31 Mai 2019 | Sem categoria
Em vista da próxima Assembleia Geral do Movimento dos Focolares em 2020, foi constituída uma comissão de preparação. A indicação da presidente Maria Voce e do Copresidente Jesús Morán é: garantir a máxima liberdade de expressão a todos! As indicações da presidente Maria Voce à comissão que está preparando a próxima Assembleia Geral do Movimento dos Focolares foram breves e claras: “Espero que esta comissão ajude todos do Movimento a se expressarem livremente em vista da próxima Assembleia Geral e que seja capaz de sintetizar o material que chegar de tal modo que ninguém se sinta excluído. E que não siga com nenhum interesse pré-construído”. No fim de semana dos dias 24 a 26 de maio, essa comissão que está preparando tanto a parte da organização quanto a de conteúdo da próxima Assembleia Geral do Movimento dos Focolares, prevista para setembro de 2020, se encontrou pela primeira vez em Castelgandolfo. É composta por 18 pessoas que representam o Movimento dos Focolares na sua configuração geográfica e na diversidade dos setores e expressões. Os membros vêm dos cinco continentes e fazem parte do Movimento de diversas formas e vocações. “A Assembleia de 2020 será de particular importância”, destacou o copresidente Jesús Morán em um encontro entre a comissão e o Conselho Geral do Movimento no domingo, 26 de maio. Depois de dois mandatos de seis anos cada, a atual presidente Maria Voce não poderá mais ser reeleita. Uma mudança que, segundo Jesús Morán, comportará uma passagem ulterior importante para todo o Movimento. “Com certeza, serão levantados alguns temas cruciais a serem aprofundados”, afirmou. “Queremos ter certeza de que isso possa acontecer na mais plena liberdade.” Justamente para garantir essa liberdade, Maria Voce não quis dar indicações com relação ao conteúdo que a Assembleia de 2020 deverá tratar. Quando perguntada se, com base em sua sensibilidade para o conjunto do Movimento, já havia algum tema para sugerir, respondeu: “Não tenho e não quero ter, porque não quero condicionar as exigências do Movimento no momento atual”. Os campos nos quais a comissão preparatória deverá trabalhar nos próximos meses são diversos: iniciar um processo para recolher no mundo todo os temas mais importantes que o Movimento deverá enfrentar nos próximos anos e sobre os quais a Assembleia deveria tratar. Identificar pessoas adequadas e dispostas a se candidatar para presidente, copresidente e conselheiros. Preparar e propor um programa equilibrado que permita que a Assembleia trabalhe com seriedade e responsabilidade. Conseguir exprimir o máximo possível todas as realidades do Movimento dos Focolares nas mais diversas expressões culturais.
Joachim Schwind
30 Mai 2019 | Sem categoria
Pedimos a alguns jovens dos Focolares, de diferentes países, que nos dissessem uma palavra sobre a última exortação apostólica do Papa Francisco. Começamos com Noemi Sanchez, que participou do encontro preparatório do Sínodo.
Noemi tem 28 anos, é paraguaia, de origem brasileira, e está concluindo um doutorado em filosofia na Universidade de Perugia (Itália). Em março do ano passado participou da reunião pré-sinodal, para a qual o Papa convocou vários jovens do mundo inteiro, para, em primeiro lugar, escutá-los e construir com eles e para eles o sucessivo Sínodo sobre os jovens. A exortação apostólica “Christus Vivit” é um dos resultados deste caminho de integração de gerações. Muitos jovens já a leram e compartilharam em seus grupos. Em várias partes do documento o Papa insiste sobre a escuta dos jovens, por parte da Igreja. Essa escuta existiu? Acho que todo o caminho construído para o Sínodo de outubro de 2018 é um exemplo claro do desejo concreto da Igreja de nos escutar e acolher plenamente. No pré-sínodo éramos 300, de muitos países, éramos livres para dizer tudo, como o Papa nos havia pedido; os adultos nos escutavam e encorajavam o diálogo. A ideia, agora, é que essa experiência de reciprocidade entre as gerações aconteça nos vários ambientes, nas paróquias e nas comunidades cristãs. Várias vezes, no documento, o Papa refere-se à inquietação característica da idade jovem. Você acredita que em meio às muitas vozes, à cacofonia digital, é possível escutar a voz de Deus?
O Papa usa a expressão “voar com os pés” porque, efetivamente, nós jovens nunca estamos parados, estamos sempre em busca de alguma coisa. No entanto, nos deparamos com os nossos limites, como a falta de experiência, e, consequentemente, com o medo de errar nas opções definitivas. Não basta a “velocidade”, é preciso um sentido, e é aqui que a proximidade e o impulso dos adultos são cruciais, especialmente no mundo de hoje cheio de “falsas sirenes”. Tendo feito a experiência, creio que a voz de Deus se faça ouvir sempre graças aos “amplificadores” do amor. Por que são tão poucos os jovens que desejam empreender um caminho sério de fé? O que falta e o que procuram? São muitas as razões: desilusão, ignorância, preguiça. Muitas vezes falta um conhecimento profundo da fé, e sendo assim nós jovens nos tornamos vítimas daquela sociedade desenraizada e erradicante que o Papa constantemente denuncia. Ao mesmo tempo, há em todos nós o desejo de nos comprometermos em causas sociais, uma certa sensibilidade artística, a vontade de construir relacionamentos verdadeiros e duradouros, de viver por algo autêntico. Enfim, o jovem de hoje busca Deus, ainda que não seja plenamente consciente disso. Na sua opinião, qual é a real contribuição que o sínodo sobre os jovens e esta exortação apostólica trazem à vida dos jovens e da Igreja? Sem dúvida nenhuma este Sínodo representou uma novidade na história da Igreja, em nível de metodologia e abordagem da realidade. Parece-me que emergiu a essencialidade e a riqueza do diálogo entre as gerações de modo ativo e contínuo, em todas as instâncias da Igreja. A exortação, em especial, é um verdadeiro tesouro para nós, não somente os jovens católicos. Quando a li não senti de forma alguma que se tratava de um documento do Magistério, mas a longa carta de um avô, um amigo maior que, porque me ama, consegue falar ao coração, dizer o que eu preciso neste momento da vida para não cair, para levantar-me, para tentar novamente e continuar a crer na beleza, no bem, no amor, na humanidade mais verdadeira que é também divina, na possibilidade de alcançar a felicidade plena, não obstante os sofrimentos e os problemas que fazem parte da vida, e saber enfrentá-los com coragem e determinação.
Aos cuidados de Stefania Tanesini
27 Mai 2019 | Sem categoria
Jesus Ressuscitado nos convida a “sair” de nós mesmos, das nossas seguranças frágeis e das nossas fronteiras A prova superada A gritaria de uma discussão entre dois estudantes era ouvida até no corredor, onde eu andava de um lado para o outro nervosamente esperando a hora da prova. Tive a ideia de ir até lá e acalma-los, mas eu parava na preocupação de ser chamado nesse meio-tempo e não estar presente. É melhor deixar que alguém o faça… Mas os gritos ficavam mais altos e eu não podia ficar indiferente ao irmão, que é tão importante para mim. Um momento depois, corri para baixo para separar e acalmar os dois. Quando voltei ao andar de cima, depois de um tempo, ouvi chamarem meu nome. Na sala, respondi todas as perguntas e passei. Uma prova superada. E consegui passar também na outra. (Antonio – Itália) No convento Depois de alguns anos de entusiasmo desde quando entrei para o convento, lentamente nascia em mim a sensação de viver uma vida sem afeto, quase sem humanidade. Um dia, me recuperando em um hospital, eu estava completamente sozinha, enquanto via os outros doentes cercados de afeto e ternura. Mais tarde, com a angústia de ter errado na vida, me recolhi em oração e entendi que Deus me confiava a missão de ser eu, para as outras, a fonte daquele afeto que eu procurava para mim. Quando voltei, estava “curada”, tinha a força para recomeçar. E as coisas não estavam mais como antes! (G.d.G. – Eslovênia) Tecnologia Meu marido se interessa por todas as novidades de informática. Já eu, diante de certos dispositivos, me sinto perdida e sou lenta para me acostumar com as novidades. Com o tempo, nasceu em mim um sentimento de inferioridade que ele acentuava, fazendo com que se evidenciasse o que eu não entendia ou mesmo me expondo ao ridículo na frente dos nossos filhos. Acabei jogando fora o meu celular e me fechei em um grande mutismo. Foi nosso filho mais velho que fez com que o pai entendesse que havia algo de errado e, como exemplo, lembrou que eu havia ido ao médico e meu marido nem havia me perguntado como havia sido a consulta, e acrescentou: “Se a sua técnica deixa você tão distraído, por que quis ter uma família?”. Quando, um pouco depois, meu marido veio me pedir perdão, disse-lhe que devíamos ser gratos pelos filhos que temos. (E.d.F. – Eslováquia) Divórcio Quando nossa filha nos confidenciou que estava perto de se divorciar, nos propusemos a compartilhar a sua dor, suas dúvidas, seus problemas sem julgar. Nós nos falávamos ao telefone frequentemente para que não se sentisse sozinha. Quando veio à nossa casa com os filhos por alguns dias, a acolhemos com um afeto particular. Quando voltou para a casa dela depois de alguns dias, nos telefonou para dizer que não queria mais continuar com o processo do divórcio, que queria fazer toda a sua parte para reconstruir seu matrimônio. (J.S. – EUA)
Por Chiara Favotti
26 Mai 2019 | Sem categoria
E se por uma vez ao invés de ser parte do problema a mídia fosse promotora da solução? História de Austin Kellerman, diretor News na emissora televisiva local NBC, e da sua redação para combater a violência na comunidade civil. https://vimeo.com/333694179
23 Mai 2019 | Sem categoria
Entrevista ao prof. Pál Tóth: “Aplicar à Europa o princípio da fraternidade como categoria política significa construir instituições que visem à colaboração entre todas as diversidades, para realizar o bem comum”. Aproximam-se as eleições europeias para a renovação dos representantes dos 27 Estados membros da União Europeia no Parlamento europeu: 400 milhões de cidadãos chamados a votar no fim de maio. Estão em jogo duas ideias de Europa: uma europeísta, a outra eurocética. Uma polarização que acompanha, de modo geral, os confins geográficos do velho continente, e assiste a contraposição entre o Leste e o Oeste. Falamos a esse respeito com Pál Tóth, pelo Movimento dos Focolares, conselheiro cultural do Comitê de Orientação de Juntos pela Europa, uma rede de mais de 300 Comunidades e Movimentos cristãos que quer ser um modelo de Europa unida, expressão de uma “cultura da reciprocidade”:
“É preciso lembrar que, com o alargamento da União, chegamos muito cedo, nos novos Estados membros, à aplicação da economia de mercado e do sistema jurídico democrático; mas uma sincronização entre as diferentes realidades culturais acontece de maneira muito mais lenta. Falo de “sincronização” e não de uma simples cobrança ou adaptação às conquistas sociais e políticas do Oeste, porque estou convencido de que o Leste seja portador de valores que são fruto de um sofrimento secular e, portanto, de um valor fundamental. Pensemos no amor à verdade do povo tcheco, desde Jan Hus até Vaclav Havel, nas pequenas comunidades que nasceram na Igreja do silêncio que tetemunham o Evangelho vivido, nas Igrejas populares da Polônia que enche as igrejas no tempo da secularização, nas ícones da Ortodoxia que, na era da imagem e da crise da palavra, podem abrir novos acessos ao mistério cristão. Na minha opinião, o Leste ainda não pode expressar estes valores e reage de maneira impulsiva a fenômenos que acredita serem de decadência e declínio moral. Não vamos em frente apenas com as críticas; é preciso encontrar um caminho que leve a um crescimento comum, um ‘processo sinodal’ – eu diria com Papa Francisco – com acolhimento, compreensão, com palavras claras, mas não ofensivas, com uma desconstrução de preconceitos e discernimento comunitário”. O caso Brexit coloca uma questão aos estados da UE: pode-se enfrentar melhor os desafios de hoje e do futuro estando sozinhos ou numa formação coesa? A transformação radical do mundo em que vivemos coloca diante de nós desafios que não podem ser geridos em nível nacional. O sociólogo alemão Ulrich Beck fala até mesmo de uma metamorfose do mundo, que exige um modo de raciocinar claramente diferente daquele precedente. As mudanças climáticas, as migrações, o crime organizado, os “males comuns” do capitalismo global não podem ser enfrentados eficazmente em nível nacional, mas sim com forças políticas integradas. Para Chiara Lubich e Igino Giordani, fundadora e cofundador dos Focolares, era muito claro que uma Europa unida poderia ser promotora da paz mundial. À luz do carisma da unidade, o que significa adotar a fraternidade como categoria política? A democracia nasce, na modernidade, como um sistema competitivo: distribuição dos poderes, luta entre os partidos, freios e contrapesos, uma sociedade civil como controle do poder público. Aplicar o princípio da fraternidade como categoria política significa construir instituições que mirem à colaboração entre todas as diversidades, para realizar o bem comum. Os princípios da liberdade e da igualdade foram traduzidos, nos dois últimos séculos, em categorias jurídicas e políticas. Agora trata-se de trabalhar sobre a categoria da fraternidade, que sintetiza os valores da reciprocidade e da responsabilidade mútua. No cenário político, ao lados dos partidos como agentes de competição, poderiam vir em evidência as instituições da sociedade civil como realizadoras de tarefas públicas. Os modelos não faltam e os movimentos de renovação espiritual e cultural, como aquele dos Focolares, poderiam ter um papel determinante neste processo. Atualmente o compromisso dos Focolares por uma Europa unida exprime-se também no projeto Juntos pela Europa. Ilona Tóth, membro do Comitê de Orientação de JpE, explica como esta iniciativa nasceu: No limiar do Terceiro Milênio, fundadores e responsáveis de Comunidades e Movimentos cristãos (Chiara Lubich, Andrea Riccardi, Helmut Nicklas, Salvatore Martinez e outros) decidiram unir os próprios carismas sobre a base do amor mútuo ao serviço do Continente. O objetivo era fazer com que, ao lado da Europa geográfica e econômica, tomasse vigor também a Europa do espírito, fundada sobre os valores do cristianismo. Quais foram os resultados até agora? Da rede de Juntos pela Europa está surgindo um novo fermento para um povo europeu com uma cultura própria baseada na fraternidade evangélica. Estes pequenos laboratórios, espalhados pela Europa, realizam a unidade na diversidade. No próprio ambiente estão iniciando juntos iniciativas pela paz, pela família, pelo cuidado do ambiente, por uma economia justa, pela solidariedade, etc…, com o objetivo de responder aos desafios de um continente em crise.
Claudia Di Lorenzi
22 Mai 2019 | Sem categoria
Não se passou ainda um século do término do último conflito mundial e parece que a Europa tenha perdido hoje, de alguma maneira, a confiança originária. Teatro de dois conflitos mundiais com milhões de mortos, muitas cidades e comunidades destruídas, o velho continente se dirigia, nos anos 1950, a um esperado renascimento. Os pais fundadores da atual Comunidade Europeia haviam olhado para além dos interesses particulares de cada país, e pensado grande: uma comunidade de povos que pudesse projetar um futuro de paz e um renascimento econômico.
Falou-se sobre a Europa com Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, durante uma entrevista, articulada em nove perguntas, feita por ocasião da Mariápolis Europeia que acontecerá nos próximos meses de julho e agosto em Tonadico, na região do Trentino, na Itália. Num diálogo aberto e franco, a entrevista desenvolve-se enfrentando temáticas relacionadas à política, aos jovens, ao testemunho dos cristãos de hoje, à Europa que queremos e sobre qual significado pode ter a Mariápolis europeia. A diversidade entre as várias comunidades dos povos é um valor, afirma Maria Voce, e não pode ceder ao desejo de soberanias e nacionalismos: na Mariápolis a diversidade torna-se precisamente motivo de enriquecimento para todos, um momento no qual cada um pode manifestar a própria riqueza e a sua cultura. “E se cada pessoa se dispõe a fazer isso – continua Maria Voce – ninguém mais sentirá a necessidade de reivindicar a própria identidade, porque esta será reconhecida, valorizada e enriquecida na unidade”. E isso é o que a Mariápolis europeia pode significar e pode dar aos participantes, realizar juntos uma frase que Chiara Lubich disse ainda em 2004: “A mais alta dignidade para a humanidade seria a de não sentir-se um aglomerado de povos, muitas vezes em luta entre si, mas, pelo amor mútuo, um único povo enriquecido pela diversidade de cada um, e por isso guardião, na unidade, das diferentes identidades”. Outro ponto abordado é a presença dos jovens na sociedade de hoje e a sua escassa participação na vida política. Maria Voce não tem dúvidas à respeito, e dá valor ao testemunho de muitos jovens que neste momento tem uma influência, por exemplo, no campo da ecologia: as novas gerações comprometem-se “em projetos que olham ao bem da humanidade, não à urgência do dia que passa, e em projetos que exigem uma concretude de vida, mostram uma autenticidade de vida”, afirma a presidente dos Focolares. Igualmente o papel dos cristãos é muito árduo, mas eles podem transmitir o valor da solidariedade, da fraternidade, do amor aos últimos, aos mais pobres, vivendo em primeira pessoa uma vida coerente à luz do Evangelho. Entre as perguntas não podiam faltar aquelas sobre o seu encontro com o carisma da unidade, ocorrido em Roma, durante os anos de universidade e, consequentemente, a sua primeira experiência de Mariápolis que, como descobrimos, se deu justamente em 1959, nos vales das Dolomitas, onde conheceu Chiara Lubich. Maria Voce é testemunha da multidão de pessoas que todo ano invadia aqueles lugares encantadores, pessoas muito variadas, atraídas por uma experiência pessoal de amor recíproco, pela fraternidade, para realizar assim a oração de Jesus “que todos sejam um”. A última pergunta não pode deixar de suscitar nela uma desejo e uma esperança: “as minhas esperanças para a Europa são que ela possa descobrir a sua beleza e a sua vocação: povos unidos que se reconhecem uns nos outros, e que reconhecem uns nos outros princípio comuns, valores em comum. A história de um povo é também a minha história, a história de cada povo da Europa é também a minha história, faz parte da minha história, vive na minha história”.
Patrizia Mazzola