Movimento dos Focolares

Maria Voce

Nasceu em Ajello Calabro (Cosenza – Itália), dia 16 de julho de 1937, primogênita de sete filhos. Seu pai era médico, sua mãe dona-de-casa. No último ano do curso de Direito, em Roma (1959), conheceu, na Universidade, um grupo de jovens focolarinos, e ficou fascinada pelo testemunho evangélico dado por eles. Terminados os estudos exerceu a profissão em Cosenza, tornando-se a primeira mulher a advogar no fórum da cidade. Sucessivamente realizou estudos de teologia e direito canônico. Em 1963 sentiu o imprevisível e “arrebatador” chamado de Deus a seguir a estrada de Chiara Lubich, ao qual respondeu com tempestividade. Deixou uma carreira promissora e foi para a escola de formação das focolarinas, em Grottaferrata (Roma). Chiara deu-lhe o nome de Emmaus, com o qual, desde então, tornou-se conhecida no Movimento. Nome que reevoca o conhecido episódio dos dois discípulos que caminham com Jesus, após a ressurreição e que relembra o coração do carisma do Movimento: Jesus que se faz presente «onde dois ou mais estão unidos» em Seu nome. De 1964 a 1972 esteve na Sicília, nos focolares de Siracusa e Catânia; de 1972 a 1978 fez parte da secretaria pessoal de Chiara Lubich e, nos dez anos seguintes, viveu no focolare de Istambul (Turquia), onde teceu relações em nível ecumênico e inter-religioso, em especial com o então Patriarca de Constantinopla, Demetrio I, e numerosos metropolitas, entre os quais o atual Patriarca Bartolomeu I, além de expoentes de várias Igrejas. Os seus contatos com os seguidores do Islã, nesta metrópole turca, de grande maioria muçulmana, foram caracterizados por um autêntico “diálogo da vida”. Na qualidade de especialista em direito, desde 1995 foi membro da Escola Abba, o Centro de Estudos interdisciplinares, presidido por Chiara Lubich, e desde 2000 foi também corresponsável pela Comissão internacional de “Comunhão e Direito”, rede de profissionais e estudiosos atuantes no campo da jurisprudência. A partir de 2000, e até a sua aprovação em 2007, colaborou diretamente com Chiara Lubich para a atualização dos Estatutos Gerais do Movimento dos Focolares. Em 7 de julho de 2008 foi eleita presidente do Movimento dos Focolares. Desde o início indicou como estilo da presidência, o compromisso a «privilegiar os relacionamentos» e tender, com todas as forças, à finalidade para a qual o Movimento nasceu: buscar a unidade em todos os níveis, em todos os campos, percorrendo as vias do diálogo abertas por Chiara Lubich. Em 27 de julho de 2008, na conclusão da Assembleia geral, Maria Voce foi recebida por Bento XVI, na sua residência de Castelgandolfo, juntamente com o copresidente Giancarlo Faletti e uma representação internacional do Movimento. No dia 23 de abril de 2010 o Papa Bento XVI concedeu-lhe uma audiência privada. O Papa falou do «carisma que constrói pontes, que faz unidade» e recomendou-lhe prosseguir na sua atuação com empenho renovado, através de um amor cada vez mais profundo e na busca da santidade. Em outubro de 2008 participou, e dirigiu a palavra, ao Sínodo dos bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Em 24 de novembro de 2009 foi nomeada pelo papa Bento XVI, consultora do Pontifício Conselho para os leigos. Foi convidada pelo Patriarca Bartolomeu I a ir a Istambul, onde ele a recebeu em audiência no dia 27 de novembro de 2010 Realizou numerosas viagens a fim de encontrar as comunidades do Movimento espalhadas pelo mundo, e continuar os contatos com personalidades do mundo civil e eclesial, do âmbito cultural e político, ecumênico e inter-religioso. Especialmente relevantes: África, em 2009; Ásia em janeiro/fevereiro de 2010; Terra Santa, em fevereiro de 2011; América do Norte em março/abril de 2011; países da América de língua espanhola, março/abril de 2012; Austrália e Nova Zelândia, janeiro/fevereiro de 2013; Jordânia, agosto/setembro de 2013; Brasil, março/abril de 2014. Etapas importantes para reforçar os laços de amizade e colaboração empreendidos nos quase 70 anos de vida do Movimento dos Focolares, e que deixam entrever novos desenvolvimentos no caminho da fraternidade. Em 12 de setembro de 2014 foi eleita para o segundo mandato consecutivo. Em breve tempo chegou a confirmação da Santa Sé – como previsto nos Estatutos dos Focolares. “No início deste segundo mandato, auspiciamos à Dra. Maria Voce uma particular assistência do Espírito Santo e confiamos o seu serviço à intercessão materna de Maria Santíssima, no dia em que celebra-se a festa de seu Santo Nome”, escreveu o cardeal Rylko, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos.

Economia de Comunhão: é a hora da África

Economia de Comunhão: é a hora da África

Economia de Comunhão: um novo paradigma para o desenvolvimento africano é o título da primeira Escola de Verão Pan-africana da Economia de Comunhão, que se realizará de 23 a 25 de janeiro, em Nairobi, Quênia. Os participantes serão 110 jovens empresários que desejam aprender como fazer uma empresa de comunhão, ao lado de especialistas da EdC provenientes dos Estados Unidos, Filipinas e Itália. São esperados jovens de toda a África (Costa do Marfim, Burkina Faso, Mali, Togo, Camarões, África Central, Congo, Quênia, Uganda, Burundi, Tanzânia, Madagascar, África do Sul e Angola), serão faladas quatro línguas: inglês, francês, português e italiano.

Formação, reciprocidade e inculturação são os principais pilares da escola. «A Escola de Verão Pan-Africana baseia-se em três pressupostos. – nos diz Luigino Bruni, responsável mundial do projeto EdC – O primeiro: atualmente a cooperação ao desenvolvimento se faz com as pessoas e não com o capital, sem universidades de qualidade não é possível criar um desenvolvimento sério. Segundo: o método da escola é a reciprocidade; não se pensa em professores do ocidente que vão ensinar jovens africanos. Partindo da grande estima que temos por esta cultura, todos aprenderão com todos. Terceiro: o desenvolvimento não acontece sem uma cultura empresarial e na África de hoje esta ainda falta. A África precisa abrir-se ao mercado salvando as raízes de “comunidade”, muito fortes no DNA da sua cultura. Por isso compreende-se porque a Economia de Comunhão pode ser, de fato, uma oportunidade importante aqui».

Nos dias imediatamente sucessivos, de 26 a 28 de janeiro de 2011, na Universidade Católica de Nairobi (The Catholic University of Eastern Africa), se realizará a Conferência Internacional sobre Economia de Comunhão, para a qual são esperadas mais de 300 pessoas. É a primeira vez que o projeto será apresentado em uma universidade africana. O reitor da Faculdade de Comércio dessa prestigiosa universidade, dr. Aloys Blasie’ Ayako, desejou com força a realização deste evento – no qual se dará uma atenção especial à “cultura da empresa” – porque vê na EdC uma grande esperança para o seu povo.

Para dar continuidade a este momento importante, estão em fase de projeto, na CUEA, cursos de aprofundamento sobre o tema, para difundir uma cultura econômica de empresa para a África, e cuja realização será confiada ao grupo de economistas e estudiosos que, no mundo inteiro, trabalha para o desenvolvimento da Economia de Comunhão.