Coronavírus – Uma emergência que requer um novo compromisso com a fraternidade
Experiências de quem está na linha de frente e de quem fica em casa, muitas maneiras de viver para os outros. https://vimeo.com/402936481
Experiências de quem está na linha de frente e de quem fica em casa, muitas maneiras de viver para os outros. https://vimeo.com/402936481
Um dia de encontro entre Comunidades, Movimentos e países para testemunhar a paz e a solidariedade entre os povos. No dia 9 de maio, comemora-se a festa do continente europeu que celebra a paz e a unidade entre os povos. Desde a histórica assinatura, em 31 de outubro de 1999, da “Declaração conjunta sobre a doutrina da justificação”, entre os responsáveis de diversos Movimentos e Comunidades, católicos e evangélicos, da Itália e da Alemanha, nasceu a rede together4europe (juntos pela Europa), um caminho para redescobrir juntos os valores de paz e de fraternidade do antigo Continente. Este ano, a pandemia do Covid-19 impediu um encontro presencial numa igreja, nas praças das cidades, em reuniões de convivência, para conferências e oração. Isso não significa que as atividades deste dia tenham sido anuladas, pelo contrário: com muita criatividade foram realizadas conferências digitais, momentos de orações, grupos de discussão e diálogo online entre Comunidades, Movimentos e representantes políticos, desde Utrecht, Graz, Roma, Lione e Esslingen, por exemplo. Os eventos deste ano tiveram a benção papal, através da carta que chegou no dia 22 de abril do Papa Francisco. O Pontífice expressou o apreço pelo serviço ao bem comum que a rede together4europe realiza através das Comunidades e Movimentos comprometidos e inspirados pelos valores de solidariedade, paz e justiça. Para a Festa da Europa, em comunhão com Graz, os Comitês Juntos pela Europa da Itália promoveram e organizaram, no dia de 9 de maio, um evento online dedicado ao Sim à Criação, defendendo a natureza e o ambiente, com o título “Ecologia integral: utopia sustentável para a Europa”. As reflexões de Stefania Papa, docente e especialista em Ecologia, e Luca Fiorani, físico especialista em clima, e dos vídeos das mensagens do Papa Francisco, do Patriarca Bartolomeu I e de Antonio Guterres (ONU) para a 50a Jornada mundial da Terra, contribuíram para dar consciência de como juntos se pode trabalhar para um presente e um futuro melhores, respeitando a nossa Terra, numa cultura do respeito, da cooperação e da reciprocidade. Um dos objetivos de Juntos pela Europa é contribuir para criar uma “cultura da reciprocidade”, onde os indivíduos e os povos podem acolher-se reciprocamente, conhecer-se, reconciliar-se, aprender a estimar-se e a apoiar-se mutuamente. São realizadas muitas atividades em favor da reconciliação e da paz, da tutela da vida e da criação, de uma economia justa, da solidariedade para com os pobres e os marginalizados, da família, do bem das cidades e da fraternidade no continente europeu. As diferenças não devem ser motivo de medo e de separação, mas riquezas que devem ser desenvolvidas e harmonizadas por uma Europa unida, viva, fraterna. Para outras informações visite o site www.together4europe.org
Lorenzo Russo
Ele foi um dos primeiros religiosos a aderir à espiritualidade do Movimento dos Focolares. Um contemplador plenamente em ação, um homem de Deus imerso na humanidade. O que significa e para que serve “contemplar” atualmente? E como se contempla no século 21? Em tempos como estes, trancados em casa devido ao Covid e pressionados pelas preocupações com o futuro, tomar um tempo para nos colocar em contato com o Absoluto poderia não parecer uma prioridade. Porém, há poucos dias, fui obrigada a crer novamente: conheci a extraordinária figura do padre Ermanno Rossi, dominicano italiano, pioneiro do Movimento dos Focolares nos anos 1950, que nos deixou na segunda-feira passada, após a Páscoa. Sua parábola existencial afirma que só uma relação íntima com Deus poderia torná-la possível. Um texto seu, escrito para o 90º aniversário dele, confirma isso: “Foram tantos os acontecimentos da minha vida! Lembro-me de que somente uma convicção interior me guiou em todas as escolhas: ‘Nada pedir e nada recusar’. Isso significava o seguinte: valorizar bem a tarefa confiada a mim, colocar todas as minhas forças com a certeza de que Deus pensaria no resto. Por esse motivo, nunca pedi nada nem recusei nada. Ao chegar nesta idade, porém, posso assegurar que valeu a pena confiar em Deus. (…) Juntamente com as dificuldades, tive graças extraordinárias. Entre elas, tem um lugar totalmente relevante o encontro com Chiara Lubich e com o Movimento dela. Esse encontro foi o farol da minha vida.” E a vida dele foi, digamos, um tanto intensa: de 1950 a 1955, foi o responsável pelos jovens aspirantes à vida dominicana; escrevia que a sua cela era o carro: “Eu vivia rodando pela região central da Itália”. Foi naqueles anos que o padre Ermanno encontrou uma das primeiras comunidades romanas do Movimento dos Focolares e conheceu Graziella De Luca: “Fiz somente uma pergunta: ‘Agora, enquanto vocês estão vivos, tudo caminha bem; mas, quando a primeira geração se for, inevitavelmente haverá um declínio, como aconteceu com todas as fundações’. Graziella respondeu: ‘Não! Enquanto houver Jesus no meio, isso não acontecerá’.”. A partir daquele momento, a vida dele deu, se é que era possível, mais uma acelerada: foi reitor e tesoureiro de um seminário; docente de Moral em Loppiano, rodou pela Europa apresentando a espiritualidade do Movimento dos Focolares a inúmeros religiosos. Foi responsável pelo Centro Missionário da sua província religiosa, depois pároco em Roma e superior de uma pequena comunidade. Com qual espírito padre Ermanno viveu tudo isso? Ele mesmo conta: “Em todos esses fatos, houve algo constante: todas as vezes tive de começar do zero; tive de ‘reciclar-me’. Era como se a cada vez me confiassem um trabalho novo. Outra constante: no começo, a nova situação sempre revelava-se dolorosa, depois, eu a via como providencial. Agora tenho certeza de que aquilo que a Providência coloca à minha disposição é o que poderia me acontecer de melhor”. Na espiritualidade da Unidade, padre Ermanno encontrou a estrada para um novo relacionamento com Deus. Até então, havia procurado Deus sozinho. Descobriu, por meio de Chiara Lubich, que o irmão é o caminho direto para chegar a Deus; uma estrada que não requer, necessariamente, a solidão: pode ser percorrida também no meio da multidão.
Stefania Tanesini
O seguinte escrito de Chiara Lubich nos leva ao coração da fé cristã. “Acreditamos no amor de Deus – deste modo o cristão pode expressar a escolha fundamental de sua vida”[1]. É uma escolha que atualmente se revela muito ousada, mas não menos verdadeira. Hoje, falaremos mais uma vez sobre a oração. Ela é o respiro da alma, oxigênio para toda nossa vida espiritual, expressão do nosso amor a Deus, combustível para cada uma de nossas atividades. Mas de que oração trataremos? Da oração que, encerrando infinitas e divinas riquezas, está toda contida numa palavra, numa única palavra ensinada por Jesus e colocada pelo Espírito Santo em nossos lábios. Mas vamos à sua origem: Jesus rezava, rezava a seu Pai. Para Ele, o Pai era «Abba», isto é, papai, paizinho, a quem Ele se dirigia com palavras de infinita confidência e amor sem fim. Jesus rezava ao Pai, permanecendo no seio da Trindade da qual Ele é a segunda Pessoa divina. Foi justamente através dessa oração muito especial que Jesus revelou ao mundo quem realmente Ele é: o Filho de Deus. Entretanto, uma vez que veio à terra por nossa causa, não lhe satisfazia permanecer sozinho nesta condição privilegiada de oração. Morrendo por nós e nos redimindo, tornou-nos filhos de Deus, seus irmãos, e nos deu também, através do Espírito Santo, a possibilidade de sermos introduzidos no seio da Trindade, n’Ele, junto com Ele, por meio d’Ele. Deste modo, Ele tornou possível também para nós aquela sua divina invocação: «Abba, Pai»[2]: «Papai, paizinho meu!», nosso pai, com tudo o que isto implica: certeza da sua proteção, segurança, abandono cego ao seu amor, consolo divino, força, ardor; ardor que brota do coração de quem está certo de ser amado… É esta a oração cristã, oração extraordinária. Não a encontramos em outros lugares, nem em outras religiões. No máximo, quando se acredita numa divindade, esta é venerada, adorada, suplicada, mas se permanece, por assim dizer, fora dela. No nosso caso, ao invés, penetramos diretamente no Coração de Deus. E então o que fazer? Lembremo-nos, antes de tudo, da vocação sublime e altíssima a que fomos chamados como filhos de Deus e, consequentemente, da nossa extraordinária possibilidade de rezar. Naturalmente só podemos dizer «Abba, Pai!» com todo o significado que essa palavra encerra, se for pronunciada pelo Espírito Santo em nós. E para que isto aconteça é preciso ser Jesus, nada mais, nada menos que Jesus. De que modo? Nós sabemos: Ele já vive em nós pela graça, mas é preciso fazer a nossa parte, que consiste em amar, em permanecer no amor para com Deus e para com o próximo. E, com maior plenitude ainda o Espírito Santo a colocará nos nossos lábios se estivermos em perfeita unidade com os nossos irmãos, mantendo a presença de Jesus entre nós. «Abba, Pai!» Que esta seja a nossa oração. (…) Rezando assim, corresponderemos perfeitamente ao apelo que nos é feito para acreditar no Amor, para ter fé no Amor, neste Amor do qual se originou o nosso carisma. Sim, o Amor, o Pai nos ama. É o nosso papai. O que devemos temer? E ainda, diante do desígnio de Amor que Ele tem sobre cada um de nós, que nos é revelado dia após dia, como é possível deixar de reconhecer a mais extraordinária aventura para a qual poderíamos ser chamados? «Abba» é a oração característica do cristão, e de modo particular a nossa, como membros da Obra de Maria. Se temos então certeza de estarmos vivendo o nosso Ideal, ou melhor, se estivermos no amor, dirijamo-nos ao Pai como Jesus o fazia. E experimentaremos no coração as imensas consequências disso.
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa, 9 de março de 1989) Tirado de: “Abbà, Padre!”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, pag. 355. Città Nuova Ed., Roma 2019. [1] Bento XVI, Deus Caritas est, 1. [2] Mc 14,36; Rm 8,15.