23 Jul 2021 | Sem categoria
O Papa Francisco proclamou o dia 25 de julho para destacar a vocação da Terceira Idade. “Preservar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar das crianças”, afirma Francisco em sua mensagem. Para a ocasião, recolhemos algumas experiências de avós e netos que testemunham o amor entre gerações. “Quando tudo parece tenebroso, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar nossa solidão e repetir-nos: ‘eu estarei convosco todos os dias’”. Em sua mensagem para o primeiro Dia Mundial dos Avós e Idosos, a ser celebrado dia 25 de julho de 2021, o Papa Francisco quis transmitir uma mensagem de esperança e de proximidade aos avós e aos idosos de todo o mundo. Eu gostaria que “cada avô, cada avó, cada idosa e cada idoso especialmente aqueles entre nós que estão mais sós, recebessem a visita de um anjo” através de um neto, de um parente, de um amigo. Durante este período de pandemia, constatamos como são importantes os abraços, as visitas, os gestos de amor. Expressões estas que são vivenciadas diariamente entre avós e netos ou com vizinhos idosos. Martin, por exemplo, tem 8 anos e é um Gen4 (crianças dos Focolares) e vive no Uruguai. Ele reside próximo a uma senhora idosa que cultiva flores em seu jardim. Às vezes algumas crianças brincando jogam a bola no seu jardim, deixando-a irritada e depois, ainda riem dela. Martin pensou que isto não era bom e decidiu ajudar a senhora. Então pegou um carrinho de mão e removeu as ervas daninha e o lixo do jardim. A senhora lhe agradeceu e toda vez que ele o ajuda, ela o presenteia com algum dinheiro que depois ele dá aos pobres. Nicola, ao invés, é avô de oito netos. Um dia ele foi convidado por um Gen4 para falar no catecismo sobre a família. Durante seu caminho para a reunião, ele se perguntava como poderia despertar o interesse das crianças por este tema. Enquanto caminhava, seu olhar foi atraído para um ninho que caiu de um galho e agora estava abandonado. Ele o recolheu e o levou para o catecismo. Que ótima ideia, assim ele explicou como nasce um ninho, mas também como nasce uma família. Todos têm algo a acrescentar e a aula de catecismo passou rapidamente. Rosaria tem 70 anos e é uma avó dedicada tanto a seus netos quanto aos Gen4 de sua comunidade local. “Eu sinto sempre que faço muito pouco”, diz ela, “mas percebo que alguma coisa eles acolhem, pois fazem experiências que me surpreendem”. Por exemplo, na escola, uma menina arranhou o rosto de Tommaso. Quando a professora percebeu, perguntou por que ele não lhe contou. Tommaso respondeu-lhe explicando que sua colega não o tinha feito de propósito. Quando a professora contou a seus pais, eles ficaram muito surpresos, pois tal comportamento nunca tinha acontecido. A vovó Rosaria tem um segredo: ela reza todos os dias por todos os Gen4 e por todas as crianças do mundo. “Eu acho que este é o fator mais importante”. A vovó Mary, de Nova York, escreve na revista Living City: Alguns anos atrás, antes do Natal, nossa neta Cecilia, então com 11 anos, voltou da escola com uma sacola cheia de presentes que tinha comprado com o dinheiro que recebera de sua mãe. Ela estava muito feliz enquanto nos mostrava os presentes comprados para alguns amigos e familiares. Fiquei maravilhada com qual amor ela tinha escolhido os presentes! Comecei a contar-lhe como era o meu Natal quando, ainda criança, eu morava nas Filipinas. Éramos muito pobres. Depois da missa da meia-noite, íamos para a casa de nossos vizinhos para comermos juntos a ceia de Natal. Cada um de nós recebeu uma deliciosa maçã vermelha como presente de Natal. Foi algo muito especial! Cecilia me ouviu e disse: “Sério? Uma deliciosa maçã vermelha?”. “Sim”, disse-lhe, “uma deliciosa maçã vermelha!”. E assim que seu pai chegou em casa, lhe disse: “Você sabe o que a vovó recebeu no Natal? Uma deliciosa maçã vermelha!”. No dia de Natal, estávamos comemorando em nossa casa em Nova York com alguns de nossos filhos e suas famílias. Minha nora trouxe uma cesta com uma frase: “Boas Festas”, dentro havia uma dúzia de maçãs, e estava escrito: “Cecília me ligou e perguntou: ‘‘você poderia comprar 12 maçãs para a vovó, para que ela não receba apenas uma no Natal, mas 12?” Que presente de Natal!” Descobrimos sempre mais que não precisamos de muitos presentes no Natal para amar a Deus e aos outros. Às vezes basta uma deliciosa maçã vermelha.
Lorenzo Russo
Vídeo mensagem do Papa para o primeiro Dia mundial dos avós e dos idosos https://youtu.be/1qhzDGFl-6w
21 Jul 2021 | Sem categoria
Como a âncora que garante a segurança dos navegantes, ao se agarrar ao fundo do mar, assim é a esperança que nos mantém firmes em Deus e reforça a nossa fé. A aula de francês Era a hora da aula de francês e a professora não chegava. Estávamos juntos, duas turmas, e não nos conhecíamos, aquela espera aumentava o mal-estar. A este ponto, superando o medo de ser julgado ou zombado, tomei a iniciativa de mostrar aos meus colegas algumas poesias em francês, uma língua que domino bastante bem. Depois comecei a escrever o “Pai Nosso” na lousa, sempre em francês. Enquanto isso os outros começaram a copiar o texto. Eu tinha acabado de escrever quando a professora entrou, e vendo os alunos silenciosamente concentrados no trabalho ficou surpresa e quase comovida. Resultado: deu nota 10 – a mais alta – a toda a classe. (Ralf – Romênia) O suicídio de um filho Luca tinha 19 anos e era sensível ao extremo. Ele não conseguia aceitar o mal que às vezes parece prevalecer no mundo. Quando ele se suicidou, foi o fato de nos ancorarmos em Deus, e o apoio de uma comunidade, que deram conforto e esperança à nossa família. A nossa vida de casal alcançou um nível mais alto de relacionamento. E o nosso outro filho, Enrico, reagiu tornando-se mais útil aos outros e agora trabalha em uma comunidade de jovens desajustados. Claro, com o passar do tempo sentimos muito a falta de Luca, mas houve algo que nos ajudou. Soubemos, por um amigo, sobre um jovem doente de câncer: cansado de tudo, rejeitava a quimioterapia e preferia morrer. Ele falou-lhe sobre Luca, que havia conhecido no colégio, e de como a sua morte trágica havia “acordado” muita gente, para que se tornassem mais sensíveis aos outros; no final aquele jovem aceitou retomar o tratamento. Esse fato nos fez entender que a vida prossegue e nos estimulou a ser fortes e semear a esperança nas pessoas que encontramos. (Maurizio – Itália) A minha ambição Depois de ter trabalhado durante anos num grupo musical de sucesso, com o crescimento da família eu passei a trabalhar em uma agência cultural que organizava concertos. Mas com o recrudescimento da pandemia muitas coisas mudaram para mim: poucos contratos, poucos shows. Com um futuro cada vez mais incerto, eu me perguntava como ir adiante. Foi quando recebi o telefonema de uma pessoa que havia conhecido e que ajudava a carregar e descarregar os instrumentos. Perguntou como estava a minha situação, se eu precisava de trabalho, porque no supermercado onde ele trabalhava havia falta de funcionários. Eu aceitei. E assim, dos contatos com filarmônicas passei a mostrar a uma velhinha desorientada a prateleira dos ovos ou do vinagre… A grande lição da pandemia foi exatamente esta: o amor passa por pequenos gestos silenciosos, e não por reclames ensurdecedores. Na minha juventude a verdadeira ambição era me tornar rico… agora sou rico num outro nível: descobri uma dimensão mais verdadeira e bela da humanidade. (T. M. – República Tcheca)
De Lorenzo Russo
(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, ano VII, n.4, julho-agosto 2021)
20 Jul 2021 | Sem categoria
Na periferia da capital da República Centro Africana, nasceu uma escola fundada por membros do Movimento dos Focolares. Hoje acolhe mais de 500 crianças, muitas das quais, após longos períodos de guerra, têm de compensar os anos de escola perdidos.
Estamos em Bangui, capital da República Centro-Africana, um estado sem litoral no interior e na parte central do continente africano. A capital está localizada no Sudoeste, em uma área de fronteira com a República Democrática do Congo. Há quatro anos, em um subúrbio de Bangui, foi fundada uma escola infantil e primária chamada Santa Clara (Sainte Claire), que atualmente conta com 514 alunos. A fundação ocorreu após um apelo que o Papa Francisco e Maria Voce, na época presidente do Movimento dos Focolares, haviam lançado: sair para atender às necessidades do povo, particularmente nas periferias. “Para nós, a necessidade mais urgente era a educação”, explica Bernadine, membro do Focolare e diretora da escola Santa Clara, “porque, após longos anos de guerra, muitas crianças haviam perdido vários anos de escola”. Poderíamos, então, ajudá-las a alcançar o nível de seus pares”.
Por estar localizada em um bairro suburbano, a escola recebeu imediatamente muitas crianças nascidas em famílias que haviam fugido da cidade, onde a guerra havia destruído suas casas. “Eles vêm aqui para renascer, para começar uma nova vida”, continua Bernadine. O Instituto Santa Clara é católico e, fundado por membros do Movimento dos Focolares, procura transmitir ensinamentos baseados na cultura da Unidade. A diretora explica: “cada dia começa com orações matinais; depois lançamos o dado do amor, no qual lemos frases curtas para viver bem o dia”. No dia seguinte, antes de lançarmos o dado novamente, compartilhamos as experiências do dia anterior. Alguns ajudaram sua mãe a lavar a louça, outros fizeram as pazes com um amigo após uma briga…”. No momento, a guerra no país foi suspensa e a situação política está mais calma. Entretanto, ainda há muitas consequências que têm um impacto sobre a população, incluindo o toque de recolher das 20h às 5h. Depois, há inúmeras complicações relacionadas a fatores econômicos e sociais. Bernadine explica: “Há alguns dias, por exemplo, houve uma grande tempestade que danificou os cabos elétricos. Desde então, só temos eletricidade de 2 a 3 horas por dia. Isto muda muito a vida das pessoas: começando com os alimentos, que não podem ser armazenados. Sem mencionar todos aqueles que trabalham com eletricidade: eles não podem realizar suas atividades por vários dias”! Depois veio a pandemia. Em 2020, o Instituto teve que terminar o ano em março em vez de junho, o que teve um forte impacto na educação dos alunos, que mais uma vez ficaram sem escola. Mas as consequências econômicas para todo o país também foram duras: as fronteiras foram fechadas e a República Centro-Africana, sem acesso ao mar, teve dificuldades com a entrega de mercadorias do exterior. Os preços subiram acentuadamente. Apesar das dificuldades, entretanto, as atividades da escola foram retomadas e continuam: “durante a Semana Mundo Unido deste ano (1 a 9 de maio) as crianças ajudaram a construir um campo esportivo, plantando as sementes para o gramado, de modo que ele possa ser usado como um lugar para praticar esportes todos juntos dentro de alguns meses”. A educação, portanto, não para, mesmo em meio a dificuldades: tudo isso ainda permite plantar novas sementes de esperança, para um futuro melhor.
Por Laura Salerno
19 Jul 2021 | Sem categoria
É um trabalho feito a dois em perfeita comunhão, que exige de nós uma grande fé no amor de Deus por seus filhos. Essa confiança recíproca opera milagres. O que vai acontecer é que, aonde nós não conseguimos chegar, Outro realmente conseguiu, e fez muitíssimo melhor do que nós. Grande sabedoria é passar o tempo de que dispomos, vivendo com perfeição a vontade de Deus, no momento presente. Mas, às vezes, somos assaltados por pensamentos tão obsessivos, relacionados ao passado, ao futuro ou ao presente, mas ligados a lugares, circunstâncias ou pessoas, a quem não nos podemos dedicar diretamente, que custa um sacrifício enorme manejar o leme da barca de nossa vida, mantendo a rota no que Deus quer de nós, naquele momento presente. Então, para viver perfeitamente bem, é necessária uma vontade, uma decisão, mas sobretudo uma confiança em Deus que pode chegar ao heroísmo. “Não posso fazer nada naquele caso, nada por aquele ente querido, que corre risco ou está doente, nada para aquela situação intricada… Pois bem, farei o que Deus quer de mim neste momento: estudar bem, varrer direito, rezar direito, cuidar direito dos meus filhos… E Deus se ocupará de desemaranhar aquela meada, de confortar quem sofre e de resolver aquele imprevisto.” É um trabalho feito a dois em perfeita comunhão, que exige de nós uma grande fé no amor de Deus por seus filhos. Essa confiança recíproca opera milagres. O que vai acontecer é que, aonde nós não conseguimos chegar, Outro realmente conseguiu, e fez muitíssimo melhor do que nós. O ato de confiança heroico será premiado; nossa vida, limitada a um campo só, ganhará nova dimensão; sentir-nos-emos em contato com o infinito, pelo qual aspiramos, e a fé, revigorando-se, fortalecerá em nós a caridade, o amor. Não lembraremos mais o que a solidão significa. Saltará mais evidente, mesmo porque a experimentamos, a realidade de que somos de fato filhos de um Deus Pai que tudo pode.
Chiara Lubich
(do livro Ideal e Luz, Cidade Nova, 2003, pág. 78)
17 Jul 2021 | Sem categoria
O testemunho do focolare de Manaus em ajuda aos sem-teto. Uma maneira de ser Igreja em saída e ir nas periferias existenciais procurando os mais necessitados. Há alguns meses, um focolarino de Manaus, Brasil, sentiu o desejo de fazer algo para ajudar as pessoas em dificuldade. Assim, ele entrou em contato com vários sacerdotes e religiosas para dizer que estava disponível. Após cerca de um mês, surgiu a possibilidade de dar uma mão para a “pastoral dos moradores de rua”, ou seja, para ajudar os sem-teto. Todo o focolare está envolvido: Renzo, Daniel, Francisco, Valdir e Júnior. Eles contam:
Todos os domingos à noite, na praça da igreja “Nossa Senhora dos Remédios”, no centro histórico da cidade, um daqueles lugares muito lotados durante o dia e muito perigosos à noite, ajudamos na curta Celebração da Palavra, depois damos uma refeição aos desabrigados e ficamos com eles para escutá-los. Eles rezam conosco e compartilham o que experimentam durante a semana. Alguns poucos voluntários passam para entregar uma refeição e afastam-se rapidamente. Os sem-teto nos reconhecem e nos agradecem porque para eles, estar juntos, rezar, falar, compartilhar suas vidas, ser ouvidos sacia suas almas tanto quanto as refeições saciam sua fome. Eles já nos disseram isso várias vezes. Nossa presença é ditada pelo amor, por estarmos sempre disponíveis para trocar algumas palavras e criar relacionamentos com todos, inclusive com a equipe pastoral. Mas tudo isso não é suficiente. Por isso, todas as sextas-feiras à tarde, nos oferecemos para ajudar os sem-teto na possibilidade de um banho ou uma muda de roupa, doada por pessoas generosas. Também envolvemos nossos amigos da Comunidade dos Focolares para coletar roupas, sapatos, chinelos… e é ótimo ver a sensibilidade para esta ação e receber respostas muito positivas cada vez que comunicamos esta experiência: muitos nos encorajam a continuar ou começam a vir para ajudar. Com o lockdown pela Covid, infelizmente, várias atividades de ajuda aos mais pobres tiveram que ser suspensas. Então nos reunimos online para descobrir o que fazer. O Arcebispo Leonardo Steiner, que também estava presente, ficou impressionado com a situação e doou uma quantia em dinheiro para continuar oferecendo uma refeição por dia, durante 20 dias, para duzentas pessoas, divididas entre duas grandes praças no centro histórico. Certamente, trabalhar por duas ou três horas com todo o equipamento de segurança necessário e o calor de Manaus é cansativo, mas também é uma forma concreta de ir às periferias existenciais, para procurar os mais necessitados, aqueles que o Pai prefere, oferecendo a dor de poder fazer tão pouco diante desses Jesus Abandonado com tantas necessidades, quando nós não podemos fazer mais por eles, a não ser dar um sorriso, um ouvido atento, nosso amor. Providência não falta: as autoridades do Ministério Público do Trabalho nos procuraram para nos dar dinheiro e recursos para garantir trezentas refeições por mais 15 dias. Isto significa mais trabalho para nós, voluntários, mas não se pode dizer não a tal providência e então acreditamos que Deus se manifestará para nos dar energia, saúde ou outros voluntários para nos ajudar.
Os focolarinos do focolare de Manaus
15 Jul 2021 | Sem categoria
Aproxima-se o primeiro dia mundial dos avós e dos idosos anunciado pelo Papa Francisco para o dia 25 de julho de 2021. Os avós Sarah e Declan O’Brien nos contam como dialogam com os netos que nunca conheceram Deus.
Tive uma grande influência do meu avô no meu percurso de fé. Ele vinha de uma família tradicional irlandesa que se estabeleceu em Yorkshire no fim de 1800. No fim, graças ao seu trabalho duro e sua honestidade, tornou-se um homem de negócios respeitado e bem-sucedido em Bradford. Essencialmente, era um homem de Deus e amava a igreja, mas não falava muito dessas coisas. O que notei nele era o seu amor por todos, seu amor gentil para comigo, a neta dele. Seu modo de viver teve um grande efeito sobre mim e influenciou muito as decisões que tomei mais tarde. Agora, eu e meu marido Declan somos avós! Os pais dos nossos quatro netos escolheram não educá-los na fé de Deus. Respeitamos a decisão deles ao mesmo tempo que procuramos descobrir maneiras novas de transmitir os valores da fé, oferecendo-os com criatividade, diversão e amor. Uma dessas maneiras é passar um tempo com nossos netos onde eles moram: Paris. O Papa Francisco nos disse: “O tempo é maior que o espaço”. Como nossos quatro netos moram no exterior, o tempo que passamos com eles é ainda mais importante. No tempo que passamos juntos, procuramos amar nossos netos com paciência, tenacidade, gentileza, misericórdia e perdão. Nós também experimentamos o amor e a misericórdia deles. Naturalmente, estamos longe da perfeição e cometemos muitos erros pelo caminho e, na vida familiar, não podemos nos esconder atrás de uma máscara. Nossos netos conseguem ver a nossa autenticidade ou a falta dela. Quando vamos visitá-los, nos sentamos todos juntos ao redor da mesa para o jantar. Mas, às vezes, nosso filho, uma pessoa que nos impressiona pelo seu amor a todos, começa discussões polêmicas conosco. Nossos netos podem ver como respondemos a essas situações, se procuramos apenas ganhar pontos ou se tentamos ter um diálogo verdadeiro. Muitas vezes, não conseguimos, mas quando tentamos nos colocar no lugar do nosso filho, escutando, perdoando algumas observações ofensivas, servindo-lhe mais um copo de água, trazendo uma luz positiva à discussão, quando conseguimos fazer essas coisas e nossas ações são inspiradas pelo amor, esperamos que tudo isso seja notado pelos nossos netos. O segundo modo de transmitir a nossa fé é compartilhar coisas importantes com nossos netos. Passar um tempo com eles nos permite falar, quando é o momento, “com simplicidade e carinho das coisas importantes” (Amoris Laetitia 260). Procuramos ter a coragem de dizer aquilo que é realmente importante para eles. E eles também podem falar conosco sobre coisas importantes se estamos ali para escutá-los. E assim conseguimos dialogar brevemente com eles, como entre amigos. “Nada de grandes discursos, bastam poucas palavras”, diz Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares. Um terceiro caminho é a oração. Não podemos rezar com nossos netos, mas naturalmente podemos rezar por eles. E quando saímos juntos para um passeio, às vezes, visitamos alguma igreja. Uma vez, aconteceu de ir a uma adoração eucarística onde receberam a bênção. Aproveitamos com eles o silêncio de ficar na igreja. Perceberam que vamos à missa e algumas vezes pedem para ir conosco. Nossos netos não leem as histórias da bíblia, mas no Natal ganhamos um belo livro pop-up para crianças e li a história do Natal aos nossos dois netos, que nunca a tinham ouvido. Talvez a única bíblia que possam ler seja por meio de nós. Nossa esperança, alegria, amor podem ser a notícia boa deles, “uma fonte de luz no caminho”, como escreveu o Papa Francisco na Amoris Laetitia (290).
Sarah e Declan O’Brien
Publicado em Living City e compartilhado no Encontro Mundial das Famílias 2018 em Dublin, Irlanda.