13 Nov 2020 | Sem categoria
O “Global Compact on Education”, promovido pelo papa Francisco, convida todas as pessoas a aderir a um pacto. Conversamos com Silvia Cataldi, socióloga, docente na Universidade La Sapienza, em Roma.
Os protagonistas são eles, depositários da esperança por um mundo mais justo, solidário, de paz. O “Global Compact on Education”, promovido pelo papa Francisco, vê os jovens como destinatários dos percursos educativos e agentes dos mesmos. Envolvidos juntamente com suas “famílias, comunidades, escolas e universidades, instituições, religiões, governantes” em uma “aliança educativa” por uma humanidade mais fraterna e em paz. Falou-se disso durante o encontro “Insieme per guardare oltre” (Juntos para olhar além) que ocorreu na Pontifícia Universidade Lateranense (Roma, Itália) no dia 15 de outubro, durante o qual o Santo Padre, em uma mensagem por vídeo, exortou todas as pessoas de boa vontade a aderir ao pacto. Silvia Cataldi, socióloga, docente na Universidade La Sapienza, em Roma, esteva presente para comentar as palavras do papa. Nos últimos anos, registramos um forte protagonismo dos jovens nos grandes temas atuais. Parece obsoleto o modelo educativo que os vê como sujeitos passivos… “Muitas vezes, o limite dos modelos educativos é aquele de entender mal a cultura como conhecimento superficial. O pedagogo Paulo Freire fala de “educação depositária”, em que o saber pode ser derramado ou depositado como em um recipiente. No entanto, esse saber tem dois riscos: o de permanecer abstrato e desassociado da vida, e aquele de pressupor uma visão hierárquica do saber. Com relação a isso, o pacto me toca como educadora, porque nos convida a escutar o grito das gerações jovens, a permitir que eles façam os questionamentos. Devemos perceber que a educação é um percurso participativo, não unidirecional.” Portanto, o que significa educar? “O termo cultura vem de colere e significa cultivar. É, portanto, um verbo contínuo, é preciso estar lá, dedicar tempo e espaço, partir das perguntas e não do fornecer as respostas. Mas também tem o significado de cuidar, amar. Por isso o pacto me toca quando diz com força que ‘a educação é sobretudo uma questão de amor’. Quando se fala de amor, se pensa no coração, no sentimento. Mas o amor tem uma dimensão eminentemente prática, requer mãos. Então nós, educadores, fazemos nosso trabalho só se sabemos reconhecer que a educação é cuidado. O cuidado cotidiano é um gesto revolucionário porque é um elemento de crítica e de transformação do mundo. Hannah Arendt o explica bem quando diz que ‘A educação é o momento que decide se amamos o suficiente o mundo porque nos leva a transformá-lo’.” Como fazer com que o pacto não seja um simples apelo? “O convite à fraternidade universal – o coração do pacto – tem implicações importantes, mas porque tem realmente um poder transformador deve promover uma mudança de perspectiva que leva a acolher a diversidade e curar as desigualdades. O sociólogo francês Alain Caillé diz que a ‘fraternidade é plural’, e isso significa que, se no passado a fraternidade existia só entre os iguais, de mesmo sangue, em uma classe ou em um grupo, hoje é preciso reconhecer ‘a especificidade, a beleza, a individualidade’ de cada um. Além disso, se somos todos irmãos, então nosso modo de conceber a realidade muda, porque a olhamos de uma perspectiva específica, que é aquela dos últimos e somos impulsionados a agir, por exemplo, para tutelar os direitos fundamentais das crianças, das mulheres, dos idosos, das pessoas com deficiência e dos oprimidos.”
Claudia Di Lorenzi
11 Nov 2020 | Sem categoria
O compromisso dos jovens do Movimento dos Focolares de Ho Chi Minh City, no Vietam, pelas pessoas em dificuldades: assumir suas necessidades com a distribuição de 300 cestas básicas para as famílias e 370 brinquedos para as crianças.
No mês de julho de 2020, alguns Gen 2, jovens dos Focolares, de Ho Chi Minh City, no Vietnam, quiseram fazer algo concreto pela operação #daretocare – #ousarcuidar, a campanha dos jovens dos Focolares para “carregar o peso” das nossas sociedades e do planeta -, ajudando as pessoas da comunidade que passavam dificuldades. Decidiram compartilhar o seu amor no bairro de Cu M’gar, na província de Dak Lak. É um lugar onde existe a maior área de plantio de café e o povo é proveniente de outra etnia. Cerca de oito horas de viagem de Ho Chi Minh City. “Começamos a confeccionar e vender fruta, iogurte e batata-doce online. Fizemos coleta de roupas usadas para crianças e adultos, recebemos algumas doações, e quando terminaram as restrições pelo Covid 19 pudemos vender essas coisas na paróquia, como uma “arrecadação de fundos”. Durante a preparação, o grande desafio para nós foi tomar as decisões juntos, não faltaram mal entendidos e desacordos. Mas, sabendo que 300 famílias nos esperavam, continuamos em frente, com amor, paciência e um pouco de sacrifício.
Nos dias 17 e 18 de outubro, com 30 jovens cheios de energia e entusiasmo, fizemos uma viagem muito significativa. Distribuímos 300 cestas básicas para as famílias e 370 pequenos presentes para as crianças. Durante a viagem percebemos o quanto somos afortunados e felizes diante da situação que vivem essas famílias. Compartilhamos as coisas que levamos para demonstrar a eles o nosso amor, mas no final recebemos mais AMOR por meio dos seus sorrisos… na verdade, cada vez que nos aproximávamos deles parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Alguns jovens do Movimento levaram seus amigos nessa viagem. Estávamos juntos, de várias partes do Vietnam. Havia muita alegria por nos conhecermos, rir e fazer algo concreto todos juntos, como irmãos e irmãs, sem distinções. Obrigado pelo projeto #daretocare, uma ótima desculpa para trabalhar juntos e construir a fraternidade entre todos nós”.
Os Gen e jovens do Movimento dos Focolares no Vietnam.
9 Nov 2020 | Sem categoria
Uma espiritualidade comunitária também conhece uma “purificação” comunitária, como explica Chiara Lubich no texto a seguir. Como o irmão amado no estilo evangélico é motivo de enorme alegria, a ausência de relacionamento e de unidade com os outros pode causar sofrimento e dor. E, já que também a vida comunitária não é e não pode ser apenas vida comunitária, mas também plenamente pessoal, é experiência geral que, quando nos encontramos a sós, depois de ter amado os irmãos, percebemos na alma a união com Deus. […] Por isso, pode-se dizer que quem vai ao irmão […], amando como o Evangelho ensina, descobre-se mais Cristo, mais homem. E, como procuramos estar unidos com os irmãos, amamos de modo especial, além do silêncio, a palavra, que é meio de comunicação.Falamos para nos fazermos um com os irmãos. Falamos, no Movimento, para nos comunicar nossas próprias experiências sobre a prática da Palavra de Vida, ou sobre a própria vida espiritual, conscientes de que o fogo não comunicado se apaga e de que essa comunhão de alma é de grande valor espiritual. São Lourenço Justiniano dizia: “(…) De fato, nada no mundo rende mais louvor a Deus e mais o revela digno de louvor do que o intercâmbio humilde e fraterno de dons espirituais…”[1]. […] E, quando não falamos, escrevemos: escrevemos cartas, artigos, livros, diários, para que o Reino de Deus cresça nos corações. Usamos todos os meios modernos de comunicação. […] Também no (nosso)Movimento praticamos as mortificações indispensáveis a toda vida cristã, fazemos as penitências, especialmente as que a Igreja aconselha, mas temos um especial apreço por aquelas que a vida de unidade com os irmãos oferece. Ela não é fácil para o “homem velho”, como o chama são Paulo[2], sempre pronto a ganhar espaço dentro de nós. Além disso, a unidade fraterna não se compõe uma vez por todas; é necessário sempre reconstruí-la. Se, quando a unidade existe — e por meio dela existe a presença de Jesus em nosso meio —, sentimos uma alegria imensa, a alegria que Jesus prometeu em sua prece pela unidade, quando a unidade falta, as sombras e a desorientação tomam seu lugar. Vivemos numa espécie de purgatório. E essa é a penitência que devemos estar prontos a enfrentar. É aqui que deve entrar em ação o nosso amor por Jesus crucificado e abandonado, chave da unidade; é aqui que, por amor a Ele, solucionando antes em nós toda dor, fazemos todo o esforço para recompor a unidade.
Chiara Lubich
De: Uma espiritualidade de comunhão. In: Chiara Lubich, Ideal e Luz, São Paulo 2003, pag. 48. [1] S. Lorenzo Giustiniani, Disciplina e perfezione della vita monastica, Roma 1967, p.4. [2] Homem velho: no sentido paulino de homem prisioneiro do próprio egoísmo, cf. Efésios 4,22.
7 Nov 2020 | Sem categoria
O economista Luigino Bruni, um dos especialistas chamados pelo papa Francisco para fazer parte da Comissão vaticana COVID-19, tem certeza de que a lição da pandemia ajudará a redescobrir a verdade profunda conectada à expressão “bem comum”.
Saúde, educação, segurança são os alicerces de qualquer nação e por isso não podem entrar no jogo dos lucros. O economista Luigino Bruni, um dos especialistas chamados pelo papa Francisco para fazer parte da Comissão vaticana COVID-19 (Projeto “COVID-19 Construir um Futuro Melhor”, criado em colaboração com o Dicastério para a Comunicação e o Desenvolvimento Humano Integral), tem certeza de que a lição da pandemia ajudará a redescobrir a verdade profunda conectada à expressão “bem comum”. Porque, sustenta, tudo é fundamentalmente bem comum: a política em seu sentido maior, a economia que olha para o homem antes do lucro. E neste novo paradigma global que pode nascer no pós-COVID, a Igreja, afirma, deve ser “fiadora” desse patrimônio coletivo, já que está extrínseca à lógica do mercado. A esperança, para Bruni, é que essa experiência condicionada por um vírus sem fronteiras não nos deixe esquecer “a importância da cooperação humana e da solidariedade global”. O senhor faz parte da Comissão vaticana COVID-19, o mecanismo de resposta instituído pelo papa Francisco para enfrentar uma pandemia sem precedentes. Pessoalmente, o que espera aprender com essa experiência? De que modo a sociedade, com suas complexidades, poderá se inspirar no trabalho da Comissão? A coisa mais importante que aprendi com essa experiência é a importância do princípio de precaução e do bem comum. O princípio de precaução, pilar da Doutrina da Igreja, a grande ausência na fase inicial da epidemia, nos diz algo extremamente importante: o princípio de precaução é vivido de modo obsessivo a nível individual (basta pensar nos seguros que estão invadindo o mundo), mas está totalmente ausente a nível coletivo, o que torna as sociedades do século 21 extremamente vulneráveis. É por isso que os países que adotaram o Estado de bem-estar social se mostraram muito mais fortes do que aqueles administrados totalmente pelo mercado. E o bem comum: como um mal comum nos revelou o que é um bem comum, a pandemia nos fez ver que com os bens comuns é necessário ter a comunidade e não só o mercado. A saúde, a segurança, a educação não podem ser deixadas à mercê dos lucros. O papa Francisco pediu à Comissão COVID-19 para preparar o futuro ao invés de preparar-se para o futuro. Neste desafio, qual deveria ser o papel da Igreja católica como instituição? A Igreja católica é uma das pouquíssimas (se não a única) instituição que garante e protege o bem comum global. Não havendo interesses privados, pode perseguir o interesse de todos. Por isso é muito escutada hoje, por essa mesma razão tem uma responsabilidade de agir em escala mundial. Quais ensinamentos pessoais (se houver) o senhor tirou da experiência desta pandemia? Quais mudanças concretas o senhor espera ver depois desta crise, seja do ponto de vista pessoal ou global? O primeiro ensinamento é o valor dos bens relacionais: não podendo nos abraçar nesses meses, redescobri o valor de um abraço e de um encontro. O segundo: podemos e devemos fazer muitas reuniões online, adotar o home office e horários flexíveis, mas para as decisões importantes e para os encontros decisivos, o online não basta, precisamos do encontro físico. Portanto, a explosão do virtual está nos fazendo descobrir a importância dos encontros em carne e osso e da inteligência dos corpos. Espero que não esqueçamos as lições desses meses (porque o homem esquece muito rápido), em particular a importância da política como a redescobrimos nesses meses (como a arte do bem comum contra os males comuns), e que não nos esqueçamos da importância da cooperação humana e da solidariedade global.
Preparar o mundo pós-COVID significa também preparar as gerações futuras, aquelas que amanhã serão chamadas a decidir, a traçar novos caminhos. A educação, nesse sentido, não é só uma “despesa” a ser repensada, inclusive nos tempos de crise? A educação, sobretudo a das crianças e dos jovens, é muito mais do que uma “despesa”… é o investimento coletivo com a taxa mais alta de rendimento social. Espero que quando as escolas reabrirem, nos países onde ainda estão fechadas, seja um dia de festa nacional. A democracia começa nos bancos da escola e ali renasce em cada geração. O primeiro patrimônio (patres munus) que passamos entre as gerações é aquele da educação. Dezenas de milhões de meninos e meninas no mundo não têm acesso à educação. Pode-se ignorar o artigo 26 da Declaração dos Direitos Humanos que garante o direito à educação a todos, gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares e fundamentais? Claramente não deveria ser ignorado, mas não podemos pedir que o custo da escola seja sustentado inteiramente por países que não têm recursos suficientes. Deveríamos dar vida logo a uma nova cooperação internacional com o slogan: “a escola para crianças e adolescentes é um bem comum global”, em que os países com mais recursos ajudem os que têm menos a tornar real o direito ao estudo gratuito. Essa pandemia está nos mostrando que o mundo é uma grande comunidade, devemos transformar esse mal comum em novos bens comuns globais. Também nos países ricos, o gasto com a educação sofreu cortes, às vezes gigantes. Pode haver um interesse em não investir nas gerações futuras? Se a lógica econômica tiver a vantagem, aumentarão os pensamentos do tipo: “por que devo fazer algo pelas futuras gerações, o que elas fizeram por mim?”. Se o quid pro quo, o comportamento comercial, se tornar a nova lógica das nações, investiremos sempre menos nas escolas, faremos sempre mais dívidas que as crianças de hoje pagarão. Devemos ser generosos, cultivar virtudes não-econômicas como a compaixão, a gentileza, a generosidade. A Igreja católica está na linha de frente para oferecer educação aos mais pobres. Mesmo em condições de grande dificuldade econômica, porque como vemos neste período de pandemia, o lockdown teve um impacto considerável nas escolas católicas. Mas a igreja está aqui e acolhe todos, sem distinção de fé, abrindo espaços de encontro e diálogo. O quanto é importante esse último aspecto? A Igreja sempre foi uma instituição do bem comum. A parábola de Lucas não diz qual era a fé do homem meio morto socorrido pelo samaritano. É justamente durante as grandes crises que ela recupera a sua vocação de “Mater et magistra”, que aumenta a estima dos não-cristãos pela Igreja, que volta a ser aquele mar que acolhe a todos para doar tudo a todos, principalmente aos mais pobres, porque a Igreja sempre soube que o indicador de todo bem comum é a condição dos mais pobres. Quais resultados pode trazer o ensino da religião, das religiões, em um mundo sempre mais tentado a se dividir, e que favorece o entretenimento do medo e da tensão? Depende de como se ensina. A dimensão ética presente em toda religião não é o suficiente. O grande ensinamento que as religiões podem dar hoje tem a ver com a vida interior e a espiritualidade, porque a nossa geração, no intervalo de poucas décadas, gastou um patrimônio milenar construído de sabedoria antiga e de piedade popular. As religiões devem ajudar os jovens e a todos a reescrever uma nova gramática da vida interior, e se não o fizerem, a depressão será a peste do século 21.
Fonte: Vatican News
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5 Nov 2020 | Sem categoria
Nestes meses, a comunhão de bens desenvolveu-se ainda nas comunidades dos Focolares no mundo, respondendo a tantos pedidos de ajuda. A comunhão de bens extraordinária para a emergência Covid-19 faz-nos experimentar mais uma vez a realidade de “ser sempre família”, que não conhece fronteiras ou diferenças, mas faz emergir a fraternidade universal, como sustenta o Papa Francisco através da última encíclica “Todos Irmãos”. Esta comunhão realiza-se por meio de verdadeiros laços ou atos de amor e lembra a experiência dos primeiros cristãos: eles, conscientes de terem formado um só coração e uma só alma, colocam todos os seus bens em comum, testemunhando o amor superabundante de Deus e trazendo esperança. Nestes meses de pandemia, a comunhão de bens desenvolveu-se ainda mais entre as diversas comunidades do Movimento dos Focolares em todo o mundo, respondendo a tantos pedidos de ajuda.
Na Ásia, em Taiwan e no Japão, uma Gen, jovem do Movimento dos Focolares, iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar a comunidade na cidade de Torreón, México. Ròisìn, uma Gen de Taiwan, tendo tomado conhecimento da experiência dos Gen mexicanos em ajudar as famílias pobres afetadas pelo vírus, sentiu imediatamente a necessidade de agir. Junto com as outras Gen de sua cidade, lançou um apelo a toda a comunidade do Focolare em Taiwan, que imediatamente aderiu à iniciativa, angariando fundos para amigos no México. Depois, também as e os Gen do Japão aderiram à iniciativa. Na Tanzânia, entretanto, uma das famílias da comunidade estava sem luz porque a bateria do pequeno sistema solar estava esgotada. “Algum tempo antes – escrevem da comunidade local – um de nós havia recebido 50 euros, cerca de 120.000 shellini tanzanianos, para doar a alguma família em dificuldade. Falamos sobre isso juntos e chegamos à conclusão de dar essa soma que cobria cerca de 60% do custo. A família foi capaz de comprar a nova bateria e colocar a luz de volta na casa. Após alguns dias, chegou uma doação de 1.000.000.000.000 de shellini tanzanianos para as necessidades do Focolare: quase 10 vezes mais…cem vezes!!!”.
A comunidade de Portugal, após uma atualização sobre a situação global do Centro Internacional dos Focolares, decidiu ampliar o horizonte para além de suas fronteiras. “A soma que coletamos até agora – escrevem – é o resultado de pequenas renúncias, bem como de somas imprevistas que não esperávamos receber. Vemos que a consciência da comunhão cresce na vida cotidiana de cada um de nós: juntos podemos tentar superar não só estes obstáculos causados pela pandemia, mas que ela se torne um modo de vida”. No Equador, J.V. tem conseguido envolver muitas pessoas na cultura da partilha. Tudo nasceu de “um telefonema para um colega para ter notícias suas – diz ele – e compartilhar suas preocupações com sua família e as pessoas de sua aldeia que estão sem comida”. Ele abriu uma página no facebook e enviou e-mails para divulgar a situação precária desta aldeia. Assim iniciou-se uma grande generosidade não só dos habitantes de seu bairro, mas também de outros lugares. Os amigos e familiares deste colega podem agora comprar alimentos e ajudar até mesmo as pessoas mais pobres. No Egito tudo está fechado por causa do lockdown, mesmo o trabalho da fundação “Mundo Unido” que, através de projetos de desenvolvimento em favor de pessoas que vivem situações de fragilidade social, transmite a cultura da “fraternidade universal”. “O que podemos fazer e onde podemos ajudar?”, perguntaram-se. E assim, apesar do lockdown e “através das comunidades de várias igrejas, mesquitas e outras organizações sociais, conseguimos expandir o grupo de pessoas para ajudar: famílias dos bairros mais pobres do Cairo, viúvas, órfãos, pessoas sozinhas e idosos, refugiados da Etiópia, Eritréia, Norte e Sul do Sudão”. Hoje somos capazes de preparar 700 embalagens de alimentos básicos. Nossa meta é chegar a 1.000 pacotes”. Na República Democrática do Congo, os Gen de Kinshasa iniciaram uma comunhão de bens, criando um fundo para ajudar os mais necessitados. Desse modo, nove famílias receberam sabão, açúcar, arroz e máscaras. Estes testemunhos foram muito além da ajuda financeira: como diz Ròisìn, de Taiwan, “mesmo os tempos mais sombrios podem ser iluminados pelo amor e pela solidariedade, e mesmo se isolados uns dos outros, estamos mais próximos de alcançar um mundo unido”.
Lorenzo Russo
Se quiser dar a sua contribuição para ajudar aqueles que sofrem os efeitos da crise global da Covid, vá a este link
4 Nov 2020 | Sem categoria
Cuidar dos outros reconstrói a comunidade: esta é a experiência de Teresa Osswald, que na cidade do Porto, em Portugal, é a animadora de um pequeno grupo de crianças. Preste atenção ao que está acontecendo ao nosso redor. Devotar tempo e energia aos necessitados. Colocando-nos no lugar um do outro e compartilhando suas alegrias e trabalhos. Muitas vezes, amar os que nos rodeiam significa entrar nas nas tramas da vida cotidiana e aproximar-nos deles. Esta é a experiência de Teresa Osswald que, na cidade do Porto, Portugal, é a animadora de um pequeno grupo de crianças. Como todos os anos, quando a escola fecha para as férias de verão, as crianças aproveitam do descanso ao ar livre: algumas no mar, outras nas montanhas, outras na cidade. Há algumas, no entanto, que não têm essa possibilidade porque suas famílias estão passando por dificuldades financeiras ou não têm família ou amigos que possam cuidar delas, enquanto seus pais estão no trabalho. Assim, elas experimentam uma condição de isolamento social, também porque vêm de países distantes, com culturas, tradições e religiões diferentes. Esta é a história de três crianças portuguesas, cujos pais vêm das ilhas de S. Tomé, na costa oeste da África. Elas geralmente passam as férias em casa, sozinhas e sem fazer nada. Este ano teria acontecido o mesmo se a Teresa não tivesse assumido o desconforto delas. Assim como acontece com outras crianças e outras famílias nas mesmas condições. “Eu tinha um grande desejo de ter uma resposta para todas estas situações”, diz. “E pelo menos para uma família conseguimos tê-la: no final de julho, eu havia falado com uma amiga sobre estas três crianças que passariam o mês de agosto sozinhas em casa. No dia seguinte, ela me deu algumas informações sobre os acampamentos de verão em nossa cidade”. Mas as vagas são poucas, o pedido chega tarde e não é certo que as crianças possam participar. Teresa confia tudo a Deus: “Seja feita a Tua vontade”. Assim, encontram-se as vagas e o custo do acampamento também é arcado pela comunidade do Focolare presente na cidade. Aqueles que doam uma quantia, então experimentam algum “retorno” em outro lugar. É o Evangelho que se cumpre, pensa Teresa: “Dai e vos será dado” (Lc 6,38). Depois há a necessidade de acompanhar as crianças ao acampamento pela manhã e trazê-las para casa à noite. Não é fácil encontrar tempo entre compromissos diários, mas Teresa se oferece: “Vejo três crianças felizes correndo em direção ao meu carro. Só falta apertar os cordões nos sapatos da menina e tudo está bem”. Após uma semana, chega um telefonema: é uma amiga que vem para ajudá-la e se oferece para levar as crianças no seu lugar. “E foi assim que, com uma pequena contribuição de muitos – explica ela – essas crianças tiveram a oportunidade de nadar, dançar, socializar, em vez de ficarem trancadas em casa. Acima de tudo, elas tiveram a oportunidade de contagiar professores e outras crianças com sua alegria e grande generosidade”. E como é bom sentir a alegria de sua mãe, comovida e grata. “Palavras tão fortes que me deixaram abalada”, confessa Teresa, “estar interessada em tudo o que acontece ao nosso lado e cuidar dos outros nos fez construir um pequeno pedaço do mundo unido em nossa comunidade”.
Claudia Di Lorenzi