Movimento dos Focolares

Evangelho Vivido: a caridade como plenitude de vida

Set 24, 2026

O amor é um dom de Deus que somos chamados a compartilhar com os outros, transformando pessoas amadas em pessoas capazes de amar. Amar o próximo significa escolher o bem concretamente, como nos ensina Jesus com a sua vida e como escreve São Paulo: “O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o pleno cumprimento da Lei” (Rm 13,10).

Na estação

Um dia, fui até a estação de trem buscar uma pessoa. A estação fica em uma pequena cidade que não tem uma sala de espera que fica aberta à noite nem um lugar onde esperar. Quando entramos no carro, vimos uma moça com uma bolsa. Ela parecia perdida, como se estivesse procurando algo. Estava sozinha e já era meia-noite. O trem havia saído. Então, desci do carro e fui perguntar a ela o que estava procurando. Disse que não sabia se ali era Junín ou não. Junín era a cidade da parada seguinte, ela havia descido na estação errada. Era jovem. Sua tia estava lhe esperando em Junín, mas não podia vir buscá-la porque não tinha carro. Na manhã seguinte, eu tinha uma consulta médica justamente naquela cidade e pensei em uma solução. Perguntei a ela: “Você quer passar a noite na minha casa? Amanhã, te levo até sua tia”. Ela aceitou. Então, fomos juntas, jantamos, arrumei uma cama na cozinha porque só tenho um quarto e, no dia seguinte, fomos para Junín. Durante a viagem, me contou que não via sua tia fazia quatro anos, que era a primeira vez que viajava sozinha e que tinha tirado alguns dias de férias porque a tia estava doente e queria visitá-la para ajudá-la. Depois de ter deixado ela com a tia, pensei na parábola do bom samaritano. Pensei que havia vivido essa parábola com ela.

(Analia Maezo – Argentina)

Em dificuldade, mas com o coração grande

Meu marido e eu somos médicos e, tendo vivido pessoalmente na pobreza, abrimos no nosso bairro um ambulatório para os mais pobres. Um dia, ficamos só com 25 pesos e ainda faltava uma semana para receber nosso salário. Eu estava tentando não me preocupar, mas não via como poderíamos viver até o fim do mês com aquela quantia. Para ir visitar algumas famílias amigas, peguei, com apreensão, 5 pesos para o ônibus, quando uma senhora, paciente do meu marido, bateu na porta. Estava desesperada. Fazia três dias que ela e os filhos não comiam. Imediatamente, lhe dei os 20 pesos que me restavam e saí. Mais tarde, a alegria de reencontrar tantos amigos me fez esquecer minhas preocupações. Meu marido também estava lá, havia ido direto do hospital. Enquanto estava contando para ele sobre a mulher, um amigo se aproximou com um envelope que tinha 500 pesos, um presente atrasado de aniversário para mim, juntado pelos amigos envolvidos na nossa iniciativa de solidariedade. Com alívio, nos sentimos parte de uma grande família, pobre, mas com um grande coração.

(Reilita – Filipinas)

por Maria Grazia Berretta

trechos de OEvangelho do dia, Città Nuova, ano XII – n.5 –setembro-outubro 2026)

Fotos © Soner-Arkan-Pexels

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