Movimento dos Focolares
Um olhar que transforma

Um olhar que transforma

Nos momentos da vida em que nos sentimos desanimados em relação ao futuro ou decepcionados com as pessoas mais próximas, pode acontecer algo repentino e inesperado, capaz de dar sentido a tudo e transformar esse desencanto em alegria e até mesmo em uma nova paz dentro e fora de nós.

Às vezes, trata-se de uma experiência tão pessoal e profunda que nos dá a coragem de sair de nós mesmos e compartilhar com as pessoas o motivo da nossa alegria, como se quiséssemos encorajá-lasa revivê-la, não apenas individualmente, mas também como grupo. Talvez essa possa ser a nossa missão: levar a alegria que é fruto de uma transformação interior e que, por sua vez, transforma o nosso ambiente, renovando-o.

No entanto, diante do impulso inicial, daquela sensação de poder “conquistar o mundo”, é difícil enfrentar a realidade e manter os compromissos. Onde encontrar a força para não desistir e ser sempre portadores de alegria e paz? Como não se deixar vencer quando, ao nosso redor, parece que a humanidade falhou como tal?

Olhar para todas as situações de maneira diferente – o que significa procurar tudo o que há de positivo nas circunstâncias, sem ingenuidade, mas indo além das aparências e encontrando a força para não nos desanimarmos –, pode nos ajudar. Descobriremos que, se mudarmos a maneira como vemos as coisas, as coisas que vemos também mudam. Trata-se de nos empenharmos em uma luta diária pelo ideal de um mundo renovado.

Podemos encontrar força unindo-nos às pessoas que, assim como nós, não se resignam ao status quo, mas se unem para serem instrumentos de mudança.

Especialmente neste momento histórico, é fundamental olhar, antes de tudo, para dentro de nós mesmos, ouvir a nossa consciência, que a cada momento nos sugerirá como agir ou quais palavras compartilhar, a fim de que o fato de nos aproximarmos dos outros, compartilhando as suas aspirações, abra novos caminhos para a renovação da sociedade.

Fotos: ©Mircea Iancu – Pixabay

“‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio.’Dito isso, soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito Santo’.” (Jo 20,21-22)

“‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio.’
Dito isso, soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito Santo’.” (Jo 20,21-22)

Na manhã da Páscoa, o Ressuscitado apareceu primeiramente a Maria Madalena; e na noite daquele mesmo dia, pela primeira vez, Ele esteve entre os seus discípulos. A reação imediata deles foi de alegria, enriquecida pela paz, a verdadeira paz que só Ele pode dar [1]: “A paz esteja convosco” (Jo 20,21). Alegria e paz são frutos do Espírito [2]. De fato, Jesus imediatamente lhes diz: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22).

“‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio.’
Dito isso, soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito
Santo’.”

O Espírito Santo não só capacita os discípulos para a mesma missão que Jesus recebeu do Pai, mas também os “recria” como uma nova humanidade. O gesto do Ressuscitado, de soprar sobre eles, é o mesmo gesto do Criador ao soprar nas narinas do homem formado com o pó do solo [3]. Assim como a Criação é a obra contínua do amor do Pai que sustenta todo o universo, da mesma forma a Nova Criação realizada pelo Ressuscitado no Espírito Santo sustenta continuamente a humanidade que caminha rumo ao Reino.

A Palavra de Vida deste mês nos lembra que temos uma grande possibilidade na vida: tornarmo-nos “outros Jesus”. Isso é verdade para cada um de nós individualmente, mas ainda mais como comunidade. Jesus fala aos seus discípulos no plural: de fato, somente juntos, todos os membros com suas características específicas podem “repetir” o Corpo Místico de Jesus.

“‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio.’
Dito isso, soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito
Santo’.”

Por sermos filhos no Filho, temos, portanto, a mesma vocação de Jesus: viemos do seio do Pai e somos chamados a retornar a Ele, repetindo no mundo seus atos e suas palavras, acompanhados pela graça do Espírito Santo. Se nos abrirmos a esse dom, também nós poderemos afirmar com Paulo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim.”[4].

Portanto, esta Palavra de Vida nos convida a aprofundar nosso relacionamento com o Espírito Santo, seja na oração, seja na vida cotidiana, “escutando aquela voz” e lembrando-nos de que: “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é mera organização, a missão é uma propaganda.

Mas no Espírito Santo, o cosmos se eleva e geme na gestação do Reino, Cristo ressuscitado está presente, o Evangelho é poder de vida, a Igreja significa comunhão trinitária, a missão é um Pentecostes.”[5].

“‘Como o Pai me enviou, eu também vos envio.’
Dito isso, soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito
Santo’.”

André é um adolescente em plena crise existencial: as dúvidas sobre o sentido da vida, o medo diante do futuro e as próprias fragilidades lhe parecem montanhas intransponíveis. Ele frequentemente se sente desanimado e infeliz. Alguém sugere que ele converse com Chiara Lubich sobre isso. Poucos momentos antes desse encontro, André ouve Chiara sussurrando as palavras “Espírito Santo” – e entende que Chiara está rezando.

Durante a conversa, André se sente profundamente compreendido, ouvido e aceito exatamente como ele é. E encontra novamente a paz: não porque seus problemas desapareceram de repente, mas porque agora existe alguém com quem ele pode compartilhá-los.

“De Chiara eu recebi não só uma ajuda concreta”, confidenciounos ele, anos mais tarde, “mas também aprendi um estilo: colocar-se ao lado de quem sofre, com sensibilidade e compreensão, sem julgar. Exatamente como Jesus faria.”

Somente o Espírito Santo pode realizar isso, se o acolhermos e se permitirmos que Ele atue em nós.

Org.: Claudio Cianfaglioni com a comissão da Palavra de Vida


Foto: © CSC – Audiovisivi

[1] Cf. Jo 14,27.

[2] “O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência…” (Gl 5,22).

[3] Cf. Gn 2,7.

[4] Gl 2,20.

[5] INÁCIO, metropolita de Laodiceia; Assembleia Geral do Conselho Mundial de Igrejas, 5 de julho de 1968; citado pelo Papa Francisco na Homilia da solenidade de Pentecostes, 31 de maio de 2020

Semana Mundo Unido 2026 #Escolha Dialogar

Semana Mundo Unido 2026 #Escolha Dialogar

“É preciso ter a coragem de nos aproximarmos uns dos outros, de abrir-se ao encontro.

Esse não é apenas um lema para a Semana Mundo Unido, mas uma escolha que nós fazemos todos os dias. E, se agirmos assim, essa escolha se torna um caminho para a paz”.

Margaret Karram e Roberto Almada, Presidente e Copresidente do Movimento dos Focolares, em uma breve conversa, nos convidam a viver o diálogo com perseverança e a escolhê-lo concretamente no dia a dia.

Ative as legendas e escolha o idioma desejado.

Semana Mundo Unido 2026: dar voz ao diálogo

Semana Mundo Unido 2026: dar voz ao diálogo

Ações, iniciativas, atividades e eventos mundiais para gerar uma rede capaz de viver e testemunhar que a fraternidade universal é realmente possível. É esse o impulso que anima a Semana Mundo Unido (SMU). Com o apoio de United World Project com o Movimento dos Focolares e Youth for a United World (Y4UW), essa ação global que ocorre todos os anos de 1 a 7 de maio, atravessa os continentes, oceanos e se torna uma ocasião concreta para transformar valores como unidade e paz em experiências compartilhadas.

Pessoas de culturas, idades e contextos diversos, cada um na própria cidade e comunidade, abraçam esse convite com o objetivo de criar espaços de encontro autêntico, conectar energias, ideias e testemunhos capazes de gerar uma mudança real.

A edição deste ano propõe um tema forte e atual: #ChooseToDialogue. Em um mundo marcado por conflitos e divisões crescentes, torna-se ainda mais urgente e significativo redescobrir o valor do encontro, da escuta e da compreensão recíproca. Escolher o “Diálogo” com coragem hoje significa se opor à lógica do desencontro e abrir caminhos de paz; superar as distâncias e transformar as diferenças em oportunidade de unidade. Qual é a proposta desta SMU? Um percurso cotidiano que convida a viver essa escolha em vários âmbitos:

• 1° de maio – Intercultura & Diálogo

• 2 de maio – Arte & Comprometimento Social

• 3 de maio – Saúde, Esporte e Ecologia

• 4 maggio – Economia e Lavoro + Educazione e Ricerca

• 5 de maio – Comunicação e Mídia

• 6 de maio – Cidadania Ativa e Política

• 7 de maio – Paz & Direitos Humanos

São vários os instrumentos e as propostas colocadas à disposição para realizar tudo isso, desde o Time-out, o convite para um momento de silêncio e oração compartilhada que une a todos que querem pedir pela paz, até a Inspiration Box, documento rico de ideias e sugestões para fazer durante a semana.

Entre os encontros imperdíveis:

  • Peace Got Talent – Living Peace, a transmissão de Living Peace International, que poderá ser acompanhada a partir das 14h (GMT+1, horário de Roma) de sábado, 02 de maio no YouTube (@unitedworldproject e @livingpeaceinternational), para se deixar inspirar pelos talentos de muitas pessoas e pelas mensagens de unidade e paz compartilhadas pelos jovens de todo o mundo.
  • Run4Unity: a corrida global pela paz. Ao meio-dia de cada fuso-horário, os jovens “passam o bastão” ao país seguinte, criando uma onda mundial de unidade que gira o planeta. Muitos países já estão organizando suas etapas para fazer parte dessa corrida global, como Brasil, Venezuela, Paraguai, Argentina, Uganda, Burundi, Nova Caledônia, Itália, Croácia, entre outros.
  • Primo Maggio Loppiano (Itália). De 01 a 03 de maio, a Mariápolis permanente internacional do Movimento dos Focolares próxima a Florença recebe uma nova edição do Primo Maggio di Loppiano, o festival da fraternidade dedicado aos jovens. ROOTS (raízes), à descoberta daquilo que nos une é o título da manifestação: três dias de encontro, histórias, reflexões, workshops, exposições, atividades educativas e esportivas dedicadas ao tema das raízes e da diversidade cultural. Um convite a se aprofundar, a redescobrir as próprias origens culturais e espirituais como ponto de partida para o encontro com o outro.
  • Também em Portugal, na Mariápolis Arco-Íris em Abrigada (Alenquer), o 1° de maio será uma ocasião de festa e de comprometimento em construir um mundo melhor. Promovido pelos Youth for a United World, o evento, com momentos de partilha e workshops, reunirá pessoas provenientes de todo o país e convidados de diversos continentes que acreditam que a fraternidade não é só um sonho, mas uma realidade que se constrói dia após dia, com gestos concretos de solidariedade, diálogo e esperança. O título do evento é: “Conecta-te. Tens coragem de construir pontes?”.

Por Maria Grazia Berretta