13 Dez 2019 | Sem categoria
Inaugurada a mostra “Chiara Lubich Cidade Mundo” em Tonadico di Primiero, Itália “Não se pode compreender Chiara sem situá-la no contexto em que viveu”. Com estas palavras, Jesús Morán, co-presidente do Movimento dos Focolares, concluiu o seu discurso na cerimônia de inauguração da mostra intitulada a Chiara Lubich aberta no Palácio Scopoli em Tonadico di Primiero, no último domingo, 8 de dezembro, um dia após a inauguração da mostra na cidade de Trento. “Chiara durante a guerra doou-se pela sua cidade, Trento, mas foi em Primiero, em 1949, que Deus deu-lhe a chave de compreensão daquilo que ela tinha sido chamada a realizar. Chiara encontrou aqui, entre as montanhas, a luz, mas é preciso ir a Trento e em cada cidade para entender quais são as consequências do seu carisma.” É esta a ligação entre as duas mostras, onde aquela de Tonadico não é um apêndice daquela de Trento, mas a história de uma década de luz.
A gratidão da comunidade do vale de Primiero foi expressa com ênfases diferentes pela assessora de cultura Francesca Franceschi (“Primiero representa a origem, o retiro onde Chiara encontrou respostas às suas perguntas”), pelo vice-prefeito Paolo Secco (“A nossa tarefa não é apenas manter viva a memória, mas ser uma comunidade que responde às inspirações ideais que moveram Chiara”), pelo presidente da Comunidade de Primiero, Roberto Pradel (“Chiara dedicou-se a construir relações entre as pessoas: que a semente por ela lançada traga frutos”). Giuseppe Ferrandi, diretor da Fundação Museu histórico do Trentino, destacou o significado mais profundo das duas mostras: “Pela primeira vez a nossa Fundação realiza uma mostra dedicada a uma pessoa: fizemos isto porque Chiara é uma figura com a qual o Trentino, e não só, tem um débito. O Trentino, que pode reivindicar o seu nascimento, deve descobrir a dimensão de forte ligação às tradições vivas em Chiara, fruto de relacionamentos, mas sem parar nelas para abrir-se ao mundo para que não sejam estéreis. Quem melhor do que Chiara Lubich pode-nos garantir esta capacidade de relações das quais hoje o mundo tanto precisa?”
Alba Sgariglia, co-responsável do Centro Chiara Lubich, exprimiu a gratidão de todo o Movimento à Fundação: “Trabalhamos com tantas pessoas para esta etapa histórica. Daqui, destas montanhas, Chiara projetou-se para a humanidade inteira: foi esta a missão que aqui ela compreendeu”. Annamaria Rossi e Giuliano Ruzzier, curadores da mostra com Maurizio Gentilini, destacaram as suas características: grandes imagens, citações e breves legendas descorrem ao lado do Palácio Scopoli, precisamente diante da casa onde Chiara e algumas das suas primeiras companheiras foram descansar no verão de 1949. No andar térreo do edifício, que conserva destacamentos dos afrescos da capela de São Vittore, encontram-se alguns escritos e recordações daquele período e vídeos das primeiras Mariápolis, as férias de verão, que até 1959, de ano em ano, enriqueceram-se pela presença de pessoas de várias vocações, culturas e proveniências. Hoje, é significativo o testemunho das “cidadelas” do Movimento no mundo, Mariápolis permanentes, onde, como na experiência de Primiero, experimenta-se e testemunha-se uma unidade possível.
Paolo Crepaz
10 Dez 2019 | Sem categoria
Quarta-feira, 20 de novembro, os responsáveis de Schönstatt de diversos países europeus visitaram o Centro internacional dos Focolares em Rocca di Papa (Roma, Itália).
Quarta-feira, 20 de novembro, os responsáveis do Movimento de Schönstatt da Áustria, República Tcheca, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Espanha e Suíça visitaram o Centro internacional dos Focolares em Rocca di Papa. O grupo foi acompanhado pelo padre Heinrich Walter, que foi presidente do Presidium geral de Schönstatt. “Encontrar-se com Chiara” visitando a sua casa e rezando diante da sua sepultura foi um dos objetivos desta visita. Um segundo objetivo dos responsáveis de Schönstatt foi o de entrar em diálogo com os Focolares sobre as mudanças sociais e políticas na Europa, o papel dos Movimentos com os seus carismas e o significado da comunhão entre eles – de modo particular de Juntos pela Europa – no contexto das transformações eclesiais, políticas e culturais. A delegação foi acolhida no Centro dos Focolares pelo Copresidente, Jesús Morán e por diversos conselheiros. Para poder colocar os carismas ao serviço do bem do continente, veio à tona de modo evidente no diálogo a necessidade de realizar projetos culturais que sejam fruto da característica específica de cada um, mas também da comunhão entre todos. O encontro e o diálogo foram definidos por ambas as partes como cordiais, preciosos e frutuosos. Obviamente se tratou somente de uma etapa da já longa caminhada de comunhão e de colaboração entre Schönstatt e os Focolares que teve início em 1998 na Vigília de Pentecostes na Praça de São Pedro em Roma. Além disso, já faz 20 anos, isto é, desde o início, que também Schönstatt é parte daquela rede de movimentos e comunidades que compõem a iniciativa Juntos pela Europa e padre Heinrich Walter é membro efetivo da comissão de orientação. Nestes anos, cresceram entre os Focolares e Schönstatt, mas não só, relações fraternas, caracterizadas pela unidade entre cristãos, entre várias Igrejas e confissões; unidade que pressupõe como importante premissa uma profunda e verdadeira reconciliação, considerada acesso direto à unidade, embora mantendo a necessária diversidade que o outro enriquece e completa. O Movimento de Schönstatt foi fundado por p. Josef Kentenich em 1914, em Schönstatt, próximo a Koblenz na Alemanha, com um carisma pedagógico. Está difundido de modo especial na Europa, nas Américas e na África e é composto por cerca de vinte institutos seculares, ligas e movimentos autônomos.
Severin Schmid
9 Dez 2019 | Sem categoria
Vigiar: é um convite para manter os olhos abertos, para reconhecer os sinais da presença de Deus na história, no dia a dia e ajudar outros que vivem na escuridão a encontrar a estrada da vida. Mais um filho Eu estava pronta para ter outros filhos, tendo em vista que já tinha três? A esta pergunta de uma amiga, respondi falando como cada filho seja um dom único e a experiência da maternidade não seja comparável a nenhuma outra, porque a alegria que um novo nascimento traz, é um bem para toda a família, para não falar do aspecto econômico que misteriosamente parece evidenciar que cada filho é desejado pelo Céu. Quando disse isto, a amiga me confidenciou que estava esperando o segundo. Com o marido, tinha pensado no aborto, porque uma nova criatura comprometeria a situação econômica da família. Ao ir embora, ela me disse: “Eu me sinto pronta para uma nova maternidade”. (P.A. – Itália) Dar confiança Tínhamos um primo com as “mãos leves”: quando vinha nos visitar, pequenos objetos desapareciam da nossa casa para reaparecer na dos tios. Delicadamente a minha mãe lhes avisou sobre o fato, mas ficaram tão ofendidos que romperam as relações conosco. Como cristãos, procuramos uma ocasião para reatá-las e ela se apresentou quando o primo, já adolescente, foi expulso da escola, porque foi descoberto roubando dos colegas. Foi então que o meu pai sugeriu àqueles parentes o nome de um especialista que poderia servir de ajuda. Embora com imensa dor e vergonha, os tios admitiram que o filho era cleptomaníaco. A minha mãe propôs a eles que passássemos as férias juntos e a nós, filhos, recomendou que fôssemos generosos com o primo, lhe dando a máxima confiança. Foram dias belos e serenos. Também ele estava feliz. O acompanhamento psicoterapêutico, inclusive com remédios, foi proveitoso para toda a família. Um dia, a minha tia confidenciou: “Éramos tão orgulhosos da nossa família que nos sentíamos superiores. Estávamos doentes de soberba”. (J.G. – Espanha) Justiça e compreensão Como juíza em uma localidade de alta densidade mafiosa, estava interrogando a horas um detento que havia aprontado das boas. Passada a hora do almoço, me foi perguntado se eu queria comer. Aceitei, desde que trouxessem algo também para o detento. Aquele simples gesto foi para ele um pequeno choque. Quase não acreditava. Um medo repentino de me encontrar frente a frente com o indiciado naquele momento de pausa aconselhava que me afastasse. Mas eis surgir outro pensamento: “Não, se estou aqui para querer bem a este meu próximo, não tenho nada a temer”. O interrogatório continuou com a mesma atitude em relação a ele: procurava fazer com que ele entendesse a gravidade do que tinha feito, mas sem julgá-lo, lhe falando serenamente. Tempos depois recebi uma carta sua da prisão. Algum pedido de comutação da pena? Não, só um longo desafogo com a narração das próprias misérias e o pedido de compreensão. Estranho que a escrevesse justamente a mim que tinha emitido uma sentença de condenação contra ele. Evidentemente tinha colhido alguma outra coisa. (Elena – Itália)
Aos cuidados de Stefania Tanesini (retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, anno V, n.6,novembre-dicembre 2019)
7 Dez 2019 | Sem categoria
“Doe-se totalmente a mim” – 7 de dezembro de 1943 Hoje abre-se o ano do Centenário do nascimento de Chiara Lubich, que será celebrado onde quer que haja pessoas que aderiram ao seu “Ideal” – como costumava dizer – de unidade e de fraternidade universal. “Comemorar para encontrar”, este é o lema que visa permear os mais variados eventos que se realizarão em 2020. “Celebrar”, porque Chiara será lembrada, mas com o objetivo de dar a muitos a possibilidade de conhecer a mensagem que ela personificou. De particular importância se destaca a Exposição “Chiara Lubich cidade mundo”, idealizada pela Fundação do Museu Histórico do Trentino e pelo Centro Chiara Lubich (Rocca di Papa), inaugurada hoje nas Gallerie di Piedicastello em Trento, sua cidade natal. Por que em 7 de dezembro de 2019 e não em 22 de janeiro de 2020, dia do aniversário de Chiara, ou em 14 de março, o dia do seu falecimento? Simplesmente porque em 7 de dezembro de 1943, Silvia Lubich se tornou Chiara, se assim podemos dizer. Alguns dias antes, de fato, no lugar das duas irmãs que relutavam em sair de casa por causa do frio, ela havia respondido a um pedido de sua mãe para ir buscar leite em uma chácara próxima e, enquanto fazia esse ato de amor, ela sentiu claro e forte um apelo: “Doe-se completamente a mim” Voltando para casa, Silvia escreveu uma carta ardente ao padre que a acompanhava e ele, depois de testar a sua intenção, a autorizou a se doar a Deus para sempre. Assim, naquele 7 de dezembro de 1943, antes do amanhecer, durante uma missa matinal celebrada para a ocasião, Silvia, em grande sigilo – como ela mesma diria – “desposou Deus”. Ela escreverá sobre isso 30 anos depois: “Imaginem uma jovem apaixonada; apaixonada por esse amor que é o primeiro, o mais puro, que ainda não foi declarado, mas que começa a arder na alma. Com apenas uma diferença: a jovem apaixonada assim, nesta terra, tem nos olhos a figura do seu amado; a outra, porém, não o vê, não o sente, não o toca, não sente a sua fragrância, com os sentidos deste corpo, mas com os da alma, através dos quais o Amor entrou e a invadiu totalmente. Daí uma alegria característica, difícil de encontrar novamente na vida, alegria secreta, serena, exultante”. Silvia Lubich, seu nome no registro civil, ficou fascinada com a resposta de Chiara de Assis a São Francisco, quando este lhe perguntou o que ela queria: “Deus!” Aquela jovem de dezoito anos de Assis, linda e cheia de esperança, sabia como abranger todos os desejos de seu coração naquele único Ser digno de todo amor: “Deus”. Com este exemplo em seus olhos, Silvia mudou o seu nome para Chiara, porque também ela sentia os mesmos sentimentos dentro de si. Mudar o nome é como adquirir uma nova identidade. Essa mudança, desejada primeiro com o coração, tornou-se real em 7 de dezembro de 1943. Naquela manhã, Silvia desposou Deus e se tornou Chiara. Mais tarde, foi escolhido o dia 7 de dezembro como a data simbólica do nascimento do Movimento dos Focolares. Com este ato de doação total, a primeira pedra foi colocada. Anos depois, a Igreja Católica dará ao edifício o nome de “Obra de Maria”. Com o nome “Deus”, começou a divina aventura de Chiara e, com ela, a do Movimento dos Focolares. “Deus” é o que o dia 7 de dezembro significa para Chiara Lubich. Portanto, certamente não há data melhor para inaugurar o ano do centenário de seu nascimento.
Michel Vandeleene
4 Dez 2019 | Sem categoria
Do discurso de Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Sant’Egídio e amigo pessoal de Chiara, na coletiva de imprensa do último dia 18 de novembro. A poucos dias da abertura oficial do centenário de Chiara Lubich, no próximo dia 07 de dezembro, trazemos uma grande parte da fala de Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Sant’Egídio e amigo pessoal de Chiara, na coletiva de imprensa do último dia 18 de novembro. Amigo pessoal de Chiara, colaborador na construção do caminho de unidade dos movimentos na Igreja, oferece uma reflexão sobre a humanidade e a história de sua figura, e ainda há muito a ser descoberto. O tempo, às vezes, reduz as grandes figuras a “santinhos”, faz com que sejam esquecidas. Chiara tinha um coração cheio de Santidade, mas não era uma santinha, era uma mulher de verdade, uma mulher “ativa”, uma trentina que se abriu ao mundo. Partiu de Trento para o mundo inteiro; essa é a história de Chiara: de Trento, a Roma, ao mundo. E é verdade o que se diz: se for a muitas partes do mundo, desconhecidas, inclusive da África, encontrará não só filhos de Chiara, mas sentirá a passagem dela e de seu pensamento. Passaram-se cem anos de seu nascimento. Cem anos são muitos. Chiara nasceu em 1920, o mesmo ano do nascimento de João Paulo II, que sempre que a via a chamava: “minha contemporânea”. Ambos foram atingidos pelo drama da Segunda Guerra Mundial. Em Trento, Chiara o sentiu fortemente e fez amadurecer o seu Carisma, se posso dizer assim, no coração da segunda guerra mundial, em um mundo profundamente dividido e dilacerado pela dor da guerra. Acho que Chiara é uma figura importante também fora da Igreja, porque não era uma figura somente dentro da Igreja, mesmo que tenha suas raízes nela, em unidade com ela, sempre se estendia ao mundo. Chiara é um personagem histórico. Na história do cristianismo dos anos novecentos, feita em grande parte por homens que deixaram para as mulheres ângulos de mística ou experiências de caridade, Chiara foi uma mulher que fez a história em todos os aspectos: mística, caridade, mas também política, mudança de vida, paixão. Foi assim que a conheci. Tinha uma grande capacidade de relacionamento pessoal, de amizade: tinha o carisma da amizade, ninguém era igual ao outro. Era uma mulher que encontrava milhares de pessoas, e mesmo assim, para ela, ninguém era igual a ninguém. Também tinha uma grande capacidade: aquela de comunicar uma paixão. Era uma mulher apaixonada, apaixonada pela unidade do mundo. A unidade é o código pelo qual se entende sua existência e sua busca pela paz, que é também ecumenismo. Vivia uma profunda sensibilidade ecumênica – mais do que muitos especialistas em ecumenismo – e queria lembrar, sobre isso – seu relacionamento com o Patriarca Atenágoras, sobre quem também escrevi em um volume. Além disso, há uma carta que publiquei na qual se afirma “sobre a senhorita Chiara Lubich se diz que, sendo uma mulher e não sendo teóloga, inspira-se facilmente…”, mas hoje gostaria de dizer que, justamente por não ser teóloga e ser mulher, Chiara tinha entendido mais técnicas do ecumenismo. Unidade também é hoje diálogo para atingir a paz. Chiara escreve: “os filhos de Deus, os filhos do amor, combatem com uma arma que é a própria vida do homem”. Ou seja, a vida como dom e, por meio do dom da vida, se luta para mudar o mundo e os outros e realizar esse ideal. E para mim esse parece ser um ponto fundamental sobre o qual refletir. Maria Voce acenou ao fato de que estamos em um tempo de divisão. Acrescentarei que estamos também em um tempo de pequenas paixões. Chiara pode ser inclusive muito impopular hoje, justamente porque acreditamos nas divisões e vivemos de pequenas paixões. Mas acredito que esse ano que vocês dedicam, que nós dedicamos, a recordar e fazer reviver e encontrar Chiara Lubich é também um ano que coloca em discussão as modestas paixões e a resignação a um mundo dividido. Chiara escreveu: “Esperemos que o Senhor componha uma nova ordem no mundo. Ele, o único capaz de fazer da humanidade uma família, de cultivar aquelas diferenças entre os povos porque no esplendor de cada um ao serviço do outro brilha a única luz de vida que embelezando a pátria terrena faz dessa uma antecâmara da pátria eterna”. Acho que celebrar esse centenário é um serviço à humanidade e também ao pensamento um pouco seco do nosso tempo. Seu contemporâneo Wojtyla escreveu: “O mundo sofre, sobretudo por falta de visão”. Acredito que esse nosso mundo pode reflorescer para uma visão que é aquela de Chiara Lubich. Só uma advertência: quando usamos a palavra celebração, devemos ficar atentos. Justamente Maria prefere falar de encontro. É um encontro que exige empenho e esse encontro, cara Maria, deve também ser história. Temos de ter a coragem de reescrever a história de Chiara Lubich no seu tempo, para entender melhor como sua ação mudou a história. Penso, por exemplo, na aventura de mandar os focolarinos ao leste europeu e como contribuiu para a queda do muro. Chiara não escolheu se refugiar no ocidente, aceitando o muro. Portanto, tenho certeza de que esse ano, que começa hoje, fará crescer a figura de Chiara em um novo encontro com o nosso tempo e não a diminuirá.