Movimento dos Focolares

Itália, Roma: Em viagem pelo Carisma da unidade

Continua a viagem de Paolo Balduzzi pela história de Chiara e dos Focolares. A próxima etapa é em Roma, onde Chiara encontrou Igino Giordani, primeiro cofundador, abrindo com ele o carisma ao ecumenismo, à política, às mil realizações sociais e civis que nasceram. https://vimeo.com/389746625

Um mundo unido até 2050?

Um mundo unido até 2050?

400 jovens, 56 países, 16 línguas, 4 dias: WeGENerate! O relato de Conleth Burns da Irlanda do Norte. Em janeiro, eu e a Luísa, uma amiga brasileira, falamos com 400 Gen 2, os jovens do Movimento dos Focolares, reunidos em Trento, no Norte da Itália. Fizemos uma pergunta para eles: vocês querem ser a Geração do Mundo Unido? A geração que fará ser realidade um mundo unido até o ano 2050? Setenta e sete anos antes, Chiara Lubich e os seus amigos fizeram de uma frase do Evangelho: “Que todos sejam um” (Jo 17,21) – o objetivo e a mission da vida deles. No mês passado, estive no congresso internacional Gen 2 com o título “WeGENerate”, com algumas centenas de jovens, da mesma idade em que Chiara disse este “Sim” ao Evangelho. Pela primeira vez, pensei que esta oração pelo “Ut Omnes”, isto é, pela unidade da família humana, pudesse ser um pedido e não apenas uma simples declaração em forma de oração. Um pedido, porque esta oração requer uma resposta. Um pedido, porque não são apenas palavras bonitas para serem ditas como oração. Mas desafiam quem as lê a vivê-las para encontrar a resposta. Um pedido, porque “Ut Omnes” é um assunto sobre o qual questionar-se, não um dado de fato. A pergunta que eu a Luísa dirigimos no mês passado aos jovens, isto é, se queriam ser a geração do mundo unido, não era nada mais que o pedido – mesmo se formulado de maneira diferente – ao qual Chiara Lubich tinha respondido em 1943. No fim da pergunta colocamos uma data para ver se nós, os Gen, queríamos realmente responder. Ao invés de responder com palavras, resolvemos nos organizar. Por isso, numa tarde todos nós, 400 Gen, garotas e rapazes de 56 países, com tradução em 16 línguas, planejamos ações locais e globais para combater a corrupção, reduzir as desigualdades, frear as mudanças climáticas, reativar o diálogo e prevenir os conflitos. Respondemos a este pedido de Ut Omnes, de unidade, planificando atividades de promoção, de formação global para proteger a democracia. Respondemos a este pedido decidindo promover as campanhas de mobilização #CleanPlate, #GreenDay #ClearPlasticJarChallenge e CarPooling para combater os problemas ambientais. Imaginamos plataformas e aplicativos para abrir o diálogo, acabando com a ignorância e construindo relações. Mark, da Síria, disse que queria voltar para a Síria para ajudar a reconstruir o seu país. Victor respondeu a este pedido desafiando a si mesmo a ser uma realização viva do carisma da unidade na Venezuela. Joelle respondeu a este pedido prometendo levar ao Líbano esta mensagem de unidade e de amor. Todos este contextos não são diferentes daquele de Chiara, quando ela respondeu ao mesmo pedido em 1943. Muitas pessoas, como Marco, Joelle e Victor, este ano irão a Trento para “encontrar” a cidade de Chiara Lubich. Irão visitar a mostra a ela dedicada e os lugares da cidade nos quais ela viveu. Irão encontrar uma comunidade de pessoas que hoje vivem para construir a unidade em Trento. Irão até lá para entender as raízes da história de Chiara e dos Focolares. Neste congresso, entendi que, se queremos realmente conhecer as origens desta história, é preciso colocar-se as perguntas sobre as quais ela respondeu em 1943: a unidade é possivel? E ainda: e tu, acreditas que podemos ser todos uma coisa só? E se sim, o que eu posso fazer?

Conleth Burns

Reino Unido: não apenas Brexit

Fomos à Grã-Bretanha a poucos dias de Brexit, quando o Reino Unido saiu da União Europeia. Encontramos muitas pessoas, também da comunidade dos Focolares, para entender o que aconteceu e quais são as suas esperanças. https://vimeo.com/389746917

Mensageiro de paz e reconciliação

Mensageiro de paz e reconciliação

Em Aachen, o Movimento dos Focolares na Alemanha entregou o Prêmio Klaus Hemmerle ao Arcebispo Anastásios de Tirana, Albânia. Não é um rosto conhecido nas primeiras páginas dos jornais, o do manso de noventa anos com a barba branca que sexta-feira, 14 de fevereiro, recebeu em Aachen (Alemanha) o “Prêmio Klaus Hemmerle” conferido pelo Movimento dos Focolares na Alemanha. Mas Anastásios Yannoulatos, Arcebispo greco-ortodoxo de Tirana (Albânia) é uma personalidade bem conhecida e estimada seja em nível eclesial internacional seja em nível político, sobretudo na Europa oriental. No seu discurso de agradecimento manifestou os votos de uma “coexistência pacífica em um mundo multirreligioso”. Declarou-se fascinado por uma frase de Albert Einstein sobre a força do amor: “Cada um traz em si um gerador de amor, pequeno, mas eficiente, cuja energia espera somente ser liberada, porque o amor é a quintessência da vida”. E recordou que foi este mesmo amor que encorajou o bispo Klaus Hemmerle (1929 – 1994) a se empenhar incansavelmente pela paz e a reconciliação no mundo. Um empenho que caracteriza também a vida e o agir do Metropolita Anastásios. D. Helmut Dieser, como atual bispo de Aachen e um dos sucessores de Klaus Hemmerle, deu as boas-vindas aos 300 hóspedes reunidos na Catedral Imperial da cidade de Carlos Magno, apresentando o premiado como “pioneiro da fé e do ecumenismo”. Isto foi confirmado pelo Metropolita Augoustinos Lambardakis, presidente da conferência episcopal ortodoxa na Alemanha, evidenciando a estima de que goza o Metropolita Anastásios no mundo ortodoxo, onde a sua palavra encontra escuta apesar das tensões entre as diversas Igrejas autocéfalas. Maria Voce, Presidente dos Focolares, em uma mensagem, destacou também o incansável empenho do Metropolita Anastásios pelo diálogo entre cristãos e muçulmanos, agradecendo-lhe pela sua capacidade de suscitar comunhão, fraternidade e partilha. Na laudatio, o card. Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, redesenhou o percurso do Metropolita Anastásios, que o levou da Grécia através da África até a Albânia, onde demonstrou como “o diálogo inter-religioso e o empenho missionário não devem estar em contraste”. Além disso, salientou como a partir de 1992 tenha se empenhado, com prudência, para reconstruir e revigorar a Igreja Ortodoxa na Albânia, contribuindo na diminuição das fortes tensões nos Balcãs. Com o “Prêmio Klaus Hemmerle” o Movimento dos Focolares na Alemanha quer honrar, a cada dois anos, uma personalidade relevante no campo do diálogo entre as Igrejas, as religiões e as convicções ideológicas. Entre os premiados, o ex-presidente da Federação Luterana Mundial, o bispo emérito Christian Krause (2006); o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I (2008); a doutora muçulmana Noorjehan Abdul Majid de Moçambique (2016) e o Rabino alemão Henry Brandt de Augsburg na Alemanha (2018).

Andrea Fleming

Paraíso, Paraíso!

Paraíso, Paraíso!

No dia 5 de fevereiro de 2020, o focolarino colombiano Juan Carlos Duque faleceu em um acidente no Centro “Fiore” em Lima, Peru, onde vivia no focolare. Poucos dias antes, preparando-se para o sacerdócio, fora ordenado diácono acompanhado pela comunidade que estava em festa. Trazemos aqui uma carta de despedida escrita por Gustavo Clariá, que morava com ele no focolare. Caríssimo Juan Carlos, Como eu já tinha feito tantas vezes, havia pedido que você me ajudasse, desta vez para entrar na minha conta de email para responder algumas mensagens. Eu tinha a senha, mas não conseguiria responder tudo sozinho. Como sempre, e apesar de já terem nos chamado para almoçar, você cuidou do meu problema e o resolveu com a sua habitual velocidade. O almoço foi como todos os dias: assuntos sérios misturados com piadas engraçadas, sua risada inconfundível, felizes por estarmos todos juntos. Você foi o primeiro a se levantar para levar os pratos para a pia. Depois, saiu correndo para o “seu” Centro Fiore, para tentar religar a grande cisterna de água, que não era usada há muito tempo. Já eu fui descansar. Depois de alguns minutos, meu celular tocou. Era Pacho: “Juan Carlos sofreu um acidente grave… pisou em falso no teto e caiu lá de cima… morreu na hora…”. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo, eu negava o que meus ouvidos escutavam. Só consegui dizer “Meu Deus”, “Meu Deus”, “Meu Deus”… não sei quantas vezes repeti isso e continuei a fazê-lo em silêncio, enquanto corri com Mario diretamente ao Centro Fiore. Incrédulos, constatamos com nossos próprios olhos o que havia acontecido… Aquele dia, 05 de fevereiro, às 15h15, mudou nossa vida. Nada mais era como antes e precisávamos aceitar a realidade. Sabe, eu fui à capela três vezes, confuso, pedindo alguma explicação: “Como é possível?”, “Doamos nossa vida para segui-lo e Você, onde está?…”. Silêncio. Na terceira vez, me respondeu: “Você ainda tem tantas coisas a perder”. Saí quase humilhado, porque entendi que estava muito longe de onde você, Juan Carlos, por outro lado, já havia chegado. Achávamos que você estava se preparando para o sacerdócio… na verdade, estava se preparando para o encontro mais importante da vida. Com o passar das horas e a força de pedir “aumente a nossa fé”, aquela trágica queda que havíamos conferido com nossos pobres olhos, se transformou pouco a pouco, com os olhos da fé, em um “voo” magistral em direção ao Alto. Sim, amigo e irmão, não foi uma queda, mas um VOO. Você já tinha nos anunciado no dia 25 de janeiro, na sua ordenação diaconal. Havia recordado São Filipe Néri, aquele santo toscano genial que, quando foi nomeado monsenhor, jogou o chapéu para cima exclamando “Paraíso, Paraíso”. Ele não se interessava pelos títulos, só pelo encontro com Deus, lá onde você está agora, junto a todos que o precederam. Adeus (= A Deus), caro Juan Carlos! Até que Deus queira que nos reencontremos, todos juntos, para nunca mais nos separar. Sentiremos saudades da sua alegria, suas risadas altas, as arepas e o pollo al sale… a sua disponibilidade e atenção para com cada um de nós, a sua capacidade de resolver problemas e de “dar sabor à vida”, a sua transparência e radicalismo de simples focolarino, amigo de Jesus. Você continua na nossa vida como um farol de luz que nos acompanha e nos guia.

Gustavo E. Clariá