17 Jul 2020 | Sem categoria
A vida do Gen Verde durante a pandemia “Estávamos em plena turnê na Espanha e da Itália chegavam notícias preocupantes sobre o Covid-19 e o crescente número de infectados. Era necessário decidir se suspender ou não a turnê e como retornar à Itália. Poucas horas (ou melhor, minutos) para decidir o que fazer, comunicá-lo aos organizadores e no espaço de um dia embarcar naquele que foi o último navio partindo de Barcelona”. Uma lembrança bem marcada e ainda viva a que Mileni do Gen Verde compartilha depois de alguns meses e quando na Itália parece que a pandemia do Covid-19 retornou. E nesses 4 meses, após a quarentena, o Gen Verde transformou uma situação dolorosa em uma grande oportunidade: “Nos perguntamos imediatamente – diz Annalisa – como ajudar as pessoas; todos os dias recebíamos notícias de amigos que haviam contraído o vírus e pediam para estarmos perto deles… mas como? Como não deixá-los sozinhos nesses momentos terríveis, respeitando porém, o distanciamento social? Imediatamente tivemos a idéia, assim como fizeram muitos outros artistas em todo o mundo, de nos conectarmos a partir da nossa casa “. Começou, portanto, a aventura da primeira transmissão ao vivo: poucos instrumentos, uma escassa rede de internet para suportar uma conexão quem sabe se e quantos teriam visto. Depois de meses podemos dizer que foram feitas muitas transmissões ao vivo que o Gen Verde realizou, assim como dezenas e dezenas os compromissos via zoom, instagram, skype… oportunidades para encontrar jovens e menos jovens de todo o mundo: das Filipinas à Argentina, dos EUA à Romênia, da Itália à Austrália. E depois esses meses foram também o berço adequado para criar novas composições: do monólogo O silêncio à faixa musical Tears and light (Lágrimas e luz), sem interromper os vídeos realizados especialmente para compartilhar, mesmo à distância, o tríduo pascal… e tudo foi imediatamente compartilhado através das mídias sociais, o canal do YouTube e as redes sociais. Um trabalho imenso, talvez maior do que aquele em turnê ou durante as oficinas com os jovens, e o Gen Verde nunca se poupou e nunca disse um não a quem desejasse viver um momento de compartilhamento com elas. “Estamos extremamente felizes – diz Marita – porque nestes meses, não obstante as dificuldades, através dos vários compromissos, encontramos centenas de milhares de pessoas; não posso dizer que era a mesma coisa que ao vivo… falta o contato físico, o olhar-se nos olhos, mas posso admitir que em apenas quatro meses nunca poderíamos encontrar tantas pessoas. Para nós do Gen Verde foi uma experiência além de todas as expectativas “. E agora, tendo anunciado o último encontro deste primeiro ciclo de eventos, o Gen Verde está se dedicando a novos projetos e novas propostas a serem compartilhadas o mais rápido possível. Em resumo, o Gen Verde olha sempre além e não para nunca. Mas qual é o segredo? “Nós vivemos não olhando para nós mesmas – explica Sally – o que nos interessa é construir relacionamentos que apontem para a fraternidade universal. Nestes meses de pandemia recebemos muitos ecos após nossa transmissão ao vivo e essas impressões são aquelas que nos incentivaram a ir sempre avante procurando dar o melhor de nós. Não nos iludimos e não queremos iludir ninguém: a pandemia não foi uma brincadeira e em muitos Países a situação ainda é muito crítica, todavia temos certeza de que o que fizemos foi para muitos pelo menos viver um momento de alívio, de conforto”. E, de fato, os e-mails e as mensagens enviados pelas redes sociais ao Gen Verde dizem exatamente essa sensação de paz e serenidade. Agora continuamos preparando novos projetos, e lançando novas canções para dar esperança a este mundo que tanto precisa.
Tiziana Nicastro
16 Jul 2020 | Sem categoria
Chiara Lubich narra o pacto especial de unidade feito com Igino Giordani (a quem chamou “Foco”) a 16 de Julho de 1949, um prelúdio para a sua experiência mística desse Verão. De uma entrevista dada à jornalista Sandra Hoggett em 2002 https://vimeo.com/438655889
15 Jul 2020 | Sem categoria
Os jovens dos Focolares iniciaram a nova campanha #daretocare para cuidar das nossas sociedades e do planeta Terra e serem cidadãos ativos para tentarem construir um pedaço de mundo unido. Entrevista com Elena Pulcini, professora de Filosofia Social na Universidade de Florença, Itália.
Elena Pulcini, Professora de Filosofia Social na Universidade de Florença (Itália), há muitos anos dedica-se como investigadora ao tema dos cuidados. Falou sobre o tema durante a primeira transmissão ao vivo #daretocare da juventude do Movimento dos Focolares, em 20 de junho. Qual o impacto da experiência da pandemia que estamos atravessando na sua visão de cuidados? “Acima de tudo, parece-me que surgiu uma imagem dos cuidados como assistência”, explicou Pulcini. Pensemos, por exemplo, no pessoal da área da saúde. Isto despertou elementos positivos, paixões que de alguma forma foram esquecidas, tais como gratidão, compaixão, o sentimento da nossa vulnerabilidade. E isto tem sido muito positivo, porque precisamos realmente dele e precisamos de despertar aquilo a que chamo paixões empáticas. Ao mesmo tempo, porém, a cura permaneceu um pouco fechada dentro de um significado essencialmente carinhoso, aquilo a que em inglês se chama “cure” (cura) e não “care” (cuidado). Os cuidados devem tornar-se um modo de vida”. Queremos sonhar com uma sociedade em que o cuidado seja a espinha dorsal dos sistemas políticos locais e globais. Isto é uma utopia ou é viável? “A cura certamente significa responder a algo. Neste caso, significa perceber a existência do outro. A partir do momento em que percebo isto e não estou fechado no meu individualismo, produz-se uma capacidade que temos dentro de nós de empatia, ou seja, de nos colocarmos no lugar da outra pessoa. Mas quem é o outro hoje? Bem, estão emergindo novas figuras do que consideramos ser o outro para nós. Portanto, o outro hoje é o diferente, são também as gerações futuras, é também a natureza, o ambiente, a Terra que nos acolhe. Portanto, o cuidado torna-se realmente a resposta global aos grandes desafios do nosso tempo, se o conseguirmos encontrar através da capacidade empática de nos relacionarmos com o outro. Não sei se é realmente viável, mas penso que não podemos perder a perspectiva utópica. A responsabilidade não é suficiente, precisamos também cultivar a esperança”. Que sugestões nos daria para agir nesta direção e orientar as nossas sociedades para o cuidado, começando pelas instituições? “Acredito que devemos agir em todos os locais onde operamos para tirar o cuidado da área restrita da esfera privada. (…) Tenho que pensar em mim como um sujeito de cuidado na minha família, na minha profissão de professor, quando encontro um pobre marginalizado na rua ou quando vou nadar na praia, devo cuidar de todas as dimensões. Devemos adotar o cuidado como um estilo de vida que pode romper o nosso individualismo ilimitado que conduz não só à autodestruição da humanidade, mas também à destruição do mundo vivo. Por conseguinte, devemos tentar responder com o cuidado às patologias da nossa sociedade, o que significa educar à democracia. Eu aprecio muito um filósofo do século XIX chamado Alexis de Tocqueville, que dizia que “devemos de educar à democracia”. É uma lição que ainda se deve aprender e acredito que isto significa cultivar as próprias emoções empáticas de modo a ser estimulado a cuidar com prazer, com gratificação e não com compulsão”.
Pelos jovens do Movimento dos Focolares
14 Jul 2020 | Sem categoria
Cinco anos após a publicação da Encíclica do Papa Francisco, o paradigma da ecologia integral orienta a leitura deste tempo de pandemia. Entrevista com Luca Fiorani, coordenador de EcoOne.
Desde a publicação de Laudato Si, a Encíclica do Papa Francisco sobre os cuidados do planeta, passaram cinco anos. Falamos sobre este assunto com Luca Fiorani, professor nas universidades de Lumsa, Marconi e Sophia, investigador da Agência nacional para as novas tecnologias, energia e desenvolvimento económico sustentável (Enea, Italia) e coordenador da EcoOne, rede ecológica do Movimento dos Focolares. Em tempos de pandemia, que lições podem vir da Laudato Si e do seu paradigma de ecologia integral? Eu penso no “tudo interligado”. Antes da pandemia, o Papa fez-nos saborear o seu lado positivo, isto é, a maravilhosa relação que existe entre os elementos naturais, incluindo a pessoa. A pandemia, por outro lado, sublinhou o lado negro deste “tudo interligado”, porque a atividade humana, que levou à destruição de habitats naturais, e o salto de espécies do vírus de animal para homem estão ligados. Qual é o fundamento evangélico do compromisso com o cuidado da Criação? É o “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Um dos conceitos-chave do Laudate é “ouvir tanto o grito da terra como o grito dos pobres”. É verdade que para o Evangelho a natureza tem valor em si mesma, mas também é verdade que cuidar da natureza significa assegurar um planeta saudável para os mais desfavorecidos e para os nossos filhos. Significa lembrar-nos dos “milhões mais baixos”, esses milhões de pessoas que são vítimas de uma “pandemia crônica” devido a 17 doenças tropicais negligenciadas. O conceito de ecologia integral pode orientar os caminhos futuros? Este é o conceito fundamental de todo o ensino do Papa Francisco, que nos convida a superar o atual sistema sócio-econômico. Hoje vivemos no paradigma da revolução industrial, que considera os recursos naturais ilimitados. Estes recursos, pelo contrário, são limitados e, por conseguinte, precisamos encontrar um modelo diferente de desenvolvimento que também tenha em conta as necessidades dos povos esquecidos pelas sociedades ditas “evoluídas”. O Laudate apela a uma “conversão ecológica”. O que significa viver os princípios da ecologia integral? A ecologia integral diz respeito não só ao ambiente, mas a todos os aspectos da vida humana, à sociedade, à economia e à política. Portanto, cada um de nós deve tentar mudar as suas vidas a partir, por exemplo, das escolhas dos consumidores. Depois podemos também escolher governadores sensíveis aos cuidados da natureza e fazer campanhas de pressão para o desinvestimento em combustíveis fósseis em favor dos renováveis. Neste ano especial das celebrações da Laudato Si, com que iniciativas estará presente o Movimento dos Focolares? O Movimento participa nas iniciativas da Igreja Católica e nos eventos promovidos pelo Movimento Católico Global pelo Clima, ao qual adere. Além disso, organiza a conferência “Novos caminhos para a ecologia integral” que será realizado em Castel Gandolfo (RM) de 23 a 25 de outubro, cujos pormenores estão disponíveis em www.ecoone.org. O seu último livro intitula-se “Il sogno (folle) di Francesco”. Um pequeno manual (científico) de ecologia integral”. Porque é que se fala de um sonho louco? Porque parece verdadeiramente impossível mudar o curso deste planeta, para um mundo onde todos nos sentimos irmãos e construímos mais pontes do que muros, mas – como disse a fundadora do Movimento dos Focolares Chiara Lubich – “só aqueles que têm grandes ideais fazem história”!
Claudia Di Lorenzi
13 Jul 2020 | Sem categoria
Estar confinado muitas vezes testou a nossa caridade. De fato, não é fácil estar fechados em casa e viver lado a lado. Quando estamos muito próximos, tocamos os limites uns dos outros e eles nos pedem um “algo mais de amor”, que se chama “suportação”. É consolador saber que Chiara Lubich também encontrou esse tipo de dificuldade na sua vida comunitária. (…) Dias atrás, peguei um livro (…) intitulado O segredo de Madre Teresa, de Calcutá, naturalmente. Eu o abri no meio, na parte em que fala da «mística da caridade». Li esse capítulo e outros. Eu me absorvi com muito interesse naquelas páginas. Tudo o que se refere a essa futura santa me interessa pessoalmente, pois, durante anos, ela foi uma preciosíssima amiga minha. Veio-me em relevo, de modo claro, o radicalismo extremo da sua vida, da sua vocação sem meias medidas, que impressiona e quase assusta. Mas, sobretudo, me impulsiona a imitá-la naquele típico empenho radical e sem meias medidas que Deus exige de mim. (…) Animada por essa convicção, retomei o nosso Estatuto, convencida de que encontraria nele a medida e o modelo do radicalismo de vida que Deus pede a mim. Eu o abri e, logo na primeira página, levei um pequeno choque espiritual, como se tivesse feito uma descoberta naquele momento (e faz quase 60 anos que eu o conheço!). Trata-se da «norma das normas, da premissa de qualquer outra regra» da minha e da nossa vida: gerar – assim se exprimia o Papa Paulo VI – e manter antes e acima de tudo (…), Jesus entre nós por meio do amor recíproco. (…) Imediatamente proponho viver essa norma, primeiro no meu focolare e com quem está mais próximo de mim. Nós sabemos: “Quem não tem pecado, atire a primeira pedra”[1]. Também na nossa casa nem sempre tudo é perfeito: uma palavra a mais, minha e de outras, um silêncio prolongado demais; um julgamento apressado, algum pequeno apego, um sofrimento mal suportado. Tudo isso, certamente incomoda Jesus entre nós, quando não impede a Sua presença. Sei que devo ser a primeira a dar espaço a Ele, aplainando tudo, preenchendo tudo, temperando tudo com a máxima caridade; “suportando” tudo, nas outras e em mim. Uma palavra que geralmente nós não usamos, mas que é muito aconselhada por São Paulo. Suportar não é um ato qualquer de caridade. É uma caridade especial, a quintessência da caridade. Eu começo. E a experiência até que não vai mal; aliás, funciona! Em outros momentos eu teria convidado logo as focolarinas, que moram comigo, a fazerem o mesmo. Agora não. Sinto o dever de fazer primeiro toda a minha parte; e surte efeito. Além do mais, preenche o meu coração de felicidade, talvez porque, assim, Ele volta a tornar-se presente e permanece entre nós. Mais tarde, direi a elas o que vivo, mesmo consciente de que devo continuar a agir assim, como se eu fosse a única a fazê-lo. E a minha alegria chega ao ápice, quando me vêm à mente as palavras de Jesus: “Misericórdia eu quero e não sacrifício”[2]. Misericórdia! Eis a caridade refinada que nos é pedida e que vale mais do que o sacrifício, porque o melhor sacrifício é este amor que sabe também suportar, que sabe, quando necessário, perdoar e esquecer. (…) Este é o radicalismo, esta é a atitude sem meias medidas, que se exige à nossa vida.
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa, 20 de fevereiro de 2003) Tirado de: “Per essere una piccola Maria”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, pag. 650. Città Nuova Ed., 2019. [1] Cf. Jo 8, 7. [2] Mt 9, 13.