Movimento dos Focolares

Evangelho vivido: ser testemunhas

Os apóstolos, e com eles todos os discípulos de Jesus, são enviados como “testemunhas”. Cada cristão, de fato, quando descobre por meio de Jesus o que quer dizer ser filho de Deus, descobre também que foi enviado. A nossa vocação e a nossa identidade de filhos se realizam na missão, em ir ao encontro dos outros como irmãos. A carteira Sou um profissional autônomo sem salário fixo. Um dia, enquanto me preparava para ir ao escritório e estava sem dinheiro, encontrei uma carteira no chão. Peguei e fui ao trabalho. Havia muito dinheiro nela e seria ótimo para mim porque tenho um filho que estava doente. Foi um momento de tentação, mas decidi procurar o dono da carteira. Surpreso, descubro que é meu vizinho. Diante de sua porta, sinto de novo a tentação, mas toquei a campainha. Ele me agradeceu e eu fui dormir com o coração leve e tranquilo. No dia seguinte, chegou ao meu escritório um valor significativo, totalmente inesperado! (N. – Egito) Alzheimer No começo, parecia tudo capricho da idade, manha. Quando foi confirmado o diagnóstico de alzheimer, meus dias começaram a se encher de angústia. O homem maravilhoso com o qual eu havia me casado, o pai invejável dos nossos filhos, se transformou em uma pessoa digna de compaixão. Enquanto a doença progredia, também em mim algo se destruía: aquilo que eu fazia para o meu marido era como se estivesse sendo feito ao vento. Além disso, nossos filhos, com suas famílias e seus problemas, pareciam distantes. Um sacerdote me aconselhou a não fazer comparações com o passado e a iniciar a vida hoje. Algo começou a se mexer dentro de mim, até o meu marido pareceu encontrar mais serenidade, e os filhos percebiam quando vinham nos encontrar. Depois de sua morte, o mais novo me abraçou dizendo: “Vocês sempre foram nossos exemplos, principalmente no último período”. (S.Q. – Portugal) Refugiados Chegaram na nossa cidade 230 refugiados, alguns somente com as roupas do corpo. Sensibilizados com aquela situação, colaboramos com a Caritas, investindo tempo e forças. Aos poucos, nasceu uma amizade com eles e algumas mães começaram a frequentar nossas casas. Um dia, Pasa, muçulmana, nos vendo preocupados com a nossa filha, gravemente doente, nos prometeu que rezaria a Alá por ela todos os dias. Tudo nos confirma que a fraternidade é possível, mesmo com culturas diversas e crenças religiosas diferentes. (U.R.J. – Alemanha) A verdadeira sociedade No nosso país, comerciantes, motoristas de táxi a pedal, professores e empregados do governo precisam recorrer a empréstimos de agiotas com juros altíssimos devido ao baixo salário. Um dia, com um grupo, organizamos uma cooperativa de crédito para combater a crise econômica. Nossa casa tornou-se a sede oficial. Procuramos ter como única regra o Evangelho, nos empenhando em escutar cada um até o fim para resolver seus problemas. Envolvemos pessoas muito ricas da região e, graças à ajuda delas, os motoristas de táxi a pedal puderam adquirir seus veículos, muitos jovens puderam continuar os estudos e pessoas doentes puderam pagar pelos tratamentos. Algumas famílias receberam ajuda para construir casas, outras juntaram dinheiro para ir trabalhar no exterior. As famílias mais ricas se conscientizaram das necessidades de todos, os pobres superaram o sentimento de inferioridade. O Evangelho nos ensina sobre a verdadeira sociedade. (M.T. – Filipinas) No ônibus Alguns adolescentes sentados no fundo do ônibus estavam escutando rap num volume altíssimo e cantando aos gritos. Os passageiros lançavam uns olhares feios, mas eles berravam ainda mais. Uma mulher de meia idade, com um semblante luminoso, se aproximou dos adolescentes convidando-os a cantar melhor para que pudesse entender bem a letra das músicas. Depois de um momento de silêncio embaraçoso, começou um coro. Os adolescentes começaram a sorrir, dava para entender a letra e as pessoas começaram a aplaudir. A atmosfera no ônibus mudou completamente. (W.K. – Inglaterra)

Por Chiara Favotti

O Espírito Santo em ação

Sábado, 8 de junho, a Presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, foi convidada a participar da conferência internacional de líderes da Renovação Carismática Católica, organizada pelo CHARIS (Catholic Charismatic Renewal International Service), o novo serviço instituído pela Santa Sé através do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida que iniciou oficialmente sua atividade no dia de Pentecostes. Em seu discurso, Maria Voce falou sobre quem é o Espírito Santo no Movimento dos Focolares. Relatamos alguns trechos. Caros amigos, O Espírito Santo sempre teve um papel importantíssimo na nossa história. E Chiara Lubich, fundadora e primeira presidente do Movimento dos Focolares, evidenciou várias vezes : “Foi o nosso Mestre”, “o grande protagonista da nossa história”, “o doador do nosso Carisma”. Foi sempre ele, o Espírito Santo, que iluminou, guiou, amparou, difundiu o que nós denominamos “o Ideal”, ou seja, Deus, descoberto e redescoberto através da espiritualidade da unidade. “Ideal” que, inundando-nos de luz, nos lança todos os dias em uma aventura divina sempre nova, única e maravilhosa. Certo, no início da nossa história – nos anos 1940-1950 –, essa função do Espírito Santo não era tão evidente: durante vários anos não se falou dele e da sua atuação em relação a nós, porque Ele mesmo quis assim. Como Chiara disse em um Congresso da Renovação carismática em 2003: “Ele colocou-se de lado com todo o cuidado. De certo modo, ele desapareceu, se anulou, dando-nos deste modo uma lição que jamais esqueceremos: Ele, que o personifica, nos ensinou o que é o amor: é viver e colocar em relevo os outros” . Ao mesmo tempo, porém, desde os primeiros anos, nos vários pontos da espiritualidade da unidade, que se delinearam aos poucos, encontramos a marca indelével da silenciosa mas ativa presença do Espírito. Basta pensar na experiência vivida durante a Segunda Guerra Mundial em um “porão escuro” onde, refugiando-se das bombas, Chiara abre o Evangelho e tem a impressão de que cada página se ilumina com nova luz: é o Espírito Santo que a faz sentir a palavra de Jesus pronunciada dois mil anos antes como uma Palavra viva, sempre viável, adequada para todo tempo e toda situação. O amor pela Palavra de Deus – que procuramos viver mês por mês para nos evangelizarmos sempre – é um dos pilares da nossa espiritualidade. Durante o verão de 1949, caracterizado por uma particular experiência mística vivida por Chiara, encontramos o Espírito Santo como seu silencioso companheiro de viagem, Aquele que todos os dias a faz viver “Realidades infinitamente belas” . É naquela circunstância que ela compreende como o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, era “todo o respiro de Jesus, todo o Calor, a Vida Dele”, “a atmosfera do Céu”, a atmosfera “da qual todo o Céu é impregnado” . Ainda nesse período, o Espírito Santo revela a ela toda uma nova compreensão de Maria , compreensão que, mais tarde, será determinante para o desenvolvimento do Carisma e para a própria constituição da Obra, intitulada depois a Maria. No caminho espiritual empreendido, Chiara sempre exortou a ser “alunos assíduos deste grande Mestre”; a prestar atenção às suas manifestações misteriosas e delicadíssimas; não desperdicemos nenhuma daquelas que podem ser suas inspirações . Foi sempre uma prática comum da nossa vida “escutar aquela voz”, ou seja, a voz do Espírito Santo, que habita dentro de nós. É uma “voz” que fala forte, que inspira, que guia, se nos colocamos em uma atitude de amor para com Deus e nossos irmãos; uma “voz” que ajuda a levar a revolução do amor evangélico ao mundo. Entre os muitos efeitos suscitados pelo Espírito Santo, um que experimentamos continuamente nas comunidades, nas nossas cidadezinhas, nos nossos pequenos ou numerosos encontros, é a particular “atmosfera” que se cria como fruto de uma unidade profunda gerada pela presença do Ressuscitado entre nós. (cf. Mt 18,20). Mas Jesus pode estar entre nós somente se o nosso amor mútuo é medido pelo seu (“como eu vos amei”). Para isso é preciso olhar para Ele crucificado – que, por amor, experimenta até mesmo o abandono – e reconhecê-lo e amá-lo em todas as dores que encontramos, sendo nada como Ele. “Jesus Abandonado é o nada, é o ponto e através do ponto (ou seja, o Amor reduzido ao extremo, o ter doado tudo) passa somente a Simplicidade que é Deus: o Amor. Só o Amor penetra…” . Assim, podemos deixar o Ressuscitado viver em nós, e o Ressuscitado traz consigo o seu Espírito. Experimentamos que, quando Jesus está presente no meio de nós, a voz do Espírito Santo se amplia fortemente, como através de um “alto-falante” . Também invocamos a presença do Espírito Santo de maneira especial com a nossa típica oração, que é o consenserint, à luz das palavras de Jesus: “Eu vos digo mais isto: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que está nos Céus concederá” (cf. Mt 18,19). Através desta oração nos dirigimos ao Pai, entregando-lhe todas as necessidades e quantas graças, várias e impensáveis, obtivemos deste modo! Também experimentamos que o Espírito Santo entra na vida e na história de cada um e renova a partir de dentro não apenas um particular, mas todas as realidades humanas, para conduzir toda a humanidade e o cosmos à realização do projeto de Deus. E que, colocando à base dos relacionamentos entre os homens o amor mútuo como reflexo do amor trinitário, é possível realmente transformar o mundo em todos os âmbitos: político, econômico, cultural, artístico, educativo, etc. . “Senti – escreve Chiara – que fui criada como um dom para quem está perto de mim e quem está perto de mim foi criado por Deus como um dom para mim, como o Pai na Trindade é todo para o Filho e o Filho é todo para o Pai. E por isso o relacionamento entre nós é o Espírito Santo, o mesmo relacionamento que existe entre as Pessoas da Trindade” . Estamos convencidos de que todos nós, grandes e pequenos, podemos ser “portadores” de Espírito Santo, para fazer resplandecer o divino não apenas na Igreja, mas também fora, no mundo que nos é confiado. Somos chamados a traçar, por onde passamos, “bordados de luz” e dar assim a nossa contribuição à humanidade que nos circunda, para reencontrarmos juntos o verdadeiro sentido do nosso caminhar. Gostaria de concluir com um sonho de Chiara, que ela confiou totalmente ao Espírito Santo. Um sonho que é também meu e creio que também de vocês: “Sonho que o Espírito Santo continue a inundar as Igrejas e a potencializar as ‘sementes do Verbo’, que existem fora delas, de modo que o mundo seja invadido por contínuas novidades de luz, de vida, de obras que só Ele sabe suscitar. A fim de que um número cada vez maior de homens e mulheres se encaminhe por retos caminhos, conflua para o seu Criador, coloque o próprio espírito e coração a Seu serviço” .

“Crianças e adolescentes: ajudar o crescimento, favorecer o bem-estar”

“Crianças e adolescentes: ajudar o crescimento, favorecer o bem-estar”

Um projeto de formação contínua com cursos para educadores e pais promovidos pelos Focolares Os primeiros cursos iniciaram-se na Itália em 2014, mas já na metade do ano seguinte realizaram-se no mundo inteiro. São itinerários de formação para a proteção das crianças e dos adolescentes promovidos pelo Movimento dos Focolares dirigidos a educadores e animadores de grupos, e também aos pais e à comunidade mais ampla. O objetivo é “criar redes” para potencializar a capacidade de prevenção. “Quanto mais formados e sensíveis formos, mais preparados seremos para prevenir situações de violência”, diz Viviana Colonnetti, psicóloga e psicoterapeuta, membro da Comissão para o Bem-estar e a Proteção das Crianças e dos Adolescentes dos Focolares e uma das coordenadoras dos cursos. Conversamos com ela a respeito do assunto. TAPA CUSTODIAR FINAL WEBQue visão da criança inspira as atividades de formação do Movimento? “É a visão que nos transmitiu Chiara Lubich, fundadora dos Focolares: a criança está no centro das nossas atividades, é um outro Jesus para ser acolhido, uma pessoa que deve ser ajudada no seu crescimento e no seu bem-estar. É a visão do Evangelho que leva a reconhecer a dignidade de cada pessoa e a promover a sua formação integral”. Quais são as habilidades necessárias aos adultos que acompanham as crianças e os adolescentes? “É necessário que sejam pessoas com um equilíbrio afetivo e emocional, com capacidade de escuta e empatia, capazes de coordenar grupos de crianças e eventuais conflitos que surjam, que saibam trabalhar em grupo, que gostem de brincar e de estar com as crianças”. Eles recebem noções de tipo jurídico sobre relacionamento com as crianças e os adolescentes? “Existem normas internas que já estão no Manual e são válidas para todo o Movimento dos Focolares, enquanto outras devem ser adaptadas de acordo com a legislação de cada país. Estas normas traduzem-se em boas práticas, isto é, em comportamentos positivos e eficazes a serem observados. Também indicamos alguns comportamentos que devem ser evitados, porque podem se tornar situações de risco”. UnknownO curso também fala sobre o relacionamento com os pais dos menores. Que tipo de relações devem ser estabelecidas? “Com os pais deseja-se chegar a um pacto educativo, como diz o Papa Francisco, isto é, trabalhar juntos para o bem da criança. Por isso, no início das atividades propomos aos pais um encontro no qual estrutura-se juntos o programa anual, para que as crianças possam receber dos assistentes/animadores as mesmas mensagens dadas em família. Além disso, propomos aos pais que participem em algumas atividades. Procuramos apoiar as crianças e os adolescentes nas suas dificuldades, por isso é importante dialogar e trabalhar com os pais”. Toda a formação é feita neste curso-base? “Para as pessoas que acompanham as crianças no Movimento estes momentos educativos fazem parte de uma formação contínua mais ampla, que se alimenta constantemente com argumentos inerentes ao tema dos menores. Além disso, começamos a trabalhar com os pais e a comunidade, porque entendemos que somente uma rede pode garantir a prevenção das violências sobre as crianças, porque, além das atividades, é a comunidade que sustenta os seus membros. E já obtivemos resultados muito positivos”. Entre os interlocutores do Movimento também existem as instituições, as associações e as paróquias. Existe algum instrumento específico para elas? “O livro ‘Proteger a infância’ nasceu da experiência dos cursos abertos à sociedade, a associações, paróquias, centros esportivos e organizações interessadas neste tipo de formação que propomos com a nossa visão antropológica. Foi publicado no ano passado na Argentina pela editora Ciudad Nueva, que nos propôs para recolher todo o material dos cursos num volume, para poder chegar também àquelas instituições que não estão em contato direto com o Movimento. Após cada apresentação realiza-se um workshop que nos permite falar com profissionais, educadores e outras pessoas às quais não poderiamos ter acesso de outro modo. O livro também foi publicado recentemente no Brasil e em breve será publicado na Itália”.

Claudia Di Lorenzi

Somente o sopro do Espírito pode dar vida ao irmão

Viver transferidos no Outro: no próximo, por exemplo, que – momento por momento – está perto de nós; viver a vida dele em toda a sua plenitude. Assim como na Trindade – e só ali está o Amor – o Pai vive no Filho e vice-versa, e o amor mútuo é Espírito Santo, quando vivemos transferidos no irmão (e é preciso perder a própria vida para reencontrá-la), logo que retornamos em nós mesmos para responder ao irmão, encontramos um Terceiro: o Espírito Santo, que tomou o lugar do nosso vazio. Ora, podemos entrar no outro de vários modos: empurrando, como se alguém grande quisesse entrar por uma pequena porta… e faz assim aquela pessoa que não ouve até o fim seu irmão (que não morre totalmente no irmão, que é o paraíso do próprio eu, o Reino do eu) e quer dar respostas recolhidas aqui e ali em sua própria cabeça, que podem ser inspiradas, mas não são aquele sopro do Espírito Santo que dará vida ao irmão. Há aquele que (amante apaixonado de Jesus Abandonado) morre mais facilmente do que vive e ouve seu irmão profundamente, sem se preocupar com a resposta, que lhe será dada no final pelo Espírito Santo, o qual sintetiza em breves palavras ou em uma só todo o remédio para aquela alma. (de um escrito de 8 de setembro de 1949)

Chiara Lubich

(Chiara Lubich, O Espírito Santo, Cidade Nova, 2018, pág. 48)

Liderança, não é uma brincadeira

Aprender a fazer o papel de “locomotivas” de grupos e projetos é um processo fundamental no momento em que o sentido da autoridade vacila, as redes sociais ditam a sua lei e a política parece por toda parte estar em crise. Os projetos do Movimento político pela unidade, de NetOne, de Humanidade Nova, de Sophia, da Amu, de Famílias Novas, do Movimento Juvenil pela Unidade e de outros ainda. É uma das palavras chave do início do Terceiro Milênio: “liderança”. Às vezes se abusa do termo, e não se sabe mais o que significa de fato, por diferentes motivos, determinados pelos fenômenos da globalização e da revolução digital, com a paralela crise de modelos de governança tradicionais, seja no micro (paróquias, associações, bairros…) seja no macro (empresas, governos, administrações…). E isso acontece um pouco por toda parte. Numerosos organismos e agências culturais dos Focolares, por isso, se interessam, tomando obviamente o problema a partir de diversos pontos de vista, e encaminhando processos, na maioria das vezes, sinérgicos. Basta o exemplo do congresso organizado por Humanidade Nova, pelo Movimento político pela unidade e por outras agências culturais do Movimento, no mês de janeiro passado, em Castelgandolfo, “Co-governança” era o seu título, e que agora continua de diferentes maneiras em vários cantos do mundo. Mais do que um modelo, foi proposto um estilo de governança, que retoma o assunto fundamental do carisma da unidade, isto é, aquele prefixo “co”, que exprime vontade de não ceder a individualismos e solipsismos, de conceder parte da própria “soberania”, do próprio “poder” à instância comum, ao tender na direção do bem comum. Faz tempo, também no Instituto universitário Sophia, se está trabalhando sobre estes aspectos no âmbito da política e da economia, assim como nas ciências humanas e sociais. Em especial, se está interessado no tema da liderança, sob os mais diversos ângulos colhidos do ponto de vista da “cultura da unidade”. Isso é a lógica consequência, se quisermos, de um dos slogans lançados pelo nascente movimento gen, em 1967-1968, particularmente por alguns franceses (entre eles, Goffinet e Garoche), os quais publicaram um folheto com o título significativo: “Mudar a si mesmos para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a si mesmos”. Já havia a exigência de uma liderança iluminada pelo Evangelho, rica das contribuições das ciências humanas e sociais, atenta às inspirações do carisma da unidade. Alguns estudantes e docentes de Sophia, Humanidade Nova (New Humanity) e o Movimento político pela unidade, com a colaboração de outras agências culturais do Movimento, depois, elaboraram um projeto trienal dedicado em especial à África. O primeiro ato teve lugar no Quênia em janeiro de 2019, com mais de 100 jovens de 7 países da região (Quênia, Uganda, Tanzânia, Sudão do Sul, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo) para uma liderança “à africana”, com a contribuição da Unesco, através da Kenya National Commission e o auxílio de Caritas e Missio. “Together4Africa” propõe uma liderança “à africana”, portanto, desvinculada de modelos ocidentais demais, na valorização do que as culturas locais têm gerado, durante os séculos, a propósito da gestão do poder e da autoridade. Entre as outras iniciativas, depois, deve ser comentada a promovida por NetOne e Humanité Nouvelle Liban, ainda com Sophia e o Movimento político pela unidade, para o Oriente Médio. Na região, efetivamente, se percebe a necessidade de propor uma séria formação à “Liderança comunitária no espírito do Evangelho” (este, o título do projeto), isto é, que possa levar homens e mulheres, sobretudo jovens, a reunir um grupo, a animá-lo, a resolver os seus problemas e a contribuir para o bem comum da própria cidade, da própria Igreja e do próprio país em relação com as outras comunidades presentes no local, seja civis seja religiosas. É preciso reconstruir as casas, mas sobretudo os corações e as mentes. O projeto, representado por uma âncora (al Marsat), oferece instrumentos de formação úteis para, deste modo, devolver a respiração a muitos jovens e a muitas comunidades eclesiais na Síria, Curdistão iraquiano, Jordânia e Líbano. Naturalmente são levados em consideração os diversos aspectos da liderança, dos psicológicos aos sociais, dos eclesiais aos ecumênicos, da organização à economia, do anúncio à caridade, e assim por diante. A etapa libanesa já se concluiu, a síria, em Aleppo, está em andamento, enquanto a jordaniana se realizará entre setembro e dezembro de 2019. Em seguida virão as outras.

Michele Zanzucchi

Juntos pela Europa: em caminho pela unidade dos povos

Muitos encontros foram realizados e muitos estão programados em vários lugares do continente com testemunhos e projetos concretos No dia 9 de maio de 1950, Robert Schuman, um dos pais fundadores da Europa e primeiro presidente da assembleia parlamentar europeia, apresentava o plano de cooperação econômica com o objetivo de formar uma futura união federal. Cinco anos antes, no dia 9 de maio de 1945, a Europa finalmente via o fim da sangrenta guerra que a havia arruinado e destruído. Essa data foi lembrada em toda a Europa e vários encontros se espalharam em muitas cidades com inúmeras comunidades que se perguntavam sobre qual futuro os cidadãos querem desconectar do Velho Continente hoje. De Bruxelas, a capital da União Europeia, a Praga, de países como Eslovênia, Suíça, França, Alemanha à Áustria, Itália e muitos outros, milhares de cidadãos de mais de 300 confissões religiosas participaram de congressos, seminários, momentos de orações, promovidos pelo “Juntos pela Europa”, um órgão internacional formado por Comunidades e Movimentos que atuam juntos por objetivos comuns, cada um levando a contribuição do próprio carisma. Alguns encontros importantes aconteceram também em Roma, Palermo e Castel Gandolfo. O grupo de Movimentos e Comunidades de Roma acolheu completamente o convite a seguir um caminho de oração pela Europa com duração de seis semanas, de 25 de março a 9 de maio de 2019, envolvendo as comunidades de cinco Basílicas importantes ligadas aos santos patronos da Europa, caminho que se concluiu com uma vigília ecumênica participativa na Basílica dos Santos Doze apóstolos. Nos dias 8 e 11 de maio, dois encontros foram além e aprofundaram a perspectiva econômica e cultural. No ‘Spazio Europa’, sede da representação da comissão europeia na Itália, falou-se sobre imigração, finanças e economia, trabalho, soberanismo e euroceticismo com o professor Leonardo Becchetti. O economista, mesmo não economizando críticas às tentações soberanistas que estão impelindo muitos países europeus a um isolamento certamente não frutuoso, ofereceu algumas novas perspectivas que estão vendo a “Escola de economia civil” como protagonista de uma nova chuva de propostas alternativas ao atual modelo econômico. Em Castel Gandolfo, no dia 11 de maio, houve um sarau cultural que contou com a presença, além dos representantes da comunidade de Juntos pela Europa, dos relatores professor Alberto Lo Presti falando sobre “Os desígnios da Europa segundo os bispos de Roma”, professor Dimitrios Keramidas, sobre “A Europa e o Patriarcado de Constantinopla” e Pál Tóth, sobre “Leste e Oeste na Europa”. Em Palermo, no dia 9 de maio, 1600 pessoas participaram do congresso “A sociedade europeia redescobre seus valores cristãos” promovido pelas várias comunidades cristãs de Juntos pela Europa, um encontro que chegou à sexta edição. Foram apresentados alguns projetos concretos e numerosos testemunhos de pessoas e grupos que deram vida a iniciativas na cidade a serviço dos “últimos”, abrindo as portas a imigrantes, desempregados, visitando encarcerados, escolhendo o caminho da legalidade, operando no campo da prevenção sobre os riscos da dependência, muitas vezes em jogos de azar, agindo por uma cidadania ativa nos bairros mais vulneráveis ou conscientizando sobre a responsabilidade no campo da ecologia. O próximo encontro acontecerá na Alemanha, em Ottmaring e Augsburgo, de 7 a 9 de novembro, para os 20 anos da fundação de Juntos pela Europa.

Patrizia Mazzola