6 Out 2020 | Sem categoria
Qual é a mensagem da jovem bem-aventurada hoje aos jovens e a todos nós que vivemos os tempos incertos da pandemia? Perguntamos a Chicca Coriasco, a melhor amiga histórica de Chiara Luce, 10 anos após sua beatificação e 30 anos após sua morte. Em 25 de setembro de 10 anos atrás, éramos vinte e cinco mil dentro e especialmente fora do santuário romano do Divino Amor para celebrar a beatificação de Chiara Badano. Naquele dia, a santidade tornou-se algo mais próximo e acessível para muitos jovens (e não apenas) de todo o mundo, que viram nesta jovem italiana de dezenove anos, alegre e profunda, capaz de viver e morrer por Deus, um modelo alcançável e imitável. Hoje, trinta anos após sua morte, em 7 de outubro de 1990, é impossível calcular quantas pessoas “conheceram” Chiara Luce, basta pensar que exatamente um ano atrás – e antes que a pandemia e o lockdown nos forçassem a formas alternativas de encontro e comunicação – Maria Teresa Badano, a mãe de Chiara e Chicca Coriasco, sua melhor amiga, estavam na Argentina. Em 13 dias viajaram mais de dois mil quilômetros, cruzaram quatro regiões, fazendo com que mais de 8 mil pessoas se encontrassem com Chiara Luce Badano. Fizemos algumas perguntas a Chicca. Após 30 anos da sua morte, Chiara Luce continua presente e amada… Como você explica este seguimento por tantos jovens que não diminui, mas cresce com o tempo? Chiara soube fazer sobressair o melhor naqueles que a rodeavam, e comigo ela sempre teve sucesso, assim como sempre fez com seus pais. Penso que esta maravilha continua a ser feita com todos os que entram em contato com ela, mesmo hoje. Ela nunca fez muitos discursos ou coisas extraordinárias, mas extraordinário foi aquele Sim que ela disse a Deus momento por momento, um passo de cada vez, com simplicidade: é isso que, então como agora, continua conquistando e fascinando muitas pessoas, especialmente os jovens. Pode nos dizer qual foi o momento mais importante que você viveu com ela? Foi o pacto que fizemos entre nós em 22 de agosto de 1990. Dissemos uma a outra que aquela que partisse para o céu primeiro ajudaria a outra a chegar lá, enquanto a que ficasse tentaria preencher o vazio deixada pela outra. Trinta anos depois posso dizer que provavelmente houve um plano que foi revelado em cenários que eram então inimagináveis, que adquiriram significado e realização que continuam até os dias de hoje. O que Chiara Luce tem a dizer aos jovens de hoje? De vez em quando tenho tentado imaginar Chiara vivendo neste tempo… Provavelmente, assim como ela foi capaz de fazer em sua vida, ou seja, viver sem nunca se voltar para trás, olhando para frente com coragem e determinação, concentrando-se na beleza que ainda hoje existe, nas novas ocasiões que este cenário de suspensão nos faz descobrir. Chiara Lubich nos disse que, além do sofrimento de Jesus na cruz, também o nosso era necessário para cooperar na construção de um mundo mais unido: “Uma vida de meias medidas”, disse, “é muito pouco: Deus propõe-lhe algo grande, depende de você aceitá-lo ou não”. Foi a experiência que Chiara Luce fez e nós, seus amigos, fizemos junto com ela. Hoje, mais do que nunca, estas palavras de Chiara Lubich são muito atuais e praticáveis. Quem é Chiara Luce HOJE para você? Ela está sempre presente em todos os aspectos da minha vida. Não sei se ela está satisfeita comigo, mas me sinto próximo dela, e espero que ela continue me ajudando a ser fiel aos meus ideais, que eram os mesmos que os dela. No novo livro publicado há um ano e editado pela Fundação, “Nel mio stare il vostro andare”, onde muitas testemunhas diretas contaram sua amizade com Chiara Luce, de repente, eu me voltei diretamente para ela: “Querida Chiara – eu lhe escrevi – eu adoraria abraçá-la novamente e compartilhar com você tantos desafios, suspensões e descobertas íntimas. Mas para dizer a verdade, já foi um pouco assim todos estes anos (….) Continue a nos acompanhar, como você sabe fazer, com seus “toques” e sua presença silenciosa, mas que existe e sempre existiu, eu conto com isso! Te amo, Chicca”. Quais são os compromissos que a Fundação Chiara Badano planejou para o futuro próximo? Este ano, devido às restrições sanitárias impostas pela pandemia, não é possível visitar o quarto de Chiara. Durante os 10 anos da Beatificação, publicamos em seu site oficial (www.chiarabadano.org) um vídeo que retrata esses momentos inesquecíveis. Durante os 30 anos desde sua “partida”, ao invés disso, produzimos outro vídeo que nos permite reviver, através da voz das testemunhas, algo dos últimos dias de Chiara. O vídeo estará disponível no site a partir de 7 de outubro de 2020, a partir das 4h10 (hora do seu falecimento). Finalmente, no dia 25 de outubro, festa litúrgica de Chiara Luce, compartilharemos com o Bispo da Diocese de Acqui e Ator da Causa de Canonização de Chiara, a celebração da missa solene, o “Time out” no Cemitério ao meio-dia e a cerimônia de premiação dos vencedores do Prêmio Chiara Luce Badano. Tudo pode ser acompanhado através de streaming no site. Há também vários eventos que estão sendo organizados ao redor do mundo: a Fundação quer ser o porta-voz e o canal desta luz que brilhará em muitos lugares do planeta.
Stefania Tanesini
5 Out 2020 | Sem categoria
No dia 3 de outubro, durante o Collegamento CH – a videoconferência bimestral que conecta as comunidades dos Focolares em todo o mundo – Maria Voce fez um apelo a todos, pedindo um compromisso relevante: viver o relacionamentos segundo o modelo “trinitário” onde cada um faça emergir o outro, encontrando “a sua identidade mais profunda” e lançando assim as bases de uma sociedade fraterna. A videoconferência aconteceu poucas horas depois da assinatura em Assis de “Fratelli tutti”, a última encíclica do Papa Francisco. Portanto, era impossível não se sentir chamado em primeira pessoa. Reportamos aqui um resumo do discurso da presidente dos Focolares. Pergunta: O Papa assinou hoje em Assis a nova Encíclica com este lindo título: “Fratelli tutti”. Em um tweet ele escreveu: “O esforço para construir uma sociedade mais justa requer capacidade de fraternidade e espírito de comunhão humana”. Você ficou surpresa com a escolha deste tema por parte do Papa? Maria Voce: De jeito nenhum! Porque é a maior necessidade da humanidade de hoje. O Papa soube acolher isso, e com esta encíclica quis reunir todos nós para encontrar a resposta a esta necessidade da humanidade. Diante disso, nos questionamos: “O que podemos fazer?” Neste momento, gostaria de me dirigir a todos aqueles que se sentem chamados por Deus para fazer algo como resposta e fazê-lo entregando-se totalmente, sem medidas, sem medo. Todos aqueles que encontraram uma ajuda no carisma da unidade, no carisma de Chiara, que os fez ver que é possível, que os fez viver uma experiência concreta, verdadeira e profunda da unidade nesta terra; a todas estas pessoas gostaria de dizer: “Vamos fazer isso juntos, vamos fazer isso juntos!” Sim, recebemos um dom que nos permitiu vivenciar esta experiência. Mas este apelo à fraternidade, que para nós é o apelo ao «que todos sejam um» (Jo 17,21), à unidade, este chamado gostaria que se vivesse na terra como no céu, como – deixem-me dizer –, na Trindade, onde coexistem unidade e distinção, onde cada pessoa respeita a outra, cada uma faz espaço à outra, cada uma procura fazer emergir o outro, cada um procura certa forma perder a si mesmo completamente para que o outro possa se expressar totalmente. E nisso não se anula, pelo contrário, manifesta a sua verdadeira e mais profunda identidade. Uma unidade tão grande assim tem um único exemplo: Jesus, que soube perder completamente o seu ser Deus para fazer-se homem e compartilhar na cruz – no momento do abandono – todos os abandonos, todas as dores, todas as angústias, todos os sofrimentos, todos os extremismos, todos os vitimismos, as lacerações que os homens de todos os tempos, de todas as condições vivem e viveram. Ele as tomou sobre si, com este amor tão grande, conseguindo assim refazer, reconstruir aquela unidade que tinha se rompido entre Deus e o homem, entre todos os homens e também com toda a criação. Se conseguirmos ter um amor tão grande assim, podemos testemunhar ao mundo que essa unidade existe, que essa unidade é possível, que essa unidade já começou. Com todos os que me ouvem neste momento, desejo que possamos ser para o Papa uma primeira resposta que já começou, dando-lhe consolo e esperança, porque algo já começou. Gostaria que estivéssemos todos juntos, nós, pequeno grupo que se inspira no carisma recebido de Chiara Lubich, um princípio, uma pequena mas eficaz partícula desse fermento que penetra na humanidade e pode transformá-la em um mundo novo. Eu gostaria de assumir esse compromisso com todos vocês. Eu estou pronta, quero dar tudo de mim e convido todos aqueles que queiram fazer o mesmo! Aqui a edição integral do Collegamento CH.
5 Out 2020 | Sem categoria
8 de maio de 2004, Estugarda, Alemanha. Chiara Lubich encontrou-se diante de quase 9 mil pessoas, na primeira edição do “Juntos pela Europa”. Foi um momento histórico, onde ela ofereceu a chave para a construção da paz no continente-mosaico, que é a Europa, e no mundo inteiro: construir pedaços de fraternidade universal. A fraternidade universal é e foi uma aspiração profundamente humana, presente, por exemplo, em grandes almas. Martin Luther King revelava: «Tenho um sonho: que um dia os homens (…) se darão conta de que foram criados para viver juntos como irmãos (…); e que a fraternidade (…) se tornará a ordem do dia de um homem de negócios e a palavra de ordem de um homem de governo.»[2] O Mahatma Gandhi, a propósito de si, afirmava: «A minha missão não é simplesmente a fraternidade do povo indiano. (…) Mas, através da atuação da liberdade da Índia, espero atuar e desenvolver a missão da fraternidade dos homens.»[3] A fraternidade universal foi também o programa de pessoas não inspiradas por motivos religiosos. O próprio projeto da Revolução Francesa tinha por lema: «Liberdade, igualdade, fraternidade». Mas se depois inúmeros países, ao construírem regimes democráticos, conseguiram realizar, pelo menos em parte, a liberdade e a igualdade, certamente não ocorreu o mesmo com relação à fraternidade, mais anunciada do que vivida. Quem, ao invés, proclamou a fraternidade universal e nos deu o modo de realizá-la foi Jesus. Ele, nos revelando a paternidade de Deus, abateu os muros que separam os “iguais” dos “diferentes”, os amigos dos inimigos. E libertou cada homem das mil formas de subordinação e de escravidão, de todo relacionamento injusto, realizando, assim, uma autêntica revolução existencial, cultural e política. Além disso, muitas correntes espirituais, no decorrer dos séculos, procuraram atuar essa revolução. Uma vida realmente fraterna foi, por exemplo, o projeto audaz e obstinado de Francisco de Assis e dos seus primeiros companheiros[4], cuja vida é um exemplo admirável de fraternidade que abraça, com todos os homens e as mulheres, também o cosmo, com irmão sol e lua e estrelas. O instrumento que Jesus nos ofereceu para realizar essa fraternidade universal é o amor: um amor grande, um amor novo, diferente daquele que habitualmente conhecemos. Ele, Jesus, de fato, transplantou na Terra o modo de amar do Céu. Esse amor exige que se ame a todos, portanto, não só os parentes e os amigos. Pede que amemos o simpático e o antipático, o concidadão e o estrangeiro, o europeu e o imigrante, aquele da própria Igreja e aquele de outra, da própria religião e de uma diferente. […] Esse amor pede que amemos também o inimigo e que o perdoemos, se, por acaso, ele nos fez algum mal. […] Portanto, aquele de que falo é um amor que não faz distinção e leva em consideração aqueles que estão fisicamente ao nosso lado, mas também aqueles de quem falamos ou de quem se fala, aqueles aos quais é destinado o trabalho que nos mantém ocupados dia após dia, aqueles de quem ficamos sabendo alguma notícia pelos jornais ou pela televisão. Porque é assim que Deus Pai ama, que manda sol e chuva sobre todos os seus filhos: sobre os bons, sobre os maus, sobre os justos e sobre os injustos (cf. Mt 5,45). Uma segunda exigência desse amor é que sejamos os primeiros a amar. Com efeito, o amor que Jesus trouxe à Terra é desinteressado; não espera que o outro ame, mas, ao contrário, toma sempre a iniciativa, como fez o próprio Jesus, dando a vida por nós, quando ainda éramos pecadores e, portanto, não amávamos. […] E ainda, o amor trazido por Jesus não é um amor platônico, sentimental, feito de palavras, é um amor concreto, exige que se vá aos fatos. Isto é possível se nos fizermos tudo a todos: doente com quem está doente; alegres com quem está na alegria; preocupados, desprovidos de segurança, famintos, pobres com os outros. E, sentindo em nós o que eles experimentam, agir de modo consequente. […] Depois, quando esse amor é vivido por várias pessoas, ele se torna recíproco e é o que Jesus ressalta mais do que tudo: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» (Jo 13,34). É o mandamento que ele diz ser seu e “novo”. Não só os indivíduos são chamados a viver esse amor recíproco, mas também os grupos, os Movimentos, as cidades, as regiões, os países. De fato, os tempos atuais exigem que os discípulos de Jesus adquiram uma consciência “social” do cristianismo. É mais do que nunca urgente e necessário que se ame a pátria alheia como a própria: […] Esse amor, que atinge a sua perfeição na reciprocidade, exprime a potência do cristianismo, porque atrai a esta terra a própria presença de Jesus entre nós, homens e mulheres. Não foi ele que disse: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles» (Mt 18,20)? E não é esta sua promessa uma garantia de fraternidade? Se ele, o irmão por excelência, está conosco, como poderíamos, de fato, não nos sentirmos irmãos e irmãs uns dos outros? […] Que o Espírito Santo ajude a todos nós a formarmos, no mundo, lá onde vivemos, espaços de fraternidade universal cada vez mais extensos, vivendo o amor que Jesus trouxe do Céu para nós.
Chiara Lubich
[2] Cf. Martin Luther King, Discorso della Vigilia di Natale 1967, Atlanta, cit. in Il fronte della coscienza, Turim 1968. [3] M. K. Gandhi, Antichi come le montagne, Milão 1970, p.162. [4] Cf. Cardeal R. Etchegaray, Homilia por ocasião do Jubileu da Família Franciscana, in “L’Osservatore Romano”, 12 de abril de 2000, p. 8. https://vimeo.com/465801263
2 Out 2020 | Sem categoria
Dez anos de guerra, os limites devidos ao embargo e à pandemia do Coronavírus, impuseram à população síria, condições de vida no limite da pobreza favorecendo a reaparição do fenômeno da exploração do trabalho infantil. “Depois de quase uma semana de quarentena, fiquei surpresa ao ver um dos nossos alunos vender verduras no tráfego”. Da experiência de uma das professoras das atividades extraclasse “Geração de esperança” de Homs, do programa “Emergência Síria”, nasce a atenção para com o fenômeno em crescimento da exploração do trabalho infantil. Segundo o que foi relatado pelos nossos agentes, no passado eram conhecidos alguns casos em que os adolescentes eram empregados em trabalhos manuais, mas hoje, diminuiu a idade dos adolescentes empregados para a venda de verduras nos mercados ou como operários, barbeiros, garçons nos fast foods ou em fábrica. Quando os pais são interpelados, as respostas evidenciam como esta prática seja quase inevitável, tendo em vista as condições econômicas e a grande incerteza do futuro. Alguns consideram que hoje seja mais importante aprender um trabalho ao invés de ficar em casa (por causa da pandemia), ou então explicam como aquelas atividades sejam necessárias para ajudar o balanço familiar, não mais sustentável só com o trabalho, frequentemente ocasional, dos pais. Durante a quarentena imposta para enfrentar a Covid-19, os agentes e os professores das atividades extraclasse de Homs se empenharam em acompanhar os adolescentes inclusive à distância, apesar de nem sempre ter sido fácil: muitos vivem em casas superlotadas e a disponibilidade de dispositivos digitais e da rede não está ao alcance de todos. Esta separação alimentou a fragilidade dos adolescentes e a escolha por parte dos pais de empregá-los nestes trabalhos. Por esta razão, no breve período de retomada, em julho, as atividades extraclasse de Homs organizaram alguns encontros para investigar o fenômeno e fazer entender o quanto seja importante preferir a instrução ao trabalho infantil, inclusive em condições de grave dificuldades econômicas. Daqueles encontros veio à tona que as crianças, embora não querendo trabalhar, sentem a responsabilidade de contribuir nas despesas familiares, além do medo de que os empregadores, diante de uma recusa delas, possam machucar os pais. O centro foi novamente fechado por causa da expansão do Coronavírus, mas, assim que for possível, agentes e professores retomarão o seu trabalho, conscientes do quanto isto possa contribuir para combater a prática do trabalho infantil e garantir aos adolescentes de Homs o apoio para receber a instrução adequada para construir o próprio futuro.
Do site Amu – Ação por um mundo unido
30 Set 2020 | Sem categoria
O seu sorriso, a sua alegria de viver, o seu compromisso com a justiça e a paz. Estas são as palavras que continuam a evocar Myriam Dessaivre, 26 anos, que perdeu a sua vida no domingo, 9 de agosto no Níger. Juntamente com ela cinco outras jovens francesas foram mortas, para além do condutor e guia nigeriano que as acompanhava naquele dia para visitar a reserva de girafas em Kouré, localizada 60 km a sudeste da capital Niamey. As jovens francesas participavam numa missão humanitária com a ONG Acted, num país que sofre de múltiplas crises e ocupa o último lugar em termos de desenvolvimento humano. Licenciada em Comunicação e Informação pelo Instituto Católico de Toulouse e Mestre em estudos de paz em Paris-Dauphine, Myriam, uma mártir pela paz, era especializada na resolução de conflitos políticos. O tema da sua tese é “O Estado colombiano e as FARC: rumo a uma possível reconciliação? A sua formação desenvolvia-se também neste campo e trabalhava na Colômbia, Tunísia e Chade. Em 18 de junho de 2016, ela explicou a sua escolha dos estudos durante o Conselho Nacional da Associação Movimento da Paz. Tinha então 21 anos de idade. Estamos impressionados com a força de suas palavras e a ressonância que elas assumem hoje. Citamos seu discurso no final deste artigo. “Pessoalmente, tenho a impressão de que uma parte crescente de nossa geração queira promover a paz. Então eu acho que as redes sociais também ajudem nesta tendência: não apenas por causa da profusão de más notícias, mas há um aumento de uma espécie de “solidariedade global”. A indignação pelos horrores atuais (ataques terroristas, guerras no Oriente Médio, fome) é transmitida instantaneamente nas redes sociais, e nos vemos diretamente afetados por estas notícias, chegando ao ponto de dizer “Quando eu vou lá?” É por isso que não me surpreende que cada vez mais jovens queiramos exercer profissões de paz, talvez simplesmente para dar-nos a possibilidade de viver em um mundo melhor. Ela tinha aprendido a construir este mundo melhor também graças à espiritualidade do Movimento dos Focolares e ao seu compromisso com os jovens do Movimento. Seu pai, Jean-Marie, que morreu em 2014, era um volontario. “Ela era minha melhor amiga”, diz Sophie, muito triste. “Eu a conheci quando tinha 13 anos, durante uma Mariápolis em Lourdes, na França. Você poderia rir de tudo com ela”, acrescenta. “Ela tinha grandes convicções e defendia os valores da paz e da justiça social. O seu trabalho não foi, mas ela foi apaixonada, em seu lugar, realizada”, testemunha. “Aquece meu coração saber que por mais injusta, terrível e violenta que tenha sido sua morte, não foi sem sentido. Ela deu sua vida pelo que ela acreditava ser certo.” Outro amigo, Carl, viu Miriam “como uma pessoa radiante, humilde e linda, que deu sua vida a serviço da vida, da paz, dos outros”. Para ele, este é o significado de sua morte: “Percebo que ao longo de sua vida ela construiu uma mensagem que nos é entregue através de sua partida para o céu. É o martírio do mal do qual, de uma forma ou de outra, cada um de nós se alimenta diariamente de más ações e/ou inação”. “Myriam realizou seu sonho, sua paixão unindo a sua experiência e o seu compromisso”, compartilha Anne-Marie, uma focolarina que a conhecia. “Tornou-se evidente para os 120 representantes Gen de todo o mundo, reunidos para um congresso on-line de 7 a 14 de agosto, que Miriam será o precioso anjo da guarda do Projeto #Daretocare, destinado a promover todas as iniciativas de cidadania ativa nos campos da justiça social, política e economia”. Para Anne-Marie, “é como se ela agora estivesse nos dizendo: ‘Vamos lá! Não se carregue de coisas inúteis”!
Emilie Tévané, Nouvelle Cité
28 Set 2020 | Sem categoria
O caminho por excelência para superar as diferenças de qualquer natureza e criar comunhão e unidade é – como ensina Chiara Lubich – o diálogo. Podemos vivê-lo inclusive nas horas que devemos dedicar a nós mesmos. Somos todos chamados a espelharmos em nós a vida da Santíssima Trindade, na qual as Três Pessoas Divinas estão em eterno diálogo; são eternamente uma coisa só e eternamente distintas. Na prática, para todos nós, isso significa que, toda vez que tratamos com um ou mais irmãos, irmãs, direta ou indiretamente, por telefone, por escrito ou por um trabalho voltado para eles, pelas orações que recitamos, nós nos sintamos num diálogo perpétuo, chamados ao diálogo. De que modo? Abrindo-nos a ele – ao irmão, à irmã – escutando com a mente vazia o que o irmão deseja, o que diz, o que o preocupa, o que deseja. E, depois disso, contribuirmos nós com o que for desejado e oportuno. E se eu tenho alguns momentos e horas que devo dedicar a mim mesma (para comer, descansar, me vestir, etc.), devo fazer cada ação em função dos irmãos, das irmãs, tendo em mente as pessoas que me aguardam. De tal forma e somente assim, vivendo continuamente a “espiritualidade da unidade” ou “de comunhão”, é que posso contribuir com eficácia para fazer da minha Igreja “uma casa e uma escola de comunhão”; posso contribuir para que progrida, com os irmãos de outras Igrejas ou Comunidades eclesiais, a unidade da Igreja; e suscitar, com as pessoas de outras religiões ou culturas, espaços cada vez mais abrangentes de fraternidade universal.
Chiara Lubich
Tirado de: Chiara Lubich, Chiamati a rispecchiare la Trinità, in: Città nuova, 5/2004, pag. 7.