De 18 a 20 de setembro, o Centro Mariápolis de Castel Gandolfo recebeu o encontro internacional de EcoOne com o tema “Identidade, rede, futuro”. Cientistas, pesquisadores e profissionais provenientes de mais de vinte países dos cinco continentes discutiram sobre uma pergunta crucial: como cuidar do planeta sem separar as questões ambientais da vida das pessoas?
A resposta que saiu do encontro foi clara: a crise atual não é somente ecológica, mas também social, cultural e humana. Por isso não pode ser enfrentada exclusivamente com soluções tecnológicas ou ações de conservação isoladas. É preciso reconstruir relações autênticas entre pessoas, comunidades e meio-ambiente.
Os fundamentos da sustentabilidade relacional
O professor Sergio Rondinara, docente de Epistemologia, retomou as origens de EcoOne como uma instituição de Chiara Lubich de 27 de maio de 1999, radicada na sua experiência mística de 1949. Naquela contemplação do mistério de Deus emergia também uma nova compreensão da ordem da criação, percebida como uma realidade profundamente unida.
A socióloga brasileira Vera Araújo, que participou de maneira online, aprofundou a vocação humana ao cuidado respeitoso da criação. Na área científica, Stefania Papa, ecologista da Universidade da Campânia “Luigi Vanvitelli” e coordenadora internacional de EcoOne, destacou como a biologia contemporânea supera a visão de uma natureza fragmentada: a vida se sustenta graças à interdependência e à cooperação, princípios fundamentais dos ecossistemas.
Dessa consciência, nasce a proposta de EcoOne: conceber o mundo como uma rede de relacionamentos a serem cuidados e regenerados. Uma perspectiva que coloca no centro a qualidade das relações humanas, das escolhas cotidianas e do olhar para o outro.
A contribuição latino-americana
Foi particularmente significativa a contribuição de estudiosos e profissionais latino-americanos que enriqueceram o debate com uma perspectiva crítica e construtiva, capaz de conectar a reflexão ético-teológica com os desafios da justiça social e ambiental.
Lucas Cerviño e Gabriel Ferrero argumentaram que a crise ecológica atual reflete uma fratura antropológica mais profunda, gerada por um modelo de domínio sobre a natureza. Como alternativa, propuseram uma visão “cosmoteândrica” e centrada na vida, na qual Deus, a humanidade e o cosmo estão entrelaçados em uma trama de reciprocidade. Nessa perspectiva, o ser-humano não é proprietário do mundo, mas o responsável por cuidar da criação. Daqui deriva o conceito de “sustentabilidade relacional”, entendida como prática concreta de construção de laços comunitários e ecológicos.
Justiça climática e inclusão social
A mesa redonda “Habitar a Terra dentro de seus limites” suscitou um diálogo entre Norte e Sul do mundo, evidenciando como a crise ambiental e a crise social são aspectos de uma única emergência.
O oceanógrafo brasileiro Edison Barbieri, pesquisador do Instituto de Pesca, destacou que a questão decisiva não é somente sobre o aumento das temperaturas, mas sobretudo sobre quem sofre majoritariamente as consequências da degradação ambiental. Por isso afirmou que não pode existir uma sustentabilidade verdadeira sem equidade nem uma transição ecológica eficaz sem inclusão social.
Para superar a lógica da acumulação e do consumismo, o grupo de trabalho propôs o conceito de “suficiência energética” e estilos de vida baseados na sobriedade e na interdependência. Foram apresentados modelos como o Buen Vivir, inspirado nas culturas ancestrais latino-americanas, e a Economia de Comunhão, ambas orientadas para a regeneração dos relacionamentos, reciprocidade e cuidado da casa comum.
Experiências provenientes da Nigéria e das Filipinas mostraram como a tutela do meio ambiente e o desenvolvimento econômico local podem caminhar juntos, contribuindo para uma maior justiça climática e social.
Uma cultura do encontro
Dentre os temas que emergiram com mais força, havia também o papel da cultura em uma época marcada por polarização e fragmentação. A neurobióloga Catherine Belzung, docente na Universidade de Tours, destacou a necessidade de partir de situações concretas e do encontro com pessoas, para compreendê-las, respeitá-las e valorizar a contribuição.
Mais um motivo de esperança foi dado por Luca Fiorani, pesquisador do ENEA e docente no Instituto Universitário Sophia. Suas reflexões evidenciaram como a sustentabilidade pode ser compreendida antes de tudo como relacionamento. A ciência mesmo mostra, de fato, que o relacionamento não é só um valor ético, mas uma das condições fundamentais da organização da vida.
O relacionamento foi o fio condutor do encontro inteiro: uma realidade filosófica teológica, social e ecológica, mas sobretudo concreta e vivida. Das discussões nasceram novas colaborações e uma paixão renovada por uma ecologia integral capaz de envolver jovens, instituições, empresas e sociedade civil. Emergiu a consciência de que ninguém pode enfrentar sozinho uma crise global: são necessárias redes sempre mais sólidas e a contribuição de todos.
Talvez esse seja o desafio que EcoOne lança para o futuro: transformar o paradigma das relações em um novo modo de habitar a Terra.
EcoOne, expressão do Movimento dos Focolares que reúne profissionais, docentes, técnicos, estudantes e apaixonados do mundo da ecologia, organizou um encontro internacional que ocorrerá de 18 a 20 de setembro de 2026 em Castel Gandolfo (Itália), e contará com a participação de pessoas provenientes dos cinco continentes. Serão três dias de partilha, escuta e discussão sobre o cuidado com a criação.
Identidade, Rede e Futuro: essas são as três palavras-chave que serão discutidas durante o seminário para interpelar os participantes sobre quem somos, como estamos conectados uns com os outros e quais são os objetivos para caminhar juntos.
18 de setembro, IDENTIDADE: “Raízes culturais e espirituais do nosso comprometimento”.
19 de setembro, REDE: “Como enfrentar o desafio dos limites do planeta? Ser atores e difusores de uma cultura ecológica integral”.
20 de setembro, FUTURO: “A paz e o desafio ecológico. Transmitir cultura e percursos concretos de sustentabilidade relacional”.
Não é por acaso que o evento vai ocorrer neste período: de fato, de 01 de setembro a 04 de outubro, estamos no Tempo da Criação, o caminho ecumênico de oração e de comprometimento pelo cuidado da Casa Comum. É um tempo no qual a Igreja, juntamente com outras comunidades cristãs, é convidada a renovar o próprio comprometimento com a Criação, deixando-se guiar pela oração, pela conversão e por gestos concretos de cuidados.
“EcoOne Meeting nasceu do desejo de criar uma oportunidade de encontro e discussão entre pessoas de diversas experiências, competências e proveniências, mas unidas pela atenção ao meio ambiente e ao futuro do planeta”, conta Stefania Papa, responsável de EcoOne. “O objetivo é juntar a contribuição da ciência, da educação, do esforço social e da espiritualidade para construir um diálogo capaz de gerar ideias, colaborações e percursos concretos. Os desafios ambientais e sociais de hoje estão todos coligados entre si e precisam de espaços de escuta recíproca, relacionamentos e trabalho comum. Por isso, o encontro pretende ser também um lugar no qual se possa compartilhar experiências e boas práticas, formar uma rede e reforçar colaborações que já existem.”
EcoOne promove há anos o diálogo entre ciência, ética e sustentabilidade, se inspirando na espiritualidade da unidade de Chiara Lubich e na ecologia integral proposta pelo Papa Francisco na Laudato si’.
O encontro será um passo adiante nessa direção, um laboratório de diálogo e colaboração, no qual reflexão científica, atenção ao meio ambiente e relações humanas possam se encontrar para gerar novos percursos a serem construídos juntos. Um espaço no qual jovens, educadores, profissionais ou simples cidadãos possam compartilhar experiências e explorar projetos em andamento, para o bem da Criação.
Kalera é um pequeno vilarejo do Alto Catanga na República Democrática do Congo, terra natal do abade Jean Baptiste Ilunga Binsela, sacerdote e animador do Movimento Laudato Si’.
Está localizado em uma região extraordinariamente rica de minerais como cobalto e coltan, recursos que alimentam tecnologias e economias no mundo todo. Mesmo assim, Jean Baptiste cresceu em uma realidade muito diferente. Seu vilarejo não tinha eletricidade, tinha poucos postos de saúde e acesso limitado a água e serviços sanitários e nenhuma escola local ou ruas asfaltadas. Inundações atingiram a comunidade repetidamente no decorrer dos anos.
Jean Baptiste deixou Kalera para continuar os estudos e se tornar sacerdote. Depois, voltou ao vilarejo onde, em 2023, algo começou a mudar.
Por meio da formação dos Animadores do Movimento, Jean Baptiste aprofundou uma das mensagens centrais da encíclica Laudato Si’:
Tudo está conectado: fé e criação, pobreza e energia, dignidade humana e economia. Os minerais debaixo da terra e a vida das pessoas que vivem sobre eles.
Essa conversão ecológica levou Jean Baptiste a se fazer uma pergunta difícil: como podia uma comunidade rodeada de recursos que ajudam a alimentar o mundo permanecer sem energia?
A resposta nos lembra que a conversão não pode permanecer só como uma experiência espiritual pessoal.
A água viva é feita para escorrer: escorre quando a contemplação se torna compaixão, quando a fé nos ajuda a ver as ligações entre a Terra e as pessoas que dependem dela, e quando aquela consciência nos leva a agir.
Em Kalera, aquele fluxo se manifestou na forma de energia renovável. Jean Baptiste começou a trabalhar para um vilarejo sem combustíveis fósseis e a instalação de energia solar abriu gradualmente novas possibilidades. As crianças agora podem estudar depois do pôr do sol. As famílias podem recarregar os celulares e continuar conectadas. O posto de saúde local pode refrigerar os medicamentos. A Capela de Santa Ana Rita tem energia elétrica, reforçando a vida pastoral da comunidade.
Para as pessoas de Kalera, essas mudanças pareceram quase um milagre. Jean Baptiste diz que inclusive começaram a comparar o vilarejo delas com Cafarnaum, citado no Evangelho como um lugar de cura e transformação.
A energia solar trouxe luz. Mas algo mais profundo também começou a fluir: a esperança.
Quando a conversão interior se estende para o exterior, de fato, pode nutrir as relações, restabelecer a dignidade, reforçar as comunidades e fazer emergir novos caminhos em lugares esquecidos.
A história de Jean Baptiste diz respeito a um riacho em um rio muito maior: no mundo inteiro, muitas são as comunidades que estão encontrando seu modo de se imergir na Água Viva. E, assim, alimentar um rio que leva cura, unidade e esperança para toda a nossa casa comum neste Tempo da criação 2026.
O Movimento dos Focolares é parceiro do Movimento Laudato Si’. O Tempo da Criação começou em 1989 por iniciativa do Patriarca ecumênico ortodoxo Dimitrios I, que instituiu a Jornada da Oração pela Criação no dia 01 de setembro. Em 2007, a Terceira Assembleia Ecumênica Europeia estendeu essa celebração, transformando-a em um período de um mês que se concluiu em 04 de outubro, dia de São Francisco de Assis. Enfim, em 2015, o Papa Francisco inseriu oficialmente a recorrência no calendário da Igreja Católica Romana, consolidando o caráter ecumênico global. Em 2026, várias igrejas inseriram no próprio calendário litúrgico a nova festividade “Festa da criação em Cristo” e o Papa Leão XIV aprovou a “Missa pela custódia da Criação”para o dia 01 de setembro, início do Tempo da Criação.
Para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado no dia 1º de setembro, o Papa Leão XIV escreveu uma mensagem intitulada “Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices” (Isaías 2, 4).
É um texto que merece ser lido e meditado várias vezes, partindo justamente do título que retoma uma das imagens mais célebres da Bíblia. Isaías imagina que um objeto construído para a guerra é transformado num instrumento agrícola. O que servia para destruir torna-se um utensílio para a produção da vida. É um modo esplêndido para descrever a paz; ligado à atualidade. Atualmente persistem relações delicadas, com conflitos armados que destroem o ambiente e ameaçam a vida de milhões de pessoas.
O Papa Leão invoca a profunda ligação entre paz, cuidado com a criação e dignidade humana, convidando a orientar os recursos à vida e à sustentabilidade. “Hoje, porém, testemunhamos com demasiada frequência exatamente o contrário, já que os esforços continuam a ser direcionados para a violência e a guerra”, escreveu o Pontífice. A guerra “deixa também para trás uma destruição social e ecológica que perdura por gerações. Além disso, a interação entre os conflitos armados e a degradação ambiental cria frequentemente um ciclo vicioso, que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, e compromete a segurança alimentar. Isto faz crescer a pobreza, a desigualdade e novas tensões sociais que podem contribuir para o surgimento de mais conflitos”.
A criação é a “natureza”, ou seja, tudo o que nos circunda! E o homem não é um observador, ele faz parte dela. E o desejo de Isaías se torna hoje apelo a “transformar o que é mal em vida”. Uma conversão que não pode prescindir de um retorno, não apenas ao coração, mas a quem o cura: o Senhor. Porque lá onde o indivíduo se renova, abrem-se novas possibilidades.
“O que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação – afirma o Papa. Este é o caminho da autêntica conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia. A paz, então, começa no coração e flui para as nossas relações, comunidades e para o mundo inteiro”.
O dia 1º de setembro marca, todos os anos, o início do Tempo da Criação, o caminho ecumênico de oração e compromisso pelo cuidado com a Casa Comum, que termina no dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. Trata-se de um tempo no qual a Igreja, com outras comunidades cristãs, é convidada a renovar o próprio empenho, deixando-se guiar pela oração, pela conversão e por gestos concretos de cuidado. O tema deste ano, “Água Viva”, toma em consideração Ezequiel 47, 9-12, como uma potente visão bíblica de esperança e cura ecológica. A imagem da água viva que escorre do santuário de Deus simboliza a cura divina que regenera.
O empenho das comunidades do Movimento dos Focolares
O Tempo da Criação é também uma manifestação de gestos concretos. E dentre as muitas iniciativas de que temos notícias, vamos nos deter em duas, da América Latina: Brasil e Uruguai.
No Brasil, o projeto Descarbonize está transformando as escolas em locais onde os jovens podem conhecer, compreender e enfrentar concretamente os desafios ambientais do nosso tempo.
Estudantes e professores são envolvidos num percurso de formação sobre as mudanças climáticas, a sustentabilidade e a justiça ambiental, desenvolvendo não apenas conhecimento, mas a capacidade de participar e assumir responsabilidades na própria comunidade.
A experiência provem do programa internacional “Decarbonize” do Centro Global de Educação, realizado em parceria com a Universidade de Alberta, no Canadá. Ponto central é a liderança dos jovens, a justiça climática, a luta contra o racismo ambiental e a participação política, em sintonia com a Agenda 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Carta da Terra e os direitos humanos.
Os jovens não se limitam e escutar ou estudar: pesquisam, compartilham o que descobriram e participam da vida pública.
A experiência tornou-se ainda mais significativa quando os estudantes tiveram a possibilidade de participar de momentos institucionais, como as conferências COP, o Congresso Nacional brasileiro e as assembleias legislativas estaduais.
Descarbonize mostra que educar para a sustentabilidade significa também dar aos jovens voz, instrumentos e confiança., para que possam tornar-se cidadãos ativos e protagonistas do cuidado com a casa comum.
O Centro Mariápolis ‘O Pelicano’ a poucos quilômetros de Montevidéu, no Uruguai, propõe uma maneira concreta e envolvente de educar na ecologia integral. O Centro, nascido da experiência do Movimento dos Focolares, está mergulhado no verde, e oferece às crianças um espaço em que a natureza se torna lugar de aprendizagem e descobertas. Por meio de ações educativas, feitas ao ar livre, as crianças menores podem entrar em contato com o ambiente: observar, conhecer e aprender a respeitá-lo.
Em 2022 esta experiência deu um passo adiante graças ao projeto “O Pelicano: centro de recursos ecológicos para a educação na primeira infância”, apoiado pelo Seed Funding Program, de New Humanity.
A ideia é transformar o Centro em um local de recursos para a educação ambiental das crianças menores. Laboratórios, excursões na natureza, uma horta biológica e atividades de reciclagem tornam-se ocasiões para aprender enquanto se faz. Uma criança que cultiva uma horta, observa uma planta, anda pelo bosque ou aprende a dar vida nova a um material descartável não está somente adquirindo noções: está construindo uma relação com a natureza.
A experiência não termina nas crianças. Por meio delas o projeto quer envolver também as famílias, a fim de que aquilo que experimentam e aprendem possa continuar na vida de todos os dias.
O Pelicano nos ensina uma lição preciosa: a ecologia pode ser educada desde a infância, através da beleza, da concretude e da participação, ajudando as novas gerações a sentirem-se parte da casa comum e responsáveis pelo seu cuidado.
Organizada pelo Conselho Irlandês de Igrejas (ICC, na sigla em inglês) e pelo Encontro Inter Igrejas Irlandês, a presença de líderes das Igrejas na Irlanda, evidenciou a importância do encontro; participaram: O arcebispo Eamon Martin (da Igreja Católica, de Armagh), o arcebispo John McDowell (da Igreja da Irlanda, de Armagh), o Rev. Dr. John Kirkpatrick (da Igreja Presbiteriana na Irlanda), a Rev. Dra. Heather Morris (Secretária Geral da Igreja Metodista na Irlanda) e a bispa Sarah Groves (da Igreja Morávia e Presidente do ICC).
A crise ecológica que atinge o Lago Neagh foi o principal movente da conferência, que abriu um diálogo profundo sobre a água, a justiça, e sobre a nossa responsabilidade coletiva pela terra que compartilhamos.
Uma visão da ecologia integral
Para os representantes do Movimento dos Focolares, os conteúdos da conferência encontravam-se perfeitamente alinhados com o direcionamento estabelecido pela Assembleia Geral do Movimento, de 2021. Durante aquela Assembleia todo o Movimento foi chamado a uma “conversão à ecologia integral”, uma mudança de mentalidade e de estilo de vida, que reconheça a profunda conexão entre as relações humanas, a justiça social e a natureza.
Tal visão foi claramente refletida no encontro de Newry, que conectava diferentes tradições cristãs e contextos urbanos e rurais. Fran Maher, membro do grupo Laudato Sì, do focolare de Balbriggan, salientou este aspecto: “Fiquei impressionado com todos os relatores, especialmente com Gail Heffner, quando falou da reconciliação das relações”. Hilda Killian, da Arquidiocese de Dublin, acrescentou: “Foi uma oportunidade maravilhosa de encontro e partilha com outras Igrejas. Conversando com os outros tive a confirmação que somos mais unidos de quanto pensamos” – uma reflexão oportuna, nas vésperas da Semana de Oração pela Unidade Cristã.
Perspectivas de especialistas e urgência moral
Os relatores convidados abordaram o tema da crise ecológica sob múltiplas perspectivas: o ministro Andrew Muir, MLA, falou sobre responsabilidade política e legislativa; Hilary Marlow, sobre os fundamentos bíblicos e teológicos; Jim McAdam sobre a pesquisa científica e agrícola; Gail Heffner sobre reconciliação educativa e comunitária.
As suas particulares contribuições mostraram uma convicção compartilhada: o dano ecológico é inseparável da injustiça social. Uma mudança significativa exige seja uma conversão pessoal seja uma transformação estrutural. Os arcebispos Martin e MacDowell acrescentaram outras reflexões, sublinhando a necessidade de escutar os depoimentos científicos, em fase de cooperação entre a liderança cívica e política.
Vozes da terra
Um ponto de força, que marcou o evento, foi a participação de grupos locais comprometidos em ações práticas, desde a restauração de habitats e a proteção de cursos de água até à educação ambiental; paróquias e escolas partilharam experiências radicadas nas suas comunidades.
Recordava-se que a fé nos chama a ser “agentes, não simples ouvintes”. E tudo era visível em atitudes pessoais e comunitárias: plantar árvores típicas do lugar e proteger os insetos polinizadores; conservar a água e reduzir o consumo; trabalhar como os agricultores como guardiões da terra; reforçar a oração nas paróquias e construir pontes entre as comunidades.
De Castelgandolfo e Newry
A Conferência de Newry deu continuidade à Conferência Raising Hope, realizada em Castelgandolfo (Itália) em outubro passado. Durante o encontro internacional, em Castelgandolfo, emergiu a esperança que se alicerça na ação concreta e na unidade, temas que ecoaram fortemente na conferência de Newry. Ambos os eventos confirmam que a ecologia integral não é algo “extra”, opcional, mas uma dimensão central para que o carisma da unidade seja vivido, hoje.
Um olhar ao futuro: água viva
Com um olhar ao futuro, os participantes foram encorajados a apoiar iniciativas que enfrentem as raízes da crise, entre estas a defesa de uma transição sustentável e o compromisso com o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis fósseis.
Houve ainda um forte chamado a preparar-se para a Estação da Criação 2026, centralizada no tema “Água Viva”. Para a comunidade do Movimento dos Focolares na Irlanda, será uma oportunidade concreta para aprofundar ações e estudos sobre a água como fonte de vida, comunhão e justiça.
O arcebispo Eamon Martin recordou um ditado irlandês: “Ní neart go cur le chéile” (não existe força sem unidade). A conferência de Newry foi um convite potente para lembrar-nos que quando caminhamos juntos, escutando, aprendendo e agindo, também os pequenos gestos podem se tornar uma corrente viva de esperança.
Du 26 janvier au 1er février 2026 se tiendra en présentiel la semaine de clôture du programme biennal de formation à l’action politique promu par New Humanity ONG du Mouvement des Focolari, en collaboration avec la Commission pontificale pour l’Amérique latine.
L’evento, con la metodologia dell’Hackathon, vedrà la partecipazione di 100 giovani leader dei cinque continenti, impegnati nei propri Paesi in ambito politico e sociale, di diverse culture e convinzioni politiche. Dopo mesi di intenso lavoro online, i giovani si ritroveranno a Roma in presenza per tradurre il percorso di apprendimento, che hanno condiviso da remoto, in proposte di incidenza politica: la sfida che dovranno affrontare è quella di ideare processi e strumenti idonei ad affrontare i punti di crisi che emergono nell’esercizio del potere politico, nelle relazioni e nelle istituzioni politiche.
Grande atenção será dada à dimensão participativa das políticas, até definir pistas comuns, que serão avaliadas e apresentadas na tarde aberta ao público, a jovens e políticos interessados.
“Oggi ci troviamo di fronte a problemi gravissimi – spiega Javier Baquero, giovane politico colombiano, presidente Movimento politico per l’unità/Mppu internazionale -. Ciò che va coltivata è una cultura politica che guardi all’umanità che è una e al pianeta come casa comune. A nostro parere, c’è un diverso paradigma che dobbiamo esplorare e sperimentare insieme, imparando a comporre le nostre diverse visioni a partire da alcuni valori universali”.
“Uma resposta à altura das questões dos nossos povos não poderá vir apenas da reforma das fórmulas institucionais ou de um tratamento empresarial, que muitas vezes parece vazio de conteúdos democráticos” – confirma Argia Albanese, presidente do Mppu Itália. “O nosso ponto de partida é sempre a ligação social e comunitária, a fraternidade e a sororidade universal”.
A semana conclui a formação interdisciplinar – centralizada na ecologia integral, economia civil, governança colaborativa e comunicação generativa – que iniciou em maio de 2025, com o suporte de especialistas qualificados, provenientes de várias instituições acadêmicas: Rotterdam School of Management/Países Baixos, Universidade de Coimbra/Portugal, Universidad Nacional de La Plata/Argentina, Georgetown University/Washington DC, University of the Philippines, Universidade de Ribeirão Preto/Brasil, Escuela Superior de Administración Pública Bogotá/Colômbia, University of Dschang/Camerões, Instituto Universitário Sophia/Itália.
Segue a estrutura principal da semana:
Dois dias de Hackathon, nos quais os jovens, divididos em grupos linguísticos, deverão encontrar soluções aos problemas coletivos designados.
Diálogos com especialistas e políticos formadores de opinião, para conectar a reflexão e as propostas, num amplo quadro internacional.
Um encontro público para apresentar os valores do Hackathon e conhecer a experiência de políticos comprometidos, a vários níveis e de diferentes tendências.
Visitas e atividades na capital italiana, em centros de pesquisa e de ação social (em favor de migrantes, pelos direitos das mulheres, pela justiça climática, o trabalho, sobre o tema dos armamentos…).
Workshop para definir as impostações da rede global do II ano, e a sua governança.
Já está agendada, para sábado, dia 31 de janeiro, a aguardada audiência com o Papa Leão XIV, em São Pedro. Participarão também os representantes dos Centros do Mppu que virão à Roma para a ocasião; com os jovens, terão a oportunidade de avaliar os resultados da experiência, bem como programar as novas etapas.
É um laboratório intensivo, no qual é possível trabalhar na busca de soluções a problemas coletivos. A ideia vem do mundo da inovação digital, aplicando à esfera cívica a lógica do “fazer juntos e rapidamente”.
Integrando competências políticas, administrativas, econômicas, comunicativas, sociais, tecnológicas, articula-se em diversas fases: análise dos problemas e das necessidades, definição das prioridades e dos atores, desenvolvimento de propostas operativas e instrumentos para a ação pública.
Considerando as temáticas aprofundadas durante o ano, os participantes deverão enfrentar alguns desafios, por exemplo: corrupção, governança oligárquica, monopólios midiáticos, polarização, crise de representatividade, abstenção eleitoral…
No tempo disponível e com o apoio dos coach, cada grupo passará do diagnóstico à proposta, desenhando mapas dos problemas, analisando dados disponíveis, projetando ideias possíveis de implementação. No final, os grupos apresentarão as soluções alcançadas: protótipos dos planos de intervenção, iniciativas políticas e projetos de impacto cultural, modelos participativos, instrumentos e planos de comunicação…
O valor acrescido não se constitui apenas das ideias elaboradas, mas no método, que demosntra como as soluções aos problemas públicos podem ser projetadas juntos, com criatividade e rigor, valorizando e integrando perspectivas diferentes, na busca de soluções eficazes para fazer crescer a qualidade e as qualidades de uma política ao serviço da unidade da família humana.