22 Nov 2021 | Sem categoria
Se procurarmos melhorar a cada dia, também nós podemos ser construtores de paz como a Palavra de Vida nos convida a fazer neste mês de novembro de 2021. Nós miramos – é isso que o nosso ideal quer – à unidade do mundo. E rezamos para isso (para que paz reine em toda terra) todos os dias no time-out. Ora, um dos meios que temos para alcançá-la é envolver nesse objetivo (a unidade e, portanto, a paz) o maior número possível de pessoas, justamente enquanto fiéis de uma religião; é o nosso terceiro diálogo. Assim, neste mês, eu convidaria a reavivar o relacionamento com eles. Fiéis das mais variadas religiões estão presentes praticamente em toda parte. Sem dúvida, é sempre uma revolução o que a vontade de Deus nos pede. Sabemos que nesse campo, atrás de nós, existem séculos de imobilismo e, muitas vezes de hostilidade. Trata-se de empreender uma luta pela paz, e para isso é necessário nos preparar, premunir-se. Por isso gostaria de sugerir, em primeiro lugar, a mim mesma, e depois a todos vocês, alguma coisa que nos ajude nas próximas semanas a ter algum subsídio a mais, a incrementar aquilo que já fazíamos, a sermos mais vigilantes que antes, a crescermos continuamente para não esmorecermos. Sabemos que, quem não progride, regride. Gostaria de sugerir alguma coisa que nos ajude a melhorar cada dia mais na vivência do nosso ideal. Esta ideia poderia consistir em dizer a nós mesmos, antes de cada ação que realizamos: “Hoje melhor do que ontem”. Muitas ações em nossa vida são, de alguma forma, repetitivas: rezamos todos os dias, comemos todos os dias, passeamos, estudamos, trabalhamos, encontramos outras pessoas, dormimos, cuidamos da casa, repousamos, etc. Pois bem, antes de cada ação digamos: “Melhor do que ontem”. E procuremos agir coerentemente. Seremos assim como Deus nos quer. Somos um Movimento e não nos é permitido parar. Teremos graças abundantes e será mais fácil realizarmos a tarefa específica deste mês: levar em grande consideração os fiéis de outras religiões e colaborar com eles para a paz e para a unidade do mundo.
Chiara Lubich
(Chiara Lubich, in Conversazioni in collegamento telefonico, a cura di Michel Vandeleene, Opere di Chiara Lubich, Città Nuova, 2019, pagg. 425-426)
19 Nov 2021 | Sem categoria
Muitas luzes no pesadelo da Covid na Índia e no Nepal: uma rede de ajuda ativada para fornecer oxigênio aos hospitais da cidade indiana de Mumbai e a história de um pai que conseguiu se curar graças a esse oxigênio; os jovens do Movimento dos Focolares que fornecem refeições para cerca de 100 famílias indianas; a comunidade do Movimento do Nepal que, graças à ajuda recebida, fornece alimentos, material escolar, remédios e ajuda econômica a pessoas em dificuldades. https://vimeo.com/619796446
18 Nov 2021 | Sem categoria
Em várias partes do mundo, inclusive neste ano, realizaram-se as Mariápolis, ou “Cidade de Maria”, que desde o início do Movimento dos Focolares reúnem, por alguns dias, pessoas das mais variadas proveniências, aquelas que querem conhecer o espírito e o estilo de vida do Movimento, encorajando-as a viver em um laboratório de fraternidade universal. “Éramos de várias partes da França e muitos expressaram a sua alegria em reencontrar os relacionamentos “de visu” e redescobrir que a unidade pode ser vivida não obstante o futuro incerto”. Com estas palavras, os e as focolarinas da França contam sobre os dias vividos na Mariápolis de Ressins. O encontro foi presencial e trouxe muita alegria rever-se depois do longo período da Covid. “Tomar impulso… para viver a fraternidade hoje”, foi o título do evento que contou com mais de 300 pessoas. Também na Eslovênia, a Mariápolis intitulada “O amor – remédio para tudo”, foi presencial, com 200 participantes. “Passeando com os filhos – conta Bárbara, presente no evento com seus três filhos pequenos, e que um ano atrás soube possuir um câncer – sentia a voz de Jesus que me dizia: ‘Não lhe mandei essa doença porque não te amo, mas porque te amo ainda mais’”. A doença suscitou um grande amor entre ela e seu marido, e a extraordinária confiança deles em Deus. As palavras de Chiara Lubich e as experiências contadas ajudaram a descobrir a preciosidade dos relacionamentos construídos por amor.
No Paraguai a Mariápolis foi online. Os “gritos da humanidade que sofre”, o “grito da criação” e “os gritos das novas gerações” foram os temas abordados. “Pudemos considerar as desigualdades e intolerâncias da nossa sociedade e de que maneira podemos responder a estes gritos de sofrimento”, conta Silvia. A alegria da Mariápolis foi sentida não só pelos paraguaios, mas por pessoas de várias partes do mundo que participaram. Na região de São Paulo, no Brasil, a Mariápolis com o título “Nova cultura, estabelecendo diálogos”, foi online, com mais de 1300 pessoas conectadas e um número superior a 4000 visualizações no Youtube. Algumas impressões: “A temática
da ecologia, com a apresentação do Dado da Terra, alargou a minha visão de como cuidar e melhorar a nossa casa comum”. “O que me aconteceu hoje faz ver a ação de Deus. Levantei-me feliz e pronta para amar mais! Fui ao mercado e na saída encontrei minha irmã, com quem eu não falava há 10 anos. Pensava que não conseguiria perdoá-la, mas, ao contrário, disse o meu sim a Jesus e fui falar com ela”. Na Venezuela a Mariápolis foi definida “um oásis no deserto”, por causa da Covid e da incerteza pelo futuro. Escrevem da comunidade local: “Preencheu-nos de esperança e reforçou em nossos corações o reconhecer-nos como família de Chiara”. “Prometo me tornar um super-herói que sempre cuidará do planeta – disse um menino de 9 anos -, ajudarei todas as pessoas e serei um bom cidadão, dando o exemplo com a minha vida e fazendo sempre o bem”. Uma senhora, que havia contraído a Covid e que acompanhou de seu leito, contou: “Eis-me aqui! Eu também estou presente… a melhor experiência que podia viver neste momento é sentir-me circundada pelo amor de Deus, por meio de todos vocês”.
Lorenzo Russo
17 Nov 2021 | Sem categoria
Como um canteiro sempre aberto onde cada um é chamado a “construir”. Essa é a paz, e não somente a ausência de guerra ou um conceito abstrato. É algo a ser construído em conjunto, enfrentando todas as dificuldades e partindo do nosso pequeno gesto. Um novo Rob Rob saiu de casa depois de uma briga que parecia ter colocado fim ao nosso casamento. Passaram-se dois anos desde que partiu, e não ouvi notícias suas a não ser alguma coisa que os pais dele me contavam: estava fazendo testes para filmes e começando a entrar no mundo cinematográfico. Quando voltou da Itália desiludido e sem nenhum tostão, parecia um cachorro sem dono. Chorando, me pediu perdão. Aquele homem que eu havia amado, estimado, escolhido como companheiro de vida parecia agora um estranho, um falido para mim. Onde foi parar a sua impetuosidade? E a beleza que era o seu orgulho? Quanto a mim, durante o período de afastamento do meu marido, me aproximei da fé e comecei a organizar a vida sobre valores que eu estava negligenciando. Quando ele voltou, tive a impressão de que Deus estivesse colocando a minha fé à prova. Saí fortificada. Atualmente, ele também encontrou não só uma nova paz, mas estamos descobrindo juntos um novo modo de viver. Só agora parece que comecei a conhecer um novo Rob. (R. H. – Suíça) Construtores de unidade Durante uma reunião de trabalho online, no meu grupo formado por membros de diversos países, depois das várias apresentações, alguém se atreveu de forma imprudente a fazer definições alheias segundo as “cores” políticas com tons de nacionalismo e fascismo. A tensão criada acabou em uma troca de palavras ofensivas. Como jornalista que já viajou tanto e também estudou a história dos países em questão, meu parecer era bem diferente do daqueles que se baseavam no “ouvi dizer” e no que a mídia retrata. Naquele dia, a sessão foi verdadeiramente um fracasso. No dia seguinte, me preparando para um outro grupo de trabalho, me dispus a evidenciar em cada participante somente os elementos que constroem e não aqueles que dividem. A coisa foi diferente, tanto que, quando foi a minha vez de falar, todos se sentiram valorizados. Tiro daqui uma reflexão: podemos nos tornar, cúmplices da desunião, mesmo só ficando calados, ou elementos construtivos e unificadores. Custa caro a realização do sonho de Jesus: “Que todos sejam um”. (G.M. – Hungria) No silêncio No hospital, eu tinha de dar o plantão noturno com outro médico. Ele era cristão não praticante e, ao me ver participando da missa quase todos os dias, muitas vezes zombava de mim. Nosso turno durava a noite inteira, mas ele já me deixava no fim da tarde e isso significava muito mais trabalho para mim. Apesar disso, procurei manter uma postura aberta com relação a ele, sem julgar, por um mês, dois… Um dia, ele expressou o desejo de ir à missa comigo (“Nesses meses, aprendi muitas coisas com o seu modo de amar em silêncio”). Desde então, não só faz o seu turno até o fim, como se preocupa para que eu não me canse tanto durante a noite. (Bashar – Iraque)
Por Maria Grazia Berretta
(trecho de Il Vangelo del Giorno, Città Nuova, ano VII, nº4, novembro-dezembro de 2021)
16 Nov 2021 | Sem categoria
Um entrega especial, uma atividade alternativa que a Espiga Dourada, uma panificação situada nos arredores da Mariápolis Ginetta, São Paulo – Brasil, criou para garantir seu serviço quotidiano mesmo em tempos de pandemia. “Esta emergência realmente mudou tudo, mas, ao mesmo tempo, nos deu uma nova visão, diferente, eu acrescentaria, muito mais bonita, mais livre. Constatamos as novas necessidades das pessoas”. Estas são as palavras de Adriana Valle, uma focolarina italiana transferida para o Brasil há 41 anos, na Mariápolis Ginetta, Mariápolis permanente do Movimento dos Focolares, próxima a São Paulo. Adriana é responsável pela Espiga Dourada, uma atividade comercial iniciada em 1988 no acostamento da estrada e só mais tarde transformada em uma verdadeira panificação. Hoje, como naquela época, este lugar oferece a seus clientes muito mais que apenas pão: serve de referência para todos aqueles que desejam é uma missão que nem mesmo a Covid conseguiu frear. “A pandemia chegou tão de repente que jogou para o ar todos os nossos planos”, continua Adriana. Embora fôssemos uma das poucas atividades que poderia permanecer em funcionamento, as novas diretrizes não nos permitiam executar o nosso trabalho como de costume. Não conseguíamos nos aproximar das pessoas, servir às mesas, e o cliente só podia entrar para adquirir o pão rapidamente, privando-se de uma breve conversa”. “Muitas pessoas não saiam mais de casa, então nos perguntamos o que poderíamos fazer por aquelas pessoas, para levar nossos produtos e nossa presença a elas em um momento tão difícil. Foi assim que nasceu a ideia de criar uma entrega em domicílio. Engajamos um membro do Movimento dos Focolares que estava desempregado na época, e com uma pequena van começamos as entregas. Houve uma enxurrada de pedidos. Começamos a criar produtos novos, a possibilidade de uma refeição quente, caixas com produtos de primeira necessidade e percebemos que quando as pessoas as recebiam, ficavam felizes. Além disso, graças à Providência, sempre conseguimos superar a crise econômica e isto nos permitiu manter o nosso quadro de funcionários”. Que tipo de experiências você viveu durante este período? “Nós testemunhamos verdadeiros milagres de amor em tempos de pandemia. No Dia das Mães do ano passado, ainda era proibido encontrar-nos, deste modo recebemos inúmeras encomendas dos filhos de nossos clientes que, impossibilitados de visitar suas mães, queriam enviar-lhes cestas de presentes. Conhecendo os gostos das pessoas, preparamos encomendas personalizadas e acompanhadas por cartões de felicitações. Naquela época trabalhávamos dia e noite e o mesmo aconteceu no período de Natal. Preencher a solidão das pessoas, ainda que com um simples sorriso, não tem preço. A pandemia também nos permitiu conhecer mais nossos funcionários. Muitos utilizavam o transporte público para se deslocar ao trabalho e isto era um risco real para a saúde. Assim, alguns jovens e focolarinos se ofereceram para buscá-los de manhã e levá-los para casa à noite. Uma maravilhosa rede de ajuda foi criada e, através deste serviço, à medida que conhecíamos o seu quotidiano, nos tornamos também conscientes de algumas das dificuldades que aqueles funcionários estavam vivendo. Empenhamo-nos em ajudar, como se faz em uma família, e isto realmente envolveu a todos. Até mesmo um de nossos clientes, sem referência religiosa, sabendo das dificuldades de algumas pessoas que nós conhecemos, todos os meses nos deixa pequenas doações, e é assim que aos poucos, a massa continua crescendo e este fermento, que é o amor, continua aumentando”. Adriana, o que a Espiga Dourada representa para você hoje? “Este lugar nasceu da vontade do povo e aqui todos podem sempre se sentir em casa”. Este local é um lugar de passagem para tantas pessoas de todas as classes sociais: empresários, pessoas ricas, mas também, trabalhadores, homens e mulheres simples. Todos entram aqui, e quase nunca só para comprar alguma coisa. Às vezes eles vêm para receber um bom dia, para conversar, para pedir ajuda. As pessoas mais pobres vêm ao alvorecer para buscar o pão do dia anterior, que nós doamos, enquanto aqueles que têm mais possibilidades às vezes deixam uma pequena contribuição”.
Maria Grazia Berretta
Veja também: Brasil: As “meninas do pão”
15 Nov 2021 | Sem categoria
Estabelecer relacionamentos que conduzem à paz é algo revolucionário. A paz é um aspecto característico dos relacionamentos tipicamente cristãos e que eles procuram estabelecer com as pessoas com as quais convivem ou que encontram ocasionalmente. São relacionamentos de amor sincero, sem falsidades nem enganos, sem qualquer forma de violência implícita ou de rivalidade, ou de concorrência, ou de egocentrismo. Comprometer-se e estabelecer tais relações no mundo é algo revolucionário. As relações que normalmente existem na sociedade são de outro teor e, infelizmente, permanecem imutáveis. Jesus sabia que a convivência humana era assim e por isso pediu a seus discípulos que dessem sempre o primeiro passo sem esperar pela iniciativa e resposta do outro, sem pretender a reciprocidade: “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos…”. “Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isso também os pagãos”?[1] “… serão chamados filhos de Deus”. Receber um nome significa se tornar o que este nome exprime. O apóstolo Paulo chamava Deus de “o Deus da paz”. E quando saudava os cristãos dizia: “… o Deus da paz estará convosco”[2]. Os construtores da paz manifestam seu parentesco com Deus, agem como filhos de Deus, dão testemunho de Deus que – como diz o Concílio – imprimiu na sociedade humana a ordem, cujo fruto é a paz.
Chiara Lubich
(Chiara Lubich, in Parole di Vita, a cura di Fabio Ciardi, Opere di Chiara Lubich, Città Nuova, 2017, pag. 197) [1] Mt 5, 44. 47 [2] Fl 4, 9