmo se à primeira vista nos possa parecer exigente demais. Mesmo assim é necessário viver a sua palavra, cada um na condição de vida para a qual foi chamado.

Chiara Lubich

(Chiara Lubich, in Parole di Vita, a cura di Fabio Ciardi, Opere di Chiara Lubich, Città Nuova, 2017, pag. 362)