Movimento dos Focolares
Líbano: reerguer-se dos escombros

Líbano: reerguer-se dos escombros

Após a devastadora explosão em Beirute no fim da tarde de 4 de agosto, a comunidade local dos Focolares, junto com a associação Humanité Nouvelle começaram a trabalhar para vir ao encontro das exigências mais urgentes das pessoas atingidas pela catástrofe. Mais de 100 mortos e 4 mil feridos foi o resultado da enorme explosão que aconteceu terça-feira, 4 de agosto, em torno das 18h10min locais na região próxima ao porto da capital libanesa Beirute. Portas e janelas de vidro se quebraram até uma distância de 10 quilômetros da região do desastre. O governo fala de cerca de 300.000 habitantes desabrigados. Já antes desta catástrofe, o país dos cedros se encontrou diante de uma forte crise econômica reforçada ainda pelos efeitos da pandemia do coronavírus. Segundo fontes oficiais, mais de 45% da população vive na pobreza e o desemprego se elevou a 35%. A explosão de 4 de agosto dá mais um golpe fortíssimo não só na economia e na infraestrutura do Líbano, mas também na moral de um povo que sofreu muita violência nas últimas décadas. Como todas as associações humanitárias, também a agência “Humanité Nouvelle” dos Focolares se pôs em ação para ajudar quem é mais atingido. Com a ajuda da comunidade local do Movimento, o Centro Mariápolis “La Sorgente”, em Ain Aar nos arredores de Beirute, se pôs à disposição para aqueles que perderam a própria casa. Grupos de jovens e adultos se disponibilizaram para ajudar as famílias e as pessoas mais atingidas, recolhendo gêneros urgentes de diferentes tipos: de víveres até material para limpeza das casas e dos apartamentos. ________________________________________ Acionou-se a Coordenação Emergências do Movimento dos Focolares, que intervirá através das organizações AMU e AFN. Para quem desejar colaborar, foram ativadas as seguintes contas correntes:

Azione per un Mondo Unito ONLUS (AMU)

IBAN: IT58 S050 1803 2000 0001 1204 344 Código SWIFT/BIC: CCRTIT2T No Banca Popolare Etica

Azione per Famiglie Nuove ONLUS (AFN) IBAN: IT11G0306909606100000001060 Código SWIFT/BIC: BCITITMM No Banca Intesa San Paolo

MOTIVO: Emergência Líbano ———————————————————– As contribuições depositadas nas duas contas-correntes para este fim serão geridas conjuntamente pela AMU e pela AFN. Para essas doações são previstos benefícios fiscais em muitos países da União Europeia e em outros países, de acordo com as diversas leis locais. Os contribuintes italianos poderão obter deduções de renda, de acordo com a lei prevista para as Onlus, de até 10% da receita e com o limite de € 70.000,00 por ano, com exceção das doações feitas em dinheiro. ———————————————————– Para se manter actualizado sobre a angariação de fundos para esta emergência visite os sítios Web da AMU e da AFN.

O poder da comunhão e a providência de Deus

O poder da comunhão e a providência de Deus

A história de Armando, um venezuelano que imigrou com sua família para o Peru: viver o Ideal da unidade na comunidade do Movimento dos Focolares, compartilhar as próprias necessidades e experimentar a força da comunhão que atrai a providência de Deus. Há três anos, devido às situações complicadas na Venezuela, eu e minha esposa decidimos ir para o Peru com nossos dois filhos. Lá, a comunidade do Movimento dos Focolares, do qual já participávamos no nosso país, encontrou para nós uma moradia temporária para nos dar as boas-vindas, enquanto não encontrava um emprego para pagar o aluguel de uma casa. Uma pessoa da comunidade do Movimento dos Focolares, sem nos conhecer, nos ofereceu seu apartamento por um mês enquanto estaria fora visitando seu filho que morava em outra cidade. Assim que nos acomodamos, pediram que fizéssemos uma lista das coisas de que precisávamos para compartilhar com todos. Então, começaram a chegar casacos, panelas, pratos, talheres, comida, mas faltava um par de sapatos de que eu precisava com certa urgência… No fim do mês, já que eu ainda não tinha um emprego, nos mudamos para outra casa temporária. Fomos agradecer a pessoa que tinha nos emprestado aquele lugar mesmo sem nos conhecer. Depois de nos conhecer melhor, disse: “Posso ajudar vocês com mais alguma coisa”. Dissemos que tínhamos feito uma lista e a única coisa que estava faltando era um par de sapatos. “Sim, eu vi no grupo do WhatsApp”, disse, “só que eu calço número 38… de qualquer jeito, você pode experimentar (tirou os sapatos) e se servirem, pode ficar para você”. Experimentei e ficaram perfeitos. Ele continuou: “Mas na lista você disse que precisava de tênis”. Foi até o quarto e trouxe um par de tênis: “Leve estes também”. E foi assim que chegaram de providência os sapatos que continuo usando. Uma noite, em um encontro com algumas pessoas com as quais compartilho o Ideal da Unidade de Chiara Lubich, tive a oportunidade de experimentar mais uma vez a força da comunhão, de compartilhar os sucessos, as derrotas, as alegrias, as necessidades, tomando como exemplo as primeiras comunidades cristãs em que “tudo era posto em comum e ninguém passava necessidade” (Atos, 4:32-36). Foi um momento especial: um dos participantes disse que dois dos seus filhos, em uma briga, tinham quebrado um computador. Sua primeira reação havia sido coloca-los de castigo. Senti uma dor porque agora os meninos não tinham mais o computador que usavam para fazer as tarefas. Depois de ter superado a fase inicial de raiva, o pai dos dois meninos chamou um técnico para consertar o PC. Porém, não era possível reparar os danos. Então, chamou os dois filhos e desculpou-se por sua primeira reação de raiva, assim a paz foi reestabelecida naquela família. Quando terminou de compartilhar o que viveu, um dos presentes disse que tinha um computador que não estava usando: “Está à sua disposição, veremos como mandar para sua casa”. Para mim foi a enésima confirmação da força da comunhão. Eu me perguntei: “E se o primeiro não tivesse compartilhado sua preocupação, como o outro poderia ter oferecido uma solução?”. Às vezes, sozinhos, não sabemos como resolver um problema e paramos na nossa dor; porém, se dermos o passo de compartilhar, em comunhão com os outros e sem nenhum interesse, Deus pode encontrar a solução justamente por meio de quem está ao nosso lado.

A.M. Lima, Peru (escrita por Gustavo E. Clariá)

O “algo a mais”

O seguinte pensamento de Chiara Lubich evidencia uma dimensão constitutiva de uma “espiritualidade de comunhão”: estar inseparavelmente ligados uns aos outros e, por esse motivo, também o dever de nos suportarmos. A pandemia do coronavírus nos faz tocar com as mãos a nossa interdependência de várias maneiras e também nos pede, na vida cotidiana, uma maior capacidade de suportar. (…) Nós não devemos caminhar para Deus sozinhos, mas com os irmãos. Este é o “algo a mais” que possuímos. Devemos buscar a santidade junto com os irmãos. Em prática, temos que ajudar os nossos irmãos a alcançar a santidade da mesma forma que buscamos a nossa. É um compromisso muito sério, do qual nos esquecemos com muita facilidade, mas que, para nós, é a condição indispensável para almejar também a nossa santidade. Aliás, somente se amarmos o irmão até este ponto é que poderemos esperar a presença de Jesus entre nós. Qual é a melhor maneira para viver esse amor tão exigente para com os irmãos? Existem várias, mas há uma que deve ser considerada com atenção, confirmada também pela minha longa experiência. Já falei sobre isso, mas é tão importante que vale a pena repetir. A vida de comunidade, que nós procuramos conduzir de modo constante ou temporário, exige de nós que amemos constantemente os nossos irmãos, isto é, que nos “façamos um” com eles, sempre. E é o que procuramos fazer. Contudo, ainda que empregássemos nisso todas as forças, nem sempre conseguiríamos, porque ainda estamos neste mundo e, portanto, somos propensos a ter defeitos e imperfeições. Mais cedo ou mais tarde, algum de nós acaba errando. O que fazer? Se fomos nós que deixamos de viver o amor fraterno, recomecemos logo a amar. Se, por acaso, foram os nossos irmãos que se comportaram assim, como devemos agir? Posso garantir: é sábio escutar São Paulo que nos convida a suportar, porque suportar não é uma subespécie do amor; suportar é algo inerente à caridade, é um aspecto dela. De fato, segundo o Apóstolo, a caridade não só «tudo cobre, tudo crê, tudo espera», mas também tudo «suporta». Suportar é expressão do amor, da caridade. Se não se suporta, não se vive a caridade. Chegará o momento de fazer notar ao irmão os seus erros. O Evangelho exige inclusive isso. (…). E o fazemos só por amor. É claro que não seremos movidos, por exemplo, pela vontade de descontar finalmente alguma ofensa que os outros nos fizeram. Mas fazemos com o máximo amor que podemos ter, conscientes de que, no fundo, se o irmão melhorar, eu também serei beneficiado, porque nisso consiste a novidade do nosso itinerário espiritual: devo ajudar o irmão no caminho de sua perfeição, se quero alcançar a minha. Estamos vinculados uns aos outros. Não temos saída.

Chiara Lubich

(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa, 19 de junho de 2003)  

O primeiro filme para televisão sobre Chiara Lubich

O primeiro filme para televisão sobre Chiara Lubich

No outono italiano, será lançado na RAI UNO, a primeira rede nacional de televisão italiana, o filme sobre Chiara e o início do Movimento dos Focolares. “Uma garota comum pode mudar o mundo somente com a força de seu sonho e sua crença?” – é sob essa perspectiva que o diretor italiano Giacomo Campiotti contará a história de Chiara Lubich, uma professora trentina muito jovem, com pouco mais de vinte anos, que vivia no desconforto e no desespero que os bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial causavam. Sentiu que foi chamada a construir um mundo melhor, um mundo mais unido. Desde então, colocou como meta pessoal construir pontes entre os homens independentemente da raça, nação ou crença religiosa a que pertenciam. Será um filme biográfico para televisão, a primeira adaptação para TV sobre Chiara Lubich e será focada nos primeiros anos, que vão de 1943 até 1950. É uma coprodução de Rai Fiction e Casanova Multimedia, produzida por Luca Barbareschi. Quem interpretará Chiara será a famosa atriz italiana Cristiana Capotondi; o elenco também contará com Sofia Panizzi e Valentina Ghelfi. As gravações começarão daqui a poucos dias no Trentino e iniciará naqueles “tempos de guerra” em que “tudo desmoronava” e somente Deus permanecia, como contou Chiara mesma em uma das primeiras vezes em que falou sobre o nascimento do Movimento dos Focolares. “Hoje, a força de uma figura como a de Chiara”, afirma o comunicado de imprensa, “nos faz olhar o outro como uma possibilidade, um dom, um portador de uma semente de verdade a ser valorizado e amado, mesmo que esteja distante. A fraternidade universal como pressuposto de diálogo e paz. A mensagem de Chiara não pertence só ao mundo católico e sua figura contribuiu para valorizar a mulher e seu papel também e sobretudo fora da instituição eclesiástica”. Portanto, mostrará os primeiros anos, aqueles de fundação, nos quais Chiara compreende a estrada que Deus pede que ela siga e começa a percorrê-la, seguida sempre por um grupo cada vez mais numeroso de pessoas que, partindo da Itália, percorrerão os caminhos do mundo inteiro. Mas também será uma viagem para dentro do contexto histórico, social e eclesiástico em que Chiara estava – ou seja, aquele da Segunda Guerra Mundial, dos primeiros anos do pós-guerra e dos burburinhos pré-concílio que agitariam o catolicismo. O diretor e os autores também têm o desejo de mostrar “a moça revolucionária que compartilha tudo com quem precisa”, conforme se lê na notizia ANSA do último dia 27 de julho. “Como lê o evangelho sem a presença de um sacerdote, torna-se tão perigosa para a sociedade da época que é obrigada a prestar contas da sua obra ao Santo Ofício e passa pela prova mais difícil de sua vida quando lhe é pedido que deixe de conduzir o Movimento dos Focolares. Mas não é possível parar os efeitos da pedra jogada no rio e os círculos formados ficavam cada vez maiores, então, quando anos mais tarde Paulo VI a restabelece, o Movimento dos Focolares já estava difundido em todo o mundo.”

Stefania Tanesini

Empresários na época do coronavírus

Empresários na época do coronavírus

Empresas em grave crise, milhares de empregos perdidos: a fase de fechamento atingiu duramente a economia européia. Apesar disso, muitos empresários não estão desistindo. Andrea Cruciani, italiano, questionou-se sobre como cuidar de seus funcionários. De que modo os empresários passaram pela fase de lockdown  de emergência por causa da Covid-19? Falamos sobre isso com Andrea Cruciani, CEO da di TeamDev e Agricolus, empresas italianas e start-ups ligadas ao projeto para uma Economia de Comunhão (EdC). Como vocês viveram essa fase de lockdown? “Antes do fechamento, não tivemos problemas. A TeamDev vem crescendo 20% ao ano, há 12 anos, e empregamos cerca de cinquenta pessoas. Em meados de fevereiro, tínhamos feito algumas operações para antecipar os custos no banco, mas com o bloqueio chegamos no final de março e não tínhamos mais nenhuma liquidez. Foi a primeira vez que me vi sem dinheiro e sem alternativas. Tivemos que optar pelo fundo de despedimento e lamento porque sempre investimos com especial atenção no bem-estar corporativo. Assim, nos deparamos com alguns funcionários assustados e sem confiança em nós. Para mim, perder a confiança mesmo que fosse de um único funcionário era um grande sofrimento. Lentamente, tentamos encontrar uma solução para as necessidades de todos e, assim que o dinheiro entrou nos cofres da empresa, conseguimos complementar o fundo de despedimentos pagando aos funcionários através de um prêmio, chamado “prêmio Covid”. No final, pudemos dar o mesmo salário a todos. Eles entenderam que não havia má fé de nossa parte”. O que esta experiência lhe ensinou? “Conheci a fragilidade em construir uma relação autêntica com os funcionários e associados. É muito importante construir uma relação autêntica, baseada na confiança. Ficamos surpresos com a reação de alguns deles, que arrancaram suas melhores energias para contribuir para o bem comum. Este período trouxe à tona a mais verdadeira humanidade nas relações”. Que conselho você daria a outros empresários para cuidar dos recursos humanos? “Deixem-me contar-lhes uma história. Há três anos, eu queria promover um funcionário, confiando-lhe uma filial da empresa. Mas esta pessoa não aguentou e, depois de um tempo, mudou de emprego. Naquela ocasião, percebi que o que eu espero da vida para mim não é o que os outros esperam. Ele nem se importava em receber um aumento de salário, mas não queria ter essa carga psicológica. Depois dessa experiência, começamos a colocar em prática algumas ferramentas mais eficazes”. O que você quer dizer com isso? “Antes de tudo, fizemos um treinamento com um técnico, para que nos ajudasse a manter um espírito comum entre todos. Então, começamos a melhorar o ambiente de trabalho com coisas simples como conseguir frutas frescas para o lanche, ou conseguir frutas da estação das hortas da Caritas para que todos pudessem levar para casa (sem custo) o que precisassem. Também ativamos uma previdência social integrativa, mesmo que durante vários anos já tivéssemos iniciado uma pensão complementar, e várias outras ferramentas, como horários flexíveis para atender as famílias… Parece-nos a melhor maneira de cuidar das pessoas que trabalham para nossas empresas. Assim, procuramos garantir o crescimento de cada pessoa, para que possa dar o melhor de si”. Como você vê o futuro da economia em geral? “Vejo um futuro onde será cada vez mais necessário ler o momento presente e ser capaz de dar chaves de leitura para o futuro também. Para nós empresários da EdC, Chiara Lubich foi uma profeta, porque ela nos ensinou como cuidar dos funcionários e das empresas. Algumas coisas que ela nos disse agora já estão previstas por lei, mas para muitas outras a lei não é necessária, porque é uma questão de consciência e de amor.

Lorenzo Russo

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