Movimento dos Focolares
Líbano – carta da comunidade do Movimento dos Focolares

Líbano – carta da comunidade do Movimento dos Focolares

Gratidão pela solidariedade recebida e empenho, juntamente com diversas comunidades religiosas, para fazer com que ressurja um país mensageiro de paz. O Líbano, como sabemos, é um país que ainda está em choque. E Beirute, cidade irreconhecível, está com uma paisagem apocalíptica: destruição, tensões altíssimas, dor, raiva, que inclusive levaram a episódios de violência. E há alguns dias, justamente desta terra ferida, partiu uma carta da comunidade do Movimento dos Focolares do Líbano endereçada a todos os membros do Movimento no mundo. “Com estas linhas”, lê-se na carta, “queremos fazer chegar a cada um de vocês um obrigado pessoal, emocionado, profundo, imenso pelo apoio imediato que nos manifestaram, de todas as partes do mundo, dos mais velhos e dos mais novos, dos que estão longe e dos que estão perto, com telefonemas e mensagens”. “Acordamos todos os dias”, continuam os membros da comunidade do Movimento dos Focolares, “e descobrimos cada vez mais a imensidão da catástrofe, os danos materiais, os numerosos hospitais que se tornaram inutilizáveis, o ar cheio de impurezas que respiramos, nos sentimos como os ‘sobreviventes’. Cada um de vocês poderia ter estado no local do drama. Ou talvez estivesse e uma mão providencial, lhe fez mudar de quarto. Portanto, nos identificamos com aquilo que um jovem que havia acabado de sair de um elevador que, com a explosão, foi destruído disse: sentimos que ganhamos uma nova vida”. Também contam que nas ruas, onde tudo parece gritar de desespero, “muitas pessoas do norte ao sul, pertencentes a várias comunidades religiosas, trabalham para remover os escombros, cada um a seu próprio modo levando o testemunho de que a ‘ressurreição’ vencerá a morte da cidade, do país, dos sonhos de muitas pessoas”. “Junto com vocês”, concluem, “queremos ir para a frente para que renasça um Líbano mensageiro de paz, de unidade, de fraternidade entre todos, um esboço de mundo unido”.

por Anna Lisa Innocenti

________________________________________ Acionou-se a Coordenação Emergências do Movimento dos Focolares, que intervirá através das organizações AMU e AFN. Para quem desejar colaborar, foram ativadas as seguintes contas correntes:

Azione per un Mondo Unito ONLUS (AMU)

IBAN: IT58 S050 1803 2000 0001 1204 344 Código SWIFT/BIC: CCRTIT2T No Banca Popolare Etica

Azione per Famiglie Nuove ONLUS (AFN) IBAN: IT11G0306909606100000001060 Código SWIFT/BIC: BCITITMM No Banca Intesa San Paolo

MOTIVO: Emergência Líbano ———————————————————– As contribuições depositadas nas duas contas-correntes para este fim serão geridas conjuntamente pela AMU e pela AFN. Para essas doações são previstos benefícios fiscais em muitos países da União Europeia e em outros países, de acordo com as diversas leis locais. Os contribuintes italianos poderão obter deduções de renda, de acordo com a lei prevista para as Onlus, de até 10% da receita e com o limite de € 70.000,00 por ano, com exceção das doações feitas em dinheiro.

Parabéns, Danilo

Parabéns, Danilo

Os 100 anos de Danilo Zanzucchi. Focolarino casado – um dos primeiros no rastro de Igino Giordani – Danilo bem cedo se tornará, com a esposa Anna Maria, o casal guia de Famílias Novas em nível mundial. Chiara sempre teve uma predileção por aquele jovem engenheiro que, após ter edificado as suas primeiras importantes construções no norte da Itália (“ainda todas em pé” garante Danilo com orgulho), deixa uma promissora carreira para se mudar para a capital e colaborar em tempo integral como família para as finalidades do Movimento dos focolares. Mas a estima de Chiara Lubich por Danilo é sobretudo por ter sabido colher na sua totalidade, o carisma que o Espírito lhe entregara. Entre as suas primeiras funções, a colaboração na construção do Centro Mariápolis em Rocca di Papa, sede internacional do Movimento. Focolarino casado – um dos primeiros no rastro de Igino Giordani – Danilo bem cedo se tornará, com a esposa Anna Maria, o casal guia de Famílias Novas em nível mundial, pondo em sintonia, nas décadas que se seguirão, uma tão inovadora quanto eficaz pastoral familiar apreciada em todas as latitudes pela rica espiritualidade na qual se abebera e pela sua abertura às instâncias da contemporaneidade. Danilo não passou despercebido nem mesmo pelos vértices eclesiásticos, impressionados pela sua brilhante presença, pelas suas competências, pela sua profunda interioridade. Presidente diocesano dos homens católicos na sua Parma (Itália), ao se mudar para Roma se tornará consultor e, sucessivamente, membro do Dicastério do Vaticano para a família. Responsabilidades, estas últimas, que o viram, junto com Anna Maria, hóspede várias vezes da casa do papa Woijtyla e propagandista do serviço à família em transmissões televisivas inclusive em mundo visão. É o pontífice polonês que em uma sua visita (1984) ao centro internacional do Movimento, acolhido por Danilo, não hesitou em promovê-lo simpaticamente a “ministro das relações exteriores dos Focolares”. Uma colaboração que continuou inclusive com Bento XVI. Significativa a sua solicitação aos cônjuges Zanzucchi para que escrevessem o texto para uma das Vias Sacras (2012) no Coliseu de Roma, presidida por ele. Danilo festeja os seus 100 anos tendo ao seu lado Anna Maria (90), os 5 filhos (dos quais dois focolarinos e dois focolarinos casados), os 12 netos e todo o mundo focolarino, em especial as inúmeras famílias dos vários continentes, das quais com Anna Maria foi exemplo, confidente, guia, permanecendo para cada uma, um ponto de referência amável e seguro. As suas condições psicofísicas continuam excelentes, apesar de que Chiara mesma, com todos nós, muitos anos atrás tivesse trepidado pela sua saúde, depois obviamente bem recuperada. Consegue ir à Missa quase todos os dias e não é raro vê-lo participar dos encontros periódicos do seu focolare e daqueles das famílias-focolare. Talvez pelo desígnio especial do qual está investido, o Senhor o preservou também em dois fortes episódios da segunda guerra mundial. Ele mesmo conta que se não tivesse sido pelo providencial puxão de um companheiro de armas que o jogou para longe, teria morrido debaixo de uma bomba que estava se estilhaçando exatamente onde ele se encontrava. Mais adiante, o que o salvou do fogo de um pelotão de execução já perfilado foi o seu conhecimento da língua alemã. Ainda hoje, para amenizar momentos um pouco complicados, pode acontecer que Danilo decida fazer saborear um dos seus míticos e ressoantes discursos naquela língua, suscitando bom humor em todos pelas várias licenças lexicais que se concede. A gratidão do Movimento Famílias Novas inteiro por este século da vida de Danilo, toda doada a Deus e aos irmãos, vai à sua grande figura de homem. Homem de fé e de obras. Obrigado, Danilo, por ser um gigante de retidão e de ternura, um exemplo de simplicidade e de sabedoria, uma têmpera de condutor e de artista: um santo da porta ao lado. Obrigado também, Danilo, por nunca ter deixado, nem mesmo agora que você tem cem anos, de personificar aquela criança evangélica que desde sempre transparece do seu ser, do seu dizer, do seu refinado humorismo, das suas aquarelas, das inúmeras vinhetas frequentemente improvisadas em guardanapos de papel, que magistralmente capturam e exprimem o melhor que está em cada um dos protagonistas às quais são dedicadas. PARABÉNS, DANILO! Do site Famiglie Nuove

O amor dos amores

A pandemia do Coronavírus é uma prova de fogo não apenas para os sistemas de saúde, mas também para os envolvidos na política, do nível municipal ao internacional. O trecho a seguir de um discurso de Chiara Lubich pode muito bem ser chamado de “hino à política”. É um desafio para todos os políticos e pode preencher os corações dos cidadãos com gratidão por todos aqueles que, dia após dia, têm que fazer escolhas corajosas. […] Se os novos Movimentos, em geral, possuem o interesse pelo aspecto humano, o Movimento dos Focolares deu origem também a uma expressão política: o Movimento político pela Unidade, cujo objetivo específico é gerar a fraternidade na política. […] Em primeiro lugar, compreendemos que existe uma verdadeira vocação para a política. Quem possui uma fé religiosa percebe, com nitidez, a voz de Deus que lhe confia um encargo. Quem não tem um referencial religioso, responde a uma solicitação humana, a uma necessidade social, de uma categoria fragilizada que solicita auxílio… E a resposta para a vocação política é acima de tudo um ato de fraternidade. De fato, se entra em campo para os assuntos públicos, de interesse para a comunidade, desejando o seu bem como se fosse o próprio. A função do amor político, de fato, é criar e preservar as condições que permitem a todos os outros amores florescerem: o amor dos jovens que querem se casar e precisam de casa e de trabalho; o amor de quem quer estudar e precisa de escolas e de livros; o amor de quem se dedica à própria empresa e precisa de estradas, de ferrovias, de normas seguras. A política é o amor dos amores, que faz com que as pessoas colaborem entre si, fazendo as necessidades interagirem com os recursos, os questionamentos com as respostas, infundindo a confiança de uns nos outros. A política pode ser comparada ao caule de uma flor, que sustém e alimenta o renovado desabrochar das pétalas da comunidade. No Movimento político pela Unidade constatamos que a vivência da própria escolha política, como uma vocação de amor, leva a compreender que também aqueles que fizeram uma escolha política diferente da nossa, podem ter sido movidos por uma vocação análoga de amor. Também eles participam – a seu modo – do mesmo projeto, ainda que se apresentem como adversários. A fraternidade implica o reconhecimento da sua função, o respeito por eles, a ajuda a serem fiéis, inclusive por meio de uma crítica construtiva, enquanto que nós somos fiéis à nossa função. No Movimento político pela Unidade a fraternidade deveria ser tão bem vivida a ponto de nos levar a amar o partido dos outros como o próprio, sabendo que ambos não nasceram por acaso, mas como uma resposta a uma exigência histórica, presente no interior da comunidade nacional. A fraternidade desperta os valores autênticos de cada um e reconstrói o conjunto do projeto político de uma nação. Por exemplo, isso pode ser testemunhado pelas iniciativas dos membros do Movimento político pela Unidade, voltadas para a criação de uma relação fraterna entre a maioria e a oposição do governo, em nível parlamentar ou em alguns municípios. Essas iniciativas foram traduzidas em leis federais ou em políticas locais, que uniram as cidades nas quais foram realizadas. Assim, aquele que, respondendo à própria vocação política, começa a viver a fraternidade, coloca-se numa dimensão universal, que o abre para a humanidade inteira. Ele se pergunta se, aquilo que está sendo decidido, embora satisfaça o interesse da própria nação, não vai prejudicar as outras. O político da unidade ama a pátria alheia como a própria.

Chiara Lubich

  De: Chiara Lubich, A Europa unida para um mundo unido. Discurso ao Movimento Europeu, Madri (Espanha), 3 de dezembro de 2002.

Evangelho vivido/1 – Ponto firme

Na vida pode acontecer de tudo: situações alegres ou difíceis, lutos, vitórias ou derrotas, mas podemos enfrentar cada circunstância sob o signo de um único denominador comum: o relacionamento com Deus. As circunstâncias serão sempre diferentes, mas Ele está sempre presente; sempre conosco. Em isolamento «Amanhã – disse o médico – a colocaremos em isolamento». Eu me senti como uma pestilenta. Sabia que alguém tinha morrido daquela doença. Morrer! Não me causava medo a dor que se une à última batalha pela vida, mas senti, aguda como uma espada no coração, a separação dos meus. Não me despedi deles. E agora… talvez não os veria mais. Eu chorava. E, no entanto, morrer significava se encontrar com Jesus que eu amava. Parecia-me, porém, que o amor dado e recebido por muitos aqui na terra, me prendesse aqui embaixo e o voo para o alto fosse fatigante. Estes, eu os conhecia, aquele ainda não bem. E, no entanto, procurei sempre amar Jesus em cada próximo: parentes, amigos, conhecidos, desconhecidos! «Eras tu, Jesus, que amei e encontrei em cada um, aquele mesmo que – se morro agora – encontrarei». Este último pensamento lentamente me deu paz. Fiquei por longo tempo no isolamento, com altos e baixos da doença, mas como que envolvida por uma presença arcana com a possibilidade de falar àquele Único que me escutava e que eu podia escutar. M. – Itália Má educação na escola Não sei se fiquei mais velha ou a geração mudou decididamente. Falava disso com os colegas professores e todos chegamos à conclusão de que infelizmente faltam as bases da educação. Não è somente a falta de respeito para com os professores, onde se vê também por parte dos pais uma atitude insolente de julgamento em relação aos professores, mas a completa ausência de um sentido de atenção para com o outro. Numa das turmas mais difíceis, uma “quina”, após ter acontecido um fato desagradável, fiz notar como em cada cultura e tradição haja uma regra básica de convivência: «Faça aos outros o que você gostaria que fosse feito a você». E perguntei a cada um se uma tal regra lhe parecesse aceitável. Depois de um grande silêncio, começou a falar um aluno, depois uma outra… e no final se criou um verdadeiro diálogo. A partir daquele dia, algo mudou: quase invisivelmente, mas algo mudou. Mais uma vez tive que mudar de opinião. Os jovens precisam de pontos verdadeiros e firmes. C. – Espanha Era tentado a emigrar… Especialista em doenças infecciosas, por causa das estruturas sanitárias carentes, da escassa higiene e dos salários insignificantes, eu estava tentado a emigrar como muitos colegas. Todavia, após ter refletido com a minha mulher, decidi continuar o serviço aos irmãos no nosso país. Com o apoio de amigos cristãos no exterior, foi possível construir uma estrutura sanitária completa de laboratório de análises e garantir medicamentos específicos também para os mais pobres. Além do desenvolvimento de atividades produtivas para melhorar a alimentação básica, se procurou também assegurar um apoio psicossocial aos doentes e às suas famílias. M.- República Democrática do Congo

Organizado por Stefania Tanesini

Maria Voce sobre “Chiara-hoje”

Maria Voce sobre “Chiara-hoje”

Será lançado hoje, por enquanto, em italiano, “Luce che avvolge il mondo” [Luz que envolve o mundo], o novo livro de Maria Voce publicado pela Editora Cidade Nova italiana. Uma profunda e corajosa reinterpretação dos pontos fundamentais da espiritualidade da unidade à luz das solicitações dos homens e mulheres do nosso tempo e do futuro próximo. Luz que envolve o mundo é provavelmente o seu último livro como presidente e é preciso dizer que encontramos aqui, mais do que em qualquer outro texto produzido em 12 anos à frente do Movimento dos Focolares, todo o pensamento de Maria Voce: os pontos fundamentais de sua ação, o seu legado, mas também a sua experiência em tempos delicados após a morte de uma fundadora carismática como Chiara Lubich. Sim, porque neste volume que certamente merece uma leitura “lenta”, meditada e que requer o devido tempo para uma profunda reflexão, encontramos toda a adesão espiritual, cultural e vital de Maria Voce ao carisma da unidade. Contém uma série de discursos sobre os doze pontos principais da espiritualidade do Movimento dos Focolares, proferidos em várias ocasiões – Deus Amor, a Vontade de Deus, a Palavra, o irmão, o amor recíproco, a Eucaristia, a Unidade, Jesus Abandonado, Maria, a Igreja, o Espírito Santo, Jesus no meio – apresentados, anualmente, durante os seus dois mandatos. “Maria, no entanto, não quis repetir, mas reler. – Explica o amigo André Riccardi, autor do prefácio. – Ela releu a mensagem e o carisma de Chiara em uma Igreja e em um mundo que mudou. Porque os movimentos espirituais crescem na profunda tensão entre a fidelidade às origens e ao carisma, por um lado, mas, por outro, na exploração da vida e da história de amanhã […] um exemplo singular e excelente dessa fidelidade criativa necessária aos seguidores – especialmente se são líderes – dos fundadores e das fundadoras”. Com qual espírito? Se pergunta Jesús Morán, copresidente, na introdução. Com o espírito da atualização: “Maria Voce não repete nesses seus temas aqueles feitos por Chiara no passado, mas os atualiza (…), ela nos doa a sua nova compreensão dos pontos da espiritualidade da unidade, haurindo diretamente da fonte da inspiração de Chiara Lubich. Enfatiza outros significados e faz ressoar tonalidades até então não expressas, também motivada pelas perguntass que os membros do Movimento dos Focolares cada vez mais se colocam em contato com as vicissitudes da história atual da Igreja e da humanidade. Página após página, são várias as perguntas mais ou menos explícitas que Maria Voce intercepta no povo dos Focolares de hoje, como por exemplo, esta: “O que Deus pede às pessoas do Movimento? Pede que cada uma conquiste o próprio ambiente, envolvendo na unidade os mais próximos, mas se abrindo a todos os outros. Isso seria suficiente, como dizia Chiara ainda naquela circunstância. E evidenciava muito fortemente que Deus quer de nós sobretudo isso: que nos façamos um com o irmão que está perto de nós, com quem caminha conosco na vida, com quem conhecemos dia após dia, também – na medida do possível – através da mídia. Somos chamados a viver a unidade em todos os momentos da nossa vida, dia após dia, como aconteceu no início”. Também oferece a sua leitura diante das luzes e sombras na caminhada dos Focolares em um momento como este em que a pandemia colocou muitas coisas em questão tanto em nível pessoal quanto comunitário, também em vista da próxima Assembleia de 2021, quando o Movimento se encontrará para eleger a nova presidente e as funções de direção: “Nesse período, parece-nos que Deus nos impulsiona para a frente, a fim de estender a semeadura em campos novos e mais amplos, sem temer a diminuição das forças ou a perda de posições alcançadas, mas assistindo com alegria à abertura de novos horizontes e ao florescimento de inúmeras pequenas células vivas da Igreja distribuídas no mundo, por toda parte onde dois ou mais estão prontos a se amar com esse amor recíproco, indo ao encontro dos homens, para que, como desejou o Papa Francisco, os homens encontrem Deus”. Uma leitura a ser cuidadosamente considerada hoje para nos enriquecermos com uma compreensão do presente e olhar para o futuro próximo com o otimismo típico de Maria Voce, que certamente não é ingênuo, porque fundamentado na palavra evangélica da unidade e da vida que dela floresceu no mundo inteiro.

Stefania Tanesini