31 Jul 2019 | Sem categoria
“O que você acha?”, “o que você faria se estivesse no meu lugar?”. Quantas vezes alguém nos pede uma ajuda ou entendemos que precisaria dela, ou ainda temos a certeza de que para ajudar aquele amigo, irmão, aquela pessoa, se deveria realmente “fazer assim”. Em poucas linhas, tiradas de “Meditações”, o livro que reúne os seus primeiríssimos escritos espirituais, Chiara Lubich nos convida a mudar de perspectiva e a nos colocarmos do lado de Deus para ter não o nosso, mas o Seu amor para com quem quer que seja. Há quem faça as coisas “por amor”. Há quem faça as coisas procurando “ser o Amor ”. Quem faz as coisas “por amor” pode fazê-las bem; mas pensando, por exemplo, em prestar um grande serviço a um irmão, digamos doente, pode aborrecê-lo com seu falatório, com seus conselhos, com suas ajudas, com uma caridade pouco sensata e pesada. Ele terá um mérito, mas o outro, um peso. Tudo isso porque é preciso “ser o Amor”. O nosso destino é como o dos astros: se giram, existem, se não giram, inexistem. Nós existimos – entendendo-se que vive em nós não a nossa vida, mas a de Deus – se não cessamos um instante de amar. O amor nos faz residir em Deus, e Deus é o Amor. Mas o Amor, que é Deus, é luz, e com a luz vemos se o modo como nos aproximamos e servimos o irmão está em conformidade com o Coração de Deus, está como o irmão gostaria, como ele sonharia se estivesse a seu lado não nós, mas Jesus.
Chiara Lubich
Chiara Lubich, in Ideal e Luz, Ed Cidade, São Paulo, 2003, pág. 113.
30 Jul 2019 | Sem categoria
Ainda tem sentido se empenhar pela fraternidade na política? Na Mariápolis Europeia, no dia 10 de agosto próximo, se renovará o pacto pela fraternidade dos povos, estipulado pela primeira vez 60 anos atrás. Do que se trata? Falamos disso com Marco Titli, do Movimento Político pela Unidade, dos Focolares. É o dia 22 de agosto de 1959, os ecos da guerra ainda ressoam, mas no final da Mariápolis, no vale de Primiero, representantes dos 5 continentes estreitam um pacto de unidade: rezando em 9 línguas, consagram os seus povos a Maria. A fraternidade, querem dizer, é possível. À distância de 60 anos, imersa na atualidade política, a proposta de estreitar um pacto de unidade pela fraternidade dos povos parece utópica: seja que venha “das bases”, como aconteceu em 1959, seja que nasça de uma iniciativa dos governos. Devemos nos resignar ou ainda tem sentido se empenhar pela fraternidade na política? Falamos disso com Marco Titli, 33 anos, colaborador parlamentar, empenhado no Movimento Político pela Unidade, dos Focolares, em Turim, conselheiro de circunscrição: Diante de uma Europa dividida entre integração e particularismos, que mensagem oferece a Mariápolis Europeia? “A função da Mariápolis não é a de entrar na dialética política. A mensagem que se quer dar é que a unidade da Europa é um valor a ser protegido, no respeito das identidades dos países individualmente: se a Europa se rompe voltamos às fronteiras fortificadas; ao invés, pontes e estradas ampliam o olhar e trazem bem-estar. O Movimento dos Focolares entra em rede com outras realidades da Igreja, como sobre a moção contra as exportações das armas no Iêmen, ou então em relação à batalha contra o jogo de azar”. A crise de confiança para com os partidos se aguçou e os cidadãos renunciam à participação ativa. Como reconstruir confiança? “Ao lado da crise da política, vejo também a dos meios de comunicação que enfatizam as más notícias. Muitos prefeitos arriscam a vida para combater a criminalidade organizada ou arriscam a reputação cumprindo atos corajosos pela própria cidade. Também em nível nacional existem políticos que lutam pelo bem comum. Saiamos da indiferença, existe muita gente boa hoje na política”. Ser coerentes com os próprios ideais às vezes pode significar desagradar alguém. Qual é, então, o critério do agir na política? “Se se faz política, é preciso estar dispostos aos compromissos, porque vivemos numa realidade complexa, mas não a qualquer compromisso. Diante de práticas ilícitas ou fatos graves é preciso dizer não, e isto significa também arriscar: muitos administradores caíram porque disseram não e não foram compreendidos nem mesmo pela própria gente. Mas se se rejeita o compromisso e se entra na política para defender as próprias ideias se traz divisão. É uma estrada difícil que encontra resistências, mas o político é chamado a ouvir os interesses particulares, a compô-los num mosaico”. Você pode falar de iniciativas de colaboração entre os partidos da sua cidade? “Estavam construindo uma ponte perto da estação ferroviária de Turim – Porta Susa que une duas partes de cidade que eram separadas pela ferrovia. Junto a outros da minha circunscrição e daquela que seria ligada pela outra parte da ponte, propus dar o nome à estrutura de ‘União Europeia’, símbolo da unidade entre povos diferentes. O projeto foi votado por unanimidade e várias forças políticas estavam presentes no momento da nomeação. Foi um momento de esperança: faço votos de que sinais como estes possam reconstruir nos cidadãos a confiança para com a política”.
Claudia Di Lorenzi
Immagine:© Ufficio stampa Mariapoli Europea
25 Jul 2019 | Sem categoria
Viajando de Damasco para Alepo, passando por Homs. Vejamos com os nossos próprios olhos o que está acontecendo: a reconstrução, a tenacidade do povo para voltar à normalidade em um país onde a guerra ainda não terminou e os escombros obstruem estradas e vidas. A presença e o trabalho do Movimento dos Focolares, através de alguns projetos da AMU e da AFN. https://vimeo.com/343607798
23 Jul 2019 | Sem categoria
Entrevista com Lucia Abignente que, com Giovanni Delama, reconstruiu a história das primeiras Mariápolis no livro Una città tutta d’or (Uma cidade toda de ouro, em tradução livre), que será publicado em setembro pela Città Nuova. A primeira aconteceu há 70 anos nas Dolomitas trentinas. Era verão de 1949 e Chiara Lubich, que em Trento compartilhava a escolha de viver o Evangelho com algumas companheiras, estava passando um período de férias em Tonadico di Primiero. Foi um momento decisivo na história do Movimento dos Focolares: uma experiência mística que permitiu que Chiara compreendesse o projeto de Deus para a Obra que estava nascendo: Obra de Maria. A partir daquele momento, experiências parecidas, chamadas Mariápolis, foram repetidas todos os anos durante o verão, e, com o passar do tempo, seriam replicadas no mundo inteiro. Na história das Mariápolis, os 10 primeiros anos, de 1949 a 1959, foram particularmente significativos. Pode nos explicar o porquê? Aqueles anos marcaram as origens da Mariápolis, a força do carisma da unidade, doado a Chiara por Deus por meio da Igreja, produziu frutos novos. Experimentava-se uma comunhão fortíssima, participada, enriquecida entre pessoas de todas as idades e classes sociais provenientes de diversos países do mundo (em 1959 eram 12.000 de 27 países). É uma intensa experiência de Deus, um caminho de santidade que se faz juntos como irmãos. Delineia-se, assim, a realidade do povo de Deus que o Concílio Vaticano II colocará em luz. Por que o nome Mariápolis? O nome só surgiu em 1955: crescendo ao longo dos anos, essa convivência se configurou como se fosse uma cidade, um povo que se sentia guiado por Maria. O amor evangélico vivido entre todos gerava a presença do divino. As palavras de Jesus se tornavam realidade: “Onde dois ou mais estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt, 18,20). É essa a realidade de luz que inspirou o título do livro. Quais são as características principais desses encontros que, de diversos modos, acontecem ainda hoje? Eu resumiria em uma palavra: comunhão, ou melhor, comunhões. A comunhão na Eucaristia, renovada cotidianamente; a comunhão na Palavra do Evangelho; a comunhão com os irmãos. É essa característica que deu um forte tom à experiência de 1949 e que reencontramos também nos anos seguintes. Daí nasce o empenho de continuar essa experiência nos lugares habituais em que se vive, para contribuir com o desígnio de amor de Deus sobre a Criação e sobre a realidade social que nos acolhe. O que lhe tocou nos relatos de quem participou das primeiras Mariápolis? Ao encontrar aqueles testemunhos, pude constatar que a experiência da Mariápolis não é uma recordação, mas uma realidade ainda viva hoje. Dos relatos escritos, colhi uma autenticidade de uma vida vivida como corpo, em busca da unidade. As Mariápolis produziram também frutos de grande alcance… Primeiramente, o jornal “Città Nuova”, que nasceu durante a Mariápolis para manter os participantes em contato quando voltassem para a casa. Depois, as Mariápolis “permanentes”, cidadelas internacionais estáveis, sobre as quais Chiara já falava em 1956. E os percursos de diálogo, que começaram com pessoas de outras igrejas cristãs, presentes em Fiera já em 1957, e com outras figuras carismáticas dentro da Igreja católica: caminhos de comunhão que se desenvolveriam com o Concílio Vaticano II e com o Magistério seguinte. Além disso, são visíveis os primeiros sinais do comprometimento do Movimento com realidades políticas e sociais. Nas Mariápolis “permanentes” convivem pessoas de diferentes idades, países, culturas e denominações cristãs que colocam em prática o Evangelho. Realidade em que a diversidade se compõe em unidade. Nesta Europa fragmentada de nacionalismos e populismos, que mensagem vem dessas cidadelas? É muito significativo o que o Papa Francisco disse na cidadela de Loppiano há um ano sobre “mística do nós”, que nos faz caminhar juntos na história. Uma realidade já muito viva nas primeiras Mariápolis. Em 1959, por exemplo, apesar dos ecos da guerra, italianos e alemães, e pessoas de várias nacionalidades, superados todas as barreiras, consagram seu povo a Maria: querem faze-lo juntos, como ato de amor recíproco que exprime a realidade de um único povo.
Claudia Di Lorenzi
18 Jul 2019 | Sem categoria
Acabou de começar a primeira Mariápolis Europeia promovida pelo Movimento dos Focolares, em Tonadico nas Dolomitas, de 14 de julho a 8 de agosto No contexto histórico e político de uma Europa dividida e conflitiva, o evento quer testemunhar que o sonho da fraternidade entre os povos não é uma utopia. A intuição original de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, na virada dos anos 40 e 50 do século passado, encontra atuação nos diversos campos do saber, assim como no coração das relações entre os indivíduos e entre os povos. Falamos disso com Padre Fabio Ciardi, responsável do centro de estudos interdisciplinar do Movimento “Escola Abba”: Qual é a ligação entre as experiências místicas que Chiara Lubich teve nos anos 1949 e 1950, durante e depois da primeira Mariápolis, e o nascimento da Escola Abba? “A Escola Abba nasceu para aprofundar o que aconteceu naqueles anos. Chiara teve ocasião de escrever daquela experiência na medida em que acontecia, consciente de que lá havia uma doutrina, valores tão profundos e ricos que poderiam nutrir não somente a Obra, mas também a Igreja. A um certo ponto, sentiu a necessidade de retomar nas mãos aqueles papéis e começou a chamar, ao seu redor, pessoas de um certo nível cultural para entrar em profundidade dentro desta sua experiência e fazer brotar dela a doutrina que já está inerente em si mesma”. Entre as disciplinas objeto de estudo da Escola Abba estão presentes a história e a politologia. A reflexão da Escola nestes âmbitos pode ajudar a compreender as razões de fundação da União Europeia? “A experiência que Chiara fez em 1949, lhe consentiu ter uma visão, do alto, do desígnio de Deus para a humanidade e para a história. Portanto, aqui se encontram valores que estão na base inclusive da Europa. A Escola Abba quer colocá-los em luz e mostrar a sua atualidade. Hoje a Mariápolis nos ajuda a redescobrir aquele desígnio, a compreender qual é o projeto de Deus para a nossa história, para a nossa identidade”. Naqueles primeiros tempos Chiara intuiu que a Europa era chamada a ser unida internamente – Igino Giordani, cofundador do Movimento, desejava o nascimento dos Estados Unidos da Europa – e a se colocar como entidade federativa dos povos no contexto mundial. Hoje, porém, estamos longe daquela visão e a Europa é atravessada por nacionalismos e populismos. Como reencontrar aquele ímpeto e torná-lo “contagioso”? “Tenho a impressão de que na experiência inicial de 1949 haja todos os componentes para alargar o coração, para fazer com que cresça o sentido de fraternidade, acolhimento, partilha, e para promover um caminho juntos. No início, a reflexão de Chiara estava concentrada na Itália: falava de Santa Catarina e São Francisco como os padroeiros da Itália. Mas logo os horizontes se alargaram porque se uniram ao Movimento pessoas de outros países da Europa e de outros continentes e ela via o carisma da unidade vibrar em todos, e cada um encontrava nele os seus valores mais profundos. Chiara via toda a humanidade em marcha na direção da unidade. E isto me parece que seja o ideal fundamental que pode ser atuado também hoje. É preciso uma reflexão cultural que saiba conjugar o grande projeto de Deus para a humanidade com a situação política, histórica, econômica atual”. Portanto, a experiência de uma Mariápolis europeia, que mensagem pode mandar aos cidadãos da Europa? “A ideia de que a unidade europeia não é uniformidade ou imposição, mas é riqueza que vem de uma grande diversidade. Não somente dos povos europeus históricos, mas também dos novos povos que chegam. A Europa se faz, está em construção contínua desde as suas origens, e deveria saber conjugar estes dois elementos: promover a fraternidade, a partilha, a comunhão, a unidade e, ao mesmo tempo, valorizar a grande diversidade cultural, a história particular de cada povo. Acho que a Mariápolis pode ser o novo cadinho no qual se aprende a se respeitar, se amar, a viver juntos”. Portanto, a Mariápolis como “laboratório” de unidade para a Europa. Poder-se-ia objetar que se trata de uma perspectiva utópica… “Os lugares da utopia são lugares imaginários nos quais alguém sonha uma realidade que de fato não existe. A Mariápolis, pelo contrário, é um lugar diferente, não é utópico, mas real, e acho que seja necessário repropor experiências como esta, significativas, mesmo se pequenas, que mostrem como poderia ser o mundo se se vive de verdade a lei da fraternidade, do amor e da unidade”.
Claudia Di Lorenzi